Fracasso é um evento, apenas.

A definição de fracasso e sucesso é ampla e não define quem somos. Já que, nosso valor não está atrelado ao que fazemos. Mas, a quem somos e em quem nos transformamos.

Fracasso é um evento, não uma pessoa. John Maxwell 

Considerar fracasso como um evento e não vinculá-lo ao valor da pessoa é o que separa o sábio do tolo. Ou seja, quando nos relacionamos com quem nos cerca em bases corretas, sabemos separar o feito de seu autor. Muitos são os fatores que influenciam nossas escolhas. Algumas delas são erradas. Mas, não menos importantes. Já que, todo processo de aprendizado pressupõe erro. Só não erra, quem não faz. E, tudo que se faz pela primeira vez não é perfeito. A prática de uma atividade é que agrega eficiência e destreza na sua execução. Pois, os especialistas em sua área de atuação, estabeleceram-se com doses de disciplina, dedicação e perseverança. Ninguém nasce sabendo e todos estamos vivendo pela primeira vez. Por isso, a frustração que acompanha alguns momentos, não deve determinar quem somos.

Somos mais do que nossas conquistas. Portanto, não devemos medir nosso valor baseado nelas exclusivamente. Já que, nem sempre elas traduzem corretamente quem está por trás delas. Ou seja, nem sempre o domínio externo de uma atividade traduz coerentemente seu autor. O tempo testa, não só a veracidade, como a solidez de nossos feitos. A montanha russa de emoções e conflitos dos momentos difíceis não nos define. Pelo contrário, esta é, precisamente, a estação que propicia amadurecimento. Pois, a pressão externa revela nosso interior. Quanto mais equilibrada é nossa motivação e estrutura emocional, tanto mais facilidade temos de nos desvencilhar e vencer os desafios da jornada.

O descontrole e a opção de achar culpados para nosso fracasso, denuncia e escancara nossa imaturidade. Já que, somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e cada desafio é uma oportunidade de recomeçar, revisitando nossas premissas. Não se pode passar pela vida considerando que nossas posições não precisam ser lapidadas. E, a lapidação acontece exatamente no momento que nossa abordagem esbarra em alguma resistência. Ou seja, o contraponto que a vida nos propõe, através de situações diversas, é a chance que não deve ser desperdiçada. Os sábios são aqueles que aprendem com estes momentos e acrescentam bagagem ao seu olhar. Pois, nosso caráter é testado pelas circunstâncias nas quais estamos inseridos.

Não se pode jogar a toalha

Os que escolhem jogar a toalha, são os que não entenderam a dinâmica da vida. São, também, aqueles que valorizam demais o aplauso e a vaia. Pois, quando atrelamos nosso valor ao que fazemos, teremos tendência de desestabilizar diante dos fracassos. O olhar de quem não está conosco na arena e que, portanto, não discerne nosso momento, não deve ter peso. Ou seja, temos que escolher que voz ouvimos. É decisivo separar o ponto de vista de quem, comprovadamente, torce por nosso sucesso; daquele que apenas critica. Porque, as críticas de quem não está do nosso lado, são oriundas de uma posição equivocada. Já que, o amor e a empatia são demonstrados com gestos práticos.

Podemos medir o grau de comprometimento de uma pessoa conosco ou com uma causa; por sua disposição de se envolver. Quanto mais identificados estamos com algum objetivo, tanto mais disponibilidade temos de nos envolver com ele. Pois, gastar tempo e energia em projetos individuais ou corporativos denuncia o grau de importância que a atividade tem para nós. De maneira idêntica, denuncia o quanto quem nos critica está realmente se importando conosco. Já que, nem todos que estão ao nosso lado somam para que nosso objetivo seja alcançado. Eliminar estas vozes é tão importante quanto ouvir aqueles que realmente precisam ser ouvidos.

O que nos impede de jogar a toalha é possuir uma identidade sólida. Esta identidade nasce de momentos em que nossas motivações são colocadas em “xeque“. Certamente, são exatamente estes episódios que a vida usa para fortalecer nossas convicções ou ajustá-las. Não é vergonhoso reconhecer os erros. Pois, eles estão misturados com os acertos. É inadequado, no entanto, basear-se neles para desistir. Talvez tenhamos que nos reerguer de posições bem humilhantes. Contudo, mais humilhante seria permanecer nelas. O orgulho e a preocupação demasiada com a opinião do outro pode nos paralisar. Inegavelmente esse é um dos desafios que precisa ser superado.

“Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento.” Eleanor Roosevelt

Evitando a estagnação

As estações da vida, assemelham-se às estações do ano. Temos nosso inverno emocional, e nele permanecemos até que a primavera chegue. Situar-se corretamente nos tempos e estações ameniza a dor dos ajustes. Não é possível frutificar fora da estação. Assim como não se pode imputar um desempenho exagerado a si mesmo; quando o momento exige quietude. Esperar e aprender com cada nova estação é imprescindível e determinante. Por vezes fazemos a coisa certa, na estação errada ou do jeito errado. Outras vezes deveríamos agir e permanecemos estagnados. O compasso dessas escolhas pode comprometer os resultados. Uma vez que acertar o passo é tão importante quanto se mover. Os intervalos entre as estações precisam ser respeitados.

As janelas de oportunidade que surgem em nossa vida se fecham. Desperdiçá-las por medo ou insegurança, compromete nossos sonhos. Cada objetivo de vida que temos será conquistado à medida que aprendemos a viver um dia de cada vez; extraindo dele o que de melhor nos oferece. Olhar demasiadamente para o passado ou temer o futuro nos paralisa. Deixar-se moldar e definir pelas sombras e fantasmas do que passou é tão nocivo quanto temer demasiadamente o futuro. Estas posturas são dois lados de uma mesma moeda. 

“O meu maior medo foi sempre o de ter medo – física, mental ou moralmente – e deixar-me influenciar por ele e não por sinceras convicções.” Eleanor Roosevelt

Somos responsáveis por nossas escolhas

“A filosofia de uma pessoa não é melhor expressa em palavras; ela é expressa pelas escolhas que a pessoa faz. A longo prazo, moldamos nossas vidas e moldamos a nós mesmos. O processo nunca termina até que morramos. E, as escolhas que fizemos são, no final das contas, nossa própria responsabilidade.” Eleanor Roosevelt

Saber diferenciar uma estação de outra e que vozes nos influenciam é essencial. Assim como é determinante nos responsabilizarmos pelas escolhas feitas. Nosso protagonismo não pode ser negociado ou terceirizado. As chantagens emocionais e os jogos de manipulação, que esvaziam nossa identidade, não serão admitidos quando estas premissas forem estabelecidas. O pano de fundo de nossos conflitos será sempre uma mescla de emoções, escolhas e aprendizados. Quanto mais essa narrativa for clara, tanto maior será nossa capacidade de codificá-la corretamente. Ou seja, quanto mais limpo e controlado nosso mundo interior estiver, tanto maior será nossa capacidade de escolher certo.

A valentia e a maturidade nascem precisamente nos duelos que travamos conosco mesmo. Quem teme esta avaliação, ou pretende ignorá-la; perde. Pois, engana-se quem pensa que temos poder sobre o outro. O único poder que realmente temos é sobre nós mesmos. Não somos donos de ninguém. Não nascemos para este tipo de conquista. Nascemos com a necessidade de conquistar territórios internos que nos transformam em pessoas mais completas. O bisturi dessas cirurgias que, nos curam ou nos aleijam, está em nossas mãos; não na do outro. Nós decidimos o que a dificuldade extrairá de nós e onde depositaremos os detritos. Ou seja, o que nos sara é a remoção dos excessos e o que nos deforma é o movimento impreciso e descontrolado que nós mesmos promovemos.

A faca do outro não pode nos moldar, se não permitirmos. Ela poderá nos ferir, mas jamais pode nos definir. Ganha quem assume para si a responsabilidade do que fará com os pratos que a vida serve. Podemos nos alimentar deles, processando os ingredientes e eliminando o que não presta. Ou, escolher jogá-los no rosto de quem está à nossa volta, como se fossem os responsáveis por eles. O fracasso não nos derrota quando entendemos que ele é um dos ingredientes deste prato. Dele podemos extrair muita substância e energia para continuar lutando. Ele apenas sinaliza que continuamos na arena, ao lado daqueles que, como nós, não desistiram de lutar.

O colorido de nossa vida.

O colorido de nossos dias não é determinado pelas circunstâncias, e sim pela atitude e perspectiva com que encaramos a vida.

A vida nos oferece alguns objetos e circunstâncias descoloridos; sendo nossa tarefa colori-los. A criatividade envolvida neste processo é inata. Pois, embora alguns não se percebam criativos, todos aplicamos doses de originalidade em tudo que fazemos. Certamente, alguns exploram mais este aspecto de sua personalidade do que outros. Mas, sem dúvida, todos temos capacidade de inovar.

Portanto, a escolha das cores, assim como a ausência delas, reflete muito de quem somos. Pois, temos tendência de influenciar os ambientes dos quais fazemos parte. Este é um de nossos papéis na relação com nosso semelhante e naquilo que fazemos. Alguns gostam de cores vibrantes, alegres e contrastantes. Outros preferem os tons pastéis e cores neutras. O simples fato de termos preferência por determinada cartela de cores, indica que nosso gosto e singularidade está se expressando.

Refletimos isso na escolha das roupas, da cor do carro, das paredes da casa, da decoração, etc. Tudo em nosso ser, e nos ambientes sobre os quais temos gerência, carrega um pouco de nosso olhar. É inevitável, portanto, que nossa presença se expresse. Sufocar isso é inadequado. Mesmo quando não temos autonomia para tomada de decisão, temos um ponto de vista. Nossa ótica é formada por coisas que nos agradam ou desagradam, sendo resultado da complexa estrutura de nossa psiqué.

Aprendendo a conviver com a diversidade

Obviamente, gosto não se discute. Por isso, há consenso no que diz respeito à necessidade de considerar a opinião alheia; nem sempre objetivando a unanimidade. No entanto, as predileções corriqueiras e cotidianas, falam muito à respeito de quem somos e por vezes não são detectadas. Pois, a rotina desgasta nossa capacidade de perceber o tanto de nós que repartimos com os outros, quando escolhemos o que vestir, por exemplo.

Portanto, comunicamos mensagens subliminares por cada poro de nosso ser, à cada segundo de nosso dia. É natural que não valorizemos os pequenos gestos e escolhas. Contudo, é importante identificar nosso DNA no que fazemos. Nossa impressão digital se manifesta sempre que ousamos ser quem somos.

“A maior dor do vento é não ser colorido.” Mario Quintana

O simples fato de impactarmos outros com o que fazemos e com quem somos; indica que fomos criados para fazer diferença. Porque, ninguém na face da terra nasceu sem um propósito ou desprovido da capacidade de contribuir. Contudo, precisamos revisitar esta realidade com certa frequência. A avaliação honesta de como fazemos uso desta influência, nos possibilita ajustar os excessos e avançar na direção do aprimoramento.

Criados para impactar outros

Por isso, um dos aspectos que compõe a realização pessoal é o senso de que somos capazes de somar de alguma forma. Inegavelmente repartir quem somos com outros, influenciando-os com nosso exemplo, nos completa. Nascemos com a necessidade de pertencer, e a vida saudável em comunidade, pressupõe a troca.

Porque o equilíbrio acontece sempre que repartimos, sem constrangimentos, nossas opiniões e gostos e ouvimos o outro, com respeito. De fato, ao repartir um pouco de quem somos nestas interações, o senso de valor aumenta. Contudo, existe o risco de bloquearmos esta aptidão, devido a alguma experiência negativa passada.

Isto é, podemos ter sido mal interpretados ou quiçá feridos em alguma circunstância em que tivemos coragem de expressar algo. No entanto, precisamos separar o objeto do autor. Isto é, o que pode ter sofrido crítica, é uma ideia ou preferência, não quem somos. Já que, nós é que concedemos ao outro o direito de nos diminuir, quando desaprova algo que expressamos. Por isso, é importante ser capaz de lidar com opiniões divergentes.

O grande erro

O grande erro é conceder aos outros este poder de limitar nossa expressão. Pode bem ser uma limitação velada, mas, se ela nos bloqueia, precisamos lidar com este fato. Pois, ao anularmos alguma característica de nossa personalidade, destruímos um pouco de quem somos. Indiscutivelmente, pessoas bem ajustadas brigam por seu espaço sem intimidar-se.

Pois, entendem seu valor e papel, sabendo que ninguém tem direito de roubar-lhes este espaço. Contudo, são reais e variados os motivos que nos levam a abandonar esta posição. Mas, nenhum deles deve servir de prerrogativa para manter-nos na condição de anonimato. 

“Na realidade trabalha-se com poucas cores. O que dá a ilusão do seu numero é serem postas no seu justo lugar.” Pablo Picasso

Os dois lados da moeda

Diz-se que o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença. Sempre que pessoas nos oferecem sua indiferença, elas nos agridem. Contudo, nós podemos estar sendo indiferentes também, ao negligenciarmos nosso papel. Isso, além de nos limitar, machuca quem espera poder contar conosco. Por isso, deveria ser proibido se esconder ou optar por não se expressar. Alguns vestem-se com a capa da timidez ou até da humildade; objetivando aplacar seus medos.

Portanto, estas são justificativas inválidas quando o que está em jogo é nossa realização pessoal. Contudo, isso não autoriza ou valida a agressividade ou a incoerência. Pois, nem sempre nos é concedida a opção de ser ouvidos ou o espaço para expressar o que pensamos. Contudo, nenhuma situação externa deve influenciar quem somos, ou anular nosso ponto de vista.

Porque, mesmo quando não somos ouvidos, podemos resguardar nosso território. As pessoas que aceitam passivamente que outros assumam o comando e tomem decisões por elas, são pessoas que precisam descobrir seu valor. Cada vez que um de nós se cala ou retrocede, o mundo fica menos completo, menos colorido, perde beleza. Porque o dano não é causado apenas na vida de quem se retrai. Ele acontece, em igual medida, na vida dos que são privados da contribuição.

Só repartimos o que temos e somos

É fato que pessoas feridas ferem. Talvez tenhamos lembranças que tenham nos influenciado negativamente e que nos fizeram assumir posturas defensivas. Elas podem se expressar através de uma retração consciente ou inconsciente. Mas, seja lá o que for que tenha gerado este desconforto, é infinitamente menor do que nossa capacidade de resolver o conflito. Pois, além de nossa necessidade de encontrar nosso lugar ao sol, outros esperam por nosso posicionamento.

Pois, os vínculos que temos com quem nos rodeia, nem sempre são sanguíneos. Mas, existem em alguma medida. Eles podem ser explícitos ou não. Contudo, é fato que nossa vida está interligada com a vida de quem nos cerca. Nossas decisões, quer gostemos ou não, afetam aos outros de forma positiva ou negativa. Por isso, nossa retração diminui o outro também.

“O espelho reflete a imagem da alma, que pode ser branca e preta ou colorida. A escolha é sua.” Beatriz Sebastiany

Decididos a colorir

Por isso, perdemos e geramos perda sempre que vivemos uma vida menor do que aquela que fomos desenhados para viver. Nossos sonhos precisam ser perseguidos. As cores que carregamos precisam ser vistas e conhecidas. Existe um livro para ser escrito; uma canção que ainda não foi composta; um experimento que ainda não foi feito. Em resumo, existe algo que só você pode fazer, ninguém mais. Já que, fomos desenhados para colorir nosso mundo com as cores que carregamos.

Nosso cheiro, nosso olhar, nosso abraço, nosso carinho, nosso ouvido, pode mudar o dia de alguém. Negligenciar este papel nos deixa menores e diminui quem está à nossa volta. Por isso, não permita que ninguém diga que a cor que você usou para pintar seu dia é feia ou inadequada. Ela é a contribuição que você tem para dar ao mundo e precisamos dela para que o mundo fique mais colorido. Todos nós vivemos dias cinzentos ou sombrios, e neles temos permissão para usar cores que expressem nossa tristeza. No entanto, não é sábio permanecer indefinidamente na condição de anonimato.

Temos dentro de nós capacidade de mudar nossa trajetória e a de quem nos cerca. A descoberta de nosso valor e a ousadia de viver algo novo é o que dá sentido à nossa existência. O mundo tem espaço suficiente para absorver nossa contribuição. Ela é bem-vinda e necessária. Ainda que ninguém tenha dito hoje que você é importante; saiba que para Deus sua vida tem valor. Foi Ele quem formou cada célula de seu corpo. Ele nos criou e não nos fez iguais de propósito. Ele ama a diversidade e espera que imitemos Sua ousadia usando as cores que nos deu. O mais singelo gesto deixa marcas. Por isso, temos em nossas mãos, capacidade de colorir nosso cotidiano.

“Não há dias cinzentos para aqueles que sonham colorido.” Dr. Cowboy

Criados para amar e ser amados

Não somos capazes de amar, nem tão pouco de receber amor, quando não nos amamos. Nada externo pode mudar essa realidade, a não ser nossa decisão voluntária de acreditar que temos valor.

Definir amor e o que significa amar não é tarefa simples. Alguns expressam amor através de gestos práticos, como por exemplo: ajudar nas tarefas da casa. Outros não valorizam tanto este tipo de atitude e sentem-se amados quando são alvo de alguma ação inesperada, do tipo que nos arrebata de nossa rotina. Talvez um pouco das duas coisas ou nenhuma delas, mas o fato é que nascemos para ser amados e para amar. E o amor precisa se expressar de forma palpável, visível. Já que, amar pressupõe ação.

Se usássemos a analogia de um equipamento eletrônico, poderíamos dizer que os componentes do ser humano foram desenhados para funcionar através do amor. Amor é sinônimo de aceitação, de valor, de significado. Por isso, a ausência de amor, inevitavelmente gera sofrimento. A maioria das pessoas instintivamente busca respostas para esta lacuna, e por vezes se apoia em recursos errados. Pois, toda solução externa que garanta conforto e gere valor não tem potencial de mudar, de fato, a maneira como nos sentimos.

Se a humanidade pudesse ser dividida em dois grandes grupos, eles seriam o das pessoas que possuem senso profundo de valor e aceitação e das que lutam para conquistar isso. Nesta hipótese, possivelmente apenas uma variável separaria estes dois grupos. Os que amam e vivenciam a aceitação, são os que consideram-se dignos disso, o outro grupo ignora este fato. Os que desconhecem esta realidade perseguem o amor de forma equivocada. Por isso, o primeiro passo que nos introduz no caminho correto é reconhecer que merecemos o amor.

É um amor pobre aquele que se pode medir.” William Shakespeare

Reconhecendo nosso valor

O simples reconhecimento de que precisamos e merecemos ser amados, não torna a vida melhor ou mais fácil, e não nos imuniza de traumas, falências ou separações. Mas, estas fatalidades nos afetam em medida diferente. Porque, sempre que analisamos as circunstâncias a partir da ótica correta, elas assumem proporções adequadas. Isto é, nenhum fator desagradável externo nos derrota quando temos consciência de nossa capacidade de nos reerguer e reinventar.

Quando nosso valor está alicerçado na base sólida do amor, isto é, quando não se apoia em nada passageiro ou transitório, adquirimos mais resistência para lidar com os desafios. Isto também aniquila a mentalidade de que estamos incompletos, ou de que algo que não temos pode ser a chave do sucesso que perseguimos. Porém, isso não significa que estaremos acomodados ou que sejamos alienados. Pelo contrário, ao conquistarmos coisas a partir deste lugar, tais conquistas não definirão quem somos.

Por isso, se eventualmente as perdermos, nossa estrutura não sofre rachaduras. Quando Deus criou o homem, partiu do princípio que Ele seria a fonte de amor e aceitação capaz de nos conduzir. Infelizmente o homem rompeu esta conexão, e, por isso, anda buscando respostas em outras fontes. Porém, as incertezas se dissipam, e não tememos a exposição e os riscos emocionais, quando somos definidos pelo amor que Deus tem por nós. Esta é a única Fonte legítima e confiável de amor.

“Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.” 1 João 4:16

Derrubando os muros

A insegurança em geral nos atrela ao medo. Quando tememos, temos mais dificuldade de arriscar, pensamos erroneamente que existem meios seguros de nos proteger. Por isso, a busca instintiva do amor, quando frustrada, nos leva a edificar muros. São estes mesmos muros que levantamos para nossa proteção, que nos escravizam e isolam. Portanto, longe de ser um escudo eficaz, a ilusão deste tipo de atitude desencoraja a reação que teria fornecido a proteção genuína que perseguimos.

Por isso, a simples escolha da exposição voluntária nos aproxima bem mais de quem somos de fato, do que a fuga. Não se trata da exposição pela exposição, já que isso seria um suicídio emocional. Mas, da consciência de nossa identidade e valor que nos capacita a lidar com a possibilidade de não ser aceito ou totalmente compreendido. Estes riscos são reais e precisam ser considerados. Porém, é nossa a tarefa de separar quem somos, da crítica que recebemos.

Pois, amar envolve correr riscos. Qualquer um que ama sabe disso. Não existe vacina que nos imunize, nem atalhos que nos poupem deste componente do percurso. Todos os que amam já foram feridos e já feriram. Existem cicatrizes que denunciam alguns desses momentos mais doloridos. As marcas que o amor produz nos transformam. Elas também possuem certa beleza, que só é discernida pelos que amam.

“A medida do amor é amar sem medida.” Santo Agostinho

Aprendendo a se amar

Inegavelmente uma pessoa que não ama a si mesma não tem o que oferecer para o outro. Já que não podemos repartir ou doar algo que não temos. A ausência de amor próprio nos faz exigir do outro atitudes que jamais nos suprirão de fato. Porque, nada externo, nem mesmo gestos genuínos e autênticos de amor, são eficientes para destruir esta mentira. Se perceber como alguém sem importância, é não ser capaz de decifrar sua essência.

Por isso, nestes casos, a ótica do outro, não é suficiente para nos remover desta posição. Só nós podemos decidir quando sairemos deste lugar. Certamente existem fatores que podem contribuir tanto para reduzir esta sensação de ausência de significado, como para potencializar este pensamento. No entanto, nem mesmo uma justificativa plausível, constitui álibi para este tipo de posicionamento. É imprescindível descobrir que perdemos tempo quando permitimos que outros nos definam.

Inegavelmente, é perigoso vincular quem somos às reações de outros ou a qualquer coisa que façamos ou tenhamos. Pois, nada disso é inabalável. Nossa auto-estima é imediatamente sequestrada quando vinculamos nosso valor a algo externo ou à opinião de quem quer que seja. Podemos gostar da sensação do aplauso e reconhecimento nos momentos de sucesso. Mas, na presença dos fracassos, que são inevitáveis, naufragamos com eles.

“Quem se apaixona por si mesmo não tem rivais.” Benjamin Franklin

Sendo capazes de amar

Portanto, ao autorizarmos que nos definam, isto é, que nosso valor esteja vinculado ao que fazemos, o fracasso torna-se nossa sepultura. No entanto, quando este componente é excluído da equação, temos mais facilidade de arriscar. Consequentemente construímos uma identidade mais sólida. De maneira idêntica, ao recebermos amor a partir de uma ótica ajustada e equilibrada, somos capazes de dar amor.

Porque, a máxima de que é dando que se recebe, se aplica muito bem neste cenário. Já que precisamos nos amar e repartir este amor com outros, para que ele se multiplique em nós. Dar amor de forma incondicional e livre alimenta nossa fonte de amor. Isto é, a lei do amor é regida pela necessidade de ser alvo e fonte de amor simultaneamente.

Pode ser confuso para mente, mas não é para o coração. Os que amam não têm dificuldade de decifrar este enigma. Já os que não amam, não entenderão por mais eloquente que seja a linguagem usada que pretenda explicar. Precisamos do outro, para repartir o que temos e para receber o que nos falta. No entanto, a única fonte de amor infalível e inesgotável é o Criador. Ele nos criou com capacidade de amar e de receber amor. Por isso, só somos completos quando recebemos e repartimos amor.

“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” 1 João 4:8

Grafite ou diamante?

Se deixar transformar em um diamante é um processo longo e difícil. Sem a ação do tempo, temperatura e pressão somos grafite.

Qualquer joia que possua um diamante é muito valiosa. Nenhuma joia é barata, mas, o que a torna valiosa é o detalhado e minucioso processo pelo qual passa. O ouro é depurado quando passa pelo fogo. Ao passo que, o diamante é oriundo de um elemento químico chamado carbono. O carbono transforma-se em diamante, no interior de erupções vulcânicas, nas profundezas de rios e mares.

A palavra diamante tem origem grega, é uma derivação da palavra adamas, que significa indestrutível. Segundo estudos, os primeiros diamantes formaram-se há aproximadamente 2,5 bilhões de anos. Por isso, a frase “diamantes são eternos”, tem sentido.

Do mesmo elemento, carbono, forma-se outro mineral chamado grafite. O que determina se o carbono se transformará em grafite ou diamante são fatores ambientais distintos. Já que, a pressão e a temperatura são os principais responsáveis pela cristalização de seus átomos.

No diamante, a ligação forte dos átomos de carbono é promovida pela exposição à pressão e temperaturas muito altas. Enquanto, no caso do grafite, as condições são bem mais amenas, resultando numa ligação mais frágil e frouxa de seus átomos, que o deixa maleável.

Tempo, pressão e temperatura

Este fenômeno da natureza gera, de um mesmo elemento químico, duas substâncias distintas. Semelhantemente, podemos traçar paralelos do que acontece conosco. O ser humano possui uma essência bruta. Precisamos ser expostos a situações de pressão e altas temperaturas para adquirir resistência.

O que determina valores diferentes ao diamante e ao grafite é sua história. O que transforma sua estrutura age de dentro para fora. Similarmente, nossa beleza é gerada de dentro para fora. Qualquer maquiagem no exterior não é eficiente para esconder o que brota quando somos surpreendidos por adversidades.

A pressão pode nos quebrar, como acontece com o grafite, ou nos fortalecer, transformando-nos em diamantes. Além da pressão e das altas temperaturas, outro ingrediente importante completa este cenário: o tempo. Nada valioso se forma da noite para o dia. Por isso, aguardar a velocidade do processo é decisivo.

O trabalho do joalheiro

No entanto, além da matéria-prima adequada (ouro e diamante), a metamorfose acontece quando os elementos passam pelas mãos do joalheiro. É ele quem lapida a pedra, desenha a joia e dá formato ao ouro. O processo que inicia na natureza, completa-se quando um especialista acrescenta-lhe detalhes. A originalidade da peça é o que confere-lhe o valor de ser exclusiva, transformando-a em única.

Semelhante, outras comparações podem ser feitas em relação à nossa existência. Escolhemos permitir que os processos nos transformem em joias, ou estacionamos em alguma etapa do processo. Cada etapa é importante. Portanto, a ausência de alguma delas deixa o objeto inacabado.

Nenhuma pressão ou temperatura é capaz de nos destruir, quando nossa essência foi associada com a de Deus. Sozinhos não conseguimos vencer os desafios, mas quando Ele habita em nós, temos garantia de que resistiremos. Permitir que o tempo exerça seu papel é igualmente desafiador.

A joia pronta

Quando a joia está pronta, sendo única, torna-se insubstituível. Assim como um quadro de Picasso ou Da Vinci, a joia é agora obra de arte. Nascemos para ser essa joia de incalculável valor, exclusiva. Temos valor inestimável aos olhos do Criador. Por isso, Ele entregou o que tinha de mais precioso para nos resgatar, Seu Filho.

Ninguém pode nos substituir quando descobrimos nossa identidade nEle. Igualmente é importante identificar cada um dos desafios como oportunidades de ser refinado. O último detalhe é acrescentado por Ele, o Joalheiro dos joalheiros. Ele tem um desenho exclusivo para imprimir em nossa estrutura. Não lhe faltam criatividade e bom gosto.

Dizem que a beleza está nos olhos de quem vê. Ele nos viu e desejou; sonhou conosco, quando nossa estrutura era bruta. Pagou o preço para nos ter de volta. Tem poder para nos transformar em joias preciosas. Foi com esse objetivo que fomos criados. Reflexos dEle mesmo, criados à Sua imagem e Semelhança.

Mas, Ele respeita nossas escolhas, deixando-nos livres para decidir. Somos indestrutíveis e eternos, como os diamantes, quando suportamos o processo. No entanto, sem Ele, não aguentamos a pressão, as altas temperaturas, quem dirá a ação do tempo, sendo então, mero grafite.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Isaías 55:8,9

“Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.” Jeremias 29:11