Fracasso é um evento, apenas.

A definição de fracasso e sucesso é ampla e não define quem somos. Já que, nosso valor não está atrelado ao que fazemos. Mas, a quem somos e em quem nos transformamos.

Fracasso é um evento, não uma pessoa. John Maxwell 

Considerar fracasso como um evento e não vinculá-lo ao valor da pessoa é o que separa o sábio do tolo. Ou seja, quando nos relacionamos com quem nos cerca em bases corretas, sabemos separar o feito de seu autor. Muitos são os fatores que influenciam nossas escolhas. Algumas delas são erradas. Mas, não menos importantes. Já que, todo processo de aprendizado pressupõe erro. Só não erra, quem não faz. E, tudo que se faz pela primeira vez não é perfeito. A prática de uma atividade é que agrega eficiência e destreza na sua execução. Pois, os especialistas em sua área de atuação, estabeleceram-se com doses de disciplina, dedicação e perseverança. Ninguém nasce sabendo e todos estamos vivendo pela primeira vez. Por isso, a frustração que acompanha alguns momentos, não deve determinar quem somos.

Somos mais do que nossas conquistas. Portanto, não devemos medir nosso valor baseado nelas exclusivamente. Já que, nem sempre elas traduzem corretamente quem está por trás delas. Ou seja, nem sempre o domínio externo de uma atividade traduz coerentemente seu autor. O tempo testa, não só a veracidade, como a solidez de nossos feitos. A montanha russa de emoções e conflitos dos momentos difíceis não nos define. Pelo contrário, esta é, precisamente, a estação que propicia amadurecimento. Pois, a pressão externa revela nosso interior. Quanto mais equilibrada é nossa motivação e estrutura emocional, tanto mais facilidade temos de nos desvencilhar e vencer os desafios da jornada.

O descontrole e a opção de achar culpados para nosso fracasso, denuncia e escancara nossa imaturidade. Já que, somos responsáveis pelas escolhas que fazemos e cada desafio é uma oportunidade de recomeçar, revisitando nossas premissas. Não se pode passar pela vida considerando que nossas posições não precisam ser lapidadas. E, a lapidação acontece exatamente no momento que nossa abordagem esbarra em alguma resistência. Ou seja, o contraponto que a vida nos propõe, através de situações diversas, é a chance que não deve ser desperdiçada. Os sábios são aqueles que aprendem com estes momentos e acrescentam bagagem ao seu olhar. Pois, nosso caráter é testado pelas circunstâncias nas quais estamos inseridos.

Não se pode jogar a toalha

Os que escolhem jogar a toalha, são os que não entenderam a dinâmica da vida. São, também, aqueles que valorizam demais o aplauso e a vaia. Pois, quando atrelamos nosso valor ao que fazemos, teremos tendência de desestabilizar diante dos fracassos. O olhar de quem não está conosco na arena e que, portanto, não discerne nosso momento, não deve ter peso. Ou seja, temos que escolher que voz ouvimos. É decisivo separar o ponto de vista de quem, comprovadamente, torce por nosso sucesso; daquele que apenas critica. Porque, as críticas de quem não está do nosso lado, são oriundas de uma posição equivocada. Já que, o amor e a empatia são demonstrados com gestos práticos.

Podemos medir o grau de comprometimento de uma pessoa conosco ou com uma causa; por sua disposição de se envolver. Quanto mais identificados estamos com algum objetivo, tanto mais disponibilidade temos de nos envolver com ele. Pois, gastar tempo e energia em projetos individuais ou corporativos denuncia o grau de importância que a atividade tem para nós. De maneira idêntica, denuncia o quanto quem nos critica está realmente se importando conosco. Já que, nem todos que estão ao nosso lado somam para que nosso objetivo seja alcançado. Eliminar estas vozes é tão importante quanto ouvir aqueles que realmente precisam ser ouvidos.

O que nos impede de jogar a toalha é possuir uma identidade sólida. Esta identidade nasce de momentos em que nossas motivações são colocadas em “xeque“. Certamente, são exatamente estes episódios que a vida usa para fortalecer nossas convicções ou ajustá-las. Não é vergonhoso reconhecer os erros. Pois, eles estão misturados com os acertos. É inadequado, no entanto, basear-se neles para desistir. Talvez tenhamos que nos reerguer de posições bem humilhantes. Contudo, mais humilhante seria permanecer nelas. O orgulho e a preocupação demasiada com a opinião do outro pode nos paralisar. Inegavelmente esse é um dos desafios que precisa ser superado.

“Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento.” Eleanor Roosevelt

Evitando a estagnação

As estações da vida, assemelham-se às estações do ano. Temos nosso inverno emocional, e nele permanecemos até que a primavera chegue. Situar-se corretamente nos tempos e estações ameniza a dor dos ajustes. Não é possível frutificar fora da estação. Assim como não se pode imputar um desempenho exagerado a si mesmo; quando o momento exige quietude. Esperar e aprender com cada nova estação é imprescindível e determinante. Por vezes fazemos a coisa certa, na estação errada ou do jeito errado. Outras vezes deveríamos agir e permanecemos estagnados. O compasso dessas escolhas pode comprometer os resultados. Uma vez que acertar o passo é tão importante quanto se mover. Os intervalos entre as estações precisam ser respeitados.

As janelas de oportunidade que surgem em nossa vida se fecham. Desperdiçá-las por medo ou insegurança, compromete nossos sonhos. Cada objetivo de vida que temos será conquistado à medida que aprendemos a viver um dia de cada vez; extraindo dele o que de melhor nos oferece. Olhar demasiadamente para o passado ou temer o futuro nos paralisa. Deixar-se moldar e definir pelas sombras e fantasmas do que passou é tão nocivo quanto temer demasiadamente o futuro. Estas posturas são dois lados de uma mesma moeda. 

“O meu maior medo foi sempre o de ter medo – física, mental ou moralmente – e deixar-me influenciar por ele e não por sinceras convicções.” Eleanor Roosevelt

Somos responsáveis por nossas escolhas

“A filosofia de uma pessoa não é melhor expressa em palavras; ela é expressa pelas escolhas que a pessoa faz. A longo prazo, moldamos nossas vidas e moldamos a nós mesmos. O processo nunca termina até que morramos. E, as escolhas que fizemos são, no final das contas, nossa própria responsabilidade.” Eleanor Roosevelt

Saber diferenciar uma estação de outra e que vozes nos influenciam é essencial. Assim como é determinante nos responsabilizarmos pelas escolhas feitas. Nosso protagonismo não pode ser negociado ou terceirizado. As chantagens emocionais e os jogos de manipulação, que esvaziam nossa identidade, não serão admitidos quando estas premissas forem estabelecidas. O pano de fundo de nossos conflitos será sempre uma mescla de emoções, escolhas e aprendizados. Quanto mais essa narrativa for clara, tanto maior será nossa capacidade de codificá-la corretamente. Ou seja, quanto mais limpo e controlado nosso mundo interior estiver, tanto maior será nossa capacidade de escolher certo.

A valentia e a maturidade nascem precisamente nos duelos que travamos conosco mesmo. Quem teme esta avaliação, ou pretende ignorá-la; perde. Pois, engana-se quem pensa que temos poder sobre o outro. O único poder que realmente temos é sobre nós mesmos. Não somos donos de ninguém. Não nascemos para este tipo de conquista. Nascemos com a necessidade de conquistar territórios internos que nos transformam em pessoas mais completas. O bisturi dessas cirurgias que, nos curam ou nos aleijam, está em nossas mãos; não na do outro. Nós decidimos o que a dificuldade extrairá de nós e onde depositaremos os detritos. Ou seja, o que nos sara é a remoção dos excessos e o que nos deforma é o movimento impreciso e descontrolado que nós mesmos promovemos.

A faca do outro não pode nos moldar, se não permitirmos. Ela poderá nos ferir, mas jamais pode nos definir. Ganha quem assume para si a responsabilidade do que fará com os pratos que a vida serve. Podemos nos alimentar deles, processando os ingredientes e eliminando o que não presta. Ou, escolher jogá-los no rosto de quem está à nossa volta, como se fossem os responsáveis por eles. O fracasso não nos derrota quando entendemos que ele é um dos ingredientes deste prato. Dele podemos extrair muita substância e energia para continuar lutando. Ele apenas sinaliza que continuamos na arena, ao lado daqueles que, como nós, não desistiram de lutar.

Lidando com as emoções de forma adequada.

Nossas emoções existem para expressar como nos sentimos. Nenhuma delas é inadequada na essência. Precisamos, no entanto, lidar com sua origem.

Nossas emoções existem e nenhuma delas é negativa na essência. Elas são verdadeiros termômetros que medem o estado de nossa alma. Sentir medo, insegurança, inveja, raiva é sinal de que algo está desequilibrado. Mas, mais danoso que asfixiar estes sentimentos é ignorá-los. Obviamente, ninguém em sã consciência, escolhe expressar emoções negativas. Contudo, elas são reais e manifestam-se em momentos diversos de nossa vida. Escavar mágoas e ressentimentos não é uma tarefa fácil. Decidir lidar com a origem destas emoções exigirá coragem e determinação.

Toda busca por superação esbarra em fragilidades. Atingir objetivos maiores e metas ousadas envolve lidar com o que nos limita de forma honesta. Fatalmente a dor que se instala na origem de cada emoção virá para superfície. Por isso, instintivamente buscamos aplacá-la ou ignorá-la, sempre que possível. Ocorre, no entanto, que por mais inofensiva que pareça ser esta tentativa, ela nos bloqueia. Pois, nascemos com a necessidade de expressar o que sentimos. Estrangular estes sentimentos, tanto os considerados negativos como os positivos, danifica nossa psiqué.

Muitos de nós fomos ensinados, pelas reações de nossos pais e líderes, a mascarar o que sentimos. Esta atitude é, de certa forma, um comportamento adquirido de autoproteção. Especialmente em famílias mais desestruturadas as emoções são comumentes ignoradas e reprimidas. Pessoas que sofrem desapontamentos sozinhas, tendem a criar verdadeiras fortalezas dentro de si. Ao contrário do que pensam, estas muralhas não protegem-nas de fracassos ou de feridas. Inegavelmente, escolher este comportamento isola-nos dos outros e distorce quem somos.

“Dor é inevitável. Miséria é opcional.” Autor desconhecido

Implodindo no silêncio

Nosso silêncio gera implosão. Pois, é de dentro para fora que nos destruímos. Os conflitos internos são bem mais destrutivos e poderosos do que qualquer dificuldade externa. Quebrar o silêncio e verbalizar nossas emoções é o início de nossa cura. Certamente só faremos isso quando sentirmos que estamos em terreno sadio. Ou seja, ninguém que tenha tendência a sufocar o que sente, dará acesso facilmente ao que guarda dentro de si. Pois, quanto maior for a confiança conquistada pelo relacionamento, tanto maior será nossa capacidade de permitir que vejam quem somos de fato.

O ser humano foi criado para conviver com seus semelhantes. Por isso, as tentativas de isolamento sempre fracassam. Já que parte do que nos completa está no outro. Por mais que as relações familiares sejam conflituosas, lidar com elas é mais saudável do que escolher ignorá-las. O isolamento físico não soluciona as desavenças ou remove cicatrizes. De maneira idêntica, não é capaz de minimizar as lacunas e feridas que se instalaram. Portanto, qualquer esforço que façamos para maquiar estas emoções será ineficiente. Porque nossas escolhas e a maneira como lidamos com nossas circunstâncias denunciam a existência da batalha interna.

Por isso, tanto o extremo de reprimir o que sentimos, como o de expressar indiscriminadamente é desaconselhado. O oposto de conter é explodir de forma constante e descontrolada. Tanto a pessoa que não exerce autocontrole em relação ao que sente, como a que abafa suas emoções; sofre. O equilíbrio entre estes dois extremos é reconhecer a existência da emoção e buscar sua origem. Porque cada emoção está atrelada a uma fonte legítima que a alimenta. Pode ser um trauma, uma ferida, uma distorção ou qualquer outra experiência que danifica nossa alma. Mesmo as emoções consideradas positivas como amor, carinho e alegria podem ser negligenciadas e debeladas ocasionalmente.

Quando a casa cai

“Minha casa incendiou. Agora nada mais oculta a visão da lua.” Mizuta Masahide

Deixar a casa cair pode ser a opção mais saudável em algumas ocasiões. Ou seja, o esforço que empreendemos para manter a casa de pé, nem sempre é adequado. Talvez o mais apropriado seja lidar com a realidade de sua destruição. Reconstruir não é tão difícil quanto permanecer fazendo remendos sobre um alicerce frágil. Ter coragem de zerar algumas etapas pode representar um recomeço. Pois, nosso ego tende a trapacear, oferecendo soluções que escondam sua real condição. Por isso, evitar a verdade e a vulnerabilidade são estratégias que fortalecem a trapaça do ego.

Os capangas do ego são a raiva, culpa e a negação. Ele gosta de culpar, colocar defeitos, inventar desculpas, se vingar e perder a cabeça. Já que, cada uma destas reações são variações de formas de autoproteção. Por isso, quando a raiva, culpa e a negação empurram a mágoa, decepção ou dor para longe; a trapaça é legitimada. Porque, estas emoções possuem pontas afiadas como se fossem espinhos. Portanto, quando nos espetam causam desconforto ou dor. Por isso, o ego foge deste incômodo de forma instintiva; não sendo, portanto, um conselheiro confiável.

Combater de forma consciente os apelos de proteção do ego é determinante para nossa liberdade. Já que, qualquer nível de prisão interna distorce nossa personalidade e bloqueia nossa identidade. Por isso, sentir raiva ou inveja deve sinalizar sempre a existência de algum gatilho interno que devemos analisar. Encarar o desafio de codificar corretamente a origem do sentimento exigirá vulnerabilidade, que é a essência da coragem. Porque, pessoas bem resolvidas são aquelas que optam por não ignorar o que sentem. No entanto, o reconhecimento de uma emoção, implica em assumir responsabilidade de equilibrá-la.

Assumindo responsabilidade pelo que sentimos

“Você pode não controlar tudo o que lhe acontece. Mas pode tomar a decisão de não se deixar reduzir pelos acontecimentos.” Maya Angelou

Muitas pessoas são exemplos vivos de superação. Uma destas pessoas, certamente, é Maya Angelou. Sua biografia é recheada de momentos que tinham potencial para destruí-la. No entanto, ela decidiu resignificá-los; tendo ousadia de reconhecê-los. Pessoas com trajetórias bem menos desafiadoras sucumbem. Ela, no entanto, é uma das vozes e exemplos que se levantam para provar que temos capacidade de superação. Ela não remendou seu passado e nem escondeu-se dele.

Por isso, quando nos levantamos de lugares de destruição descobrimos a mesma capacidade que ela experimentou. A escolha será individual. A tarefa não pode ser terceirizada e ninguém pode receber a culpa pelo que nos acontece. Eventualmente a vida oferta pratos menos saborosos e atraentes. Mas, nós decidimos do que vamos nos alimentar. Não podemos evitar circunstâncias e não é saudável ignorar as emoções.

Portanto, ao nos posicionarmos de forma correta diante das dificuldades, temos chance de aprender lições valiosas. A distância que existe entre uma pessoa bem sucedida de uma fracassada é diretamente proporcional ao seu desejo de lidar com o que sente. A negação é o pior dos venenos que podemos ingerir. Emoções são legítimas e não devemos suprimi-las. Cada um de nós é chamado a equilibrar o que sente, lidando honestamente com sua origem.

Reconhecendo a origem

Nada do que sentimos brota da superfície por acaso. Por isso, quando a raiz é saudável, não temos do que nos envergonhar. Ou seja, a identificação da raiz nos permite remover o que alimenta as emoções negativas e adubar o que queremos que cresça. Cada ser humano escreve sua história de forma menos ou mais emocionante. A razão precisa ter espaço, mas as emoções não devem ser negligenciadas.

Existe capacidade dentro de cada um de nós de experimentar o equilíbrio entre a razão e a emoção. Pois, tudo em excesso oferece algum risco. Portanto, ao sentirmos que as emoções afloram, pedindo espaço para se manifestar, temos que ser sábios. Silenciá-las não pode ser uma opção, assim como expressá-las de forma descontrolada não é adequado. A saúde de nossa alma depende deste equilíbrio e nunca é tarde para iniciar esta jornada.

O valor de cada um – Somos valiosos!

Descobrir nosso valor nos capacita fazer escolhas corretas; tanto em relação aos ambientes que frequentamos, quanto em relação às pessoas que queremos ter por perto.

Nosso valor está atrelado primeiramente à nossa capacidade de reconhecer nossa identidade. Pessoas com identidades frágeis ou nubladas, têm dificuldade de se situar em relação a seu valor real. Pois, cada um nasce com potenciais que precisam ser desenvolvidos e explorados. No entanto, são muitos os desafios que precisamos superar até que as camadas que cobrem nossa essência sejam removidas.

Porque nosso valor não é sustentado por coisas externas como posição social, sócio-econômica ou nível de instrução. Nosso valor está alicerçado em quem somos. Nossa essência é resultado de uma trajetória que pode ter incluído muitos fracassos. No entanto, cada um deles nos molda. Pois, quanto maior são os desafios, tanto maior são as oportunidades de transformá-los em aprendizado.

“Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, enfim, de tudo que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete. Duvide do controle que a miséria, ansiedade, egoísmo, intolerância e irritabilidade exercem sobre você. Use a dúvida como ferramenta para fazer uma higiene no delicado palco da sua mente com o mesmo empenho com que você faz higiene bucal.” Augusto Cury

O relógio e seu valor

“Certa vez um pai, antes de morrer, disse ao filho: este é um relógio muito antigo do teu bisavô, tem mais de duzentos anos. Antes de ficares com ele; tenta vendê-lo no café. O filho lá foi e voltando disse que no café pagariam R$10,00, por ele. Então o pai disse: agora vai à relojoaria e faz a mesma coisa. Indo à relojoaria conseguiu uma oferta de R$30,00 pelo relógio.

O pai disse: agora vai ao museu e mostra lá este relógio. Quando voltou; disse ao pai: no museu ofereceram R$500.000,00 pelo relógio!!! O pai então disse:  queria que aprendesses que o lugar certo reconhece teu valor. Por isso, não fiques irritado por não te valorizarem no lugar errado. Quem sabe teu valor é quem o aprecia. Portanto, nunca fiques num lugar que não combina contigo.

Conheça seu valor!”

Este texto simples e direto, de autor desconhecido, é um belo exemplo de como o posicionamento é importante. Isto é, nosso valor pode ser celebrado ou anulado, de acordo com o ambiente onde estamos inseridos. Obviamente uma joia jamais perde valor, mesmo quando jogada no lixo. No entanto, ela pode bem ser esquecida e jamais cumprir seu papel. De maneira idêntica acontece conosco. O fato de não nos reconhecermos corretamente nos conecta com pessoas e situações que potencializam nossas inseguranças e medos.

Virando a página

Inegavelmente não existe uma receita de bolo que possa ser seguida e garanta o sucesso. Pois, a individualidade abre um leque de opções que precisam ser analisadas de acordo com cada contexto. Contudo, temos consenso no fato de que é nossa decisão que desencadeia a mudança. Pois, por mais que existam fatores externos que não controlamos, nossa reação a eles deve e pode ser controlada.

Por isso, é este o entendimento que constitui o ponto de partida para qualquer mudança que se busque. Ou seja, sem assumir o protagonismo e a responsabilidade pela mudança, não vamos a lugar algum. A virada de página não acontece quando fazemos um giro de 180 graus necessariamente. Porque na maioria dos casos ela é gradual e progressiva. O simples fato de querer mudar tudo de uma vez só dificulta a transição.

Portanto, buscar lugares de aceitação e de convívio saudável acontece quando nos respeitamos. Respeitar nossa limitação, assim como conhecer nossos pontos cegos é decisivo. Toda mudança ou ajuste que desejamos acontece primeiro em nós. A partir do que acontece conosco e em nós, as situações externas se alinham. Por isso que toda tentativa de correção de rota que inicia de fora para dentro não é bem sucedida.

Assumindo nosso lugar

Temos dentro de nós força e capacidade de nos reinventar muito superiores ao que identificamos. São exatamente os desafios que nos encurralam e nos propiciam extrair força de onde ignorávamos. Cada um de nós precisa de desafios crescentes que promovam nosso crescimento. Enxergar estas oportunidades, lidando com elas de forma coerente, é onde a linha divisória que separa vencedores de perdedores é traçada.

No entanto, perdas eventuais também fazem parte do processo de crescimento. Catalogá-las corretamente é incorporar maturidade à nossa jornada. Virar a página acontece sempre que finalizamos um ciclo e iniciamos outro. Colecionar estes aprendizados, aplicando-os intencionalmente, nos transforma em pessoas sábias.

“A honra é, objetivamente, a opinião dos outros acerca do nosso valor, e, subjetivamente, o nosso medo dessa opinião.” Arthur Schopenhauer

Escolhendo o melhor

A escolha do melhor está diretamente ligada ao autoconhecimento. Isto é, quanto mais nos conhecemos tanto maior será nossa capacidade de escolher com sabedoria. Nossa vida é o conjunto de escolhas que fazemos. Instintivamente escolhemos pessoas que tenham objetivos parecidos com os nossos. Por outro lado, podemos também conviver com quem não possui objetivos e isso nos afeta.

As tentativas de crescimento em locais errados frustram e atrasam a realização de sonhos. Sonhar é legítimo e necessário. Uma pessoa desprovida de sonhos é alguém que vive pela metade. Viver intensamente o presente e planejar um futuro só é possível para os que se conhecem e estão no local adequado. A arte de se perceber corretamente e buscar o habitat correto para fixar raízes é fundamental.

Qualquer solo que não produza nutrientes adequados para a semente inviabiliza a frutificação. Certamente existem técnicas de fertilização do solo. Mas, ainda assim, existem condições mínimas que precisam ser atendidas. Temos que ter coragem de classificar corretamente o lugar onde estamos plantados e ter coragem de mudar de solo quando este não for adequado. Mudanças são sempre desafiadoras mas o ser humano maduro é aquele que a cada dia aprende um pouco e muda um pouco. 

“Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento.” Eleanor Roosevelt

Selecionando nosso convívio

Pessoas e ambientes nos afetam mais ou menos, de acordo com o grau de acesso que damos a elas. Temos que ser criteriosos em relação ao que permitimos que penetre nosso coração. A solução não é usar uma couraça. Mas também não podemos ser totalmente permeáveis a toda espécie de crítica e sugestão. Equilibrar o convívio e separar o que pode agregar do que destrói é ser sábio. 

A busca de um equilíbrio entre ouvir opiniões e ter opiniões, sendo capaz de brigar por elas é fundamental. Se nem nós acreditarmos em nosso valor, outros não farão. Certamente é frustrante se perceber com potencial e não ser reconhecido como tal. No entanto, parte deste reconhecimento acontece quando temos coragem de lutar por um lugar ao sol. Longe de ser inadequado, esta postura é essencial quando queremos avançar.

Em resumo, deixar que outros atribuam valor a nossas conquistas e até mesmo ao nosso fracasso é um equívoco. Pois sempre que isso acontece, um pouco de quem somos se esvazia. Outros perceberão nosso valor, no exato momento que nos percebermos do jeito certo. Sem arrogância ou pretensão, temos valor porque dentro de cada ser humano existe uma alma eterna. É exatamente por isso que não devemos permitir que nos diminuam ou menosprezem.

“Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento.” Abraham Lincoln


Remova sua máscara! Seja sincero.

A decisão de remover nossa máscara é pessoal. Porque cada um de nós precisa escolher assumir sua verdadeira identidade.

Não importa muito se a máscara que usamos foi colocada por nós ou por outros. Inegavelmente, ela nos descaracteriza. Pois, o risco que corremos, ao usá-la por muito tempo, é o de incorporar sua natureza à nossa. Isto é, qualquer subterfúgio empregado, objetivando esconder algo que nos desagrada em nós mesmos; pode tornar-se permanente. Porque, a natureza humana é falha; é inevitável que cada um de nós carregue traços que denunciam essa fragilidade.

No entanto, a tentativa de cobrir essas imperfeições com qualquer instrumento, que pretensamente sirva para escondê-las; simplesmente posterga sua solução. Pois, ao resistirmos o fato de que somos chamados a lidar com nossas mazelas, nos tornamos reféns de uma farsa. A mentira que assumimos como verdade, nos escraviza e distorce quem somos. Portanto, a máscara longe de ser um escudo eficaz, gera a ilusão de invulnerabilidade; desencorajando a reação que teria fornecido uma proteção genuína.

Por isso, só estamos realmente protegidos, quando assumimos nossa identidade de forma plena; estando dispostos a lidar com defeitos e qualidades. Porque, somente a coragem de explorar a escuridão, revelará o poder infinito de nossa própria luz. A vergonha é o principal vilão a ser confrontado; já que é uma dor real. Ela está alicerçada naquele sentimento dolorido ou na crença que somos defeituosos; e, portanto, indignos de amor e aceitação. Certamente, nenhuma máscara é suficientemente eficaz para ocultar as cicatrizes dessa espécie de ruptura de nossa alma.

“E quando a máscara cai, a surpresa, não havia nada por baixo, só vazio, tudo ilusório, um ser fictício habitava ali.” Lua

“Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara.” Caio Fernando Abreu

Sendo Sinceros

A palavra sincero tem sua origem no latim; e é a junção de duas palavras: sine cera (sem cera). A versão mais comum da origem desta palavra é que, em Roma, escultores desonestos, esculpiam estátuas de mármore com pequenos defeitos, usando cera especial para ocultar tais imperfeições. Claramente, objetivando com esta prática, esconder do comprador as trincas ou pequenas falhas das esculturas. Mas, obviamente, era do tempo a tarefa de revelar as rachaduras, que não permaneciam eternamente despercebidas.

Certamente existiam escultores honestos, que faziam questão de dizer que suas estátuas eram “sine cera”, ou seja, perfeitas, sem defeitos escondidos. Portanto, a expressão sincero tem sua origem neste contexto. Porque, sinceridade é característica de algo ou alguém que não esconde seus defeitos. Por isso, costuma-se dizer que uma máscara, nada mais é do que uma cera que aplicamos sobre nossas rachaduras. No entanto, assim como no caso das estátuas, é tarefa do tempo revelar essa fraude. Inevitavelmente, cedo ou tarde as máscaras caem.

Ao optarmos por abandonar nossa máscara, a dor escondida, será exposta. Ela de fato só denuncia a condição de algo que precisa ser ajustado. No entanto, nem sempre o ajuste é superficial ou imediato. Já que, as raízes devem ser removidas, para que a erva daninha não volte a crescer. É possível que as rachaduras existentes, tenham sido provocadas exatamente pela força da raiz, que permanece sendo nutrida. Por isso, o ato heroico da remoção da máscara é o início de um processo de cura.

“Por detrás da alegria e do riso, pode haver uma natureza vulgar, dura e insensível. Mas, por detrás do sofrimento, há sempre sofrimento. Ao contrário do prazer, a dor não tem máscara.” Oscar Wilde

A máscara imposta

Nem sempre somos nós que vestimos a máscara. Já que, outros podem ter nos rotulado ou mascarado. Mas, isso não diminui nossa responsabilidade de removê-la. Sempre será nosso o papel de protagonistas de nossa história. Pois, tentativas de terceirização desta função não serão bem sucedidas. Porque, mais importante do que parecer bem aos olhos de quem nos observa, é estar bem de fato. Por isso, não devemos conceder a ninguém o poder de nos definir; limitando-nos. Existe um potencial em cada um de nós que temos dever de explorar.

A máscara imposta é aquela que recebemos, em geral, de pessoas próximas. É com elas que convivemos; e possivelmente, são elas a quem mais amamos. Consequentemente, a opinião delas nos afeta, mais do que a de outros. No entanto, elas também possuem falhas em sua estrutura emocional. Por isso, podem muito bem estar nos catalogando a partir de um olhar distorcido. Cultivar relacionamentos que acessem nossa vida é importante e legítimo. O problema ocorre quando nos permitimos ser moldados apenas pelo olhar deles. Pois, por mais bem intencionados que sejam, não são eles os responsáveis por fazer nossas escolhas e, jamais deveriam nos medir a partir de sua ótica.

A linha que separa o que é um bom conselho de um controle excessivo é tênue. Não é como relacionar-se com a receita de um bolo; onde toda orientação seguida à risca, garante o sucesso. Relacionamentos são dinâmicos e exigem aptidão para filtrar adequadamente o que devemos aproveitar e desprezar. Por vezes teremos dificuldade de saber exatamente onde estão os excessos e os pensamentos viciados. Mas, é melhor pecar pelo excesso do que pela falta, nestes casos. Isto é, acaba sendo mais saudável questionar algumas informações recebidas, descartando-as; do que absorvê-las sem análise.

“Não sujarei minhas mãos tentando tirar sua máscara; porque minha única certeza é: máscaras sempre caem sem a ajuda de ninguém.” Desconhecido

A máscara escolhida

Nem sempre escolhemos usar uma máscara de forma consciente. Porque podemos muito bem estar selecionando posturas dentre as consideradas politicamente corretas. No entanto, ao sufocarmos nossa verdadeira personalidade; objetivando ser aceito, fatalmente estaremos nos violentando. A violência pode ser sutil e quase imperceptível, mas afeta consideravelmente nossa liberdade; diminuindo as chances de ajuste. Pois, o primeiro passo para corrigir desvios de rota, é ter coragem de admitir que aquele conceito não nos representa.

Sabemos que precisamos de aceitação e que nosso valor, em parte, é atribuído pelo olhar do outro. No entanto, a pressão do grupo ou de alguém que pretendemos agradar, não deve nos transformar em quem não somos. A verdadeira troca acontece quando convivemos com pessoas que nos permitem ser quem somos de fato. Elas são raras, mas pessoas assim, entenderam que elas não tem direito de exigir que correspondamos a seus anseios. Elas nos amam pelo que somos e independente de quem somos. Este tipo de amor incondicional é raro. No entanto, é o único tipo de amor que nos transforma de fato.

O relacionamento maduro é aquele que nos incentiva a abandonar as máscaras. Já que, sem elas, estaremos dando vazão a nossa versão real. Obviamente isto não nos autoriza a ultrapassar a linha da adequação. Ou seja, não estamos autorizados a ser agressivos ou violentos ao lutar por nosso espaço. Quem busca uma vida sincera e transparente, saberá respeitar nosso posicionamento. De maneira idêntica, seremos hipócritas se não concedermos ao outro a chance de ser quem é, sem julgá-lo. A máscara é removida gradualmente quando entendemos que sem ela somos melhores. Porque qualquer versão que não nos represente de fato, não merece ser vivida.

“De que tamanho é a força do amor que nos permite arrancar a máscara da superficialidade para abrir nosso coração aos outros?” Anahí Portilla

Autorização para ser sincero

“Veja que todos os homens carregam mais ou menos a mesma máscara, mas saiba também que existem rostos mais belos do que a máscara que os cobre.”   Jean-Jacques Rousseau

Existe uma beleza escondida em cada um de nós. A capacidade de remover a máscara está intrinsecamente relacionada com esta descoberta. Pois, enquanto nos percebemos como devedores de quem quer que seja, nos faltará coragem de assumir nossas fraquezas. A sugestão não é de que se cometa suicídio social, optando por uma exposição demasiada e inapropriada, que nos aniquilaria. Contudo, ao sufocarmos nossa identidade também morremos. No fundo temos que eleger um tipo de morte. Ou matamos quem somos para corresponder às expectativas de outros; ou enquanto brigamos por nosso espaço.

Nossa vida é muito valiosa e única. As oportunidades de ser quem somos escoam por entre os dedos e não podemos desperdiçá-las. Ainda que levemos tempo para descobrir nossa real identidade, a trajetória será recompensada. Ninguém é feio ou inadequado, a não ser para aqueles que não se descobriram de fato. Existe muito mais beleza na sinceridade do que na hipocrisia, mesmo quando ela revela nosso lado mais sombrio. A decisão de viver a versão exata de quem somos, por si só, é um convite para que outros façam o mesmo. Jamais saberemos do que somos feitos, se persistimos nos importando com o que os outros esperam de nós.

“Chegará um momento em que nenhuma máscara se encaixará mais em nosso rosto. E então, o que nos resta, é mostrar o que escondemos há tanto tempo.”  Jean Rosana

Recuse a manipulação. Busque sua identidade.

Ainda que a manipulação seja sutil, ela nos desconfigura; distorcendo quem somos e enfraquecendo nossa identidade.

A manipulação está presente em nossa vida desde a infância. Aprendemos a manipular de forma sutil e instintiva e, igualmente, somos manipulados. Esse é um dos mecanismos presentes em nossa psique, no qual nos apoiamos para conquistar o que queremos. No entanto, toda conquista baseada em manipulação não é legítima. Infelizmente, nascemos originais e morremos como cópias, devido às distorções que acumulamos ao longo da vida. A definição de manipulação no dicionário é: falsificação da realidade, objetivando induzir alguém a pensar de determinada forma. Pode ser entendida também como qualquer manobra que visa, oculta e suspeitadamente, alterar a realidade; falsificando-a. 

Portanto, a manipulação tem sua origem em uma mentira. Por isso, nada que esteja fundamentado em mentira pode ser legítimo. Certamente, muitos não são intencionais ao manipular. Provavelmente estão tão familiarizados com a dinâmica, que são incapazes de identificá-la. Inegavelmente, o primeiro passo para mudança de um mau hábito é reconhecê-lo. Nossa sociedade está contaminada com formas sutis e agressivas de manipulação. Desde os comerciais que pretendem vender felicidade com produtos que oferecem; até o choro, aparentemente inofensivo, da criança que deseja que seu desejo seja atendido. Viramos marionetes nas mãos de uma sociedade consumista e desajustada. Que, por óbvio, também está sendo manipulada. Trata-se de um círculo vicioso que se alterna, onde ora somos vítimas, ora agentes.

A verdade é que a manipulação só cessa quando nos apropriamos de nossa identidade. Ignoramos a gravidade de nos submeter a este jogo, até que saibamos quem somos de fato. Antes disso, absorvemos naturalmente conceitos à respeito do que devemos comer, como nos vestir e assim por diante. À primeira vista tudo parece inofensivo. Mas, com o tempo, as manipulações a que nos sujeitamos, tem poder de aguar nosso ser, deixando-o insosso. Porque, qualquer dose de distorção passivamente aceita, compromete o resultado final. As respostas que buscamos, que ajudem a desvendar nossa essência, não são encontradas nestes ambientes. Precisamos ter coragem de abolir a manipulação de nossas relações, para que possamos respirar oxigênio e amadurecer.

“A parcialidade é a arma de quem não tem argumento e castra a informação com a única intenção de manipular.” Antonio Carlos V O Motta

Buscando a verdade

A verdade só é encontrada por pessoas verdadeiras. Porque a verdade não convive com a mentira de forma passiva. Portanto, a tal meia-verdade; não existe. Já que, qualquer dose de mentira contamina toda a verdade. Quando nos utilizamos de manipulação em nossos relacionamentos, estamos vendendo uma auto imagem, que não nos representa. Ao passo que, quando alguém nos manipula, está extraindo de nós algo, que não escolhemos dar voluntariamente. Por isso, a pessoa em questão, se utiliza deste artifício. Em alguns casos, talvez até fosse esta nossa escolha. Mas, a manipulação contamina a decisão, deixando-nos confusos. A descoberta de que fomos ou estamos sendo manipulados nos frustra. E manipular nos empobrece e insulta a originalidade de nosso semelhante.

Manipulamos e nos deixamos manipular, porque somos fracos. Ao contrário do que alguns pensam, a manipulação não é sinal de força e sim de fraqueza. Uma identidade nublada e confusa torna-se um alvo fácil para as manipulações. E cada episódio de manipulação a que nos submetemos, nos conduz para bem longe de nossa essência. Temos que ter coragem de lidar com quem somos de fato. Dando nome aos nossos medos e não tentando imitar quem quer que seja. Assumir nossa identidade, lutando por ela, é o antídoto mais eficiente contra qualquer forma de manipulação. A maior dádiva que temos é nossa vida. Por isso, temos que ter coragem de vivê-la. Ninguém deve ser autorizado a fazer escolhas em nosso lugar.

Quando nos escondemos atrás de máscaras, ou mendigamos aceitação, estamos distorcendo nossa imagem. Por mais que pareça desafiador para alguns se perceber desta forma; existe beleza dentro de cada um de nós. Encontrar o caminho que nos conduza na direção correta exigirá humildade, porque não conseguiremos sozinhos. Não fomos desenhados para trilhar este caminho de forma solitária. Alguns que buscam este nível de isolamento esbarram na depressão, o que pode, inclusive, levar ao suicídio. No entanto, viver rodeado de pessoas não resolve ou minimiza o desafio. Precisamos nos cercar de pessoas certas, não de qualquer pessoa.

“Não tenha vergonha de tomar partido, tenha vergonha de ser manipulado por aqueles pensam que podem pensar por você.” Guimarães Júnior

Entendendo nossa gênese

Nossa estrutura frágil e complexa tem sua origem no pó, e é precisamente assim que nossa jornada termina. Qualquer um que tenha estado em um velório, sabe que dentro de poucos dias o corpo daquela pessoa querida se desfará, e voltará para o pó. No entanto, não temos só corpo. Possuímos uma alma, que é onde os conflitos se instalam. É através de nossa alma que nos relacionamos com nosso semelhante. Ela é responsável por abrigar nossa “ótica” de nós mesmos e da vida. Assim como o corpo pode adoecer e se ferir, de maneira idêntica, adoece nossa alma. São suas dores, que nos levam a buscar resposta em mecanismos de defesa, dentre eles a manipulação. A manipulação é um subterfúgio e um pretenso esconderijo para o que não gostamos de expor. 

A motivação que está por trás de determinadas escolhas nem sempre é louvável. Quando isso acontece, em algum grau, nos sentimos culpados. O analgésico para a culpa é a manipulação. Já que ela nos permite apresentar uma versão dos fatos capaz de convencer, inclusive, a nós mesmos. Os resultados deste tipo de comportamento danificam tanto o agente como o sujeito que sofre a manipulação. Jamais seremos percebidos de forma correta se nos utilizamos deste tipo de dinâmica. Nada do que conquistamos, especialmente os relacionamentos, serão sólidos. Porque este é um alicerce sobre o qual não conseguiremos construir nada que seja verdadeiro e duradouro.

Os que buscam coerência entre o que falam e vivem, precisarão diagnosticar a presença da manipulação nos seus relacionamentos. A baixa autoestima e os traumas a que fomos expostos, assim como o orgulho, alimentam este monstro. A mentira que nutrimos, ao concordar com este tipo de postura, causa rupturas em nossa personalidade. São estas pequenas rachaduras no muro de nossa alma, que o deixam vulnerável, com risco de desabar sem aviso prévio. O resultado final é que nos perdemos em nós mesmos; impedindo que as pessoas nos conheçam de fato. No entanto, a autenticidade é um atributo que embeleza nossas fragilidades. Podemos não ser talentosos, ricos, famosos, etc. Mas, ao sermos autênticos, cativamos as pessoas. O mundo carece de autenticidade.

“Quem acata opinião de quem só sabe um lado da história não é bem informado, é apenas mais um manipulado.”   Mayke Franz

Assumindo nossa identidade

Além do corpo e da alma, temos um espírito. É precisamente neste lugar adormecido, dentro de cada um de nós, que encontra-se a chave que devemos acionar. Deus nos desenhou com um lugar específico onde Ele pode habitar. Esse é o único lugar de onde Ele poderá nos instruir, ajudando-nos a lidar com os conflitos de nossa alma. No entanto, Ele precisa de um convite e de nossa permissão para assumir Seu espaço em nossa existência. Engana-se quem pensa que Ele invadiria este lugar. Porque isso contraria completamente Seu caráter. Deus não manipula e não se deixa manipular. Por isso, só nos encontra quando é convidado, porque nos criou livres. Sua atuação, a partir deste lugar, é a única fonte confiável de respostas que necessitamos.

Da mesma maneira que nossos sentidos naturais traduzem o que nos rodeia, nossos sentidos espirituais traduzirão Sua orientação. Temos capacidade de ouvir Sua voz, de sentir Sua presença, de vê-lO em nossas circunstâncias. A voz dEle é como a de um pastor que conhece nossa necessidade e nos conduz para pastos verdejantes. Ele não nos dará alimento que não seja saudável. Ele não permitirá que sejamos enganados, e nos alertará para situações em que estejamos enveredando por caminhos tortuosos. A presença dEle em nossas vidas não nos transforma em pessoas infalíveis nem perfeitas. Mas, ela é responsável por nos transformar em pessoas ajustadas, que não se utilizam de subterfúgios. Sem a ajuda dEle não somos suficientemente corajosos para lidar com alguns desafios.

Porque o que nos leva a manipular são nossas inseguranças e medos. Assim como o que nos impulsiona a nos movimentar debaixo de manipulação é a ausência de convicções à respeito de nosso valor. Uma pessoa que se percebe como impotente e frágil, está posicionada como alvo perfeito para um manipulador. No entanto, nenhum de nós é tão frágil que não possa resistir a quem pretensamente deseja escolher por nós. O homem sem Deus busca esconderijos para sua dor. Mas, nenhum deles é eficiente. Todos somos feitos da mesma matéria-prima. Embora sejamos únicos, nossas necessidades básicas são idênticas. Desejamos ser amados, aceitos, respeitados e precisamos de um propósito para acordar todo dia pela manhã. Passar por esta vida sem reconhecer-se é um desperdício. Por isso, ao recusarmos rotular e receber rótulos; estamos nos aproximando de nossa essência.

“Não deixe ninguém te transformar naquilo que você não é. Perder a própria identidade, é perder-se de si mesmo.” Day Anne

O que se esconde atrás da inveja?

Invejar é gastar energia e foco no alvo errado. O que impede nossas conquistas não é o espaço que outro ocupa, e sim o fato de nos percebermos de maneira errada.

Quando a palavra inveja é mencionada, somos unânimes em afirmar que desprezamos o convívio com invejosos. Sem dúvida alguma, a inveja é nociva; destruindo quem a possui e afetando os que dela são alvo. A inveja instala-se de forma sutil em nosso interior quando insegurança, em qualquer nível, está presente. Às vezes pode disfarçar-se de cuidado, preocupação e até mesmo de justiça, mas suas raízes são tóxicas. Existem muitas ocasiões propícias para que ela se manifeste em nosso cotidiano.

O dicionário define inveja como: desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia. Pode ser também um desejo irrefreável de possuir ou gozar o que é de outrem. Inegavelmente é um sentimento fundamentado em profunda inferioridade, que é simplesmente desmascarada diante da conquista de quem nos rodeia. Nem sempre temos facilidade de identificar sua presença, mas certamente a baixa autoestima é sua companheira. Porque a pessoa segura de sua identidade tem menos motivos para invejar. Contudo, ninguém está imune às investidas desta inimiga traiçoeira.

Pois, ela ataca diretamente nossa identidade. Por isso, são as crianças que mais facilmente demonstram traços de sua presença. Já que sua identidade e personalidade estão em fase de formação. Desejar os brinquedos e a atenção recebida pelo colega de escola ou vizinho, é o primeiro teste. É precisamente nesta fase que pais e educadores têm a chance de cortar o mal pela raiz. Pois é seu papel orientá-las, desvinculando o valor da pessoa da coisa desejada. Para alguns pode passar despercebido, ou até ser classificado como inofensivo. Mas, futuramente as consequências surgem, e nem sempre são facilmente revertidas.

“Você não pode ser invejoso e feliz ao mesmo tempo.” Frank Tyger

O adulto é a criança de ontem

Certamente muitos de nós já convivemos com adultos bem sucedidos com traços de inveja em sua personalidade. Nada justificaria algumas atitudes e escolhas que fazem, mas não conseguem evitar, por mais que se esforcem. São pessoas que sentem que precisam provar constantemente para si mesmas e para os outros seu valor. Sentem-se facilmente diminuídas, pois, atrelam à conquista e ao sucesso seu valor de ser humano. Enxergam os outros e a si mesmo através de lentes distorcidas.

Temos valor intrínseco, independente de quantos bens possuímos, do grau de escolaridade que temos ou de nossa aparência. Por isso, mensurar nosso valor através de métricas distorcidas, acrescenta pressão demasiada e nos leva a perseguir alvos irreais. Somos seres únicos, porque o que nos define é um conjunto de circunstâncias e combinações genéticas e sociais que não se pode replicar. Quando o conceito correto for o fundamento de nosso valor, não cairemos mais nas armadilhas da inveja.

Pois, a sensação de inferioridade que nos leva a invejar, é a pior mentira em que acreditamos. Esta premissa falsa é o que mantem as portas de nossa prisão lacradas. Enquanto ela persiste, permanecemos escravos não só da inveja, como de outros tantos sentimentos letais. O principal trunfo da inveja é permanecer encoberta, pois quando a identificamos, ela tem menos chances de sobreviver. Porque ninguém em sã consciência abriga a inveja, sabendo que ela tem potencial de nos destruir.

“Você não é o pior para que possa ter inveja e nem o melhor para que possa ter orgulho.” Heliglécio

Os dois lados da moeda

Diz-se do orgulho que ele é como o mau hálito, só quem tem não sabe que tem. Já que para os demais ele é muito evidente. De maneira idêntica a inveja é percebida facilmente por quem convive conosco. Podemos tentar disfarçar nossa verdadeira motivação ao fazer determinado comentário ou replicar alguma informação maldosa. Mas, o que alimenta este tipo de atitude é um sentimento de inferioridade, que busca compensação quando o outro está pior do que nós.

Uma situação típica onde a inveja se manifesta é no ambiente corporativo, no meio profissional. As injustiças nestes ambientes são cometidas deliberadamente ou por vezes inconscientemente. No entanto, independentemente da motivação, o fato é que as promoções são concedidas, muitas vezes, de forma subjetiva. Por isso, nosso senso de justiça própria é instigado e provocado. O fato nem precisa nos envolver diretamente, pois, quando acontece com algum amigo ou alguém a quem admiramos, rapidamente escolhemos quem é nosso aliado.

Inegavelmente, quando este tipo de situação surge, dois lados opostos se estabelecem. Eles não coexistem, já que estão fundamentados em pontos de vista antagônicos. No entanto, nem sempre esta versão dos fatos representa a realidade. Muitas vezes a verdade pura e simples é que nenhuma das versões é completamente verdadeira ou completamente falsa. Porque os motivos para que alguém seja reconhecido e promovido, ainda que sejam subjetivos, são legítimos. Assim como podem ser legítimas as razões de quem se sente preterido.

“O espírito da inveja pode destruir; nunca construir.” Margaret Thatcher

Fugindo da armadilha

A principal armadilha da inveja é nos fazer arrazoar sobre as justificativas que temos para nos sentir ignorados ou desprezados. Esta linha de pensamento nos leva para bem longe da solução e potencializa a inveja. A mistura fatal é quando temos um fato, que é analisado através de um olhar contaminado por autocomiseração. Qualquer dose de baixa autoestima, somada com autopiedade pode nos paralisar por muito tempo. O que não percebemos é que o principal afetado por este tipo de circunstância somos nós mesmos.

Qualquer pessoa que abriga ressentimento e inveja em seu coração é alguém que vive em algum grau de aprisionamento. Essa pessoa não é livre de fato, e jamais alcançará seus objetivos com esse fardo pesado em seus ombros. Na corrida da vida, os vencedores são aqueles que olham para a linha de chegada e não carregam pesos extras. A velocidade com que perseguimos nosso alvo depende da leveza de nossa bagagem. Os fardos extras se acumulam e subtraem nossa capacidade de superação.

“A inveja é a arte de contar as bênçãos do outro em vez das próprias”. Harold Coffin

Expandido nossa ótica

“O amor olha através de um telescópio; a inveja através de um microscópio.” Josh Billings

O antídoto contra qualquer raiz de inveja, que tente se instalar, é uma identidade sólida. Quando descobrimos que somos únicos e que não temos rivais, a inveja perde força. Porque quando nosso olhar é ajustado e analisamos as circunstâncias dentro de um contexto macro, nenhuma conquista alheia nos ameaça. Ninguém é capaz de roubar nosso lugar ao sol, portanto, é incoerente gastar energia invejando. Seremos sempre o produto de como nos percebemos. 

Por isso, se nossa ótica estiver ajustada, conseguiremos colocar em perspectiva correta tanto o fracasso quanto o sucesso. A vida é como um vapor, os anos voam e escorrem por entre os dedos como a areia. Quanto mais tempo desperdiçamos com comparações e abrigando sentimentos nocivos, mais nos distanciamos do que realmente importa. Os velórios são momentos tristes e doloridos, mas carregados de realidade. Porque, a morte é um fato na vida de todo ser humano, independente de suas conquistas. 

Portanto, todos deveriam levar em consideração que, naquele dia, nada levaremos conosco. Não importa se colecionamos fracassos ou conquistas, elas ficam nesta terra. Obviamente isso não é a principal razão pela qual não devemos invejar, mas certamente é uma realidade. Por mais que gastemos energia perseguindo metas e invejando outros, o que fica de nossa trajetória é a pessoa em quem nos transformamos. O invejoso é aquele que foca no ter e esquece do ser. Por isso, para ele, o saldo será sempre negativo, independentemente do quanto tenha conquistado.

O desafio da mudança

Mudança é sair da zona de conforto e lidar com risco. Qualquer um que deseja crescer precisa estar disposto a mudar.

Toda mudança envolve algum nível de adaptação e desafio. Quanto mais profundas forem as raízes, tanto mais difícil será o processo de desapegar-se e mudar. Possuir raízes é legítimo e indicado, já que, precisamos de um porto seguro. Neste aspecto, inegavelmente, os laços familiares constituem a primeira experiência legítima e fundamental  de nossa existência. Pois, são elas que estruturam nossa psique para, naturalmente, lidar com transformações.

As diversas fases da vida sugerem mudança. Elas são sutis e quase imperceptíveis em algumas estações, mas podem ser radicais e decisivas em outras. Buscar transições graduais e programadas seria ideal, se o controle de todas as variáveis fosse nosso. No entanto, na prática, o cenário ideal não existe. Porque somos afetados por circunstâncias e decisões de terceiros que nos impactam direta ou indiretamente.

Por isso, a reação diante dos imprevistos, bem como a capacidade de se ajustar pode determinar o sucesso de nosso futuro. Pois, desde muito jovens absorvemos padrões de comportamento dos que nos rodeiam. Portanto, se estamos inseridos em ambientes saudáveis que promovem mudanças, incentivando o risco, teremos mais facilidade de transicionar. No entanto, se o contexto sugere estabilidade e previsibilidade, lutaremos mais para romper na direção oposta.

O progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” George Bernard Shaw

Identificando os pontos fracos

Em qualquer análise organizacional moderna, sugere-se a identificação de pontos fracos e fortes. Já que as organizações estão em busca de crescimento e superação. Inegavelmente será mais fácil reconhecer pontos fortes do que fracos, tanto nas organizações como em nossa vida. Porque nossas habilidades e competências destacam-se naturalmente naquilo que executamos, e constituem nosso alicerce.

Contudo, todo ser humano que ignora ou escolhe não lidar com suas lacunas (pontos fracos), tende a estacionar em sua jornada. Certamente não é fácil admitir falhas e decidir aprimorar aspectos menos desenvolvidos de nosso perfil ou personalidade. Quanto mais tempo permanecemos em zonas de conforto, tanto mais desafiadora se torna a mudança. Mas, tanto a estabilidade plena, quanto a instabilidade constante são nocivas.

Existem pessoas completamente estagnadas no que lhes é familiar e que não analisam ou admitem a possibilidade de mudar. No entanto, o oposto disto é o comportamento que se apoia na mudança constante como meio de fugir do que realmente importa. A capacidade de dosar de forma coerente estes dois aspectos de nossa existência é o que aproxima-nos dos grandes avanços. Por isso, qualquer fator que estejamos usando como argumento ou justificativa para explicar nossas derrotas, não é válido.

Sábios são os que aprendem com os erros e transformam os fracassos em oportunidades de aprendizado. Outro fator importante desta equação é considerar que nenhum ser humano é bom em tudo que faz. Todos fazem bem determinadas coisas e não tão bem outras. Nosso alvo jamais deve ser atingir qualquer nível de perfeição que descarte a necessidade de aprimoramento. Seria ingenuidade e até arrogância perceber-se desta forma e se imaginar vivendo sem interdependência.

Começando pelo princípio

O dia de iniciar uma mudança é hoje. O ontem não está disponível e o amanhã é sinônimo de procrastinação. Temos que ter coragem de começar com o que temos, estabelecendo voluntariamente uma linha de corte. O antes e o depois em nossas vidas acontecem quando temos coragem de assumir o protagonismo de nossa história. Porque ninguém pode ser responsabilizado pelos rumos que nossas circunstâncias assumiram. É bem verdade que não podemos alterá-las, mas devemos escolher que atitude assumiremos diante delas. Pois, o progresso que almejamos, é antecedido por posicionamentos conscientes e maduros.

“A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.” John Kennedy

Tais avanços podem ser imperceptíveis aos olhos da multidão, mas devem ser celebrados por nós. Ainda que não sejam reconhecidos e valorizados por outros, é importante que tenhamos consciência do que representam em nosso contexto de vida. Além de atribuir valor e celebrar as conquistas, é importante não estabelecer comparações com nossos pares. Nenhum ser humano é completamente igual ao outro, visto que somos produto da soma de fatores distintos. Por isso, é um equívoco medir quem somos com a régua de outra pessoa. Pois, temos uma identidade única.

O útero onde a identidade sólida é concebida, é aquele onde há aceitação incondicional, e onde o erro não define quem somos. Quando nossas conquistas ou fracassos determinam quem somos, tornamo-nos incapazes de gerir nossas emoções. Embora seja recomendado perseguir progressos, é um erro consentir que nos retratem. Pois somos mais do que a soma de fracassos e sucessos alcançados. Nosso valor está intrinsecamente relacionado à capacidade que temos de estimar nossa existência. Ou seja, temos valor porque somos uma obra-prima, insubstituível e porque nascemos com um propósito.

Enxergando o quadro todo

A ótica cristã da humanidade, atribui significado individual ao ser humano. Em minha concepção não existe nenhum outro fundamento sobre o qual devamos alicerçar nossa existência. Qualquer proposta que descarte esta premissa estará catalogando-nos e limitando-nos. Embora para alguns isto não esteja claro, a principal missão de Jesus foi resgatar nossa conexão com Deus Pai Criador. Sem este resgate permanecemos órfãos, e nossa existência passa a ser fruto do acaso.

Encaixar nosso dia, horas e minutos num espectro macro é o que nos capacita a lidar com o micro. Por isso, o valor que damos à pedra na qual tropeçamos será proporcional ao tipo de trajetória na qual nos percebemos inseridos. Quando olhamos o desenho de cima, e portanto,  discernindo para onde estamos indo, temos maior capacidade de lidar com os tropeços. Porém, se estamos confusos em relação ao nosso valor e, especialmente, em relação ao nosso destino, sofremos mais com as derrotas.

Mesmo correndo o risco de ser simplista demais, o resumo de tudo é perseguir uma identidade sólida. Tal identidade precisa ser moldada e aprimorada. Certamente não temos todos os instrumentos para construí-la. Por isso, precisamos de um relacionamento com Deus que agregue significado e capacitação para os momentos desafiadores. Com as peças fundamentais da equação ajustadas, as mudanças acontecem de forma saudável e instintiva. Porque fomos desenhados para perseguir sonhos e crescer de dentro para fora. Porém, sem ajustes diários e constantes esta meta não é atingida.

“Podemos escolher sofrer a dor da mudança, ou a dor de continuar do jeito que estamos.” Joyce Meyer

Criados para amar e ser amados

Não somos capazes de amar, nem tão pouco de receber amor, quando não nos amamos. Nada externo pode mudar essa realidade, a não ser nossa decisão voluntária de acreditar que temos valor.

Definir amor e o que significa amar não é tarefa simples. Alguns expressam amor através de gestos práticos, como por exemplo: ajudar nas tarefas da casa. Outros não valorizam tanto este tipo de atitude e sentem-se amados quando são alvo de alguma ação inesperada, do tipo que nos arrebata de nossa rotina. Talvez um pouco das duas coisas ou nenhuma delas, mas o fato é que nascemos para ser amados e para amar. E o amor precisa se expressar de forma palpável, visível. Já que, amar pressupõe ação.

Se usássemos a analogia de um equipamento eletrônico, poderíamos dizer que os componentes do ser humano foram desenhados para funcionar através do amor. Amor é sinônimo de aceitação, de valor, de significado. Por isso, a ausência de amor, inevitavelmente gera sofrimento. A maioria das pessoas instintivamente busca respostas para esta lacuna, e por vezes se apoia em recursos errados. Pois, toda solução externa que garanta conforto e gere valor não tem potencial de mudar, de fato, a maneira como nos sentimos.

Se a humanidade pudesse ser dividida em dois grandes grupos, eles seriam o das pessoas que possuem senso profundo de valor e aceitação e das que lutam para conquistar isso. Nesta hipótese, possivelmente apenas uma variável separaria estes dois grupos. Os que amam e vivenciam a aceitação, são os que consideram-se dignos disso, o outro grupo ignora este fato. Os que desconhecem esta realidade perseguem o amor de forma equivocada. Por isso, o primeiro passo que nos introduz no caminho correto é reconhecer que merecemos o amor.

É um amor pobre aquele que se pode medir.” William Shakespeare

Reconhecendo nosso valor

O simples reconhecimento de que precisamos e merecemos ser amados, não torna a vida melhor ou mais fácil, e não nos imuniza de traumas, falências ou separações. Mas, estas fatalidades nos afetam em medida diferente. Porque, sempre que analisamos as circunstâncias a partir da ótica correta, elas assumem proporções adequadas. Isto é, nenhum fator desagradável externo nos derrota quando temos consciência de nossa capacidade de nos reerguer e reinventar.

Quando nosso valor está alicerçado na base sólida do amor, isto é, quando não se apoia em nada passageiro ou transitório, adquirimos mais resistência para lidar com os desafios. Isto também aniquila a mentalidade de que estamos incompletos, ou de que algo que não temos pode ser a chave do sucesso que perseguimos. Porém, isso não significa que estaremos acomodados ou que sejamos alienados. Pelo contrário, ao conquistarmos coisas a partir deste lugar, tais conquistas não definirão quem somos.

Por isso, se eventualmente as perdermos, nossa estrutura não sofre rachaduras. Quando Deus criou o homem, partiu do princípio que Ele seria a fonte de amor e aceitação capaz de nos conduzir. Infelizmente o homem rompeu esta conexão, e, por isso, anda buscando respostas em outras fontes. Porém, as incertezas se dissipam, e não tememos a exposição e os riscos emocionais, quando somos definidos pelo amor que Deus tem por nós. Esta é a única Fonte legítima e confiável de amor.

“Deus é amor; e quem está em amor está em Deus, e Deus nele.” 1 João 4:16

Derrubando os muros

A insegurança em geral nos atrela ao medo. Quando tememos, temos mais dificuldade de arriscar, pensamos erroneamente que existem meios seguros de nos proteger. Por isso, a busca instintiva do amor, quando frustrada, nos leva a edificar muros. São estes mesmos muros que levantamos para nossa proteção, que nos escravizam e isolam. Portanto, longe de ser um escudo eficaz, a ilusão deste tipo de atitude desencoraja a reação que teria fornecido a proteção genuína que perseguimos.

Por isso, a simples escolha da exposição voluntária nos aproxima bem mais de quem somos de fato, do que a fuga. Não se trata da exposição pela exposição, já que isso seria um suicídio emocional. Mas, da consciência de nossa identidade e valor que nos capacita a lidar com a possibilidade de não ser aceito ou totalmente compreendido. Estes riscos são reais e precisam ser considerados. Porém, é nossa a tarefa de separar quem somos, da crítica que recebemos.

Pois, amar envolve correr riscos. Qualquer um que ama sabe disso. Não existe vacina que nos imunize, nem atalhos que nos poupem deste componente do percurso. Todos os que amam já foram feridos e já feriram. Existem cicatrizes que denunciam alguns desses momentos mais doloridos. As marcas que o amor produz nos transformam. Elas também possuem certa beleza, que só é discernida pelos que amam.

“A medida do amor é amar sem medida.” Santo Agostinho

Aprendendo a se amar

Inegavelmente uma pessoa que não ama a si mesma não tem o que oferecer para o outro. Já que não podemos repartir ou doar algo que não temos. A ausência de amor próprio nos faz exigir do outro atitudes que jamais nos suprirão de fato. Porque, nada externo, nem mesmo gestos genuínos e autênticos de amor, são eficientes para destruir esta mentira. Se perceber como alguém sem importância, é não ser capaz de decifrar sua essência.

Por isso, nestes casos, a ótica do outro, não é suficiente para nos remover desta posição. Só nós podemos decidir quando sairemos deste lugar. Certamente existem fatores que podem contribuir tanto para reduzir esta sensação de ausência de significado, como para potencializar este pensamento. No entanto, nem mesmo uma justificativa plausível, constitui álibi para este tipo de posicionamento. É imprescindível descobrir que perdemos tempo quando permitimos que outros nos definam.

Inegavelmente, é perigoso vincular quem somos às reações de outros ou a qualquer coisa que façamos ou tenhamos. Pois, nada disso é inabalável. Nossa auto-estima é imediatamente sequestrada quando vinculamos nosso valor a algo externo ou à opinião de quem quer que seja. Podemos gostar da sensação do aplauso e reconhecimento nos momentos de sucesso. Mas, na presença dos fracassos, que são inevitáveis, naufragamos com eles.

“Quem se apaixona por si mesmo não tem rivais.” Benjamin Franklin

Sendo capazes de amar

Portanto, ao autorizarmos que nos definam, isto é, que nosso valor esteja vinculado ao que fazemos, o fracasso torna-se nossa sepultura. No entanto, quando este componente é excluído da equação, temos mais facilidade de arriscar. Consequentemente construímos uma identidade mais sólida. De maneira idêntica, ao recebermos amor a partir de uma ótica ajustada e equilibrada, somos capazes de dar amor.

Porque, a máxima de que é dando que se recebe, se aplica muito bem neste cenário. Já que precisamos nos amar e repartir este amor com outros, para que ele se multiplique em nós. Dar amor de forma incondicional e livre alimenta nossa fonte de amor. Isto é, a lei do amor é regida pela necessidade de ser alvo e fonte de amor simultaneamente.

Pode ser confuso para mente, mas não é para o coração. Os que amam não têm dificuldade de decifrar este enigma. Já os que não amam, não entenderão por mais eloquente que seja a linguagem usada que pretenda explicar. Precisamos do outro, para repartir o que temos e para receber o que nos falta. No entanto, a única fonte de amor infalível e inesgotável é o Criador. Ele nos criou com capacidade de amar e de receber amor. Por isso, só somos completos quando recebemos e repartimos amor.

“Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” 1 João 4:8

Que pessoas têm influenciado sua vida?

Somos influenciados pelas pessoas que estão à nossa volta de forma positiva ou negativa. Somos responsáveis por eleger pessoas certas para nos acompanhar na jornada.

Pessoas influenciam pessoas, por isso é importante ser criterioso em relação a quem permitimos que acesse nossa vida. A influência pode ser benéfica, quando nos cercamos de pessoas que torcem por nós e nos enxergam de forma correta. No entanto, mesmo no convívio com pessoas leais e amigas, existe o risco delas não discernirem o que realmente devemos escolher. Porque será sempre nossa a responsabilidade de fazer escolhas, não delas.

Quanto mais inseguros somos, mais as opiniões e julgamentos de outros nos influenciam. Porque, é inevitável que ao correr riscos, nossa fragilidade seja exposta. Este nível de exposição pode nos paralisar, especialmente quando fracassamos. Portanto, é importante que pessoas corretas estejam ao nosso lado, especialmente nos momentos difíceis. Quanto mais saudável forem os relacionamentos, menor será a influência que exercerão sobre as decisões que realmente importam.

Em contrapartida, se nos cercamos de pessoas erradas, os momentos desafiadores serão amplificados. Isto é, podemos facilmente não nos recuperar de uma derrota. Porque, ao permitirmos que pessoas negativas, que não nos codificam corretamente, nos cerquem, o momento de conflito transforma-se em uma sepultura. Muitas vezes, por influência de pessoas erradas, nossos sonhos e ideais são sepultados e o luto passa ser um estado de espírito. O verdadeiro companheiro de jornada não decide por nós, mas também sabe como nos encorajar a prosseguir lutando.

“Nunca permita que uma pessoa te diga não se ela não tem o poder de dizer sim. Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento.” Eleanor Roosevelt

O equilíbrio e os limites

Conviver e se abrir para novos relacionamentos e parcerias é extremamente saudável e oportuno em qualquer fase da vida. A convivência, especialmente com pontos de vista e ideias diferentes nos enriquece. Mas, precisamos proteger nossa identidade, estabelecendo limites para os que os desconhecem. Nem sempre é uma tarefa fácil equilibrar o tanto de espaço que devemos conceder, com o espaço que devemos delimitar.

Certamente, os traumas e decepções que colecionamos, nos transformam em pessoas mais cautelosas. De maneira idêntica, podemos levantar muralhas intransponíveis a partir destes momentos. Buscar o equilíbrio que nos livre das muralhas e nos ensine a cautela é uma arte que precisamos dominar. Ter coragem de ser vulnerável é essencial, quando desejamos amadurecer.

Aprenda a dizer não. Será mais útil para você do que ser capaz de ler em latim. C H Spurgeon

A capacidade de dizer não com convicção, protegendo nossa identidade, é inegociável. Jamais seremos pessoas livres e realizadas se não tivermos coragem de lidar com a incompreensão, julgamento e crítica. Algumas vezes será sábio considerar uma opinião diferente da nossa, outras vezes o melhor é simplesmente descartá-la. O “não” pode extrair das pessoas reações surpreendentes. Ele é um filtro excelente para peneirar o que vamos usar e o que deve ser ignorado dos relacionamentos que nos cercam.

Destruindo o impostor

“Quando consigo me desprender das pessoas e permito que Deus me liberte de uma dependência insalubre em relação a elas, mais eu consigo lhes dedicar minha existência, escutar com mais atenção, amar com mais altruísmo, falar com maior compaixão, brincar de maneira mais esportiva, me levar menos a sério e ter a plena consciência de que o meu rosto brilha sorridente sempre que me acho num jogo que aprecio completamente.” Brennan Manning

Brennan Manning escreveu vários livros em que aborda o tema de que convivemos com um impostor. O impostor é aquela personalidade que não nos define de fato, mas que insistimos em nutrir. O que nos leva a alimentar tal fraude, é a falta de clareza de quem somos. Além disso, temos dificuldade de lutar por nosso espaço, já que este mecanismo atua em alguma medida em cada um de nós. O impostor é derrotado quando assumimos os riscos de permitir que as pessoas convivam com quem somos de fato.

Somos imperfeitos, e isto é um fato contra o qual devemos parar de lutar. Por isso, ao tentarmos esconder nossos defeitos em busca de aceitação, nos distanciamos de nossa identidade. Sem uma identidade sólida, não somos capazes de encontrar sentido para o que fazemos. Seremos vulneráveis e instáveis se tentarmos corresponder às expectativas dos outros. Seremos criticados e mal interpretados às vezes. Alguns não gostarão de nossa companhia, outros nos abandonarão, mas este é o preço que temos que estar dispostos a pagar em nome do pertencimento verdadeiro.

“Não ser outra pessoa a não ser você mesmo, num mundo que, dia e noite, faz todo o possível para que você seja outro, significa travar a mais árdua batalha que um ser humano pode travar.” Brennan Manning

Agindo de forma intencional

Só seremos capazes de selecionar pessoas adequadas para estar ao nosso lado, quando estivermos vivendo a plenitude de nossa identidade. Ser seletivo é necessário quando almejamos crescimento. Precisamos influenciar pessoas de forma correta com nossa vida e conquistas. Inegavelmente cada ser humano nasceu com capacidade de contribuir na vida de seu semelhante com o que carrega. Portanto, manipulação e controle devem ser abolidos de nossas atitudes, porque não contribuem na conquista de novos territórios.

“Nunca confunda movimento com ação.” Ernest Hemingway

Nossos movimentos não são sinônimo de ação. Agir de forma intencional requer disciplina e boas doses de perseverança. Quando pretendemos reavaliar alguma decisão errada ou fracasso, temos que ser honestos em nossa análise. Por vezes constatamos que nossa vida tem muito movimento, mas pouca ação. O movimentar-se de um lado para o outro não nos transforma. Por vezes, inclusive confunde, pois sugere que estamos agindo, quando de fato estamos estacionados.

No entanto, a ação que é fruto de análise e programação, pode mudar nosso destino. Temos que começar pelo começo. Não seremos capazes de fazer a leitura de que estratégia temos que adotar, se não soubermos quem somos. Depois, temos que escolher com quem andamos; ou seja, a quem daremos permissão para acessar nossa vida. O próximo passo é traçar o plano de como atingir nossos objetivos. Não é difícil, mas ao mesmo tempo pode nos custar tudo.

Deus estará conosco nesta jornada, se permitirmos que Ele nos conduza. Ele sonhou conosco e só somos capazes de sonhar, porque fomos criados à Sua imagem e semelhança. Fomos desenhados para perseguir projetos maiores que nós, por isso, precisamos dEle como nosso principal aliado. Sem Ele, nossa vida fica vazia e sem significado.

Finalizando o que acabou

Deus é aquele que orquestra nossas circunstâncias e nos conecta com pessoas estratégicas. Quando estamos atentos aos movimentos que Ele executa, respondendo de forma adequada, os relacionamentos nos aproximam de nossos ideais. No entanto, o oposto também é verdadeiro. Quando nos cercamos de pessoas erradas, elas podem nos distanciar do alvo. O ditado popular que diz: “Diz-me com quem andas que te direi quem és”, é muito apropriado. Porque, não somos capazes de andar muitas milhas ao lado de pessoas que possuem valores e objetivos diferentes dos nossos.

Ter compaixão e empatia é diferente de fazer aliança com pessoas que jamais poderão contribuir na construção do que sonhamos viver. Servir aos outros com nosso tempo e habilidades é um gesto altruísta e recomendado. Mas, muito diferente disso é permitir que pessoas com quem não temos afinidade continuem acessando nossa vida. Perseguir nossa identidade inclui ter coragem de descartar o que precisa ser descartado. Ter ousadia de finalizar o que já acabou, e que portanto, não tem como ser mantido.

Mudar hábitos não é simples e nem rápido, mas não é negociável quando se trata de nosso futuro. Só nós podemos fazer escolhas deste tipo, não podemos terceirizá-las, nem achar que o tempo se encarrega de corrigir o que quer que seja. Se quisermos influenciar nossa geração com o que fazemos, temos que estar em boa companhia, cercados de pessoas que tivemos coragem de escolher para estar ao nosso lado. Qualquer cenário diferente deste, no qual assumimos o protagonismo, pode sepultar nosso destino e comprometer nossa trajetória.

Somente o ordinário pode ser extraordinário!

Quando abraçamos o ordinário, podemos transformá-lo em extraordinário.

Precisamos do ordinário para que o extraordinário seja gerado. Porque, sem o habitual, o inimaginável não existe. São os parâmetros definidos a partir do que é comum, que reconhecem o incomum. Já que, um não existe sem o outro. São as pessoas e circunstâncias triviais que transformam-se em excepcionais.

“O homem criativo não é um homem comum ao qual se acrescentou algo. Criativo é o homem comum do qual nada se tirou.” Abraham Maslow

“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.” Abraham Lincoln

Coincidentemente tanto Abraham Lincoln como Abraham Maslow escreveram sobre este tema. No entanto, mais importante do que registrar um conceito é aplicá-lo, e ambos o fizeram. Suas trajetórias brilhantes e sua contribuição para a humanidade foi possível graças a este entendimento. Eles foram pessoas admiráveis.

Perseguindo o extraordinário

Todo ser humano tem potencial de extrair do cotidiano algo incomum. Pois, fomos criados com capacidade de superação. Portanto, são os desafios que treinam nossa musculatura, para que sejamos capazes de enxergar o invisível. Aquilo que outros não viram ou exploraram pode nos transformar em pessoas fabulosas.

Nascemos para perseguir o “diferente”, porque somos únicos. Nossa identidade singular é o que garante ser possível viver trajetórias inéditas. No entanto, a análise do que é ou não incrível, jamais pode ser feita sem considerar o todo. Isto é, um sobrevivente de uma guerra é tão ou mais fenomenal do que o ganhador do Oscar. Cada um em sua esfera de ação é vencedor.

Erramos quando nos comparamos com os demais e suas conquistas. Cada ser humano é um universo. Somos complexos e únicos, portanto seria incoerente imaginar que temos meios de medir nossas conquistas ao nos compararmos com quem quer que seja. Não temos rivais quando entendemos quem somos, lidando honestamente com nossos limites, buscando superá-los.

Transformando o ordinário

Por isso, saber ler e escrever pode ser uma grande conquista para alguém oriundo de uma condição social menos privilegiada. Ao passo que possuir diploma universitário pode não significar tanto, para alguém que poderia ter explorado melhor suas oportunidades. O magnífico é medido a partir do ponto de partida de cada um. Seria um erro analisar apenas a classificação da chegada, ignorando as condições da largada.

“Meu pai ensinou-me a trabalhar; porém não me ensinou a amar o trabalho. O homem que trabalha somente pelo que recebe, não merece ser pago pelo que faz.” Abraham Lincoln

Amar quem somos e o que fazemos é uma das chaves que nos conduz a descobertas grandiosas. Somos brilhantes quando, a partir do ordinário, concebemos o sensacional. As biografias que extraem lágrimas de nossos olhos são as que narram histórias de superação. Elas foram escritas por pessoas que não se deixaram vencer pela dor ou dificuldade.

Ainda que muitos não vejam ou reconheçam, temos a chance diária de viver de forma inusitada. Apenas quando somos quem fomos criados para ser, influenciamos quem nos rodeia. Não precisamos de atos heroicos ou extravagantes. No entanto, necessitamos de coragem para nos vestir de nós mesmos. Desprovidos de máscaras ou fantasias, devemos lutar pelo que acreditamos.

Ousando ser livre

Igualmente importante, é aniquilar o medo. Pois ele nos rouba a liberdade necessária, para que nossos sonhos se concretizem. O olhar julgador do outro pode nos paralisar, se autorizarmos que sua opinião nos limite. Nenhum ser humano nos conhece de fato. Portanto, nenhuma voz pode ditar quem somos, a não ser que permitamos.

Ao decidir protagonizar nossa história, assumimos o comando e os resultados serão esplêndidos. Temos que fazer da liberdade nossa pátria, reivindicando-a em cada novo desafio. Nenhuma dificuldade é grande demais para os que entendem que nasceram com um propósito. Deus em sua sabedoria nos criou com um DNA singular, e assim também deve ser nossa trajetória. O Brasil e o mundo precisam de pessoas corajosas.

“Onde mora a liberdade, ali está a minha pátria.” Benjamin Franklin

O ordinário é a matéria-prima de onde todos nós partimos. O usual em nossas mãos pode ser surpreendente, pelo simples fato de ter sido dito, feito, escrito, cantado ou desenhado por nós. O banal pode ser fenomenal se nossa impressão digital estiver nele. Nascemos para deixar nossa marca por onde andamos.

Não sabemos se o que fazemos influenciará uma pessoa apenas ou uma multidão, e isto é o que menos importa. Mas, não podemos passar despercebidos. Nossa existência precisa cumprir um propósito. Com a ajuda do Criador, encontramos sentido para nossos dias e nenhum deles jamais será ordinário. Cada um deles nos conduzirá e contribuirá para que nossa jornada seja extraordinária.