Que pessoas têm influenciado sua vida?

Somos influenciados pelas pessoas que estão à nossa volta de forma positiva ou negativa. Somos responsáveis por eleger pessoas certas para nos acompanhar na jornada.

Pessoas influenciam pessoas, por isso é importante ser criterioso em relação a quem permitimos que acesse nossa vida. A influência pode ser benéfica, quando nos cercamos de pessoas que torcem por nós e nos enxergam de forma correta. No entanto, mesmo no convívio com pessoas leais e amigas, existe o risco delas não discernirem o que realmente devemos escolher. Porque será sempre nossa a responsabilidade de fazer escolhas, não delas.

Quanto mais inseguros somos, mais as opiniões e julgamentos de outros nos influenciam. Porque, é inevitável que ao correr riscos, nossa fragilidade seja exposta. Este nível de exposição pode nos paralisar, especialmente quando fracassamos. Portanto, é importante que pessoas corretas estejam ao nosso lado, especialmente nos momentos difíceis. Quanto mais saudável forem os relacionamentos, menor será a influência que exercerão sobre as decisões que realmente importam.

Em contrapartida, se nos cercamos de pessoas erradas, os momentos desafiadores serão amplificados. Isto é, podemos facilmente não nos recuperar de uma derrota. Porque, ao permitirmos que pessoas negativas, que não nos codificam corretamente, nos cerquem, o momento de conflito transforma-se em uma sepultura. Muitas vezes, por influência de pessoas erradas, nossos sonhos e ideais são sepultados e o luto passa ser um estado de espírito. O verdadeiro companheiro de jornada não decide por nós, mas também sabe como nos encorajar a prosseguir lutando.

“Nunca permita que uma pessoa te diga não se ela não tem o poder de dizer sim. Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento.” Eleanor Roosevelt

O equilíbrio e os limites

Conviver e se abrir para novos relacionamentos e parcerias é extremamente saudável e oportuno em qualquer fase da vida. A convivência, especialmente com pontos de vista e ideias diferentes nos enriquece. Mas, precisamos proteger nossa identidade, estabelecendo limites para os que os desconhecem. Nem sempre é uma tarefa fácil equilibrar o tanto de espaço que devemos conceder, com o espaço que devemos delimitar.

Certamente, os traumas e decepções que colecionamos, nos transformam em pessoas mais cautelosas. De maneira idêntica, podemos levantar muralhas intransponíveis a partir destes momentos. Buscar o equilíbrio que nos livre das muralhas e nos ensine a cautela é uma arte que precisamos dominar. Ter coragem de ser vulnerável é essencial, quando desejamos amadurecer.

Aprenda a dizer não. Será mais útil para você do que ser capaz de ler em latim. C H Spurgeon

A capacidade de dizer não com convicção, protegendo nossa identidade, é inegociável. Jamais seremos pessoas livres e realizadas se não tivermos coragem de lidar com a incompreensão, julgamento e crítica. Algumas vezes será sábio considerar uma opinião diferente da nossa, outras vezes o melhor é simplesmente descartá-la. O “não” pode extrair das pessoas reações surpreendentes. Ele é um filtro excelente para peneirar o que vamos usar e o que deve ser ignorado dos relacionamentos que nos cercam.

Destruindo o impostor

“Quando consigo me desprender das pessoas e permito que Deus me liberte de uma dependência insalubre em relação a elas, mais eu consigo lhes dedicar minha existência, escutar com mais atenção, amar com mais altruísmo, falar com maior compaixão, brincar de maneira mais esportiva, me levar menos a sério e ter a plena consciência de que o meu rosto brilha sorridente sempre que me acho num jogo que aprecio completamente.” Brennan Manning

Brennan Manning escreveu vários livros em que aborda o tema de que convivemos com um impostor. O impostor é aquela personalidade que não nos define de fato, mas que insistimos em nutrir. O que nos leva a alimentar tal fraude, é a falta de clareza de quem somos. Além disso, temos dificuldade de lutar por nosso espaço, já que este mecanismo atua em alguma medida em cada um de nós. O impostor é derrotado quando assumimos os riscos de permitir que as pessoas convivam com quem somos de fato.

Somos imperfeitos, e isto é um fato contra o qual devemos parar de lutar. Por isso, ao tentarmos esconder nossos defeitos em busca de aceitação, nos distanciamos de nossa identidade. Sem uma identidade sólida, não somos capazes de encontrar sentido para o que fazemos. Seremos vulneráveis e instáveis se tentarmos corresponder às expectativas dos outros. Seremos criticados e mal interpretados às vezes. Alguns não gostarão de nossa companhia, outros nos abandonarão, mas este é o preço que temos que estar dispostos a pagar em nome do pertencimento verdadeiro.

“Não ser outra pessoa a não ser você mesmo, num mundo que, dia e noite, faz todo o possível para que você seja outro, significa travar a mais árdua batalha que um ser humano pode travar.” Brennan Manning

Agindo de forma intencional

Só seremos capazes de selecionar pessoas adequadas para estar ao nosso lado, quando estivermos vivendo a plenitude de nossa identidade. Ser seletivo é necessário quando almejamos crescimento. Precisamos influenciar pessoas de forma correta com nossa vida e conquistas. Inegavelmente cada ser humano nasceu com capacidade de contribuir na vida de seu semelhante com o que carrega. Portanto, manipulação e controle devem ser abolidos de nossas atitudes, porque não contribuem na conquista de novos territórios.

“Nunca confunda movimento com ação.” Ernest Hemingway

Nossos movimentos não são sinônimo de ação. Agir de forma intencional requer disciplina e boas doses de perseverança. Quando pretendemos reavaliar alguma decisão errada ou fracasso, temos que ser honestos em nossa análise. Por vezes constatamos que nossa vida tem muito movimento, mas pouca ação. O movimentar-se de um lado para o outro não nos transforma. Por vezes, inclusive confunde, pois sugere que estamos agindo, quando de fato estamos estacionados.

No entanto, a ação que é fruto de análise e programação, pode mudar nosso destino. Temos que começar pelo começo. Não seremos capazes de fazer a leitura de que estratégia temos que adotar, se não soubermos quem somos. Depois, temos que escolher com quem andamos; ou seja, a quem daremos permissão para acessar nossa vida. O próximo passo é traçar o plano de como atingir nossos objetivos. Não é difícil, mas ao mesmo tempo pode nos custar tudo.

Deus estará conosco nesta jornada, se permitirmos que Ele nos conduza. Ele sonhou conosco e só somos capazes de sonhar, porque fomos criados à Sua imagem e semelhança. Fomos desenhados para perseguir projetos maiores que nós, por isso, precisamos dEle como nosso principal aliado. Sem Ele, nossa vida fica vazia e sem significado.

Finalizando o que acabou

Deus é aquele que orquestra nossas circunstâncias e nos conecta com pessoas estratégicas. Quando estamos atentos aos movimentos que Ele executa, respondendo de forma adequada, os relacionamentos nos aproximam de nossos ideais. No entanto, o oposto também é verdadeiro. Quando nos cercamos de pessoas erradas, elas podem nos distanciar do alvo. O ditado popular que diz: “Diz-me com quem andas que te direi quem és”, é muito apropriado. Porque, não somos capazes de andar muitas milhas ao lado de pessoas que possuem valores e objetivos diferentes dos nossos.

Ter compaixão e empatia é diferente de fazer aliança com pessoas que jamais poderão contribuir na construção do que sonhamos viver. Servir aos outros com nosso tempo e habilidades é um gesto altruísta e recomendado. Mas, muito diferente disso é permitir que pessoas com quem não temos afinidade continuem acessando nossa vida. Perseguir nossa identidade inclui ter coragem de descartar o que precisa ser descartado. Ter ousadia de finalizar o que já acabou, e que portanto, não tem como ser mantido.

Mudar hábitos não é simples e nem rápido, mas não é negociável quando se trata de nosso futuro. Só nós podemos fazer escolhas deste tipo, não podemos terceirizá-las, nem achar que o tempo se encarrega de corrigir o que quer que seja. Se quisermos influenciar nossa geração com o que fazemos, temos que estar em boa companhia, cercados de pessoas que tivemos coragem de escolher para estar ao nosso lado. Qualquer cenário diferente deste, no qual assumimos o protagonismo, pode sepultar nosso destino e comprometer nossa trajetória.

Pertencer é diferente de encaixar-se

Temos necessidade de pertencer e não de um encaixe. Enquanto o pertencimento nos completa, o encaixe nos esvazia.

O ser humano foi criado com a necessidade de pertencer. Somos seres sociais, precisamos de convívio com nossos semelhantes que nos completam e desafiam a ser pessoas melhores. É neste convívio que amadurecemos e adquirimos consciência de nossos limites e lacunas. Os relacionamentos revelam também nossas qualidades, bem como nossa capacidade de lidar com diferenças.

Relacionar-se com quem tem afinidades conosco é legítimo. Pois, em geral são as semelhanças que nos aproximam e constituem o ponto de partida do relacionamento entre casais, amigos e colegas. No entanto, na família não exercemos escolha, somos apresentados a um tipo de pertencimento imposto. Por isso, alguns destes relacionamentos são desafiadores, mas são estes mesmos que possuem potencial de nos transformar.

Em geral nos irritamos ou discordamos de pessoas tão teimosas quanto nós. O velho ditado que diz que “dois bicudos não se beijam” é verdadeiro. Quanto mais semelhanças temos com determinada pessoa, mais facilmente nos deparamos com regiões de conflito, já que os pontos cegos também são compartilhados. Na prática não são os opostos que se atraem, e sim os iguais. Nossa principal tendência é de nos associar com os “iguais”, não com os “diferentes”.

A importância de pertencer

Pertencer a uma família, ou grupo de amigos com objetivos comuns, seja no trabalho, na escola ou vizinhança é imprescindível. Precisamos do que o outro carrega, no entanto não podemos confundir a necessidade de pertencer com o “encaixe” forçado. O pertencimento agrega valor e segurança à nossa existência. O encaixe, ao contrário, rouba nossa identidade e nos conduz por um caminho onde máscaras são usadas em nome da aceitação.

Qualquer um que deseja encaixar-se em algum grupo com o qual não se identifique minimamente, acabará traindo a si mesmo. Nenhuma aceitação deve custar tanto, porque não seremos capazes de extrair deste tipo de convívio algo que nos deixe melhor. Além disso, relacionamentos fundamentados em mentira não se sustentam. Relacionar-se é uma arte, exige boas doses de perseverança, paciência e muito amor. No entanto, quando um relacionamento violenta nossa essência, ele deve ser descartado.

Portanto, o exato momento em que percebemos que nossa identidade foi agredida ou sacrificada, constitui um alerta. Certamente algo está indo na direção errada e precisamos corrigir a rota. Pois, pertencer deve ser consequência de empatia e comprometimento mútuos. Porque, esta é uma via de mão dupla, não existe possibilidade de se estabelecer algo duradouro sobre outro tipo de alicerce. Ambos os envolvidos, precisam dar passos nesta direção, porque a manipulação e as máscaras inviabilizam parcerias sólidas.

Pertencendo sem medo

A busca por “pertencer” a lugares e grupos com os quais podemos aprender e trocar experiências é um componente importante da equação da vida. O isolamento não nos deixa melhores, nem nos protege de sofrer decepções. Quando nos isolamos estamos indo contra tudo que sustenta nossa existência; porque é na troca com o outro que nos tornamos pessoas mais completas. Porém, quando buscamos pertencer nos deparamos com a dor de decepções e frustrações.

É preciso ter coragem para admitir o quanto nos sentimos solitários e o quanto o outro nos faz falta. Mas, além disso, é preciso ter coragem para lidar com a mágoa e o ressentimento. Porque não existe coragem sem vulnerabilidade. Ser vulnerável é assumir nossa real identidade, é lutar por um lugar que nos pertence, na mesma medida que buscamos pertencer. Não são os outros que atribuem o valor que temos. É nossa capacidade de lidar com quem somos, que dá aos outros capacidade de reconhecer isso.

A ordem dos fatores, neste caso, altera o produto. Já que, quando nos esforçamos para nos encaixar, violentamos quem somos. Mas, quando temos coragem de ser quem somos, pertencemos naturalmente e atraímos pessoas com valores semelhantes. Este não é um caminho fácil de percorrer, existem etapas doloridas e solitárias. No entanto, é a única forma verdadeira de construir relacionamentos sólidos e duradouros.

Escolhendo a vulnerabilidade

“A vulnerabilidade soa como verdade e sente-se como coragem. Verdade e coragem não são sempre confortáveis, mas elas nunca são fraqueza.” Brené Brown

Escolher ser vulnerável é o oposto de ser fraco. Somos vulneráveis quando arriscamos ser quem somos. Permitir que as pessoas acessem nossa essência, inclui permitir que vejam nossas falhas, nossos erros e pontos cegos. Excluir a vulnerabilidade é o mesmo que limitar nossa capacidade de solidificar nossa identidade. Existe dor envolvida, porém nenhuma dor é insuportável quando o que está em jogo é nossa identidade.

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las; é deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.” Brené Brown

É bem verdade que nossa natureza não gosta de sofrer, temos pouca tolerância para lidar com desconforto. Em geral somos melhores gerando dor do que ao lidar com ela. Ou seja, facilmente fugimos de lidar com o que nos tira de nossa zona de conforto e em contrapartida ferimos com facilidade. Não existem atalhos seguros que nos levem até nosso destino e nos poupem da dor. Abraçar a dor emocional e às vezes física, não é negociável, faz parte integrante do contrato dos que buscam pertencer.

Pertencendo, não encaixando-se

Por isso, quando optamos por construir relacionamentos maduros, sabemos que um componente de dor estará presente. Seremos feridos e feriremos, mas a cada novo desafio enfrentado em conjunto, uma de nossas arestas é lapidada e ficamos mais fortes. Portanto, ser vulnerável é pedir e conceder perdão, é também ter coragem de dizer não, estabelecendo limites. O diálogo do coração é sempre mais coerente do que o discurso vazio das palavras.

Pertencer é ser capaz de assumir a fragilidade de quem somos diante de quem pode ou não compreender nossas razões. Pertencer é ter coragem de não andar só, reconhecendo que existe algo no outro que nos completa. Pertencer não é o mesmo que encaixar-se, porque o encaixe nos esvazia e o pertencimento nos preenche. Pertencer é saber quem somos, respeitando e permitindo que o outro seja quem é.

Nascemos para pertencer não para o encaixe. Os que viveram uma vida de encaixes não conhecem o valor do pertencimento. Os que pertencem não se esforçam para encaixar-se. O conhecimento de quem somos é decisivo para que consigamos cumprir nossa missão nesta terra. Nascemos com uma identidade e com um propósito. Viver nossos dias inclui perseguir uma identidade e um lugar de pertencimento.

O primeiro fato que devemos considerar é que pertencemos a Deus. Quando somos achados nEle, somos livres para pertencer a todos os lugares ou a lugar algum. Porque o verdadeiro pertencimento é fruto de uma identidade sólida. E a única fonte confiável de descoberta desta identidade é o próprio Criador.

“Você só é livre quando percebe que não pertence a lugar nenhum — você pertence a todos os lugares. O preço é alto, mas a recompensa é valiosa.” Maya Angelou

Os amigos são tesouros. Devem ser guardados em cofre.

Amigos representam oportunidades de sermos mais completos, de descobrir aspectos de nós mesmos com expressões diversas.

O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há um amigo mais chegado do que um irmão.” Pv. 18:24

Os relacionamentos de qualquer espécie precisam ser cultivados, regados, mantidos. Somos seres relacionais. Não nascemos para a solidão ou anonimato. Nossa vida precisa ser celebrada na companhia de pessoas que fazem parte de nossa trajetória.

Engana-se quem pensa que o isolamento é solução para os desapontamentos e frustrações. Apesar de nem sempre colhermos bons frutos dos investimentos que fizemos, não devemos parar de semear.

Os relacionamentos sempre nos desafiarão em medidas variadas, mas sem eles nosso dia perde o sabor e nossa existência fica vazia de significado. São eles os responsáveis por colorir nosso trajeto e nos apresentar para as diferenças.

A distância não separa

Os amigos são aqueles que ficam ou vão, mas que de alguma forma, levam um pouco de quem somos com eles e deixam um pouco de quem são conosco. Não é a distância física que determina o quanto o amigo está perto de nosso coração.

O acesso ao coração acontece lentamente, por isso, não é fácil ou rápido conquistar a amizade de alguém. Investir tempo na construção de uma amizade, porém, é decisivo em tempos difíceis. É nestas estações que os verdadeiros amigos se revelam.

Na era virtual, onde os amigos são conquistados com likes e curtidas, perdeu-se a proximidade e a essência da construção de uma amizade duradoura. O amigo é aquele que nos conhece no olhar, na resposta ou na ausência dela.

Sonhando juntos

Amigos sonham conosco e também nos trazem para realidade. Amigos abraçam e também conhecem a arte de nos corrigir sem palavras. Correm conosco, mas também sentam-se e esperam. Encontrar um amigo é uma dádiva.

Amigos precisam ser guardados em cofres porque são tesouros. O amigo verdadeiro é aquele que se assemelha a um irmão, que se parece conosco sem possuir nosso sangue. Já que, não é a semelhança física que define de que é feito o coração.

Cada amigo representa um mundo em nós, um mundo inexistente até sua chegada, e é somente com este encontro que um novo mundo é gerado.” Anais Nin

A amizade é desnecessária – como a filosofia, como a arte, como o próprio universo (pois Deus não precisava criar). Ela não tem valor de sobrevivência; ela é, antes, uma das coisas que dão valor à sobrevivência.” C.S. Lewis