A reinvenção permanente.

A arte da reinvenção está disponível na vida de quem não teme desaprender e reaprender. Sem ela ficamos estáticos e menos belos.

Reinvenção é uma palavra que assusta algumas pessoas, enquanto motiva outras. Nossa vida é recheada de momentos que propiciam a reinvenção. No entanto, nem sempre classificamos estas oportunidades de maneira correta. Ou seja, aquilo que para alguns representa uma chance de fazer diferente, para outros pode bem ser um grande obstáculo. O que diferencia nossa ótica são os conceitos limitantes que abrigamos. Infelizmente nossa sociedade impõe alguns padrões que não podemos aceitar como legítimos. De maneira idêntica, nossa criação alimentou algumas inseguranças e medos que precisam ser desmascarados.

Ao permitirmos que nos definam ou que nos rotulem, estamos concordando com limites não testados. Por isso, nenhuma outra pessoa deveria ter permissão de ocupar o lugar de protagonismo em nossa vida. Pois, mesmo que o pretexto seja o de aconselhar ou proteger, fomos criados com a necessidade de conquista e avanço e testar limites contribui para implementação deste processo. Portanto, cada vez que alguma crença limitante é incorporada ao nosso modus operandi, deixamos de explorar possibilidades. O medo da reinvenção se manifesta de várias formas e pode estereotipar-nos. Já que está baseado em premissas erradas e que podem ser modificadas.

A capacidade de reinvenção do ser humano não está atrelada ao seu tipo físico, grau de instrução, raça, gênero ou qualquer característica biológica. Todos nós nascemos com capacidades que precisam ser exploradas e desenvolvidas. Porque, mesmo aquilo que classificamos como dons, precisam ser aprimorados. Gostar menos ou mais de determinada área ou atividade, não é o mesmo que não ter habilidade de desenvolver uma tarefa. Engana-se quem pensa que os profissionais que se destacam em suas áreas de atuação possuem algum tipo de poder sobrenatural. Ao analisarmos sua trajetória concluímos que são pessoas comuns que dedicaram-se a aprimorar algum aspecto daquilo que queriam fazer.

“Poder se reinventar após experiências negativas é o segredo da felicidade.” O Ilusionista

Sonhar é permitido

O sonho pode ser a mola propulsora da trajetória que nos conduzirá para nosso destino. Mas, apenas sonhar não é o bastante. Temos que ter uma estratégia vinculada a cada objetivo que traçamos. O trabalho duro e disciplinado é o alicerce sobre o qual o sonho se estabelece. Quando uma alternativa falha, podemos testar outras possibilidades, analisando ângulos que ainda não foram explorados. Aquilo que consideramos o fim do túnel pode ser a passagem para uma nova etapa. De maneira idêntica, podemos nos reinventar fazendo a mesma coisa de um jeito diferente, inovando métodos e aprimorando resultados. A familiaridade pode ser um inimigo em muitos casos, portanto, devemos confrontá-la.

Uma nova necessidade deve nos desinstalar de nossa zona de conforto. Que é o lugar que mais nos prejudica e no qual gostamos de permanecer. Nosso cérebro gosta de padrões, e sempre resistirá a qualquer sugestão de responder diferente. Pois, a existência de um modelo prévio formatado incentivará a repetição. Teremos que empreender um gasto maior de energia quando desejamos mudar estes padrões, incorporando novos horizontes ao nosso cotidiano. O sonho, por definição, é algo abstrato que não possui correspondência no mundo físico e real. No entanto, em cada sonhador existe potencial de transformar seus sonhos em realidade. Contudo, isso só acontece na vida daqueles que entendem que precisam dedicar-se, perseguindo aquilo no que acreditam.

“A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos.” Ana Jácomo

Modifique sua resposta

O cotidiano nos engessa e impõe ritmos que assassinam nossa espontaneidade. O compromisso com o relógio e com tudo que é urgente subtrai o que é importante. Dialogar com estes dois mundos, extraindo deles o melhor, é um diferencial que temos que almejar. Precisamos de inteligência emocional aliada a um senso de praticidade que nos permite otimizar o uso de nosso tempo. Inegavelmente o tempo é a principal commodity que somos desafiados a gerenciar. Portanto, não seria inteligente desperdiçá-lo, andando em círculos. Um contratempo em nosso dia pode ser uma oportunidade de mudar de rota, ou de desperdiçar energia reclamando. Um olhar treinado e faminto por mudança saberá identificar chances de introduzir o novo.

A dor é pedagógica, e não devemos temê-la como consequência do erro ou do acaso. Ninguém buscará machucar-se de propósito, nem seria lógico abandonar-se nos braços do desconhecido. Contudo, o excesso de previsibilidade nos mutila, assim como a familiaridade nos limita. Precisamos de doses de imprevisto e conflito em nossa jornada. Pois, a ostra feliz não produz pérola. Já que é o atrito causado pelo desconforto da substância indesejada que provoca a produção do revestimento produzido pela ostra, transformando o grão de areia na pérola. As pérolas não existiriam se os detritos não invadissem o molusco, e assim é conosco.

O medo funciona como um ímã, atraindo informações que o legitimam. Nossa mente buscará instintivamente protótipos que resistirão a qualquer sugestão de mudança, evitando o risco. Mas, ainda que seja um aspecto poderoso de nossa psiqué, o cérebro possui plasticidade e comprovadamente pode ser reprogramado. Desde simples hábitos alimentares até fobias irracionais podem ser modificadas. Qualquer forma de medo deve ser confrontada se quisermos explorar plenamente nossas capacidades. Medos nos limitam e escravizam e por mais que tenhamos razões de sobra para temer o desconhecido, ele deixa de ser desconhecido no momento que ousamos desbravá-lo.

“Cuidado com gente que não tem dúvida. Gente que não tem dúvida não é capaz de inovar, de reinventar, não é capaz de fazer de outro modo. Gente que não tem dúvida só é capaz de repetir.” Mario Sergio Cortella

Lutar em amor.

Lutar por uma causa é legítimo e imprescindível. Mas, precisamos promover aproximação e não distanciamento; aprendendo a lutar em amor.

Lutar pela defesa de um território ou posicionamento é legítimo. Já que, muito pior que uma derrota em qualquer campo de batalha, é a apatia que nos mantém estagnados. Nascemos com a necessidade de conquista e com o anseio de avançar. Inegavelmente, o principal combustível desta guerra são nossos sonhos e ideais. De maneira idêntica, nossa ótica da vida e a maneira como nos percebemos são determinantes no papel que exercemos. Alguns percebem-se conclamados a lutar incansavelmente por suas causas. Consequentemente são movidos pelas metas que estabelecem e não temem qualquer nível de confronto.

Outros, no entanto, podem assumir posicionamentos menos ofensivos, quase neutros, porque não convivem bem com o enfrentamento. Seja qual for o perfil que tenhamos, é fato que temos um conjunto de valores que rege nossas escolhas. Por consequência, quer gostemos ou não, ao longo de nossa existência, esbarramos em pessoas que pensam diferente de nós. Nem mesmo dentro de uma mesma família existe consenso. Pois, teoricamente, pessoas expostas a uma mesma criação ou ambiente, deveriam ter reações semelhantes. Nada mais se distancia da verdade do que supor que são apenas estes os fatores que formam quem somos.

Certamente nossa criação, o lugar onde vivemos, nossa classe social, nacionalidade e muitos outros fatores influenciam a composição de quem somos. No entanto, cada ser humano é único e possui capacidade de fazer escolhas que podem muito bem contrariar a parcela da sociedade em que está inserido. Considerando que fomos criados para viver em comunidade e que o convívio com nosso semelhante nos enriquece, urgentemente, precisamos encontrar o equilíbrio entre a expressão de nossa identidade e a ofensa e o desrespeito. Obviamente não gostamos da ideia de ter qualquer direito à liberdade de expressão tolido. Mas, a máxima que diz que minha liberdade acaba quando começa a do outro, é muito verdadeira.

“O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Albert Einstein

Unidade na diversidade

Buscar unidade em tudo que vivemos nem sempre é possível. Mas a vida em sociedade exige que se busque soluções civilizadas de convívio. Outro fator importante a ser considerado é o fato de que a unidade só é promovida onde existe diversidade. Não teria sentido buscar unidade em algo que, por natureza, já é similar. Já que, onde as semelhanças já foram estabelecidas, não há necessidade de construir unidade. Pois, ela é intrínseca. O desafio nasce, portanto, quando pensamentos antagônicos e opostos são apresentados. Neste momento temos que escolher não desumanizar quem pensa diferente de nós. Porque, a guerra que travamos, seja defendendo um território ou tentando avançar na direção de um alvo; não deve ser ganha a qualquer custo.

Lutar usando armas que destruam o direito e espaço do outro; em benefício próprio, nunca será a melhor estratégia. É sabido que toda e qualquer guerra pressupõe baixas. Ou seja, na batalha as perdas acontecem, e os que estão na linha de frente são os mais afetados. Inevitavelmente as grandes conquistas da humanidade e os avanços civilizatórios foram gerados em meio ao posicionamento de uns poucos que não temeram oposição. Pois, quanto maior a causa e a mudança que desejamos promover, tanto maior deve ser nossa determinação de viver e morrer por ela.

“Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver.” Martin Luther King

Lutando em amor

Jesus foi um grande revolucionário. Ele nasceu sabendo que Sua morte era o principal destino de Sua vida. Pois, sabia que através dela reconciliaria a criatura com o Criador. Ele nunca enganou os que desejavam segui-lo, antes alertou-os para a importância de imitarem Seus passos. Ou seja, os que quisessem Segui-lo, deveriam tomar sua cruz, rumando para o lugar de morte. Ele não incentivou a guerra com lanças e flechas. Antes, sofreu como uma ovelha muda diante de Seus tosquiadores. No entanto, tinha uma causa pela qual estava disposto a morrer. Seus ensinos demonstraram que a verdadeira batalha é ganha no lugar de rendição.

Pois, é quando oferecemos a face ao que nos bate, que provamos acreditar no valor do que proferimos. De maneira idêntica, ao perdoarmos quem nos ofende, direcionamos nosso foco para o que tem valor eterno. A compreensão da fragilidade de nossa existência, à luz da eternidade; bem como da importância de nossa vida; certamente, é o equilibra a batalha. Porque, nascemos para deixar nossa marca. Já que, ninguém pode fazer ou substituir nosso papel na história da humanidade. No entanto, nossa vida se esvai muito rapidamente e o orgulho e a altivez não são bons mestres.

Por isso, ao assumirmos o protagonismo de nossa vida temos que, essencialmente, permitir que o outro assuma seu protagonismo, também. Portanto, lutar por nossos ideais é legítimo e imprescindível. Mas, a verdadeira motivação da luta deve ser a promoção do amor. Qualquer causa que não objetive diminuir a distância entre os seres humanos é, no mínimo, vazia de significado. Aprender a lutar em amor é abrir mão de ter razão em alguns momentos. É também saber ouvir e oferecer empatia ao que discorda de nosso ponto de vista. O verdadeiro grito é aquele que damos ao morrermos pelo outro, e por aquilo que ele não compreende ou valoriza no momento.

“Ser grande, é abraçar uma grande causa.” William Shakespeare

A vergonha é assim

A vergonha é um inimigo dissimulado e poderoso. Ela nos mutila e pode nos paralisar, impedindo que lutemos por nossos sonhos.

“É assim a vergonha da mulher cujas mãos ocultam o sorriso, pois os dentes são ruins, não o grandioso ódio a si mesma que leva alguns a lâminas ou comprimidos ou a um mergulho do alto de belas pontes por mais trágico que seja.

É assim a vergonha de ser ver, de ter vergonha de onde você mora e daquilo que o contracheque de seu pai permite que se coma e se vista.

É assim a vergonha dos gordos e dos carecas, o insuportável rubor da acne, a vergonha de não ter dinheiro para a refeição e de fingir que não se tem fome.

É assim a vergonha da doença oculta – doenças caras demais para se arcar, que oferecem apenas uma passagem gélida de ida.

É assim a vergonha de ter vergonha, o nojo diante do vinho barato que foi bebido, da lassitude que faz com que o lixo se acumule, a vergonha que lhe diz que existe outra forma de vida, mas que você é tola demais para encontrá-la.

Assim é a vergonha real, a maldita vergonha, a vergonha chorosa, a vergonha criminosa, a vergonha de saber que palavras como glória não fazem parte do seu vocabulário, embora entulhem as bíblias que você ainda está pagando.

Assim é a vergonha de não saber ler e de fingir que sabe.

Assim é a vergonha que provoca medo de sair de casa, a vergonha dos cupons de desconto no supermercado, quando o vendedor demonstra impaciência enquanto busca o troco.

Assim é a vergonha da roupa de baixo suja, a vergonha de fingir que seu pai trabalha num escritório como Deus pretendia para todos os homens.

Assim é a vergonha de pedir aos amigos que a deixem diante de uma bela casa do bairro e de esperar nas sombras até que partam antes de caminhar até a desolação de seu casebre.

Assim é a vergonha por trás da mania de possuir coisas, a vergonha de não ter calefação no inverno, a vergonha de comer ração para gatos, a vergonha profana de sonhar com uma casa e um carro novos e a vergonha de saber como são mesquinhos tais sonhos.”

Vern Rutsala

Todos sentem vergonha

Embora a vergonha seja um sentimento universal, ela manifesta-se de formas variadas e raramente é catalogada como tal. Ou seja, gostamos de mascarar nossas reações e medos, classificando-os com nomes mais atrativos. Com isso, contribuímos para o anonimato da vergonha, empoderando-a. Ela se beneficia tanto do anonimato, quanto da crença que só nós lidamos com este desafio. Nada poderia estar mais longe da verdade do que esta afirmação.

Porque a vergonha é algo intrínseco em nossa natureza. Por isso, ela pode ser a mola propulsora que nos inquieta e nos faz buscar superação. Mas, pode também, transformar-se em uma emoção paralisante. Pois o constrangimento que ela promove, especialmente se está oculta, só pode ser eliminado quando confrontado. Já que, sua camuflagem preferida é a mentira de que pode ser eliminada com conquistas.

Pois, uma vitória, por mais legítima que seja, quando alicerçada na vergonha, produz orgulho, altivez. Porque, é inevitável que alguém que prospere em suas iniciativas, tentando livrar-se de algum estigma, pense de si mesmo além do que convém. Inegavelmente, toda distorção que o embaraço produz não pode ser corrigida com uma conquista. O vexame associado a qualquer acontecimento passado ou presente, não é acobertado facilmente. Podemos fazer tentativas honestas de maquiá-lo com episódios de superação, mas eles não são suficientes para corrigir estas distorções.

Envergonhando a vergonha

A arma eficiente contra qualquer vestígio deixado pela vergonha é a vulnerabilidade. Pois, quando expomos a maneira como nos vemos ou os rótulos que recebemos e que nos mutilam, desestruturamos o principal alicerce da vergonha. Isto é, não existe estratégia mais apropriada para desmascará-la do que a exposição do que ela insinua. Muitas pessoas cometem verdadeiras atrocidades tentando livrar-se da dor emocional causada pela vergonha. Elas se auto sabotam e assumem identidades que não correspondem a quem são de fato. Um dos piores danos causados por este tipo de postura, é que ela limita e anula nosso potencial.

Porque todo ser humano possui capacidade de desenvolver-se, crescer e conquistar objetivos. Sem uma perspectiva de vida, nosso dia-a-dia fica maçante e insuportável. Certamente a vergonha não é a única vilã, mas ela acoberta nossos temores e a preocupação excessiva que temos com nossa imagem e com a opinião do outro. Pois, o fato de não reconhecermos nosso potencial e capacidade de superação fortalece a apatia. De maneira idêntica potencializa a sensação de impotência diante de fatos corriqueiros.

Portanto, desmascarar a vergonha é decidir enfrentá-la, expondo as correntes que nos mantêm cativos por anos. Muitos não experimentam nenhum nível de liberdade, pois são reféns de traumas e memórias que foram construídas sobre um alicerce mentiroso. Por isso, quando decidimos assumir posição e o protagonismo de nossa vida, um dos inimigos que precisamos derrotar e denunciar são estes segredos que a vergonha nos fez guardar a sete chaves.

A dúvida mata mais sonhos do que fracassos podem matar.

Dúvidas são, em geral, sinônimo de insegurança. Por isso, elas nos paralisam e roubam nossos sonhos mais do que qualquer fracasso.

“A dúvida mata mais sonhos do que fracassos podem matar.” Suzy Hassem

Esta curta frase carrega muita verdade a respeito do funcionamento de nossa psique. Porque, na prática, qualquer pessoa que deseja conquistar algo irá fracassar em alguma medida. O fracasso não é opcional para os que encaram os desafios da vida como oportunidades de crescimento. Os erros cometidos são parte integrante do processo de aprendizagem. Não existem rotas alternativas ou atalhos que nos isentem de lidar com as pequenas decepções que pavimentam esta via. Só não erram os que estão estacionados, pois já desistiram de lutar.

O que duvida de sua capacidade diante dos desafios é alguém que, em alguma medida, escolheu não se arriscar. Buscar este nível de preservação e anonimato, na maioria das vezes não é sinal de prudência e sim de medo. Pois, gostamos de mascarar nossos reais sentimentos em relação ao que nos intimida. A causa deste tipo de comportamento, pode  muito bem ser  o gosto amargo de alguma derrota recente, que ainda está muito presente em nosso paladar emocional. Por isso, evitamos tocar no assunto, ou avaliar a situação, como se a negação fosse a solução para o problema.

Conta-se de um piloto experiente, que treinava um novato que pretendia seguir carreira como aviador. Em suas primeiras horas de vôo ao lado do piloto, o calouro havia cometido pequenos erros, que foram naturalmente corrigidos ao longo do percurso e, por isso, não afetaram a confiança do rapaz. Mas, diante do erro grave cometido, que poderia ter custado a vida de ambos, o piloto experiente ordena uma aterrissagem, seguida de uma decolagem imediata.

Quando questionado pelo novato em relação ao motivo pelo qual haviam feito este procedimento, o sábio e experiente piloto explicou que: se desejasse ser bem-sucedido, jamais deveria permitir que o medo se instalasse de forma definitiva em suas emoções. O simples fato de terem feito uma decolagem imediata, minimizaria as chances do novato se intimidar diante daquela falha. Certamente, a dúvida ou insegurança poderiam comprometer seus planos de seguir carreira como aviador, se ele tão somente permitisse que aquela experiência o definisse.

Os vôos fracassados

À semelhança deste piloto novato, jamais seremos capazes de alçar voo se colecionarmos insegurança e medo oriundos de experiências negativas que vivemos. Seres humanos falham e cometem erros. Ninguém nasce sabendo, e só crescemos quando temos coragem de lidar de frente com o que nos limita. No entanto, a dúvida instalada abre portas para que outros invasores drenem nossa energia. Este tipo de experiência tem potencial de nos tirar da arena. Jogamos a toalha com muita rapidez e abandonamos sonhos diante da dúvida.

Nossa vida é um conjunto de escolhas que temos que ter coragem de fazer. Os mais ousados e seguros, certamente são os que temem menos o risco. Mas, eles também possuem limites que se sentem desafiados a superar. Não se trata de destacar perfis mais arrojados em detrimento ao de pessoas mais conservadoras. Cada um dentro de sua esfera de ação, precisa classificar corretamente o que é cautela e o que é medo de arriscar. Equilibrar estes dois componentes da equação é decisivo. Porque só temos uma vida para viver e só nós podemos vivê-la, ninguém mais.

Portanto, não temos opção de terceirizar esta tarefa, e não é sábio continuar se apoiando em desculpas que justifiquem nossa frustração. Os argumentos que usamos para explicar nossa estagnação, em geral apontam culpados. No entanto, o indicado seria assumir o protagonismo e a responsabilidade necessária para lidar com os eventuais desvios de rota. Afinal, o que se espera é que assumamos o manche da aeronave, ou o volante do automóvel, saindo do banco do carona, rompendo com a passividade. Existe um tempo apropriado para assistirmos as instruções e adquirirmos conhecimento, porém, é perigoso estender este tempo além do necessário.

“O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar com mais inteligência. Há mais pessoas que desistem, do que pessoas que fracassam!” Henry Ford

Encontrando prazer na aventura

Cada um de nós deve possuir alvos e metas que deseja atingir a longo, médio e curto prazo. O estabelecimento de metas e o planejamento é recomendado e decisivo na maioria dos casos. No entanto, não devemos engessar este processo. É importante reservar muito espaço na agenda para os imprevistos e para que possamos estacionar e curtir a paisagem ao longo do caminho. Temos permissão e necessidade de apreciar o trajeto. Já que é durante a jornada da vida que a soma de experiências nos molda, transformando-nos em quem somos.

Nenhuma graduação ou especialização, por mais eficiente que seja, é capaz de agregar conhecimento como a experiência. As teorias, por mais fiéis e completas que sejam, são incapazes de prever percalços e considerar o fator humano que as executa. Porque nossa humanidade nos transforma em seres complexos e únicos. Nossas reações variam consideravelmente diante de situações aparentemente idênticas, pois as codificamos de formas distintas. Esta é uma beleza intrínseca de nossa individualidade, pois ninguém nos imita ou executa algo como nós.

Temos obrigação de descobrir o que nos preenche e completa. É nossa tarefa desvendar o quebra-cabeças da vida e conhecer os detalhes do desenho que estamos formando, com as peças que temos. Se levar menos a sério minimiza o impacto das derrotas e oportuniza um aprendizado menos dolorido. Quando se parte do princípio que o erro fará parte do processo, somos mais condescendentes conosco mesmos e com os demais. Não se espera que os que estão tentando não cometam erros; o que se espera é que não desistam. Não desistir e acreditar em si mesmo é o início de qualquer conquista.

“Todo aprendizado que adquiri, foi um problema que me ensinou.” T D Jakes

O presente é a única coisa que temos

Quando visitamos assiduamente o passado, ou permitimos que a ansiedade do futuro nos assole, subtraímos o presente de nossa existência.

Embora pareça clichê, o presente, realmente, é a única coisa que temos. Porque então é tão difícil viver focado no agora? Qual o segredo para usufruir do presente em sua plenitude?

Por vezes o passado não reconhece seu lugar e influencia nossas decisões. Outras vezes é o futuro que insiste em invadir uma esfera de ação que ainda não é sua. Sem ignorar as lições aprendidas no passado, ou o planejamento razoável e sadio do futuro, devemos focar no presente.

O dia de hoje tem característica que o ontem não possuía, e não é sábio deixá-lo contaminar-se com o que o passado carrega. Quando isso acontece, esvaziamos o hoje de significado. O novo pode e deve ser criado. Raramente será uma imitação do que já fizemos.

O amanhã nasce hoje

O dia de amanhã ainda não está desenhado, e além disso, não temos influência alguma sobre ele. Ele pode reservar surpresas agradáveis ou desagradáveis, mas cabe a nós confiar que as estratégias serão liberadas, quando delas precisarmos.

Os anos acrescentam memórias e lições em nossa caminhada. É saudável cultivá-las, desde que elas não estejam ditando ou estagnando nosso presente. O mesmo se diz em relação aos sonhos e projetos futuros, eles são úteis, desde que não adiem o hoje.

Quando nosso presente está contaminado com cargas excessivas de passado ou preocupação demasiada com o futuro, anulamos o presente. Por mais que nos desafie, temos que viver um dia de cada vez. É esse espaço de 24 horas que somos chamados a administrar.

O dia e a noite

Quando criança, lembro-me de pensar sobre a necessidade de dormir. Crianças, em geral, não gostam de ser interrompidas, especialmente quando estão na companhia agradável dos amigos. Achava inadequada a interrupção.

O dia e a noite. A semana. Os meses. As estações. Os anos. Foram todos divididos sabiamente por Deus, para serem digeridos em doses homeopáticas. Nenhum ser humano é capaz de digerí-los de outra forma, por mais que tente.

Quando tentamos, nos afogamos, sufocamos e por vezes adoecemos. Temos que aprender a nos levar menos a sério. A valorizar os recursos e oportunidades que temos nas mãos. Os relacionamentos conquistados. Visitar o passado com grau menor de assiduidade e permitir que o futuro chegue na velocidade apropriada.

Sendo sábio

A sabedoria de viver o hoje talvez  ajuste os erros do passado. E se não ajustar, paciência. Temos que decidir abandonar aquilo que nos impede de viver o presente. Essa escolha, poderá nos garantir um futuro brilhante, pois o futuro é construído em cima das eleições de hoje.

Seja valente ao escolher viver esse dia. Aproveite sua essência. Se é chuva ou sol que o espera por trás da janela, só você pode decidir o que fazer com as oportunidades que tem. Ninguém mais poderá viver esse dia como você.

esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.” Fl. 3:13,14

 

Não tenha medo da vida. Tenha medo de não vivê-la.

A vida foi feita para ser vivida com ousadia e em sua plenitude. Quando isso constitui um desafio, precisamos de um encontro com o Criador.

Não tenha medo da vida, tenha medo de não vivê-la. Não há céu sem tempestades, nem caminhos sem acidentes. Só é digno do pódio quem usa as derrotas para alcançá-lo.”

“Só é digno da sabedoria quem usa as lágrimas para irrigá-la. Os frágeis usam a força; os fortes, a inteligência. Seja um sonhador, mas una seus sonhos com disciplina, pois sonhos sem disciplina produzem pessoas frustradas. Seja um debatedor de idéias. Lute pelo que você ama.”

Augusto Cury

Aprendendo com quem sabe

Os textos de Augusto Cury são inspiradores, não só por serem carregados de verdade, mas especialmente, por serem frutos de uma descoberta pessoal.

Imagino que a maioria, senão todos, sabem que sua trajetória na psiquiatria, foi iniciada como um ateu convicto. Sua curiosidade profissional instigou-o a pesquisar a vida de um judeu carpinteiro. Foi quando deparou-se com a narrativa bíblica dos evangelhos.

A personalidade intrigante de Jesus, o fez concluir que, somente uma pessoa totalmente curada e ajustada, poderia doar-se de forma tão incondicional e plena pelo outro. Sendo psiquiatra, ele mais do que ninguém, saberia dimensionar o que as declarações de Jesus representavam.

Jesus, nosso modelo

A natureza essencialmente egoísta não estava presente no homem Jesus. O equilíbrio como liderava o grupo de pescadores iletrados, o surpreendeu. Ele tinha que ser o filho de Deus.

O encontro com esse homem, ainda hoje muda destinos e transforma biografias. Ele transformou a minha. Aqueles que tiveram um encontro com o filho de Deus nunca mais foram os mesmos.

Viver a vida sem medo e em sua plenitude, é uma tarefa difícil, sem o autor da própria vida ao nosso lado. Ele possui o manual de fabricação de nossa frágil natureza.

Em Jesus, o Criador, nos convida a viver este relacionamento. O Criador deseja relacionar-se com a criatura, e a boa notícia é que Ele tem todas as respostas. Ele conhece os mecanismos mais secretos que desencadeiam nossas reações.

Seja medo, insegurança, desânimo, tristeza, o que for que nos roube o pódio, precisa ser conhecido e confrontado. Não tente fazer sozinho. Peça ajuda para Ele. Do seu jeito, convide-O a fazer parte de sua história.