Nosso ir faz o caminho

Construir o caminho por onde queremos andar faz parte do desafio de viver. Temos a opção de andar por caminhos prontos ou construir nosso próprio caminho.

“Pensava que seguíamos caminhos já feitos, mas parece que não os há. Nosso ir faz o caminho.” C.S. Lewis

A praticidade de seguir por um caminho previamente estabelecido, às vezes, nos mutila. Não devemos negociar nossa singularidade por aceitação, nem nossa genialidade por segurança. Escolheremos apenas sobreviver, quando negligenciarmos nossa criatividade, vivendo uma vida menor.

O passado é nosso futuro até que tenhamos coragem de criar algo novo. Por isso, os ingredientes mais nocivos que temos que eliminar desta receita são: inveja, remorso, vergonha e ressentimento. Porque eles nos conectam ao passado e subtraem nossa capacidade de sonhar.

A singularidade nos conecta ao risco e ao fracasso. Todos os que temem o fracasso ou tentam contorná-lo, invariavelmente ficam estagnados. O fracasso e o risco refinam nossa experiência e são fatores importantes desta equação. Não podemos ignorá-los ou temê-los em demasia.

Quando rejeitamos o que nos torna falsos, arriscando-nos em busca de nossa verdadeira identidade, rumamos na direção do protagonismo de nossa história. Abraçar quem verdadeiramente somos e viver a expressão crua de ser inteiramente humano é nosso maior risco e o sentido mais profundo da vida.

A diferença entre a criação e imitação

A maioria de nós conhece a diferença entre algo criado e uma imitação. Atualmente é comum encontrar imitação de peças de grifes famosas por preços acessíveis. Muitas pessoas se contentam em fazer isso com suas vidas. Elas imitam pessoas e comportamentos que admiram, e não sabem quem são de fato.

Nunca antes o apelo da mídia nos influenciou tanto como na atualidade. Quando ousamos superar nossa necessidade de aceitação e arriscamos ser quem fomos criados para ser, deixamos nossa marca no mundo. As marcas e grifes famosas possuem valor porque os que as criaram assumiram riscos e ousaram.

Temos uma natureza de intérpretes. Fomos projetados desta forma. Somos tradutores de significado. Nossa interpretação da vida é única e insubstituível. As cores e nuances que acrescentamos aos lugares por onde passamos registram nossa impressão digital no ambiente e nas pessoas.

O amor se arrisca

A liberdade de nossa alma determina nosso potencial criativo e transformador. Tudo que é novo e criativo tem poder de influenciar e substituir o corriqueiro e o velho. Por isso, nossa vida é a interpretação profunda de quem somos. Amor nunca vem desacompanhado de feridas. Ferimos e somos feridos quando amamos, simplesmente porque somos humanos e imperfeitos.

A interpretação que damos ao que nos acontece revela nossa essência, é a tradução de nossa alma. O que nos acontece não é nem de longe tão poderoso ou tão influente na formação de quem somos, quanto a interpretação que atribuímos ao que nos aconteceu.

O uso que fazemos da matéria-prima que possuímos distingue o ordinário do único. Não são as limitações que nos limitam, mas sim nossa dificuldade em abraçá-las. Pessoas autênticas não são pessoas diferentes, são pessoas iguais que decidiram viver diferente.

Nossa vida é uma obra-prima

Quando entendemos que nossa vida é uma obra-prima e nosso ato mais criativo, abraçamos a totalidade de quem somos. Semelhantemente a um artista, usamos o material que temos, dando forma e função a quem somos. Por isso, nada será desperdiçado ou desconsiderado. Inegavelmente, somos o produto de tudo que vivemos.

O único caminho que somos capazes de criar é aquele que reflete quem somos. Tudo que criamos é a extensão de nós mesmos. Desbravar este território exigirá tanto sabedoria quanto encantamento. O verdadeiro artista é aquele que minimiza as perdas e dores e maximiza as conquistas e descobertas, ao criar sua obra-prima.

O Criador e a criatura

Cortejamos nossa alma quando extraímos dela o que nos aprisiona e a deixamos livre para voar. Não voar sem rumo, mas para o alvo instintivo que ela possui. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Não seria lógico ou coerente que não carregássemos um potencial criativo que devesse ser explorado.

Portanto, fomos convocados por Ele a transformar nossa vida em uma obra-prima. Temos um Mestre e um Ajudador. Sempre que o desenho parecer confuso, ou quando perdemos o foco, olhamos para Ele e recebemos a orientação e a ajuda que nos falta.

Desci, pois, à casa do oleiro, e eis que ele estava ocupado com a sua obra sobre as rodas. Como o vaso, que ele fazia de barro, se estragou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme pareceu bem aos seus olhos fazer. Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? diz o Senhor. Eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” Jeremias 18:3-6