O menino da manjedoura

O nascimento do menino da manjedoura tem significado profundo e aplicação prática na vida do ser humano. No entanto, a escolha é individual e totalmente voluntária. Isto é, temos que decidir que papel Ele terá em nossa vida.

A figura do menino em uma manjedoura consagrou-se como símbolo do cristianismo. Pois, assim como a cruz, a manjedoura e a cena do presépio são imagens vinculadas à fé cristã, que marcam o final e início da vida do Salvador, respectivamente. Mesmo para os que não se identificam com esta expressão de fé e que, portanto, elegem para si outros formatos de crenças, certamente, esta simbologia não é ignorada. Afinal, no mundo ocidental, o nascimento deste menino dividiu a contagem dos anos em antes e depois de Sua passagem pela terra. Ninguém que tenha influenciado a história desta forma pode ser, simplesmente, descartado. Sua trajetória despretensiosa e praticamente anônima inicia em um lugar pouco convencional. Já que, o nascimento de um suposto Rei e Messias, deveria ser cercado da pompa que a circunstância requer.

O alarde, no entanto, ecoou no coração de uns poucos pastores e de alguns reis vindos do oriente, que presenciaram a cena que passava totalmente despercebida do olhar desatento dos que ocupavam-se com sua própria vida. Em meio ao feno, palha, mau cheiro e aparente improviso, nascia o menino que a nação judaica não reconheceu como seu libertador, crucificando-o. Ele, no entanto, foi reconhecido do nascimento até a morte por aqueles poucos que não deixaram que a religião e as tradições sufocassem a verdade para qual Sua vida apontava. Dentre eles estão doze homens pescadores, iletrados que o seguiram por cerca de três anos e meio e de onde saiu, também, um traidor. As pessoas que tiveram olhos para ver e ouvidos para ouvir foram as que receberam por Seus lábios a resposta do que buscavam. Ou seja, foram abençoados com cura, restauração, libertação e encontraram sua real identidade.

Simeão e Ana

Simeão e Ana são dois personagens que identificaram no bebê de poucos dias o Salvador do mundo. Os dois anciãos podiam não ter uma visão física muito acurada, mas com os olhos atentos do coração, contemplaram o que os religiosos e soberanos de sua época não viram. Com os olhos espirituais, identificaram o cumprimento da promessa do Redentor. Isto é, aquele momento coroava suas jornadas que haviam sido edificadas sobre o alicerce sólido de que Deus Criador tinha um compromisso com a criatura. Pois, os que como eles entendem este princípio, dedicam tempo e priorizam este relacionamento, discernindo que o interesse do Criador pelo homem deve ser recíproco para ser real. Porque, qualquer que se perceba como peça do grande quebra-cabeça do universo, esforça-se para corresponder ao papel que foi destinado a desempenhar na companhia e com a parceria de Deus.

Contudo é primordial que, à semelhança do Mestre, tenhamos humildade para celebrar os pequenos e anônimos momentos, sabendo que existe um único par de olhos que nos contempla e diante do qual estamos nus, completamente desprovidos de qualquer subterfúgio, como estava o primeiro homem criado. Sim, somos todos como Adão no jardim do Éden diante do Último Adão. Portanto, não temos razão de buscar aprovação, aceitação ou motivos para tentar impressionar Aquele que nos conhece por inteiro e diante de quem estamos descobertos e para quem somos como pó, pois, dele fomos formados e para ele voltaremos. Por isso, quando esta realidade é desvendada, o nascimento do menino na manjedoura faz todo sentido e encaixa-se, coerentemente, na história que teve início antes da fundação do mundo.

O salvador menino

O primeiro Adão não nasceu menino como o Último Adão, porque ao primeiro foi concedido o privilégio de relacionar-se com Seu criador sem a barreira do pecado. Ele havia sido criado à imagem e semelhança de um Deus amoroso e misericordioso que tem prazer em relacionar-se com a criatura. No entanto, o resgate daquela comunhão diária exigia um sacrifício e Deus estava disposto a fazê-lo. Ele entregaria Seu Filho unigênito, para que fosse transformado em primogênito, incluindo nesta família, novamente, aqueles que desejassem ter relacionamento com Deus Pai. O menino nascia na manjedoura para repartir o Pai conosco, devolvendo-nos a identidade de filhos e imprimindo em nosso espírito a imagem do Deus que é essencialmente amor.

Não por acaso, na época de Seu nascimento, como nos dias de hoje, só seguem seus passos aqueles que tem olhos para ver e ouvidos para ouvir aquilo que permanece oculto para os que estão cegos pelo orgulho, autossuficiência e independência. Certamente, estas palavras são substituídas por rótulos mais atraentes e que não denunciam a orfandade presente no íntimo de todo aquele que decide trilhar sua jornada terrena ignorando a passagem deste menino pela terra. Não se trata, portanto, de reconhecê-lo nos quadros e pinturas, nas canções ou até mesmo nos encontros organizados para, pretensamente, celebrar Sua vida. Mas, de se deixar afetar e moldar por Seus ensinos, escolhendo segui-lo para o lugar de morte, onde nasce a verdadeira vida.

Jesus é Deus homem

Jesus é esse menino que desde Seu nascimento revelou o coração do Pai. Ou seja, o Pai que inclina-se para a humanidade e oferece o resgate para a condição de orfandade que o pecado inaugurou. O Pai demonstra Seu amor no Filho, nascido sem pecado, expondo-O ao pecado por amor do pecador. O resgate custou Sua vida e dividiu a história em dois blocos, ou seja, aqueles que iniciaram antes de Seu nascimento dos que seguem existindo depois dEle. Mesmo sendo Ele o Criador de todas as coisas, limitou-se ao tempo e espaço para revelar o caráter de um Deus que ama a criatura de forma explícita e inequívoca através da cruz. Por isso, não aceita nenhum outro tipo de amor em contrapartida, que não aquele que se manifesta de forma igualmente cristalina e categórica de nossa parte. O Filho declara aos que desejam segui-lo, sem nenhum rodeio, que tomem sua própria cruz e caminhem para o lugar de morte de seus desejos humanos e limitados, substituindo-os pelo que é eterno.

O apelo não é algo aguado ou barato, já que custa tudo. O tudo, no entanto, é quase nada ou pode ser considerado refugo quando colocado em perspectiva. Já que, à luz da eternidade, nossa rápida passagem por esta terra adquire novo significado, inevitavelmente, afetando nossos valores e prioridades. Não fosse por isso o menino teria buscado a fama, o reconhecimento e o aplauso daquela geração, assim como fazem os que ainda hoje não entenderam o que seu nascimento representa. Por isso, não é filho de Deus aquele que apenas habita na terra, mas todo aquele que reconhece na morte do Filho unigênito o resgate promovido pelo Pai. Se outra oferta fosse suficiente ela teria sido feita e aceita, mas como custou tudo, não seria lógico que não implicasse na entrega radical e definitiva de nossa vida em Suas mãos. 

“O cristianismo, se é falso, não tem nenhuma importância, e, se é verdadeiro, tem infinita importância. O que ele não pode ser é de moderada importância.” C S Lewis

Feliz Natal!

Lutar em amor.

Lutar por uma causa é legítimo e imprescindível. Mas, precisamos promover aproximação e não distanciamento; aprendendo a lutar em amor.

Lutar pela defesa de um território ou posicionamento é legítimo. Já que, muito pior que uma derrota em qualquer campo de batalha, é a apatia que nos mantém estagnados. Nascemos com a necessidade de conquista e com o anseio de avançar. Inegavelmente, o principal combustível desta guerra são nossos sonhos e ideais. De maneira idêntica, nossa ótica da vida e a maneira como nos percebemos são determinantes no papel que exercemos. Alguns percebem-se conclamados a lutar incansavelmente por suas causas. Consequentemente são movidos pelas metas que estabelecem e não temem qualquer nível de confronto.

Outros, no entanto, podem assumir posicionamentos menos ofensivos, quase neutros, porque não convivem bem com o enfrentamento. Seja qual for o perfil que tenhamos, é fato que temos um conjunto de valores que rege nossas escolhas. Por consequência, quer gostemos ou não, ao longo de nossa existência, esbarramos em pessoas que pensam diferente de nós. Nem mesmo dentro de uma mesma família existe consenso. Pois, teoricamente, pessoas expostas a uma mesma criação ou ambiente, deveriam ter reações semelhantes. Nada mais se distancia da verdade do que supor que são apenas estes os fatores que formam quem somos.

Certamente nossa criação, o lugar onde vivemos, nossa classe social, nacionalidade e muitos outros fatores influenciam a composição de quem somos. No entanto, cada ser humano é único e possui capacidade de fazer escolhas que podem muito bem contrariar a parcela da sociedade em que está inserido. Considerando que fomos criados para viver em comunidade e que o convívio com nosso semelhante nos enriquece, urgentemente, precisamos encontrar o equilíbrio entre a expressão de nossa identidade e a ofensa e o desrespeito. Obviamente não gostamos da ideia de ter qualquer direito à liberdade de expressão tolido. Mas, a máxima que diz que minha liberdade acaba quando começa a do outro, é muito verdadeira.

“O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Albert Einstein

Unidade na diversidade

Buscar unidade em tudo que vivemos nem sempre é possível. Mas a vida em sociedade exige que se busque soluções civilizadas de convívio. Outro fator importante a ser considerado é o fato de que a unidade só é promovida onde existe diversidade. Não teria sentido buscar unidade em algo que, por natureza, já é similar. Já que, onde as semelhanças já foram estabelecidas, não há necessidade de construir unidade. Pois, ela é intrínseca. O desafio nasce, portanto, quando pensamentos antagônicos e opostos são apresentados. Neste momento temos que escolher não desumanizar quem pensa diferente de nós. Porque, a guerra que travamos, seja defendendo um território ou tentando avançar na direção de um alvo; não deve ser ganha a qualquer custo.

Lutar usando armas que destruam o direito e espaço do outro; em benefício próprio, nunca será a melhor estratégia. É sabido que toda e qualquer guerra pressupõe baixas. Ou seja, na batalha as perdas acontecem, e os que estão na linha de frente são os mais afetados. Inevitavelmente as grandes conquistas da humanidade e os avanços civilizatórios foram gerados em meio ao posicionamento de uns poucos que não temeram oposição. Pois, quanto maior a causa e a mudança que desejamos promover, tanto maior deve ser nossa determinação de viver e morrer por ela.

“Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver.” Martin Luther King

Lutando em amor

Jesus foi um grande revolucionário. Ele nasceu sabendo que Sua morte era o principal destino de Sua vida. Pois, sabia que através dela reconciliaria a criatura com o Criador. Ele nunca enganou os que desejavam segui-lo, antes alertou-os para a importância de imitarem Seus passos. Ou seja, os que quisessem Segui-lo, deveriam tomar sua cruz, rumando para o lugar de morte. Ele não incentivou a guerra com lanças e flechas. Antes, sofreu como uma ovelha muda diante de Seus tosquiadores. No entanto, tinha uma causa pela qual estava disposto a morrer. Seus ensinos demonstraram que a verdadeira batalha é ganha no lugar de rendição.

Pois, é quando oferecemos a face ao que nos bate, que provamos acreditar no valor do que proferimos. De maneira idêntica, ao perdoarmos quem nos ofende, direcionamos nosso foco para o que tem valor eterno. A compreensão da fragilidade de nossa existência, à luz da eternidade; bem como da importância de nossa vida; certamente, é o equilibra a batalha. Porque, nascemos para deixar nossa marca. Já que, ninguém pode fazer ou substituir nosso papel na história da humanidade. No entanto, nossa vida se esvai muito rapidamente e o orgulho e a altivez não são bons mestres.

Por isso, ao assumirmos o protagonismo de nossa vida temos que, essencialmente, permitir que o outro assuma seu protagonismo, também. Portanto, lutar por nossos ideais é legítimo e imprescindível. Mas, a verdadeira motivação da luta deve ser a promoção do amor. Qualquer causa que não objetive diminuir a distância entre os seres humanos é, no mínimo, vazia de significado. Aprender a lutar em amor é abrir mão de ter razão em alguns momentos. É também saber ouvir e oferecer empatia ao que discorda de nosso ponto de vista. O verdadeiro grito é aquele que damos ao morrermos pelo outro, e por aquilo que ele não compreende ou valoriza no momento.

“Ser grande, é abraçar uma grande causa.” William Shakespeare

Em tempos difíceis

Tempos difíceis revelam nossa essência e no que alicerçamos nossa vida.

Em tempos difíceis nossa essência é testada e exposta. A pressão externa ou interna revela nossas entranhas. Nossos valores são testados, bem como nosso senso de comunidade e autopreservação é medido. Quando o que está em jogo é nossa integridade e nosso espaço é ameaçado, temos a tendência de usar as armas que temos. No entanto, nem todas elas são legítimas e adequadas. O evento do Covid-19, que desencadeou esta pandemia mundial, pegou a todos de surpresa. Alguns países e comunidades talvez estivessem melhor equipados ou mais acostumados a mobilizarem-se em tempos de crise. Mas o fato é um só, todos fomos convocados a sacrificar um pouco de quem somos e do que temos.

O confinamento não é fácil ou prazeroso. Ele foi abraçado por alguns com altruísmo e estavam convencidos que podiam expressar empatia com os que se encontravam nos grupos de risco. Contudo, alguns se sentiram violentados em sua liberdade e acharam que tinham direito de protestar. A democracia oferece oportunidade e torna legítima toda forma de expressão. Mas, em cada iniciativa ou manifestação, um pouco de quem somos de fato, veio para superfície. Não se trata apenas de dividir angústias e medos, ou de demonstrar solidariedade e revolta. O ser humano tem e sempre terá, em tempos de crise, a chance de se fechar em seu egoísmo ou de abraçar o outro e repartir o que tem.

Inegavelmente atitudes e escolhas altruístas emocionam e inspiram. Assim como, os atos de aproveitadores inescrupulosos agridem e chocam. A verdade é que o ser humano terá sempre diante de si a chance de escolha. Podemos nos reinventar e sair de nossa crise individual e comunitária melhores, ou piores. Sempre será uma escolha pessoal, pois, não nos é facultada a oportunidade de terceirizar a tarefa. A cada um foi concedido livre arbítrio e escolhemos diariamente se olhamos para o copo meio vazio ou meio cheio. Não se trata apenas de ser otimista ou pessimista. É uma questão que envolve a essência da vida. Ou seja, o motivo principal pelo qual existimos.

Temos um exemplo maior

No mundo cristão, que comemora neste final de semana a Páscoa, o exemplo de Jesus é a base sobre a qual edificamos nossas escolhas. Ele abraçou a cruz, não porque precisasse dela, mas pelo amor que tem pela humanidade. Ele sendo Deus, assumiu a forma humana, identificando-se com nossa fragilidade. Foi deste lugar de fraqueza e esvaziamento que Ele estendeu as mãos para todo aquele que sofre e que se percebe como alguém incapaz de prosseguir sozinho. Ou seja, os que reconhecidamente assumem ser criatura, que necessita da intervenção e ajuda de um Criador. Ao reconhecerem nEle seu exemplo, abraçam também o entendimento que precisam carregar sua cruz.

No entanto, ao contrário do que muitos pensam, a cruz não é uma situação externa ou uma dificuldade que enfrentamos. Nem tão pouco é o que uma pessoa representa em nossa vida. A cruz é um lugar de morte do nosso eu. Assim como aconteceu com Jesus, é ali que nossa vontade morre para que outros se beneficiem desta morte. A cruz mata nosso egoísmo, nossa independência, nossa ótica limitada. A cruz viola nossa integridade e expõe nossas entranhas. Ela vem acompanhada de dor e sofrimento, não por erros cometidos ou falhas que cobram a conta de uma dívida inquestionável.

A dor da cruz é causada pela entrega consciente e voluntária de quem somos e do que temos; em favor do outro. Muitos profissionais da saúde têm assumido sua cruz nestes dias. Outros tantos, de forma variada e em áreas distintas têm feito sacrifícios silenciosos e anônimos para servir ao outro com o que possuem. Dividindo quem sabe um prato de comida ou até um teto. Uma máscara, uma ida ao mercado, um sorriso à distância, uma ligação para dar oi. Os pequenos gestos são valorizados e representam um oásis no deserto que alguns enfrentam. A aridez de algumas situações pode ser amenizada quando um de nós escolhe abraçar a cruz.

A páscoa diária

A páscoa é sim um evento anual celebrado na comunidade cristã ao redor do mundo. Com costumes variados e rituais específicos; é a lembrança da morte sacrificial do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Mas todo discípulo verdadeiro de Jesus é convidado por Ele, a tomar sua cruz e segui-Lo. Não se trata de uma opção, é antes um pré-requisito para todo aquele que reconhece nEle o Caminho, a Verdade e a Vida. Nossa fé nEle não pode ser teórica, ela precisa se transformar em ação. Os tempos de crise são especialmente oportunos para abraçarmos a cruz.

No caminho que Jesus trilhou até o Calvário, Ele não revidou as ofensas que lhe faziam. Tão pouco se justificou diante dos que O acusavam de crimes que não havia cometido. Igualmente, não ofendeu-se com os que O abandonaram, nem sequer condenou seus algozes. Do auge de Sua dor e vergonha, Ele ofereceu perdão aos que o maltratavam. Ele amou os que eram detestáveis; sem reservas e até o fim. Foi deste lugar que Ele ofereceu a mim e a você a oportunidade da vida eterna. Não de um paraíso barato cheio de facilidades e conforto, mas de um acesso a um lugar frequentado por pessoas como Ele.

O céu não é apenas um lugar onde Ele habita. É um lugar livre de egoísmo, de acusação e de vergonha. É um lugar para onde irão os que nesta vida optarem por pavimentar este caminho com renúncia e com a parceria e capacitação de um relacionamento construído com Ele. Seja em tempos de Covid-19 ou em tempos de prosperidade, Ele ocupa o centro de nossas escolhas e o fundamento de nossos valores. Precisamos dEle e de Seu sacrifício porque nenhum de nós é bom o suficiente, ou conseguiria vencer sem Sua ajuda. A verdadeira mensagem da cruz, comemorada na Páscoa, é um convite para que cada um de nós tome sua cruz e siga-O para um lugar de morte, onde a verdadeira vida brota.

Em verdade, em verdade vos digo: se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas, se morrer, produz muito fruto. Quem ama a sua vida perde-a; mas aquele que odeia a sua vida neste mundo preservá-la-á para a vida eterna. Se alguém me serve, siga-me, e, onde eu estou, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, o Pai o honrará.” João 12:24-26

FELIZ PÁSCOA!!!

O cristianismo é verdadeiro ou falso?

O cristianismo não é uma religião ou um conjunto de regras. Ser cristão é relacionar-se com Cristo. Ele é a razão de celebrarmos o natal.

“O cristianismo, se for falso, não tem nenhuma importância; se for verdadeiro, é de extrema importância. A única coisa que ele não pode ser é de moderada importância.” C S Lewis

Nesta época festiva; em que famílias cristãs e não cristãs se confraternizam, cabe a pergunta sobre o que existe de verdade em torno desta data. Para alguns é um período de reflexão, troca de presentes e uma oportunidade de rever amigos e familiares. Em algumas famílias esta é uma data em que empenham-se para, em torno de uma mesa, fazerem uma refeição juntos. As férias escolares e profissionais de muitos iniciam neste período.

O comércio explora a data e registra aumento nas vendas e alguns gastam excessivamente. No entanto, terminadas as comemorações, com o início do novo ano, a rotina volta a ditar as normas e regular nosso dia. Contudo, há um grupo de pessoas que se deprime, buscando o isolamento. Ora evitando o consumismo, ora o apelo social, buscam distanciar-se dos ajuntamentos.

Embora o desejo de buscar solitude possa ser legítimo, em sua grande maioria, pessoas com este comportamento possuem laços familiares frágeis e confusos. Por isso, a simples possibilidade de juntar todos em um mesmo ambiente é assustadora. Os fantasmas de lembranças de períodos de escassez assombram as celebrações, provocando quem sabe atitudes de empatia com os menos favorecidos. A ausência de algum ente querido pode também ser um gatilho que aciona uma nostalgia nem sempre saudável.

O que existe por trás do natal?

O natal é uma festa celebrada no mundo ocidental especialmente, de formas diversas, e com motivações variadas. Sabe-se que o evento que supostamente justifica esta movimentação é o nascimento de Jesus. Outro fato importante a ser destacado é que possivelmente o nascimento de Jesus não ocorreu em dezembro. Especula-se que talvez seu mês de nascimento tenha sido setembro. Mas, é fato que a comemoração nesta data é simbólica.

Para alguns, no entanto, pouco importa se Jesus nasceu mesmo, ou se é apenas uma lenda. Certamente, para outros Ele é realmente quem diz ser. Mas continua distante e pouco ou nada representa em seu contexto de vida. O cristianismo nominal, que reconhece Jesus como Filho de Deus, nem sempre carrega a realidade que sustenta essa crença. Isto é, limita-se a proclamar uma versão de fatos que nada ou pouco afetam sua forma de vida e seus valores.

No entanto, nem sempre isto significa que a pessoa não frequente uma igreja, ou não separe tempo para orar/rezar e fazer boas obras. Contudo, o verdadeiro evangelho, aquele que Jesus veio anunciar, não fundamenta-se em boas obras e muito menos em posturas religiosas. O Jesus da bíblia é aquele que agia e falava com coerência em relação à Sua missão. Ele vinha como substituto, assumindo o lugar que Adão havia perdido. Seu sacrifício permitiria que a humanidade pudesse se reconectar com o Criador.

O divisor da história

Ele foi um homem que dividiu a contagem dos anos em antes e depois dEle (aC e dC). Por isso, independentemente da escolha que façamos em relação a Seu papel em nossa vida, somos forçados a admitir que Ele mudou o curso da história. Sua passagem por esta terra foi marcada com registros contundentes que comprovam a veracidade de Sua trajetória. Porque, tanto Seu nascimento quanto Sua morte, são inquestionáveis.

Mas ainda assim, precisamos decidir reconhecê-Lo como Filho de Deus, para que Seu nascimento e vida nos afete. Não existe meio termo quando o que está em jogo é receber ou não Seus ensinamentos como fundamento para nossas escolhas. Como bem disse C S Lewis, o cristianismo pode ser de pouca ou de muita importância, o que ele não pode ser é de moderada importância. Temos que ter coragem de escolher um lado da história e abraçar nossas convicções.

O livre arbítrio

Uma das essências do ser humano é o livre arbítrio. O cristianismo verdadeiro não é uma religião fundada por Jesus e seus seguidores. De fato o berço do cristianismo é a pessoa de Cristo – o Messias – Jesus. Contudo, a pessoa de Jesus veio convidar-nos a construir um relacionamento onde escolhemos voluntariamente dar acesso a Ele. Este acesso se dá ao reconhecermos que fomos desenhados para viver em parceria com Ele.

De maneira idêntica, reconhecemos que sem Ele não somos completos ou sequer temos acesso a Deus. Ele é o segundo Adão. Pois, assim como fomos incluídos na transgressão do primeiro Adão, nEle fomos reconciliados. Seu nascimento, assim como Sua morte, fazem parte de um plano de Deus para nos ter de volta. O cristianismo tem sentido e passa ser o alicerce de nossa fé e de nossas escolhas, quando reconhecemos que o único mediador entre Deus e os homens é Jesus.

Ao abraçarmos Seus ensinamentos; como fonte de respostas para nossos conflitos; elegemos Jesus como nosso salvador e senhor. Nos três anos e meio em que dedicou-se a proclamar as boas-novas, Ele abordou cada área de nossa existência. Através dos milagres que protagonizou, demonstrou que não só tinha poder para mudar circunstâncias, como se importava em transformá-las.

Os milagres de Jesus

Ele abriu olhos de cegos, fez coxos andarem e nem a morte foi barreira para Ele. Enxergava o sofrimento e se inclinava para o frágil, fraco e necessitado. Quando multiplicou pães e peixes, demonstrou Seu desejo de nos alimentar e saciar nossa fome natural. Não se agradava da escassez, nem da doença, ou de qualquer nível de escravidão. Ele olhou para dentro de nós e viu um vazio, um lugar que precisava ser preenchido pelo Criador.

Ele anunciou o caminho de volta. Disse que não nos deixaria órfãos, fazendo um convite para que todo cansado e sobrecarregado trocasse seu jugo pelo dEle. Ele não barateou o convite para os que desejavam segui-Lo. Mas, afirmou que precisariam negar-se a si mesmos e tomar sua cruz. Isto é, alertou para o fato que seus discípulos deveriam lidar naturalmente com oposição e com dificuldades de que Ele mesmo foi alvo.

O cristianismo, portanto, não é uma lista de regras ou sequer a identificação com um grupo religioso. Pois, cristão é um seguidor de Cristo, e quem com Ele tem um relacionamento. Portanto, a verdade do cristianismo, só se consolida na vida dos que ousam crer e reconhecem a necessidade desta parceria. Cristãos são aqueles que se percebem frágeis e incompletos sem a interação com o Criador.

A verdade do cristianismo

Inegavelmente, cristãos são pessoas que andam na contramão de algumas propostas, assim como Jesus andou. Eles creem no impossível e na realidade do sobrenatural. Não se percebem como devedores de ditames culturais ou sociais. Pensam que o valor da vida está no reconhecimento do fato de termos um espírito eterno, e que a vida não acaba após a morte. Por isso, naquela manjedoura, contrariando tudo que é convencional, nascia o Filho de Deus.

Ele viveria para servir e incentivaria seus seguidores a fazer o mesmo. Ele deixou lições preciosas, simples e profundas. Veio para confundir a sabedoria dos que se julgam sábios neste mundo. Em contrapartida repartiu conhecimento do alto com pessoas simples, traduzindo princípios eternos para linguagem que pescadores e prostitutas entendiam. Não se cercou de pessoas eloquentes ou poderosas. Andava com os simples e impressionava os mestres de Sua geração, que O ouviam boquiabertos. Ele continua sendo Rei e Senhor de todas as coisas e conquistou na cruz o direito de nos ter de volta.

Seu nascimento é celebrado ao longo de gerações de maneiras diversas e com motivações variadas. Contudo, Ele se relaciona com todo que se achega a Ele com simplicidade e honestidade. Ele resiste aos soberbos e não confronta a independência com a qual alguns escolhem viver. Porque respeita a liberdade de escolha com que nos criou. Ele conhece o coração humano e sabe do que somos feitos. É o Criador se revelando como Pai da criação. É o Filho nos levando de volta ao Pai. Nele fomos adotados e eleitos como herdeiros de uma vida eterna. Por isso, será sempre nossa a escolha de acolher Seu ensino ou desprezá-lo.

FELIZ NATAL!

Mãos falam o que a boca não diz.

Nossas mãos falam o tempo todo. Elas dizem o que a boca não diz. Gestos sempre dizem mais que palavras.

Poucas pessoas conhecem o poder de expressão das mãos. Inegavelmente, não são apenas os deficientes auditivos que se beneficiam da linguagem de sinais, por elas executada. Mas, nem sempre é evidente o fato que mãos falam. Sim, elas falam porque refletem o que para nós é importante. Elas podem estar cheias ou vazias, ocupadas ou ociosas, disponíveis ou indisponíveis. Portanto, é prerrogativa nossa determinar o que elas comunicarão. Elas são a extensão de nossos lábios e denunciam a coerência ou incoerência de nossa fala. 

Mãos que amam, abraçam, acolhem, ajudam. Mãos que odeiam, desprezam, estão esvaziadas de afeto, acusam e machucam. Elas são instrumentos que ferem, sempre que nos omitimos de fazer o bem, estando ao nosso alcance poder fazê-lo. O cuidado oferecido a quem amamos, nos leva a ocupar nossas mãos com o que os deixa felizes. Mãos cansadas, precisam de descanso. Mãos feridas, precisam de cura. Mãos generosas doam-se e gastam-se em prol de causas públicas. Mãos talentosas produzem arte, geram beleza, adornam o imperfeito. Por isso, mãos falam e têm poder de transformar.

Existem pessoas talentosíssimas que produzem, com suas mãos, obras de arte belíssimas. Seja através de um quadro, de um livro, de uma música executada ou composta, de um artesanato ou de uma escultura, nossas mãos tem poder criativo. Elas fazem a maquiagem que usamos e a comida que nos alimenta. Elas constroem edifícios, casas, pontes, barracos e estradas. Elas também consertam vazamentos, rachaduras, equipamentos, carros, navios e aviões. Elas podem estar estendidas ou encolhidas, e mesmo quando se omitem estão falando. Elas dizem sim e não, avance ou pare. Mãos falam o tempo todo.

“Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las.” Augusto Cury

Com o que ocupamos nossas mãos?

Portanto, ocupar as mãos com coisas que deixem nosso mundo mais belo, é optar pelo melhor uso delas. Em contrapartida, mãos também destroem, ferem e se omitem. Elas podem segurar, armas e flechas ou rosas e alimentos. Elas podem apontar o dedo acusador e preparar armadilhas. Com elas assaltamos, matamos, ferimos. Surpreendentemente, elas defendem e atacam, furtam e restituem, registram a verdade e a mentira dos fatos. Contudo, as mesmas mãos que optam pela bofetada, pelo soco ou pela surra, são capazes de acariciar, massagear e acalentar. Por isso, o exercício de nosso livre arbítrio determina seu uso.

Existe poder inerente em nossos atos de comunicar compaixão ou rejeição. Certamente não temos capacidade de dar o que não temos, ou de retribuir com generosidade, quando nosso coração está cheio de rancor. Por isso, elas são a tradução mais genuína do coração. Pois, nem sempre temos coragem de dizer com os lábios, o que expressamos através delas. Para alguns é mais fácil dar um presente do que dizer eu te amo. Ou quem sabe dar um soco, do que verbalizar um conflito. Porque as agressões possuem origem em nossa dificuldade de lidar com nossas emoções.

Fomos desenhados com duas mãos, porque o Criador sabia que precisaríamos delas em dupla. Muitas vezes elas necessitam companhia, devendo ser duplicadas, triplicadas ou quem sabe divididas. Por isso, temos que saber pedir e receber ajuda. Somos capazes de executar muitas coisas com duas, ou quem sabe, com apenas uma das mãos. Mas é simplesmente impossível, fazer tudo sozinho. Não é somente o peso que dividimos com outros, mas especialmente a angústia. Uma mão estendida pode representar mais do que um reforço. Já que nem sempre é de força física que carecemos.

“À medida que envelhecemos, descobrimos que temos duas mãos; uma para ajudar a nós mesmos, e outra pra ajudar aos outros.” Audrey Hepburn

Estendendo as mãos

“Não se pode apertar mãos com os punhos fechados.” Indira Gandhi

Inevitavelmente, ao decidirmos usar as mãos para promover o bem, elas adquirem marcas. Porque, elas não são imunes aos calos e cicatrizes. No entanto, tais sinais, deixados pelo tempo e pelo uso, não tem poder de deixá-las feias. Porque a beleza delas está vinculada ao que realizaram, não ao seu aspecto físico. Quanto mais delicada a tarefa tanto mais habilidosas precisam ser nossas mãos. Nem sempre é a força delas que conquista os objetivos almejados. Seus gestos precisos são reflexos da serenidade de uma alma confiante. No entanto, mãos trêmulas denunciam níveis de ansiedade e medo, que dificultam a execução de qualquer tarefa.

Portanto, mãos falam de nossos talentos, do estado de nossa alma e coração. Mãos revelam o que valorizamos e a importância que conferimos ao que é depositado nelas. Mãos diligentes sempre tratarão com respeito e lealdade os objetos e circunstâncias que carregam. Pois, os vários aspectos do que realizamos, revelam um pouco de quem somos. A história da humanidade foi marcada pelo trabalho de homens e mulheres que souberem utilizar suas mãos. Inegavelmente, as descobertas e o grande exemplo que deixaram foi porque fizeram bom uso deste membro valioso de nosso corpo.

Certamente a capacidade de influenciar negativamente também danificou e destruiu a vida de muitos. O poder em mãos erradas causa prejuízos incalculáveis. Leis são aprovadas por mãos inconsequentes e egoístas. Governos perversos exercem controle manipulador e opressor, lesando a vida de muitos. Por isso, seja qual for o uso que fazemos do poder que nos é concedido, ele jamais passa despercebido. A gentileza e a coerência se manifestam em nossos gestos. Transpiramos nossa essência por cada poro de nosso ser e através das mãos os executamos.

As mãos de Deus estão estendidas

Na cruz, Jesus deixou claro que Suas mãos estavam estendidas. Foi nesta posição que Ele rendeu Seu Espírito ao Pai. As mãos dEle curaram, abençoaram, criaram e resgataram. Elas, certamente, não eram mãos de acusação ou se ocupavam com coisas passageiras. Jesus ocupou-as com atividades eternas, deixando Suas digitais na vida de homens e mulheres que ousaram se aproximar. É inevitável que nossa digital seja impressa no que manuseamos, resta saber que marcas deixaremos. Portanto, o exemplo deixado por Jesus deveria nos inspirar.

Deus possui mãos, e ofereceu-as a nós na pessoa de Jesus. Elas estão disponíveis para nos abraçar e apoiar. Elas são fortes suficiente para nos sustentar diante de qualquer desafio. As mãos dEle são leais e Suas digitais estão impressas em toda criação. A beleza do que Ele criou denuncia Seu caráter e poder. Suas mãos não ofereceram resistência diante dos que o acusavam injustamente. Ele não ocupou-as com armas ou utilizou-as para ferir e lesar os que O seguiam. Elas foram usadas para transformar a vida dos que se aproximaram.

Ainda hoje Suas mãos permanecem estendidas e disponíveis. Porque, nunca foi Sua intenção que vivêssemos sem Sua ajuda. Temos liberdade de escolher se permitiremos que elas nos toquem e apoiem, ou se viveremos sem Sua intervenção. Qualquer um que tenha sido tocado pelas mãos do Mestre foi transformado. Ele nos criou com capacidade de usar nossas mãos para promover o bem. Ele oferece as dEle para cuidar do peso excessivo que não conseguimos levar sozinhos. Ele sabia que nossas duas frágeis mãos tinham sido desenhadas para conquistas. Mas sempre soube também, que precisaríamos das Suas mãos. Por isso, ofereceu-as sem medida.

“Eu tive muitas coisas que guardei em minhas mãos, e as perdi. Mas tudo o que eu guardei nas mãos de Deus, eu ainda possuo.” Martin Luther King

Que tal observar de outro ângulo?

Tudo que observamos possui um ângulo distinto; que pode ou não, distorcer o que vemos. Portanto, eleger o ângulo correto é determinante quando se pretende escolher certo.

O ângulo de observação que elegemos, pode determinar muito do que enxergamos. Ao olhar qualquer imagem de cima, perde-se alguns detalhes, mas enxerga-se o todo. Ao passo que, a mesma gravura contemplada de perto oferece particularidades que desaparecem quando observada à distância. Nem sempre temos opção de contemplar o interior juntamente com o exterior, o que certamente pode mudar nossa opinião à respeito do que vemos. Em resumo, nossa ótica das circunstâncias passa por filtros internos e externos, por ângulos e nuances que afetam nossa percepção. Por isso, uma mesma situação pode ser discutida e analisada sob diferentes pontos de vista.

Com a globalização da informação, é comum sermos bombardeados por opiniões diversas. Algumas fortalecem pontos de vista previamente estabelecidos e outras os confrontam. Diariamente temos que escolher que nível de ruído permitiremos que nos atinja. Isto é, por mais que seja importante avaliar a situação por diversos ângulos, temos que ser cuidadosos em relação ao que absorvemos de tudo que vemos. É fato que toda moeda tem dois lados. Por isso, em tempos tão polarizados; ao expor nossa opinião, corremos o risco de desumanizar os que de nós divergem. Talvez seja esse nosso maior desafio, já que, é legítima a liberdade de expressão e precisamos aprender a respeitar opiniões antagônicas.

Quando se busca construir uma sociedade democrática e participativa, temos que no mínimo respeitar, para ser respeitados. Ser firme não é sinônimo de ser violento ou agressivo. Não só em nossa nação, que vive um momento de transição muito grande, mas ao redor do mundo as opiniões se dividem. Justamente porque o acesso à informação é globalizado, somos expostos constantemente à análises e pesquisas. São elas que pretendem esclarecer e fundamentar determinados posicionamentos. No entanto, nem sempre existe isenção por parte de quem compila os dados e os divulga. É sabido que até na construção do argumento podemos ser tendenciosos.

“Tudo na vida é questão de perspectiva. Escolha o melhor ângulo.” Marcelo Predebon

Fundamentados na verdade

Diz-se da verdade que ela pode ser relativa. Alguns não acreditam em uma verdade absoluta, e talvez em certos casos ela fique bem nublada mesmo. Contudo, se não existir uma verdade absoluta em relação às principais questões da vida, o caos está instaurado e regulamentado. Instintivamente buscamos esta verdade e perseguimos este padrão. Mas, embora alguns se considerem abertos e flexíveis em suas convicções, elas geralmente encontram-se arraigadas em nosso íntimo, e não nos despojamos delas com facilidade. É de se esperar que nossas escolhas sejam fundamentadas no alicerce que elegemos. Assim como é incoerente negar a existência de tal fundamento. Independentemente de ser sólido ou não, ele existe na vida de cada um de nós.

Foi exatamente esta ordem de coisas que Jesus confrontou. Porque a ótica cristã da vida não tem como objetivo nos isolar do mundo e de opiniões divergentes. Porque, ao contrário do que pensam alguns, ela oferece um posicionamento em relação à variação de perspectivas existentes. Contudo, tal posicionamento não nos autoriza a criticar ou hostilizar quem pensa diferente ou faz escolhas opostas. Somos essencialmente livres para escolher como viveremos nossos dias. Cada um escolhe no que acredita e como se posicionará diante de fatos que lhe são apresentados. Inegavelmente cada um de nós decide se o que contempla são fatos, evidências ou se são apenas pontos de vista distintos. Somos responsáveis por filtrar o que ouvimos e vemos e seremos inconsequentes se imaginarmos que não temos esse dever.

Permitir que nossas ideias sejam confrontadas é um dos meios de fortalecê-las, se a permissão for honesta. Isto é, quando realmente estamos em busca da verdade, não tememos o confronto. No entanto, o rumo deste tipo de abordagem deve ser respeitoso e equilibrado. Quando se perde o controle, e a agressividade e o desrespeito imperam, ultrapassamos um limite importante. Pois, é impossível convencer quem quer que seja à respeito do que pensa, se a pessoa não estiver disposta a nos ouvir. Porque, nenhum argumento ou evidência é forte suficiente para abalar o ponto de vista de um teimoso. Portanto, nestes casos, é muito mais sábio respeitar suas escolhas do que confrontá-las.

A vida falando mais que as palavras

Muitas vezes não conseguimos ouvir o que o outro nos diz, porque suas atitudes estão falando mais alto do que o que pretende comunicar. Esta é também uma verdade que nos afeta. Porque nenhum posicionamento defendido por nós, fala mais alto do que nossa vida. Somos o conjunto de escolhas que fazemos e toda incoerência é percebida facilmente por quem nos observa. Toda inconsistência entre nosso discurso e a prática é testada pelo olhar atento do outro. Este é um esforço que não precisamos fazer, já que instintivamente capturamos estas nuances. O ser humano é muito mais apto a observar do que pode admitir. A análise pode ser subjetiva e até instintiva, mas, em maior ou menor medida, todos possuímos o que classificamos de “feeling”.

Encontrar a verdade absoluta não é sinônimo de vivenciá-la. Inegavelmente anelamos por esta coerência entre o que cremos e o que vivemos. Mas, a distância entre estas duas realidades é o que classificamos como imaturidade ou, em alguns casos, como hipocrisia. Uma pessoa hipócrita é aquela que tem consciência de que seu discurso é diferente de sua atitude. Já os imaturos perseguem honestamente praticar o que classificam como verdade, mas se percebem falhos e em processo de aprendizado. Comumente rejeitamos uma verdade quando ela não está presente na vida de quem a professa, porque buscamos coerência. Esta atitude é legítima, pois, o mundo ideal seria aquele onde toda verdade pudesse ser encontrada na vida dos que a proclamam. Infelizmente, no entanto, isto não é uma regra ou o que acontece na prática.

Por isso, nosso cuidado deve ser redobrado, evitando eliminar o bebê, juntamente com a água do banho. Em nome desta tal coerência podemos desperdiçar o que é legítimo. Pode parecer grosseiro afirmar que isto é possível, contudo, corremos este risco. Especialmente para os que possuem dose excessiva de justiça própria, a chance disto acontecer é eminente. Portanto, quanto menos a sério nos levamos, mais coerente seremos. Já que a sabedoria estará sempre associada a nossa capacidade de aprender e se reciclar. O verdadeiro aprendizado inclui o “desaprender”, e envolve porções consideráveis de humildade. O orgulho nos cega e distancia da verdade. Pois, nos separa interiormente de qualquer confronto, mesmo quando o exterior parece estar aberto. São precisamente estas muralhas de orgulho que ao invés de nos proteger, nos isolam.

“Não existem garantias. Sob a perspectiva do medo, nada é suficientemente seguro. Sob a perspectiva do amor, nada é necessário.” Emmanuel

Nossos mecanismos de defesa

Todos temos mecanismos de defesa, porque o ser humano busca preservação de forma instintiva. Desenvolvemos estes mecanismos por conta de experiências negativas que nos traumatizaram. Qualquer um que tenha sido ferido, fará todo possível para que a ferida não abra, evitando assim que novos golpes sejam desferidos no mesmo lugar. Se assim não fosse, alguns de nós já teriam sido destruídos. Buscar segurança é legítimo e necessário, assim como fugir de tudo que nos violenta. Uma vez que, os que se auto mutilam, não constituem um modelo a ser imitado. Portanto, devemos fugir de qualquer postura que reconheça a tortura ou a agressão como instrumentos de mudança.

No entanto, quando se pretende estabelecer regras saudáveis de comportamento, temos que lidar com tais paradigmas. Contudo, não temos garantia de que a remoção destes gatilhos acontecerá sem dor ou sofrimento. Porque acessar feridas não é indolor. Porém, sempre que recorremos a um especialista, aumentam consideravelmente as chances de sermos bem sucedidos. Apenas quem tem capacidade de nos ver por dentro, sem reservas, pode nos ajudar de forma efetiva. Esta, portanto, não é tarefa para um mero mortal. O especialista que buscamos precisa nos acessar de forma sobrenatural. É neste ponto que a existência de um Deus precisa ser considerada.

Certamente, mesmo que decidamos, de forma legítima, ignorar a existência de um Criador, e optemos por viver sem Ele, estaremos elegendo um deus, que talvez seja nosso eu. Pois, temos uma natureza que precisa de um referencial maior, por isso, buscamos uma verdade que explique nossa existência. Enxergar a vida através da ótica de um Deus que nos ama e que nos criou com um propósito; acrescenta significado e valor à nossa vida. Ao contrário do que afirmam alguns, não é utopia ter fé em Deus. É antes uma necessidade sem a qual nossa vida fica vazia e desprovida de significado. Seja um Deus criador, que formou os céus e a terra, e também nossa vida, ou qualquer outra forma de vida superior que governa o universo, todos temos um deus.

“Quando sua perspectiva está em Deus, seu foco está naquele que vence qualquer tempestade que a vida pode trazer.” Max Lucado

O que é ser cristão?

Por isso, ser cristão é enxergar o mundo e a vida a partir da ótica de um Deus Criador. Este Deus é aquele que criou não apenas o universo e a natureza, mas a cada um de nós. Portanto, possui maior e melhor capacidade de nos decodificar. É também admitir que não nascemos para viver separados ou isolados dEle. É fazer escolhas que sejam coerentes com o que Ele ensinou na pessoa de Jesus. É admitir que sem a cruz nosso acesso ao Pai estava interrompido e que este sacrifício nos incluiu. Ser cristão não é frequentar uma igreja ou simplesmente ler a bíblia e fazer boas ações. Pois, é bem possível que existam pessoas que não se consideram cristãs e que praticam boas obras. Identificar-se com o cristianismo é possuir um relacionamento com a pessoa de Jesus.

Este relacionamento é possível e se traduz na maneira como nos relacionamos com cada aspecto de nossa existência. De modo prático e visível traduz-se na forma com que demonstramos empatia ao sofrimento alheio. Porque foi sempre esta a abordagem de Jesus quando exposto aos conflitos humanos. Ele viu cada um dos que o rodeavam e respondeu de forma prática ao clamor que existia em seus corações. Os que pediram-lhe visão, receberam capacidade de ver. Os que careciam de esclarecimentos foram ensinados. Cada milagre foi liberado de acordo com o que a pessoa necessitava, suprindo uma lacuna. No entanto, Ele foi firme e categórico ao afirmar que era a personificação da verdade, e que não havia outro caminho de acesso ao Pai, fora dEle.

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” João 14:6

Quer concordemos ou não com a verdade absoluta que Jesus veio proclamar, infelizmente não a encontramos na vida de seus seguidores na medida desejada. Cada um de nós, ao se identificar como seguidor de Cristo, deveria carregar traços de caráter, ousadia e amor que Ele possuía. No entanto, temos que ser honestos ao admitir que a vida dEle está aguada e diluída em nosso DNA, sendo raramente percebida por quem nos observa. Quem dera tivéssemos o suficiente dEle para oferecer respostas para tantas questões que assolam a humanidade, como Ele fez. Este sempre foi Seu desejo, isto é, tocar os homens por nosso intermédio, através de nossas mãos. Enquanto isso não acontece de forma satisfatória, vamos amadurecendo. Gradativamente nos humilhamos mais, para quem sabe algum dia, expressar em nossa vida, a perspectiva dEle.

A páscoa do cordeiro

Jesus é o Cordeiro de Deus que foi sacrificado de forma definitiva em nosso lugar. Ele é o verdadeiro sentido da páscoa.

A páscoa, celebrada por cristãos e até mesmo por ateus nesta semana, é uma festa com grande significado. Para os que reconhecem Jesus como centro da celebração, ela representa a esperança da vida abundante e eterna. Foi nesta data que o Cordeiro de Deus foi sacrificado em uma cruz, para que nosso acesso a Deus fosse restaurado.

A festa foi instituída no contexto judaico, quando o povo de Israel era escravo no Egito. Ela celebrava a libertação de anos de escravidão, sendo o principal elemento da festa um cordeiro. O sangue do animal, aspergido nos umbrais da residência dos israelitas, os livrou da morte e da escravidão, inaugurando o início de sua peregrinação rumo à terra prometida. A carne do animal era saboreada, acompanhada de ervas por toda família.

Como todo aspecto do antigo testamento é figura de verdades do que Jesus veio cumprir, a morte do cordeiro apontava para um sacrifício definitivo. Este sacrifício aconteceu na encarnação do Cordeiro de Deus – Jesus – o Deus-homem. Sua morte na cruz, igualmente, nos liberta de uma vida de escravidão, nos unindo ao Criador, assim como estabelece o início de nossa jornada rumo à eternidade.

Um cordeiro ou um coelho?

Atualmente é comum associar a páscoa à figura do coelho, com algumas simbologias que remetem à renovação, fertilidade, etc… Porém, quando comparamos com o sentido original vinculado ao cordeiro, o coelho passa a ser uma figura aguada, que não exprime a profundidade do que aconteceu nesta data. É uma tentativa de substituir o verdadeiro animal, atrelando a ele um apelo comercial.

O animal designado por Deus para celebração desta festa sempre foi o cordeiro, porque Ele já havia estabelecido, antes da fundação do mundo, que enviaria Jesus como o Seu cordeiro pascal. Celebrar a festa com este entendimento nos leva a refletir sobre a importância deste ato.

Foi naquela cruz há mais de dois mil anos que Jesus dividiu a história em antes e depois de seu nascimento (a.C e d.C). Só este fato seria suficiente para despertar em nós interesse de averiguar os reais motivos que levaram Jesus à cruz. Assim como em Adão (o primeiro homem) todos nós pecamos, em Jesus (o último Adão) todos nós fomos resgatados. 

Respondendo algumas perguntas

Resgatados exatamente do que? Que tipo de escravidão nos prende? O que este sacrifício representa de prático em nossa experiência atual? Como experimentar a realidade do que aconteceu naquela cruz? Estas são todas perguntas legítimas, sobre as quais deveríamos meditar, buscando obter respostas.

“O cristianismo, se é falso, não tem nenhuma importância, e, se é verdade, tem infinita importância. O que ele não pode ser é de moderada importância.” C S Lewis

A realidade da páscoa é experienciada quando ousamos admitir que precisamos de um redentor. Quando, igualmente, admitimos ter uma natureza pecaminosa, que tende a escolher o erro. Por consequência, temos que reconhecer que somos incapazes de mudar essa natureza, sem a ajuda de Deus. Já que ela é parte de nosso DNA,  e foi uma mancha herdada de Adão.

Por isso, nossa trajetória precisava da intervenção de um salvador. Este salvador precisava ser um homem, para vencer na forma humana em nosso lugar. Ele não poderia pecar, já que o cordeiro aceito por Deus deveria ser sem pecado. Esse lugar foi ocupado por Jesus, quando suportou tentações que eu e você não seríamos capazes de suportar.

Ele morreu a nossa morte, para que pudéssemos viver a Sua vida. A páscoa é lugar de morte, mas também de ressurreição, de esperança, de vida eterna. É o lugar onde o caminho de volta é aberto. Onde a comunhão com Deus passa a ser possível, sem barreiras e sem esforço.

A decisão é pessoal

No entanto, embora Ele tenha morrido por todos, nem todos reconhecem neste sacrifício uma oportunidade de resgate. Isso se deve ao simples fato de que fomos criados com livre arbítrio. Esta liberdade nos é concedida para que possamos escolher incluí-Lo em nossa experiência pessoal ou não.

A humildade de Seu nascimento revela o caráter do Pai, que é imutável. Por isso, a salvação de nossa alma não pode ser imposta. Do contrário, se fosse inclusiva ou imposta, contrariaria o princípio de liberdade com que nos criou. A salvação é oferecida como uma opção de vida. Ele se oferece e nos faz o mesmo convite que fez aos discípulos: Segue-me.

Nossa resposta a este convite determina o quanto do “Cordeiro de Deus” conheceremos. É um convite para um relacionamento, não o comprometimento com uma religião ou lista de regras. Por isso, a humildade do nascimento também é percebida na forma como se entregou. Ainda que seja nosso Criador, deixa-nos escolher se queremos ou não ser filhos.

“Nunca alguém tão grande se fez tão pequeno para tornar grandes os pequenos.” Augusto Cury

Entendendo o sentido da páscoa

Portanto, o verdadeiro sentido da páscoa é reconhecer que naquela cruz, Jesus comprou nosso resgate. Ele nos incluiu na família de Deus, repartindo o Pai conosco. Sentir-se filho, deixando de ser apenas criatura, faz toda diferença para quem deseja encontrar sentido nesta vida. Deixamos de ser criaturas quando reconhecemos no sacrifício da cruz o plano perfeito de Deus de adoção.

Fomos enxertados na família de Deus através da morte e ressurreição de Seu cordeiro.  O Unigênito transforma-se em Primogênito. Sua ressurreição é a garantia de que fomos desenhados para eternidade. Receberemos um novo corpo, que não se deteriora com o tempo e uma nova natureza, porque a vida não cessa após a morte física. O homem nasceu para ter vida eterna e isso também foi resgatado naquela cruz.

No entanto, não temos a opção de terceirizar esta tarefa de reconhecê-Lo como salvador. A fé precisa ser nossa. Deus não possui netos, Ele possui apenas filhos. Cada um de nós precisa de uma experiência pessoal com o Criador e Salvador de nossa alma. Ele morreu para que tivéssemos vida. Por isso, espera que reconheçamos voluntariamente o tamanho do amor que demonstrou por nós quando enviou Jesus.

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá.” Jesus Cristo

Feliz Páscoa!

A diferença entre poder e autoridade

Nem todo líder tem poder e autoridade. São conceitos distintos que existem em alguma medida na vida de cada um de nós.

Em administração o conceito de poder e autoridade são distintos. A aplicação destes conceitos, no cotidiano, nem sempre é compreendida. No entanto, pode ser facilmente identificada. Uma pessoa pode exercer poder sem autoridade e vice-versa. O ideal é possuir ambos, mas isso é a exceção, não a regra.

Poder é a capacidade de obrigar, por causa de sua posição ou força, os outros a obedecerem sua vontade, mesmo quando preferem não fazê-lo. Enquanto, autoridade é a habilidade de levar outros, de boa vontade, a fazer sua vontade. O poder é comprado e vendido, dado e tirado. Por outro lado, a autoridade é a essência da pessoa, está ligada ao seu caráter.

Todos conhecem líderes que possuem só poder ou só autoridade, e são raros os que possuem ambos. Pessoas que lideram apenas por poder possuem equipes inibidas, com talentos paralisados e sem a sensação de pertencimento. Porém, os que lideram apenas com autoridade, dedicam mais tempo para ouvir o grupo. Consequentemente, possuem equipes mais coesas e comprometidas.

A verdadeira liderança

Inegavelmente, a verdadeira liderança é a que contém os dois ingredientes. A dosagem certa de autoridade e poder é determinante. Quando a autoridade não é acompanhada de poder, o indivíduo fica deslocado de uma posição que permita exercer influência. Por isso, a autoridade precisa ser reconhecida e o poder para exercê-la concedido, tornando-a legítima.

Por outro lado, uma pessoa que possui poder e não adquiriu autoridade é aquela que exige o reconhecimento. Ela pode ou não possuir conhecimento e maturidade para exercer o poder que lhe foi concedido, mas em geral, teme os que possuem autoridade. O poder desvinculado da autoridade pode ser muito danoso.

“Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.” Abraham Lincoln

A verdadeira liderança acontece quando os dois componentes estão presentes na equação. Como a autoridade é fruto basicamente do caráter do líder, ela não nasce instantaneamente. A verdadeira autoridade é coroada no processo de espera. Embora ela precise do poder para ser legítima, ela aguarda o momento exato para ser estabelecida.

O verdadeiro líder

O verdadeiro líder é aquele que possui seguidores, não escravos ou súditos. Seguir alguém pressupõe uma decisão voluntária, baseada no reconhecimento de alguma característica atrativa. Se permitir ser liderado, é muito diferente de uma liderança imposta. Tanto em ambientes corporativos, como nos relacionamentos, pouco nos agrada a imposição.

O verdadeiro líder é aquele que se deixou forjar pelo tempo e pelas circunstâncias e aprendeu a difícil arte da espera. A autoridade em sua vida foi moldada pelos fracassos e sucessos que acumulou. O poder não é seu alvo, embora entenda que precise do reconhecimento para exercer sua liderança.

A humanidade conheceu alguns líderes. Muitos deles influenciaram sua geração e deixaram um legado. Indiscutivelmente o maior de todos os líderes foi Jesus. Ele não veio estabelecer um governo ou liderança baseada em reconhecimento e aplauso humano ou político.

A liderança de Jesus

A liderança de Jesus foi pautada pelo serviço. A respeito dEle se diz que esvaziou-se de si mesmo e assumiu a forma de servo (Filipenses 2:7). Também está registrado que mesmo sendo Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu (Hebreus 5:8).

Na escolha que fez de seus discípulos, Ele abriu espaço para um traidor. Relacionou-se com a traição oferecendo perdão e seguindo para a cruz. Aos discípulos ensinou que nenhum deles seria maior do que Ele, associando a posição que tinham, ao fato de que também seriam perseguidos. (Lucas 6:40).

Esta estratégia de liderança poderia ser questionada pelos estudiosos de nosso século, mas ela foi eficiente e eficaz. Transformou pescadores, cobradores de impostos e prostitutas em pessoas que transformaram sua geração. Influenciaram com seu exemplo, sem limitar seu nível de entrega. Alguns pagaram com suas vidas, sendo mártires.

O preço da liderança

O verdadeiro líder paga o preço dos momentos solitários e sombrios que moldam seu caráter. Davi conheceu estes momentos. Ao longo de sua trajetória de pastor de ovelhas até ser rei em Israel, ele foi perseguido e desprezado. Ele matou um urso e um leão, sem saber que estava sendo treinado para matar um gigante (I Samuel 17. 34-36).

Mesmo depois de ter sido ungido rei, não lutou pelo trono. Seu antecessor (Saul) receou tê-lo por perto, pois reconhecia a autoridade que estava sobre ele. Seu sucessor (Absalão) tentou usurpar seu trono à força. Em ambas circunstâncias ele esperou e cedeu espaço.

Seu exército foi formado por homens quebrados, endividados e foragidos (I Samuel 22:1-2). Ele, à semelhança de Jesus, transformou-os em homens valentes e guerreiros habilidosos. Por isso, a liderança de um homem é medida pela capacidade que ele tem de influenciar pessoas e mudar circunstâncias. Qualquer outro atributo pode ser somado, mas essa é a definição de alguém que conquistou autoridade e recebeu poder.

“As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia.” Franklin Roosevelt

Minha Nudez. Quem disse que eu estava nu?

Nossa nudez de consciência determina nossa capacidade de acessar Deus. Ela nos devolve o lugar de filhos.

Nossa nudez é comumente associada com intimidade. Estar nu diante de estranhos e desconhecidos é no mínimo constrangedor, para não dizer inadequado na maioria dos casos.

Certamente existem exposições que não conseguimos evitar, como quando vamos a uma consulta médica por exemplo. Mas, de uma forma geral, nosso corpo nu não é exposto diante de grandes audiências, sem constrangimento.

Mesmo aqueles que não creem em Deus, estão familiarizados com a passagem de gênesis onde Deus encontra-se com Adão e Eva. Ambos estão escondidos, pois descobriram que estavam nus. A nudez era pré-existente, mas a descoberta por parte deles os levou a esconder-se.

Por que Deus não vestiu o homem?

O fato de Deus ter criado o ser humano, e não ter vestido o homem, demonstra Seu interesse em relacionar-se com ele de forma íntima e pessoal. Ele criou os demais seres, animais, plantas e todo o universo, com perfeição absoluta. Por isso, não seria coerente presumir que Ele havia esquecido de vestir o homem.

A nudez do homem era um convite à intimidade. Uma intimidade que foi bruscamente interrompida pelo pecado. A nudez da consciência nasceu no momento em que o homem desobedeceu. É esta nudez que estamos até hoje tentando cobrir.

O que nossa nudez denuncia?

A fragilidade da natureza humana, separada do Criador, é denunciada desde o princípio. Não era apenas o corpo que estava nu, a alma e o Espírito também estavam. Deus transitava no jardim com liberdade. Não havia barreiras dentro ou fora do homem que O limitassem.

Sempre que nos deparamos com essa nudez, temos a tendência de nos esconder. Ainda que esconder-se de Deus não seja possível, usualmente mascaramos nossa nudez. Assim como Adão e Eva cobriram-se de folhas, atualmente buscamos algum tipo de cobertura que nos dê segurança e conforto.

No entanto, à semelhança de Adão, não somos capazes de cobrir nossa nudez com folhas, já que ela não é apenas externa. Se fosse externa, a sensação de vazio e distanciamento não nos perseguiria. A vergonha sempre acompanha a nudez indesejada. Foi assim com Adão, continua sendo assim em nossos dias.

A nudez da consciência

Nascemos com a necessidade de acessar nosso Criador de forma livre e completa. Jesus foi o homem que resgatou essa possibilidade. Quando O reconhecemos como a provisão de Deus para cobrir nossa nudez, acessamos Sua presença novamente.

Jesus não veio apenas cobrir nossa nudez, Ele também nos devolve a capacidade de estar nu diante do Pai, livres de constrangimento. Resgatar a capacidade de estar nu diante do Criador é o que nos devolve nossa identidade de filhos.

O acúmulo de inadequação, vergonha, baixa autoestima e outros lixos que assolam nossa consciência, têm sua origem no distanciamento original. Qualquer tentativa de conserto, que não nos remeta a origem será frustrada.

“Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles.”   John Wooden

“Não pode haver couraça mais potente, do que um coração limpo; está três vezes armado quem defende a causa justa; ao passo que está nu, ainda que de aço revestido, o individuo de consciência manchada por ciúmes e injustiças.”   William Shakespeare

A revolução que todos nós queremos

A revolução que desejamos é aquela que começa de dentro para fora. Qualquer movimento externo, que não tenha sua origem em nossa essência, é efêmero.

A revolução que todos querem é aquela que promove grande mudança a partir do particular. Portanto, é aquela que nos atinge em alguma medida. Cada um de nós tem um quê de revolucionário dentro de si. Afinal, nascemos para fazer diferença.

Porém, a verdadeira revolução não é definida pelo externo, pelo barulho, pela vestimenta ou pela linguagem. Associar revolução com balbúrdia, insubmissão e violência é, no mínimo, perder o foco. Nos distanciamos da essência de uma revolução quando permitimos que o externo seja maior do que nossas convicções.

Muitas são as formas de externar nossa inconformidade com o que está proposto. Todas elas, de alguma maneira, denunciam nosso grau de maturidade quando pretendemos ser agentes dessa mudança.

Há os que pensam de si mesmos além do que convém, e por isso, chamam para si a responsabilidade de influenciar. Geralmente, são esses os que usam de controle e manipulação para atingir seus objetivos.

Porém, em geral, os verdadeiros revolucionários não colhem os frutos de suas descobertas e avanços em sua geração. Passam anos e quiçá décadas, até que os resultados apareçam. Portanto, parte da essência de um revolucionário é sua capacidade de permanecer no anonimato.

A revolução de dentro para fora

Os revolucionários são os que possuem uma identidade bem definida e, por isso, influenciam os que estão à sua volta, a partir de suas convicções e exemplo. Ninguém pode revolucionar, o que quer que seja, se não possuir segurança em quem é e foi chamado para ser.

Quanto mais convicção temos de nosso potencial, qualidades e defeitos, tanto mais eficientes seremos em influenciar os que estão à nossa volta e quem sabe nossa geração. A verdadeira revolução começa de dentro para fora. No entanto, nunca estará desatrelada do coletivo.

Inegavelmente, o revolucionário é aquele que tem coragem de confrontar seus próprios limites. Por isso, não teme rever posições ou padrões aprendidos e absorvidos ao longo da vida. Todo revolucionário sofre privações e é incompreendido em alguma medida.

Melhor é o homem paciente do que o guerreiro, mais vale controlar o seu espírito do que conquistar uma cidade.” Pv. 16.32

A revolução promovida por Jesus

Sem dúvida, o maior de todos os revolucionários foi Jesus. Ele não só nasceu despercebido e soube como manter o anonimato até os 30 anos de idade, como sofreu as consequências da incompreensão e hostilidade em sua época.

Liderou pelo exemplo. Abominou a violência. Submeteu-se aos governos da época, quando Ele mesmo dominava sobre eles. O homem de dores e que sabe o que é padecer cercou-se de pescadores e de homens iletrados, a quem chamou a ser pescadores de homens. Foi neles que investiu e a quem confiou Seus segredos.

Não tinha aparência e nem formosura, mas sabia quem era e porque estava na terra. Cumpriu sua missão e foi incompreendido, julgado injustamente por ter feito o bem e curado a muitos que vieram a seu encontro de mãos vazias.

A liderança de Jesus será sempre baseada em compaixão. Buscará sempre responder as questões do coração. Os revolucionários de sua época não o compreenderam, mas foi Ele quem dividiu a história em antes (a.C.) e depois de Cristo (d.C.).

A verdadeira revolução é aquela que nos conecta com nossa origem. É também aquela que nos devolve valor e significado. É aquela que começa dentro de nós e se estende por onde quer que passemos. É aquela que só eu e você podemos promover, quando temos coragem de seguir Seus passos e exemplo.

Não é o discípulo mais do que o seu mestre, nem o servo mais do que o seu senhor. Basta ao discípulo ser como seu mestre, e ao servo como seu senhor.” Mt. 10.24,25a

Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me;” Mt. 16.24