A reinvenção permanente.

A arte da reinvenção está disponível na vida de quem não teme desaprender e reaprender. Sem ela ficamos estáticos e menos belos.

Reinvenção é uma palavra que assusta algumas pessoas, enquanto motiva outras. Nossa vida é recheada de momentos que propiciam a reinvenção. No entanto, nem sempre classificamos estas oportunidades de maneira correta. Ou seja, aquilo que para alguns representa uma chance de fazer diferente, para outros pode bem ser um grande obstáculo. O que diferencia nossa ótica são os conceitos limitantes que abrigamos. Infelizmente nossa sociedade impõe alguns padrões que não podemos aceitar como legítimos. De maneira idêntica, nossa criação alimentou algumas inseguranças e medos que precisam ser desmascarados.

Ao permitirmos que nos definam ou que nos rotulem, estamos concordando com limites não testados. Por isso, nenhuma outra pessoa deveria ter permissão de ocupar o lugar de protagonismo em nossa vida. Pois, mesmo que o pretexto seja o de aconselhar ou proteger, fomos criados com a necessidade de conquista e avanço e testar limites contribui para implementação deste processo. Portanto, cada vez que alguma crença limitante é incorporada ao nosso modus operandi, deixamos de explorar possibilidades. O medo da reinvenção se manifesta de várias formas e pode estereotipar-nos. Já que está baseado em premissas erradas e que podem ser modificadas.

A capacidade de reinvenção do ser humano não está atrelada ao seu tipo físico, grau de instrução, raça, gênero ou qualquer característica biológica. Todos nós nascemos com capacidades que precisam ser exploradas e desenvolvidas. Porque, mesmo aquilo que classificamos como dons, precisam ser aprimorados. Gostar menos ou mais de determinada área ou atividade, não é o mesmo que não ter habilidade de desenvolver uma tarefa. Engana-se quem pensa que os profissionais que se destacam em suas áreas de atuação possuem algum tipo de poder sobrenatural. Ao analisarmos sua trajetória concluímos que são pessoas comuns que dedicaram-se a aprimorar algum aspecto daquilo que queriam fazer.

“Poder se reinventar após experiências negativas é o segredo da felicidade.” O Ilusionista

Sonhar é permitido

O sonho pode ser a mola propulsora da trajetória que nos conduzirá para nosso destino. Mas, apenas sonhar não é o bastante. Temos que ter uma estratégia vinculada a cada objetivo que traçamos. O trabalho duro e disciplinado é o alicerce sobre o qual o sonho se estabelece. Quando uma alternativa falha, podemos testar outras possibilidades, analisando ângulos que ainda não foram explorados. Aquilo que consideramos o fim do túnel pode ser a passagem para uma nova etapa. De maneira idêntica, podemos nos reinventar fazendo a mesma coisa de um jeito diferente, inovando métodos e aprimorando resultados. A familiaridade pode ser um inimigo em muitos casos, portanto, devemos confrontá-la.

Uma nova necessidade deve nos desinstalar de nossa zona de conforto. Que é o lugar que mais nos prejudica e no qual gostamos de permanecer. Nosso cérebro gosta de padrões, e sempre resistirá a qualquer sugestão de responder diferente. Pois, a existência de um modelo prévio formatado incentivará a repetição. Teremos que empreender um gasto maior de energia quando desejamos mudar estes padrões, incorporando novos horizontes ao nosso cotidiano. O sonho, por definição, é algo abstrato que não possui correspondência no mundo físico e real. No entanto, em cada sonhador existe potencial de transformar seus sonhos em realidade. Contudo, isso só acontece na vida daqueles que entendem que precisam dedicar-se, perseguindo aquilo no que acreditam.

“A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos.” Ana Jácomo

Modifique sua resposta

O cotidiano nos engessa e impõe ritmos que assassinam nossa espontaneidade. O compromisso com o relógio e com tudo que é urgente subtrai o que é importante. Dialogar com estes dois mundos, extraindo deles o melhor, é um diferencial que temos que almejar. Precisamos de inteligência emocional aliada a um senso de praticidade que nos permite otimizar o uso de nosso tempo. Inegavelmente o tempo é a principal commodity que somos desafiados a gerenciar. Portanto, não seria inteligente desperdiçá-lo, andando em círculos. Um contratempo em nosso dia pode ser uma oportunidade de mudar de rota, ou de desperdiçar energia reclamando. Um olhar treinado e faminto por mudança saberá identificar chances de introduzir o novo.

A dor é pedagógica, e não devemos temê-la como consequência do erro ou do acaso. Ninguém buscará machucar-se de propósito, nem seria lógico abandonar-se nos braços do desconhecido. Contudo, o excesso de previsibilidade nos mutila, assim como a familiaridade nos limita. Precisamos de doses de imprevisto e conflito em nossa jornada. Pois, a ostra feliz não produz pérola. Já que é o atrito causado pelo desconforto da substância indesejada que provoca a produção do revestimento produzido pela ostra, transformando o grão de areia na pérola. As pérolas não existiriam se os detritos não invadissem o molusco, e assim é conosco.

O medo funciona como um ímã, atraindo informações que o legitimam. Nossa mente buscará instintivamente protótipos que resistirão a qualquer sugestão de mudança, evitando o risco. Mas, ainda que seja um aspecto poderoso de nossa psiqué, o cérebro possui plasticidade e comprovadamente pode ser reprogramado. Desde simples hábitos alimentares até fobias irracionais podem ser modificadas. Qualquer forma de medo deve ser confrontada se quisermos explorar plenamente nossas capacidades. Medos nos limitam e escravizam e por mais que tenhamos razões de sobra para temer o desconhecido, ele deixa de ser desconhecido no momento que ousamos desbravá-lo.

“Cuidado com gente que não tem dúvida. Gente que não tem dúvida não é capaz de inovar, de reinventar, não é capaz de fazer de outro modo. Gente que não tem dúvida só é capaz de repetir.” Mario Sergio Cortella

Escolha sua guerra.

A escolha correta da guerra que decidimos travar é decisiva. Nem sempre a guerra urgente é a mais importante. Por isso, a vitória está atrelada à nossa capacidade de discernir onde está nosso foco.

Nossa vida pode bem ser comparada à uma guerra que travamos, que nos posiciona diante de nossos ideais e sonhos. Ou seja, a conquista de novos territórios passa por conflitos e adaptações de origens variadas. Certamente, cada um dos obstáculos pode ser comparado a um inimigo que deve ser derrotado. Esta analogia se presta para análise da importância de escolher, com sabedoria, nossa guerra. Já que, não é incomum que guerras se acumulem, competindo entre si e contribuindo para que distrações esvaziem nossa eficácia. Pois, quanto mais focados estivermos no que importa, tanto maior será a chance real de sermos bem sucedidos.

Portanto, quando estes conflitos se acumulam, interagindo entre si, é a hora exata de escolhermos nossa guerra. Ou seja, elas se apresentam como um emaranhado de fios que se entrelaçam e que exigirão paciência e muita destreza para que o movimento não aumente o nível do conflito. Já que, se puxarmos o fio errado, podemos maximizar o problema ao invés de encontrar uma solução. As questões de ordem emocional, por exemplo, devem ser tratadas com cautela. Estes assuntos podem ter uma origem muito antiga e de difícil identificação. Talvez exijam a ação do tempo, que promoverá o adequado distanciamento do episódio traumático. Só assim podemos remover raízes e resignificar algumas experiências.

Esta é uma guerra difícil de ser adequadamente diagnosticada e ganha. Porque está intimamente ligada a quem somos e aos traumas que carregamos. No entanto, alguns conflitos são meros convites ao amadurecimento. Podem bem ser superados com investimento em pesquisa ou em reciclagem. Contudo, nem sempre o primeiro olhar nos capacita identificar o que nos atrapalha e paralisa. O conhecimento e a prática de uma nova atividade ou de um novo jeito de fazer, pode agregar muito. Não só contribui para que novos horizontes sejam explorados, como amplia nossa visão de mundo. As diversas culturas existentes são a maior prova de que pessoas vivem de formas diferentes. Podemos e devemos aprender com estas diferenças.

Quando abandonar uma guerra

Escolher com sabedoria a guerra que queremos travar significa abandonar aquela que está perdida. De maneira idêntica, consiste em separar adequadamente aquilo que é factível do que não depende de nós. Pois, tudo que depende de nós merece nossa atenção e esforço. Contudo, a ansiedade gerada por aquilo que ultrapassa nossa esfera de ação deve ser desprezada. Já que, pode ser um fator que estará sugando nossa energia e ocupando nossa mente. Esse desperdício de tempo e quem sabe até de dinheiro, pode bem ser catalisado e otimizado na direção do que importa.

Os grandes estrategistas conseguem fazer a leitura do cenário completo para saber em que peça desejam mexer e quais precisarão ser sacrificadas. Assim como no jogo de xadrez, sacrificamos os peões pelo cavalo ou pela rainha. É precisamente essa noção daquilo que podemos e devemos sacrificar que define nosso avanço. De maneira idêntica, temos que avaliar cautelosamente o custo benefício de nossas ações. Muitos estão estagnados em algum ponto da jornada, porque temem as perdas. Inegavelmente ninguém gosta de perder, seja lá o que for. Mas, algumas perdas abrem espaço para que algo novo ocupe seu lugar.

A maioria dos objetos e coisas que adquirimos, possuem uma vida útil. Esta vida útil pode ser maior ou menor, dependendo do objeto. Assim são, também, nossas circunstâncias. A vida é feita de muitos momentos passageiros. Alguns ficam eternizados em nossa lembrança porque registram fatos agradáveis e que nos marcaram e transformaram. Tais lembranças possuem poder de nos motivar e inspirar. Contudo, alguns destes registros foram incrustados em nossa mente pela dor ou pelo mal que nos causaram. São precisamente estas marcas que temos que sacrificar, aniquilando-as, quando desejamos prosseguir.

A diferença de eficiência e eficácia

O simples fato de conseguir separar o que é de ordem emocional daquilo que exige uma solução pontual nos capacita a ser eficazes, não apenas eficientes. Ser eficiente é produzir o efeito esperado. Ao passo que ser eficaz é possuir uma virtude de tornar efetivo ou real. A eficiência é o ato de “fazer certo alguma coisa”, enquanto a eficácia consiste em “fazer a coisa certa”. Ou seja, a eficiência seria o comportamento de alguém que age com perfeição na realização de um determinado trabalho. Já a eficácia não se limita apenas ao cumprimento de uma tarefa, mas, apresenta a resolução total da situação.

Este conceito da administração, pode bem ser aplicado quando conseguimos nos situar em relação aos conflitos que enfrentamos. Temos que avaliar com honestidade e isenção o que pretendemos superar. Sabendo que podemos esbarrar em aspectos que não dependem de nós. Estes, exigirão não só interação como também boa articulação com os atores envolvidos. Já que, nossa habilidade política será testada. Não se trata, no entanto, da política que explora ou converte em benefício próprio algo que desejamos. Mas, do aspecto politizado das relações humanas que é o que nos permite lidar com diferenças de maneira civilizada e democrática, preferencialmente.

A arte da guerra

A arte da guerra, portanto, consiste em uma junção de vários fatores. Podemos destacar como chaves o equilíbrio emocional, o distanciamento que nos permite olhar a situação em perspectiva correta e a busca da eficácia. Nenhum destes aspectos é facilmente adquirido e talvez percamos muitas guerras até que sejamos suficientemente treinados na arte de guerrear. Uma guerra não assume conotação negativa quando os inimigos são o medo, a apatia, a procrastinação, a vergonha e outros tantos inimigos que precisamos derrotar. Nossa guerra não é contra alguém, ela se trava primordialmente dentro de nós. É uma luta interna que se materializa na capacidade de escolher e decidir de forma sábia.

Nenhum de nós levanta pela manhã querendo confronto de qualquer espécie. Ele acontece naturalmente à medida que começamos a nos posicionar diante daquilo que nos limita. Mesmo quando esbarramos em alguma pessoa que personifica um inimigo, nosso objetivo não deve ser o de aniquilar o oponente, e sim, de aprender como lidar com ele. A ira acumulada nos cega e impede que avancemos. Por isso, não é sábio abrigar ira e ressentimento. Estas emoções possuem poder muito destrutivo e afetam muito mais aquele que as hospeda do que quem é alvo delas. Enquanto vivemos, tropeçamos em inimigos que precisam ser derrotados.

“Só os mortos conhecem o fim da guerra.” Douglas MacArthur

As crônicas de Nárnia

C S Lewis, autor de Crônicas de Nárnia, escreveu vários livros e promoveu a reflexão de aspectos fundamentais de nossa existência. Vem dele a inspiração que transformou em uma fábula encantadora a trajetória de crianças com um espírito aventureiro. A narrativa não se presta apenas para entreter os amantes de histórias infantis, mas a todo aquele que tem curiosidade de descobrir a essência do que vive. O bem e o mal e o certo e o errado nos rodeiam. Não temos opção de ignorar sua existência ou nos eximir de fazer escolhas. A guerra é travada, diariamente, em nossa esfera de ação e dentro de nós. Temos que aprender a vencê-la. Disto depende nossa sobrevivência.

“Nem tudo está perdido como parece… sabe, coisas extraordinárias só acontecem a pessoas extraordinárias, vai ver é um sinal que você tem um destino extraordinário, algum destino maior do que você pode ter imaginado.”

“Acho que, se a gente pudesse correr sem nunca se cansar, nunca mais iria querer parar. Mas às vezes existem razões muito especiais para se parar.”

“Sabemos o que acontece quando uma pessoa tem esperança de obter uma coisa desesperadamente desejada; parece bom demais para ser verdade.” C S Lewis – As Crônicas de Nárnia

Nossas narrativas internas.

Geramos constantemente versões internas de acontecimentos que vivenciamos. Algumas destas narrativas não são reais, baseiam-se em suposições e são alimentadas por mecanismos contaminados. Por isso, precisam ser confrontadas.

Todos nós produzimos narrativas internas conscientes ou inconscientes. São elas que buscam explicar ou dar sentido aos fatos e circunstâncias que vivemos. As narrativas nada mais são do que nossa versão do que nos acontece e a lógica que aplicamos para codificar tais episódios. Certamente nossa ótica é formada e influenciada por experiências vividas, questões culturais, eventos traumáticos, nossa constituição física e emocional, além de outros fatores.

Por isso, quando dependemos muito de narrativas auto protetoras, usualmente, elas se tornam um padrão. Ou seja, teremos tendência de assumir a retaguarda e culpar outros pelo que nos acontece. No entanto, ao lidarmos honestamente com narrativas não editadas, potencializamos as chances de corrigir os rumos de alguns acontecimentos. Pois, ninguém mente mais do que a vergonha. Portanto, quando ela assume o comando, furta e distorce histórias que criamos.

Mas, a coragem de reconhecer as verdadeiras emoções, desvenda o que alimenta nossas narrativas. Porque o estabelecimento de um caminho novo e corajoso; exigirá vulnerabilidade. Já que, a estrada que leva à vida plena é pavimentada por nossa essência e pelos mecanismos que regem nossas escolhas. Porque quando não assumimos o controle e a responsabilidade de nossa vida, somos arrastados pela correnteza das circunstâncias. 

“O caráter – a disposição de aceitar a responsabilidade pela própria vida – é a fonte de onde brota o amor próprio.” Joan Didion

Buscando pertencer, não ser aceito

A busca por aceitação extrai de nós uma concordância relutante; que transforma-se facilmente em ressentimento. Já que, generosidade jamais pode representar permissão para que se aproveitem de nós. Quando somos maltratados e nossos limites são desrespeitados propositadamente, é nosso dever delimitar este espaço. Ou seja, somente com nosso consentimento, pessoas ultrapassam estes limites.

Porque quando nos percebemos de forma correta, saberemos defender nosso território. Reconheceremos facilmente os gatilhos que estão sendo acionados e poderemos desarmá-los. Ao passo que alguém com narrativas internas confusas, facilmente será levada a agir buscando aceitação. Pertencer é diferente de ser aceito.

O pertencimento acontece a partir de uma identidade sólida e estabelecida. Portanto, um posicionamento está vinculado ao outro. Pois, narrativas internas confusas, induzem a uma interpretação distorcida das circunstâncias. Certamente sobre este alicerce não é possível construir nada sólido. Facilmente, nestes casos, substituímos pertencimento por aceitação e violentamos nossa identidade.

Conhecendo o necessário sobre nós

Será mais fácil agir, se tivermos conhecimento necessário de quem somos de fato. As pessoas aprendem como devem nos tratar com base na maneira como tratamos a nós mesmos. Ou seja, quando nosso conhecimento dos mecanismos que nos regem são superficiais, não somos capazes de assumir o protagonismo de nossas escolhas.

Temos capacidade de escolher certo, minimizando desconforto quando conhecemos o que nos limita e oprime. Sejam sentimentos de inferioridade, baixa autoestima, medo, vergonha ou insegurança, eles precisam ser desmascarados. Portanto, a análise honesta e corajosa do que nos rege produzirá argumentos reais que nos definirão.

Não seremos curados se não suportarmos lidar com tristeza. Assim como não somos capazes de perdoar se não resistirmos ao processo de luto. Porque a sinceridade com que lidamos com o que sentimos desvenda nossas motivações. Isto é chave para processarmos corretamente nossas emoções e nosso modus operandi. No entanto, quando a origem de nossas reações estão mascaradas, retardamos nosso avanço.

“Nunca me disseram que o luto era tão parecido com o medo.” C S Lewis

Livres de julgamento

Portanto, todos que desejam superar limitações e viver com liberdade de escolha, precisarão de autoconhecimento. Não basta culpar circunstâncias, assumir papel de vítima ou se esconder atrás de argumentos mentirosos. Porque nada nos derruba mais do que nossa auto sabotagem. Quando resolvemos questões internas, encontramos forças para lutar com o que é externo e nos desafia.

Mas, quando nossa luta interna consome nossas energias, nossa capacidade de superação reduz consideravelmente. Pois um dos segredos dos vitoriosos é o autocontrole, disciplina e foco. Quando estamos bem conosco, não nos comparamos com os outros. Isto é, procuramos neles o que há de bom e nos relacionamos com eles nestas bases. Porque pessoas bem resolvidas sabem que falham.

Por isso, resolver estas questões limita o espaço afetivo e emocional, ocupado pela raiva e o julgamento. Já que, alimentar tais emoções, promove desrespeito e posturas nocivas, que contaminam nossa cultura. Se achar melhor do que os outros é o lado oposto da moeda de não ser bom o bastante. Parecem aparentemente reações antagônicas, mas sua origem é uma distorção de nosso valor. São, portanto, dois lados da mesma moeda.

Aniquilando a soberba

A soberba nada mais é do que a armadura que pretende proteger-nos da autodepreciação. Mas nenhuma tentativa de encontrar valor fundamentada neste alicerce é sólida. Nosso verdadeiro valor se estabelece quando encaramos nossas fragilidades com honestidade. É esta verdade que nos capacita a oferecer generosidade aos que erram conosco.

A decepção nada mais é do que expectativas exageradas não atendidas. Pois, quanto mais significativas são as expectativas, tanto maior é a decepção. Depositaremos menos expectativas no outro quando lidarmos mais honestamente com nossa própria condição. Em última análise, isto nos deixa livres para dar e receber. Ou seja, nenhuma decepção pode ser tão poderosa que subtraia nossa capacidade de se doar.

De maneira idêntica, decepções não podem nos roubar a espontaneidade de pedir ajuda. As relações se estabelecem sobre este fundamento. Porque ninguém é tão perfeito ou completo que não precise do outro. E cada queda representa uma oportunidade de nos reerguer. Consequentemente, nosso senso de plenitude se aprofunda. Somos resultado destes altos e baixos. Os acertos e os erros nos moldam e geram heróis e vitoriosos.

“Expectativas são ressentimentos esperando para acontecer.” Anne Lamott

As diversas maneiras de saber

O saber é o resultado de conhecimento aliado à experiência. A sabedoria não ensoberbece, mas aumenta a certeza que jamais sabemos tudo.

O saber pode se expressar de maneiras distintas. Por isso, eleger corretamente o método utilizado para expressar o que conhecemos, exige sabedoria. Ou seja, o conhecimento avulso e desprovido de sabedoria nem sempre é identificado como saber. Pois, a pessoa sábia é aquela que se percebe como um eterno aprendiz e que essencialmente aprendeu a ouvir. Porque, toda sabedoria alicerçada em auto suficiência e orgulho é apenas informação. Ainda que seja um conhecimento profundo, será apenas teoria, se não tiver sido testado.

Curiosidade aliada à certa dose de disciplina e tenacidade nos conduz por caminhos que aumentam consideravelmente nossa capacidade de absorver conhecimento. Já que o verdadeiro aprendizado é absorvido através de nossos cinco sentidos de forma intuitiva. Uma boa leitura, por exemplo, pode provocar questionamentos que nos transformam. Assim como o que ouvimos nos afeta, podendo nos instruir ou confundir. O olfato, paladar e tato, inegavelmente, estão captando nuances que complementam o que vemos e ouvimos. Ou seja, nosso corpo foi estrategicamente desenhado para sorver o que nos rodeia. No entanto, cada um processa e utiliza estas informações de forma distinta.

Existem pessoas que escolhem não aprender com as circunstâncias, pois repetem erros cometidos. É fato que não somos à prova de fracassos, mas, cada vez que o novo nos desafiar e escolhermos errado; temos que corrigir o erro. No entanto, a repetição de um padrão que gerou resultados negativos, denuncia incapacidade de aprender. A linguagem não verbal e as circunstâncias precisam ser codificadas corretamente. Porque são fonte abundante de conhecimento e de respostas. Certamente não são apenas as nossas circunstâncias que nos ensinam. Inegavelmente, quando se deseja conhecer algo, a experiência do outro pode ser um bom ponto de partida.

“Só sei que nada sei.” Sócrates

Descobrindo como convém saber

Ainda que o aprendizado adquirido como fruto de observação seja legítimo, o conhecimento que mais nos afeta e influencia é o oriundo de uma experiência pessoal. Certamente é com base no que experimentamos que nossa alma recebe impressões poderosas que a modificam. Contudo, nem sempre estas impressões são positivas. Muitos possuem tatuados em sua psiqué fatos e traumas, que distorcem sua percepção. Ou seja, o processamento da informação é afetado por gravações antigas e doloridas que funcionam como filtros. Por isso, uma mesma situação vivida por pessoas diferentes pode produzir resultados muito diferentes.

De maneira idêntica, uma mesma palavra dita por alguém que passou ou viveu algo tem peso maior do que a que é simplesmente repetida ou citada. Certamente o que nos atrai e tem poder de chamar nossa atenção nem sempre é tangível. Capturamos nuances no tom da voz, na doçura da escolha das palavras e dos gestos que embelezam o saber. Assim como fica evidente a falta de controle, o nervosismo e a insegurança no discurso dos amadores. Por isso, o saber é um todo, envolve elegância, gentileza e empatia. Porque o sábio aprendeu a ocasião oportuna de falar e calar. Sua abordagem é honesta e firme, mas também é doce e gentil.

Portanto, a pureza da inteligência é testada nos momentos mais inesperados e conflitantes. A maturidade do julgamento e a retidão da vontade geram a discrição necessária; típica de quem sabe como saber. Nascemos com a necessidade de aprender e construir uma trajetória crescente de sucesso. Esta trajetória, no entanto, nem sempre é linear. Teremos momentos de aparentes retrocessos e quem sabe até de apatia. Contudo, mesmo a partir destes momentos, estamos sendo transformados. O movimento em busca do aprendizado produz avanços, já que inutiliza o ponto de partida. Ou seja, nosso andar elimina possibilidades e destrói algumas pontes que nos conectam a zonas de conforto.

“O homem comum fala, o sábio escuta, o tolo discute.” Sabedoria oriental

Lidando com a incerteza

Por isso, o ponto de partida nunca é o mesmo, ainda que aparentemente pareça ser. Pois, o processo de aprendizado transforma nossa estrutura emocional. Não raro, temos sentimento de perda e sentimos saudades de um lugar que não existe mais. Portanto, os que antipatizam com a incerteza e possuem tendência perfeccionista terão mais dificuldade de contabilizar progressos. Já que sua percepção é afetada por um padrão que não corresponde à realidade. Eles também terão dificuldade de celebrar vitórias alheias; pois não as reconhecerão facilmente. O aprendizado neste caso estará vinculado à disposição de lidar com estes filtros, eliminando-os.

O saber, portanto, pode ser a simples descoberta de que existe liberdade disponível. Liberdade para criar, errar e viver o hoje. Sucumbir ao medo ou à insegurança limita consideravelmente nossa capacidade de evoluir. O desaprender para reaprender é parte integrante da jornada rumo ao saber. Pois, os sábios não necessitam aplausos ou aprovação de quem os rodeia. Porque, sabem que não são perfeitos e nem pretendem ser. Reconhecem suas fragilidades e são generosos com erros cometidos por seus semelhantes. Levam-se menos a sério e, por isso, usufruem mais do hoje; preocupando-se menos com o futuro.

Quando sabemos que está fora de nosso alcance consertar os erros do passado; lidamos com as consequências destas escolhas com maturidade e honestidade. Já que, absorver as lições aprendidas;  abrindo-se para os novos desafios, sem perder o entusiasmo e o otimismo é o que se espera de todos que desejam aprender. Pois, a vida é resultado destas escolhas, e nos conduz por caminhos diversos que nos moldam e embelezam. O saber, portanto, não é conhecimento puro e simples. É uma ótica curiosa e destemida que adquirimos quando deciframos corretamente nossa estrutura. A estagnação e o fatalismo são substituídos por um posicionamento consciente e ativo.

“O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes.” Cora Coralina

Vencendo limites

Os limites são considerados, contudo, não constituem barreira para o progresso daqueles que estão determinados em superá-los. Desculpas e justificativas não fazem parte da linguagem de quem valoriza a possibilidade de aprender. Os mestres serão tudo e todos, já que existe um pouco de sabedoria escondida em cada oportunidade e circunstância. O verdadeiro saber não ensoberbece. Porque faz parte do saber se perceber como finito dentro de um universo infinito.

A sabedoria, portanto, é adquirida por aqueles que descobriram que não existe limites para o saber. Por isso, eles também não se deixam limitar, nem mesmo por suas fragilidades. Pois, quanto mais avançam, tanto mais certos estão de que nada é permanente e que estamos sempre nos transformando. A plasticidade do cérebro precisa ser explorada e nela começam as decisões rumo ao desconhecido. Desbravar territórios não conquistados em nós e fora de nós é o que nos faz sábios.

“Sabemos o que somos, mas não sabemos o que poderemos ser.” William Shakespeare

Pertencer é diferente de encaixar-se

Temos necessidade de pertencer e não de um encaixe. Enquanto o pertencimento nos completa, o encaixe nos esvazia.

O ser humano foi criado com a necessidade de pertencer. Somos seres sociais, precisamos de convívio com nossos semelhantes que nos completam e desafiam a ser pessoas melhores. É neste convívio que amadurecemos e adquirimos consciência de nossos limites e lacunas. Os relacionamentos revelam também nossas qualidades, bem como nossa capacidade de lidar com diferenças.

Relacionar-se com quem tem afinidades conosco é legítimo. Pois, em geral são as semelhanças que nos aproximam e constituem o ponto de partida do relacionamento entre casais, amigos e colegas. No entanto, na família não exercemos escolha, somos apresentados a um tipo de pertencimento imposto. Por isso, alguns destes relacionamentos são desafiadores, mas são estes mesmos que possuem potencial de nos transformar.

Em geral nos irritamos ou discordamos de pessoas tão teimosas quanto nós. O velho ditado que diz que “dois bicudos não se beijam” é verdadeiro. Quanto mais semelhanças temos com determinada pessoa, mais facilmente nos deparamos com regiões de conflito, já que os pontos cegos também são compartilhados. Na prática não são os opostos que se atraem, e sim os iguais. Nossa principal tendência é de nos associar com os “iguais”, não com os “diferentes”.

A importância de pertencer

Pertencer a uma família, ou grupo de amigos com objetivos comuns, seja no trabalho, na escola ou vizinhança é imprescindível. Precisamos do que o outro carrega, no entanto não podemos confundir a necessidade de pertencer com o “encaixe” forçado. O pertencimento agrega valor e segurança à nossa existência. O encaixe, ao contrário, rouba nossa identidade e nos conduz por um caminho onde máscaras são usadas em nome da aceitação.

Qualquer um que deseja encaixar-se em algum grupo com o qual não se identifique minimamente, acabará traindo a si mesmo. Nenhuma aceitação deve custar tanto, porque não seremos capazes de extrair deste tipo de convívio algo que nos deixe melhor. Além disso, relacionamentos fundamentados em mentira não se sustentam. Relacionar-se é uma arte, exige boas doses de perseverança, paciência e muito amor. No entanto, quando um relacionamento violenta nossa essência, ele deve ser descartado.

Portanto, o exato momento em que percebemos que nossa identidade foi agredida ou sacrificada, constitui um alerta. Certamente algo está indo na direção errada e precisamos corrigir a rota. Pois, pertencer deve ser consequência de empatia e comprometimento mútuos. Porque, esta é uma via de mão dupla, não existe possibilidade de se estabelecer algo duradouro sobre outro tipo de alicerce. Ambos os envolvidos, precisam dar passos nesta direção, porque a manipulação e as máscaras inviabilizam parcerias sólidas.

Pertencendo sem medo

A busca por “pertencer” a lugares e grupos com os quais podemos aprender e trocar experiências é um componente importante da equação da vida. O isolamento não nos deixa melhores, nem nos protege de sofrer decepções. Quando nos isolamos estamos indo contra tudo que sustenta nossa existência; porque é na troca com o outro que nos tornamos pessoas mais completas. Porém, quando buscamos pertencer nos deparamos com a dor de decepções e frustrações.

É preciso ter coragem para admitir o quanto nos sentimos solitários e o quanto o outro nos faz falta. Mas, além disso, é preciso ter coragem para lidar com a mágoa e o ressentimento. Porque não existe coragem sem vulnerabilidade. Ser vulnerável é assumir nossa real identidade, é lutar por um lugar que nos pertence, na mesma medida que buscamos pertencer. Não são os outros que atribuem o valor que temos. É nossa capacidade de lidar com quem somos, que dá aos outros capacidade de reconhecer isso.

A ordem dos fatores, neste caso, altera o produto. Já que, quando nos esforçamos para nos encaixar, violentamos quem somos. Mas, quando temos coragem de ser quem somos, pertencemos naturalmente e atraímos pessoas com valores semelhantes. Este não é um caminho fácil de percorrer, existem etapas doloridas e solitárias. No entanto, é a única forma verdadeira de construir relacionamentos sólidos e duradouros.

Escolhendo a vulnerabilidade

“A vulnerabilidade soa como verdade e sente-se como coragem. Verdade e coragem não são sempre confortáveis, mas elas nunca são fraqueza.” Brené Brown

Escolher ser vulnerável é o oposto de ser fraco. Somos vulneráveis quando arriscamos ser quem somos. Permitir que as pessoas acessem nossa essência, inclui permitir que vejam nossas falhas, nossos erros e pontos cegos. Excluir a vulnerabilidade é o mesmo que limitar nossa capacidade de solidificar nossa identidade. Existe dor envolvida, porém nenhuma dor é insuportável quando o que está em jogo é nossa identidade.

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las; é deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.” Brené Brown

É bem verdade que nossa natureza não gosta de sofrer, temos pouca tolerância para lidar com desconforto. Em geral somos melhores gerando dor do que ao lidar com ela. Ou seja, facilmente fugimos de lidar com o que nos tira de nossa zona de conforto e em contrapartida ferimos com facilidade. Não existem atalhos seguros que nos levem até nosso destino e nos poupem da dor. Abraçar a dor emocional e às vezes física, não é negociável, faz parte integrante do contrato dos que buscam pertencer.

Pertencendo, não encaixando-se

Por isso, quando optamos por construir relacionamentos maduros, sabemos que um componente de dor estará presente. Seremos feridos e feriremos, mas a cada novo desafio enfrentado em conjunto, uma de nossas arestas é lapidada e ficamos mais fortes. Portanto, ser vulnerável é pedir e conceder perdão, é também ter coragem de dizer não, estabelecendo limites. O diálogo do coração é sempre mais coerente do que o discurso vazio das palavras.

Pertencer é ser capaz de assumir a fragilidade de quem somos diante de quem pode ou não compreender nossas razões. Pertencer é ter coragem de não andar só, reconhecendo que existe algo no outro que nos completa. Pertencer não é o mesmo que encaixar-se, porque o encaixe nos esvazia e o pertencimento nos preenche. Pertencer é saber quem somos, respeitando e permitindo que o outro seja quem é.

Nascemos para pertencer não para o encaixe. Os que viveram uma vida de encaixes não conhecem o valor do pertencimento. Os que pertencem não se esforçam para encaixar-se. O conhecimento de quem somos é decisivo para que consigamos cumprir nossa missão nesta terra. Nascemos com uma identidade e com um propósito. Viver nossos dias inclui perseguir uma identidade e um lugar de pertencimento.

O primeiro fato que devemos considerar é que pertencemos a Deus. Quando somos achados nEle, somos livres para pertencer a todos os lugares ou a lugar algum. Porque o verdadeiro pertencimento é fruto de uma identidade sólida. E a única fonte confiável de descoberta desta identidade é o próprio Criador.

“Você só é livre quando percebe que não pertence a lugar nenhum — você pertence a todos os lugares. O preço é alto, mas a recompensa é valiosa.” Maya Angelou

Os matadores de gigantes

Todo matador de gigantes já matou um leão e um urso. Todo matador de gigantes entende que a luta é inevitável, já que a conquista da terra depende disso.

Os gigantes de nossos dias são aquelas situações que nos desafiam. São maiores do que nós, por isso, nos amedrontam, oprimem e intimidam. Mas, é exatamente neste momento, que surgem os matadores de gigantes.

Um matador de gigantes não é uma pessoa com poderes mágicos ou sobrenaturais, mas é alguém que descobriu que não precisa enfrentar as batalhas sozinho. Qualquer um que tente derrotar um gigante, precisará de ajuda.

O olhar de um matador de gigantes é diferenciado, já que ele aprendeu a não olhar para si. Quando tiramos o foco de nós mesmos, de nossas mazelas e inseguranças, temos capacidade de enxergar a circunstância sob um outro prisma.

Os gigantes sempre existirão

A jornada exige que lutemos contra o que tenta nos roubar de nosso papel de protagonistas de nossa história. Todos, em alguma medida, enfrentam gigantes. O caminho de um precursor é recheado de desafios.

Só quem entende o que significa desbravar um território, é capaz de se posicionar corretamente para vencer suas guerras. Inevitavelmente os que buscam superação se deparam com a necessidade de se reinventar. O novo sempre exigirá ousadia, criatividade e ausência de temor.

Nosso gigante pode ser o medo do desconhecido, ou a insegurança em relação a nossa identidade. Baixa autoestima é um gigante que sempre se levanta quando temos necessidade de superação. Olhar para o passado, bem como a lembrança de derrotas recentes, são igualmente paralisantes e precisam ser descartadas.

A identificação do gigante

Nem sempre esse gigante é identificado com facilidade. Mas, a realidade é que nos deparamos com ele à medida que avançamos em maturidade e que nossa influência é alargada. Inegavelmente o avanço nos aproxima de nossas fragilidades e o gigante adormecido surge.

Na maioria das vezes ele está escondido em nossas emoções, lembranças e mente. Os traumas abrigam gigantes. Qualquer que seja a situação que nos aprisiona e nos limita, deve ser encarada e vencida.

As batalhas que travamos correspondem ao tamanho da vitória que nos espera. Quanto maior for o gigante, tanto maior será o avanço e a conquista de território que nos aguarda.

Quem é capaz de matar gigantes?

Os matadores de gigantes são aqueles que aprendem a confiar em Deus. À semelhança de Davi, eles vivem um relacionamento de intimidade com o Criador. Deste relacionamento, extraem a convicção de que com Deus ao seu lado nenhum gigante é invencível.

Então falou Davi aos homens que estavam com ele, dizendo: Que farão àquele homem, que ferir a este filisteu, e tirar a afronta de sobre Israel? Quem é, pois, este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?” 1 Sm 17.26

“Davi, porém, disse ao filisteu: Tu vens a mim com espada, e com lança, e com escudo; porém eu venho a ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus dos exércitos de Israel, a quem tens afrontado. Hoje mesmo o Senhor te entregará na minha mão, e ferir-te-ei, e tirar-te-ei a cabeça, e os corpos do arraial dos filisteus darei hoje mesmo às aves do céu e às feras da terra; e toda a terra saberá que há Deus em Israel;” 1 Sm 17.45,46

O currículo do matador de gigantes

Davi matou um leão e um urso antes de matar Golias: Disse mais Davi: O Senhor me livrou das garras do leão, e das do urso; ele me livrará da mão deste filisteu.” 1 Sm 17.37a

Qualquer um que seja candidato a matar gigantes, precisa ter em seu currículo a morte de leões e ursos. Já que, é nas pequenas batalhas de nosso cotidiano, que somos treinados para enfrentar gigantes. Por isso, valorize as oportunidades de superação diária. São elas que adestram nossas mãos para vencer o Golias.

Igualmente importante é entender que vencer um gigante é parte integrante da jornada. Qualquer pessoa que esteja avançando na conquista de um território, se depara com gigantes. Confie em Deus e creia que Ele pode liberar a estratégia que derrotará seu Golias

A estratégia de nossa guerra

E Davi pôs a mão no alforje, e tomou dali uma pedra e com a funda lha atirou, e feriu o filisteu na testa, e a pedra se lhe encravou na testa, e caiu sobre o seu rosto em terra.” 1 Sm. 17.49

Ainda que o método pareça absurdo e desafie a lógica humana, os verdadeiros matadores de gigantes já entenderam que não é a força de seu braço que vence as guerras. Somente os que ousam confiar em Deus são candidatos a vencer gigantes nesta vida.

A verdadeira vitória nem sempre é medida ou percebida pelos que olham a batalha de fora. Não é o olhar deles que conta, nem a aprovação deles que buscamos. Os Golias internos são os mais difíceis de ser derrotados. Quando eles são vencidos, as conquistas externas tomam forma.

Explorar a criatividade é se parecer com o Criador

Entender que nossa essência é criativa, dando vazão à criatividade, nos torna mais parecidos com o Criador. Nenhum medo é capaz de nos deter.

Os seres humanos possuem criatividade que precisa ser explorada. Todos nascem com capacidade de criar. Alguns desenvolvem seu potencial criativo, outros ignoram que o possuem.

Não me refiro à criatividade necessária para escrever um livro, uma peça, pintar um quadro ou inventar algo. Obviamente necessitamos de doses de criatividade e inspiração quando pretendemos explorar a área das artes, ciência e tecnologia. Mas, nosso dia é recheado de oportunidades menores que somos convidados a desbravar.

Quando abordamos nosso dia com olhar curioso e atento, descobrimos que podemos criar novos caminhos para chegar ao trabalho ou escola, por exemplo. Novas combinações de peças de roupas. Quem sabe mudar uma mobília de lugar, ou provar uma comida ou bebida que não conhecemos.

Desde a mudança da cor do esmalte, até a mudança de bairro, cidade, estado ou país, cada pequena mudança que admitimos, nos remove de nossa zona de conforto e pode representar o início de um processo criativo.

Quando ousamos nos reinventar e explorar novas composições em nosso cotidiano, somos candidatos a esbarrar em algo inesperado, que pode eventualmente, nos conduzir a descobertas a respeito de nós mesmos e do que nos rodeia.

A criatividade e o medo

O grande inimigo da criatividade é o medo. Medo de parecer ridículo, medo de repetir algo que já fora criado, medo de fracassar, da exposição, da crítica, dos rótulos, da indiferença, medo de tudo que possa acontecer se ousarmos.

O medo é o irmão gêmeo da criatividade. Elizabeth Gilbert diz que eles foram gerados no mesmo útero. Só existe uma maneira de vencermos nosso medo, e o primeiro requisito é reconhecer que ele está ali.

Nosso diálogo com o medo e a criatividade

Querido Medo: Criatividade e eu estamos prestes a fazer uma viagem juntos. Entendo que quer juntar-se a nós, porque você sempre aparece quando iniciamos uma jornada. Reconheço que você pensa ter um trabalho importante em minha vida e que leva o seu trabalho a sério.

Aparentemente, seu trabalho é induzir pânico completo sempre que estou prestes a fazer algo interessante – e, posso dizer, você é excelente em seu trabalho. Então, por todos os meios, continue fazendo seu trabalho, se achar que precisa.

Mas, também estarei fazendo meu trabalho nesta viagem, que é de me esforçar para manter o foco. E a criatividade estará fazendo o seu trabalho, que é permanecer me estimulando e inspirando. Há muito espaço neste veículo para todos nós, então sinta-se em casa, mas entenda isso: Criatividade e eu somos os únicos que tomarão todas as decisões ao longo do caminho.

Reconheço e respeito que você faz parte desta família, e por isso nunca vou excluir você de nossas atividades, mas ainda assim – suas sugestões nunca serão seguidas. Você tem permissão para se sentar e terá permissão para falar, mas você não tem permissão para votar.

Você não tem permissão para tocar nos mapas de estradas; você não tem permissão para sugerir desvios; você não está autorizado a mexer na temperatura. Cara, você nem está autorizado a tocar no rádio. Mas acima de tudo, meu querido e velho amigo familiar, você está absolutamente proibido de dirigir.”

Elizabeth Gilbert (A Grande Magia)

Quando reconhecemos que o medo não pode nos guiar, finalmente iniciamos a jornada rumo à criatividade. Fique atento às oportunidades de criar que o rodeiam e certifique-se de nunca entregar a direção de sua vida ao medo.