Pare de começar e comece a terminar.

Iniciar algo novo é maravilhoso, mas nem sempre é tão necessário e oportuno como concluir algo inacabado.

Em alguma medida, a procrastinação é um desafio a ser superado na vida da maioria de nós. Especialmente em um tempo em que fomos direcionados a um confinamento para vencer uma crise sanitária. É espantoso constatar que, independente da cultura ou posição geográfica, os efeitos foram muito semelhantes. Ou seja, pessoas confinadas reagiram de forma parecida nos diversos pontos da terra. Conflitos familiares se agravaram, assim como desafios financeiros abalaram frágeis estruturas que precisavam só de um empurrãozinho para ruírem.

Sem dúvida, a pandemia desencadeou um efeito cascata e denunciou a fragilidade da estrutura humana. Independentemente do lugar do planeta em que habitamos, a crise extrai de nós reações similares. Inegavelmente, somos frágeis e nossa vida passa como um vapor. Um inimigo invisível ameaçou a segurança de todos e espalhou pânico e muita polarização em cima das soluções. Contudo, alguns heróis fizeram diferença, apresentando estratégias equilibradas e transparentes que diminuíram o impacto e as consequências catastróficas da crise global.

Muitos lidaram com o desafio de se reinventar e os mais antenados e criativos vislumbraram oportunidade onde outros enxergaram apenas ameaças. Não se trata, no entanto, de avaliar a circunstância como quem pretende tirar vantagem ilícita dela, e sim de observar o cenário sob uma nova perspectiva. Os que se comportaram de forma interesseira e inescrupulosa, só provaram que não reconhecem no outro uma extensão de si mesmo. Defraudar um semelhante, pensando apenas em algum tipo de enriquecimento ou promoção pessoal, nos esvazia da característica que nos une – a empatia.

Recomeçar exige um fechamento

Recomeçar nunca é fácil, porque exige perseverança e otimismo. Contudo, este momento encurralou-nos no que para alguns parecia ser um beco sem saída, quando perceberam que era possível abrir uma passagem, onde antes nada havia. Esta capacidade de aquietar a ansiedade, analisando o quadro com clareza e redesenhando a estratégia é o que podemos e sabemos fazer. Ou seja, o ser humano desconhece a capacidade de superação que possui, até que seja forçado a utilizá-la. Temos que terminar o que começamos. Isto é, não podemos desistir de viver. A vida é mais do que as perdas momentâneas e tem mais valor do que as adequações que a estação exige.

Além disso, nada começa do zero, pois acumulamos experiências em tudo que vivemos. Porque, quando perdemos bens, emprego e até mesmo um ente querido, acumulamos aprendizado e isso ninguém nos rouba. A necessidade de finalizar completamente uma etapa é pré-requisito para o que o futuro nos reserva. O luto é parte do processo em qualquer esfera e devemos respeitar a velocidade de cada de absorver o impacto das mudanças. Por isso, nem sempre o externo representa o fim. Pois, aparentemente podemos estar lutando honestamente para implementar inovações, mas elas precisam acontecer de dentro para fora. Isto é, precisamos finalizar para poder reiniciar.

“A alegria não está nas coisas, está em nós.” Johann Goethe

Tendo coragem de mudar

Começar algo novo pode ser sensato, mas mais sensato é concluir o que está inacabado. Nem sempre a solução está vinculada a um giro de cento e oitenta graus, talvez girar noventa graus é o recomendado. Temos que avaliar o que sobrou e o que pode e deve ser aproveitado. Ninguém sai ileso ou igual de uma crise, seja ela de que ordem for. Quanto mais abalados forem os alicerces, tanto maior será a adequação necessária. Quando aquilo em que nos apoiamos não é sólido, todo resto sofre dano. No entanto, é importante avaliar sobriamente o tamanho do giro necessário. Pois, a diferença entre o remédio e o veneno é a dose.

Portanto, sem temer mudar, arriscando na medida correta, não devemos nos deixar influenciar por desespero ou desesperança. Na prática, correr riscos é o maior investimento que fazemos em nós mesmos. Ou seja, adquire-se muito conhecimento em cada adequação imposta ou escolhida e nenhuma transformação é desprovida de risco. Quem teme o risco fica estagnado e ignora parte da beleza da vida. Porque, por mais desafiador que seja nosso contexto financeiro, familiar, profissional ou pessoal, é nossa obrigação seguir em frente com os recursos que restaram.

Tomar decisões no momento em que a fervura está no ponto alto de ebulição não é recomendado. Precisamos esperar a temperatura baixar e avaliar com coerência o que temos que reconstruir e o que deve ser desprezado. A triagem correta de algumas emoções, assim como a ousadia de arriscar estão muito vinculadas. Pois, ao classificarmos corretamente nossos sentimentos e sua origem, desbravamos com mais facilidade e otimismo o desconhecido. Equilíbrio é o que devemos perseguir, porque o golpe foi dado exatamente naquilo em que nos apoiávamos. Reconstruir sobre um alicerce frágil nos fará repetir a experiência e pode ser devastador.

“A vida se encolhe ou se expande em proporção à sua coragem.” Anais Nin

Outros já fizeram

A história da humanidade é repleta de momentos em que nações inteiras tiveram que se reerguer das cinzas. Ninguém que promova conscientemente tamanha devastação está em seu juízo perfeito. É legítimo e lícito trabalhar e buscar implementar condições favoráveis para uma vida saudável e estável. Mas, em alguma medida, todos já descobrimos que a vida não é um conto de fadas com final feliz de histórias infantis. Pois, narrativas previsíveis e controladas são monótonas e desinteressantes e a vida real é bem mais do que isso.

Além disso, cenários estáticos e previsíveis só são criados para alimentar mentes imaturas que escolheram ou esqueceram de crescer. Outros antes de nós já se reinventaram e talvez tenham partido de pontos bem menos privilegiados do que o nosso. Portanto, temos que acreditar que existe um potencial ainda não explorado dentro de nós. O ser humano não nasceu para viver fora de uma comunidade. Somos seres relacionais e o outro nos inspira e pode ser o braço que se estende no momento difícil. Cada um escolhe ser ou não a resposta na vida de alguém.

Outro fato importante é jamais esquecer que existe um Criador governando toda e qualquer circunstância. Deus não desistiu da humanidade e Ele continua tendo a solução para cada um de nossos conflitos. No entanto, Ele aguarda que permitamos que Ele faça, ao voltarmos espontaneamente nossos olhos em Sua direção. Não foi Ele quem estabeleceu o caos em que estamos envolvidos e nunca foi Seu desejo que experimentássemos qualquer tipo de dor ou distanciamento dEle. No entanto, o primeiro homem criado escolheu a independência e a desobediência e, se formos honestos, não teremos dificuldade em admitir que repetimos esta escolha ao longo da vida muitas e muitas vezes.

“Deixe as suas esperanças e não as suas dores moldarem teu futuro.” Robert H. Schiller

Pare e pense

Parar não é sinal de estagnação é antes um momento que antecede uma ação. Parar diante de um sinal de trânsito é uma medida de proteção e prevenção. Muitos acidentes poderiam ter sido evitados se essa simples regra fosse obedecida. A vida exige paradas, tanto para os descansos requeridos pelo corpo, quanto para o início de um novo empreendimento. As pequenas decisões da vida, quando planejadas, são bem sucedidas. Aquelas que não são antecedidas por um período de avaliação nem sempre prosperam.

A parada obrigatória neste momento foi imposta e deveria representar uma oportunidade de reavaliação. Portanto, quanto maior for nossa capacidade de lidar com o momento de crise, tanto melhor sairemos dele. Por isso, nenhuma ansiedade ou pessimismo, assim como doses de medo e insegurança contribuem, devendo ser imediatamente descartadas. Não produzimos e nem extraímos o melhor de nós debaixo destes algozes. Temos que buscar o ponto de equilíbrio e a ajuda necessária para que nossa sanidade retorne a níveis normais.

Deus continua sendo Deus

Deus continua sendo Deus e quando tentamos fazer o que só Ele pode fazer, extrapolamos nossa esfera de ação. Existe uma parte que é nossa e essa parte Deus não faz. Ter fé não é assumir posição passiva e fatalista em relação ao que nos acontece. Cada um de nós recebeu capacidades que precisam ser exploradas e treinadas. Ninguém nasce sabendo, tudo o que hoje sabemos foi aprendido. Pois, falar, andar, escrever, ler e qualquer outra tarefa que desempenhamos foi aprendida. Tudo que temos condições de administrar e gerar continua sendo responsabilidade nossa. A de Deus começa onde a nossa responsabilidade e capacidade termina.

Tanto a pessoa que acredita que pode e deve fazer tudo sozinha está errada; quanto aquela que atribui culpa a Deus por tudo que de ruim lhe acontece. Os dois extremos denunciam falta de compreensão de qual é o papel de Deus em nossa vida. Ou, melhor dizendo, qual papel permitimos que Ele ocupe em nossa vida. Ele não é um Deus distante na vida daqueles que decidiram ter uma aliança pessoal com Ele. Não se trata de ir à igreja ou de ter uma religião. Trata-se de entender que temos uma origem espiritual e que nosso Criador deseja relacionar-se conosco. Para os que optam por ignorar esta realidade, preferindo excluir Deus da equação, ou criam para si outros deuses ou perdem-se em uma rotina sem sentido.

Tudo aqui um dia acabará, a crise atual demonstrou como rapidamente podemos ter nossas circunstâncias modificadas. Infelizmente muitas vidas foram ceifadas precocemente. Muitos haviam feito planos bem estruturados para um futuro que não chegaram viver. A realidade é que todos nós só temos o presente e temos que vivê-lo da forma mais sábia possível. A sabedoria para viver o hoje está em estabelecer o fundamento de nossas escolhas e estratégias sob um alicerce imutável e eterno. Só existe uma forma de fazer isso, que é reconhecendo que não nascemos para viver apenas esta vida e que quando tudo aqui acaba, há continuidade.

Menos armadura, mais aprendizado.

Usar armadura no momento certo nos protege. Mantê-la por muito tempo pode nos prejudicar e roubar nossa liberdade.

Usar uma armadura nem sempre é negativo. Inegavelmente em caso de uma guerra ou de algum ataque inesperado, possuir uma armadura e estar vestindo-a nos protege. No entanto, existem armaduras que pretensamente utilizamos e que nos isolam. Nem sempre elas são perceptíveis. Já que podem bem ter sido tecidas ao longo dos anos por circunstâncias diversas. Certamente o ser humano tem um instinto de preservação muito aprimorado. Pois, ao menor sinal de perigo temos a tendência de nos proteger e reagir.

No corpo humano temos um sistema imunológico que detecta e reage ao que considera ameaça. No entanto, assim como na vida, quando nosso sistema imunológico está enfermo, acaba confundindo o inimigo. Ou seja, destrói o que nem sempre precisa ser eliminado. Podendo assim, atacar a si próprio, gerando o que conhecemos como doenças autoimunes. Dentre elas temos a diabetes, lúpus, esclerose múltipla, para citar as mais comuns. O estrago causado por estes ataques é gigantesco, assim como pode ser o uso de uma armadura desnecessária.

As dores e traumas que vivemos tendem a contribuir para o surgimento de uma armadura. Inicialmente ela parece ser benéfica e até imprescindível. Mas, precisamos revisitar sua importância, porque nem sempre o problema permanece. Pois, por vezes, temos a sensação de que ela se faz necessária quando, efetivamente, o risco já desapareceu. Carregar uma armadura pesa e nos separa do que pode nos libertar. Ela bloqueia o acesso do que talvez nos cure, como também promove ataques desnecessários.

Removendo a armadura

Livrar-se da armadura desnecessária é um ato da vontade, já que ninguém pode fazer isso por nós. Nos armamos porque imaginamos que o perigo existe, ou que o ataque é iminente. O descarte de conceitos errados e de premissas mal fundamentadas exigirá humildade. Pode parecer que a coragem seja o ingrediente imprescindível. No entanto, o corajoso é humilde em sua essência. Pois, um ato de coragem exige exposição e, em geral, admite o erro como consequência do risco. Ou seja, se abrir para algo novo que nos faça refletir é um ato corajoso e humilde.

O aprendizado que a vida propõe envolve risco. Seja o risco de perder alguma batalha ou de estar equivocado. A vulnerabilidade é um componente que acompanha a valentia de quem não teme o progresso. Uma cultura fechada em seus conceitos jamais será uma cultura adequada. Uma vez que o progresso acontece diariamente, oferecendo-nos novas perspectivas para um mesmo tema. Isto não significa, no entanto, negociar valores. E sim, avaliá-los constantemente à luz de um contraponto. Esta análise honesta, servirá para fortalecer os conceitos sólidos e descartar os que são temporários.

Por exemplo, existem medos e inseguranças próprias da infância. São tolerados e admitidos com certa naturalidade nesta fase. Contudo, quando invadem a fase adulta e se perpetuam pelas gerações sem ser questionados, são nocivos. Denunciam uma apatia e um conformismo que mais nos escraviza do que protege. Algumas armaduras são manufaturadas com este tipo de material. Tendem, portanto, a agregar prisões no que nasceu para ser livre.

“Repartir a verdade com quem não busca genuinamente a verdade é fornecer múltiplas razões para interpretações erradas a respeito dela.” George Macdonald

Conhecendo a verdade

A verdade como conceito absoluto existe. Embora o tema seja controverso e com muitos aspectos que devem ser considerados. Se ela não existisse não teríamos um padrão ético e moral que regesse a civilização. Não seria lógico permitir que pessoas façam o que consideram certo e errado, sem um padrão moral regendo e punindo as contravenções. Onde não há ordem a anarquia se instala. Por anarquia entendemos todo e qualquer estado de coisas que não preserve minimamente os direitos básicos do cidadão. A vida em sociedade exige regulamentações e políticas que preservem estes direitos.

Obviamente os tipos de governo e cultura implementam o que consideram correto. Algumas vezes de forma mais arbitrária, outras vezes mais democrática. Mas, inegavelmente, os povos são regidos por um código de conduta. Quando nossa fonte de moral não é a mesma, poderemos divergir, sem ultrapassar os limites da decência e do respeito. Ou seja, os que admitem a existência de um Deus, agem ou pelo menos deveriam agir, de acordo com os conceitos por ele estabelecidos. Os que se classificam como ateus, embora não admitam, possuem seu próprio conjunto de regras e padrão moral que seguem. 

Por isso, tanto os que admitem um Ser como sendo fonte de moral, como os que recusam-se a vincular-se com esta ideia, todos possuem uma lista de princípios que os rege. O criador da bomba atômica, no final de sua vida admitiu que achava que a bomba inventada por ele, era a força mais poderosa da terra. Contudo, descobriu que o conhecimento da verdade tinha mais poder do que ela. Quando admitimos a existência de uma verdade absoluta, seremos tolos se não perseguirmos conhecê-la de maneira incessante. Isso, certamente, envolverá disposição de lidar com as mentiras e armaduras que carregamos.

“A verdade é muito poderosa, mas vive cercada de guardiões da mentira.” Winston Churchill 

A brevidade da vida.

Nossa vida é breve, por isso, é nossa tarefa conferir-lhe significado. Analisá-la sob a perspectiva da eternidade acrescenta-lhe valor. Já que é imprescindível que façamos bom uso dos poucos anos que temos, transformando-nos em quem nascemos para ser.

Meditar na brevidade da vida e achar sentido para nossa existência não é tarefa fácil. Certamente já vivemos estações em que nos fizemos esta pergunta. Já que, buscar significado e fazer escolhas que nos aproximem de nossos sonhos é no mínimo apropriado, para não dizer decisivo. Nossa mente é limitada para compreender a brevidade de nossos dias, quando analisada a partir de uma perspectiva eterna. Pois, fomos criados por um Deus imenso, eterno, que desenhou o universo e nos inseriu num contexto gigantesco. 

No entanto, a eternidade foi depositada no coração humano, em formato de semente. Esta partícula invisível de nosso ser, assim como cada um de nossos órgãos internos e externos, possui função específica. É dela a tarefa de conferir dimensão correta ao que vivemos. Pois, o grito, por vezes silenciado, que anela respostas, tem sua origem neste lugar. É exatamente lá, no âmago de nosso ser, que os questionamentos e as inquietações nascem. A verdade que revela o que está por trás de nossa breve passagem por esta vida, não é encontrada, a não ser que incluamos o Criador de todas as coisas, nesta equação.

“Ele fez tudo apropriado a seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim este não consegue compreender inteiramente o que Deus fez.” Eclesiastes 3:11

“Quando considero a brevidade da existência dentro do pequeno parêntese do tempo e reflito sobre tudo o que está além de mim e depois de mim, enxergo minha pequenez. Quando considero que um dia tombarei no silêncio de um túmulo, tragado pela vastidão da existência, compreendo minhas extensas limitações e, ao deparar com elas, deixo de ser deus e liberto-me para ser apenas um ser humano. Saio da condição de centro do universo para ser apenas um andante nas trajetórias que desconheço.”  Augusto Cury

Olhando de cima para baixo

Tudo que observamos de cima, nos oferece melhor perspectiva. A visão do passageiro do avião, que observa a cidade e seus habitantes diminuírem à sua vista, enquanto a aeronave decola, certamente difere da que tem o motorista preso no congestionamento. Os carros, casas, prédios, cidades e oceanos vistos de cima assumem proporção diferente da que possuem quando analisados de perto. Por isso, é importante colocar as circunstâncias em perspectiva correta, quando se pretende atribuir valor a cada uma delas.

Pois, perder tempo e gastar energia com situações menores drena nossa capacidade de sonhar e de encontrar respostas. Ao passo que o estabelecimento correto de prioridades está intimamente ligado ao que consideramos importante. Por isso, a desculpa de que não temos tempo para determinada atividade ou interação, nada mais é do que uma declaração de que tal coisa não é importante. Porque comumente priorizamos o que valorizamos. Inegavelmente, somos os únicos responsáveis pela maneira como escolhemos gastar nossos dias.

Portanto, deveríamos perseguir com afinco e determinação o verdadeiro sentido de nossa existência. Certamente essa descoberta é gradativa e não limita-se à análise de apenas uma faceta de quem somos. Muito além dos aspectos práticos e legítimos de se buscar ascensão profissional, da constituição de uma família, encontra-se o encaixe de nossa vida dentro de um universo infinito. É sabido que a experiência dos astronautas, cujos pés tocaram a superfície da lua, em relação à terra, foi assombrosa. Eles tiveram a oportunidade única, de observar a pequena bola em que habitamos, flutuando no universo infinito.

“Digo-vos que não sabeis o que acontecerá amanhã. Porque, que é a vossa vida? É um vapor que aparece por um pouco, e depois se desvanece.” Tiago 4:14

O homem e a eternidade

Porque na terra nossa existência é finita, temos a tendência de analisar tudo com um olhar limitado. A eternidade ultrapassa essa ordem de coisas e foi estrategicamente desenhada por um Deus que não conhece princípio de dias e nem fim de existência. Fomos criados à Sua imagem e semelhança, por isso, também somos eternos. Os setenta ou cem anos de existência que nos foram concedidos nesta terra, quando colocados sob esta perspectiva, não admitem vaidades de qualquer espécie. No entanto, lutar contra esta tendência, talvez seja nosso maior desafio.

As escolhas que fazemos, nos transformam em quem somos. Não existe ninguém responsável pelos rumos de nossa vida a não ser nós mesmos. Certamente alguns são mais afortunados do que outros no que se refere às oportunidades. No entanto, não são as oportunidades que definem quem somos, e sim como lidamos com elas. Nenhum desafio, por maior que seja, tem poder de nos destruir se não permitirmos. Assim como, nenhuma conjuntura é suficientemente poderosa para catapultar nosso futuro, se não ousarmos. 

Em última análise, a quantidade de vaidade que abrigamos, é diretamente proporcional à maneira como nos percebemos. Vaidade não é o mesmo que autoestima, enquanto uma corrompe o verdadeiro sentido das coisas, a outra é imprescindível para a compreensão correta de quem somos. Os vaidosos são os que pensam de si mesmos além do que convém, e não atentam para a brevidade de seus dias. Contudo, os que possuem autoestima, são os que entendem seu valor e papel e comportam-se como pessoas finitas, que nasceram para ser eternas.

O homem é semelhante à vaidade; os seus dias são como a sombra que passa.” Salmos 144:4

A vida frágil na perspectiva eterna

A fragilidade da vida é comprovada e inquestionável. Uma enfermidade pode colocar em risco muitos de nossos planos. De maneira idêntica, um acidente pode abreviar a vida de forma brutal e prematura. São muitas as circunstâncias que nos afetam e que confirmam que somos como um vapor. Somos pó e voltamos para o pó. No entanto, nestes vasos de barro, que se percebem finitos e limitados, existe um espírito eterno. Os que equilibram essas duas verdades e transitam pelos anos de sua existência com perspectiva eterna, são os que extraem da vida sua essência.

Inegavelmente somos mais do que a comida que comemos, do que a roupa que vestimos ou do que a casa e o carro que possuímos. O alicerce que sustenta o valor de nossa vida, e que dá sentido à nossa existência precisa ser sólido. A solidez que perseguimos está no Ser eterno que nos criou. Nada fora dEle explica ou traduz, de forma eficaz e verdadeira, quem somos e para o que existimos. Portanto, passar por esta vida sem experimentar um relacionamento de intimidade com quem nos modelou, é o maior de todos os desperdícios. No entanto, viver cada segundo de nossa existência, discernindo que tudo não passa de um grande treinamento, acrescenta significado e valor ao que fazemos e somos.

Sendo eternos, ansiamos pela eternidade e temos saudades do que nunca vimos. Portanto, o verdadeiro sentido de nossa existência não se esgota nesta vida. Pois, sem a perspectiva da eternidade a brevidade da vida nos aprisiona, sufoca e confunde. Temos que esperar mais da vida do que aquilo que vivemos e experimentamos nesta ordem de coisas. Já que, o importante é invisível aos olhos. Portanto, por mais contraditório que possa parecer, a consciência de nossa fragilidade deve ser posta em perspectiva eterna. Porque, tratam-se de verdades interdependentes e complementares. Portanto, esse é o principal motivo pelo qual ambas precisam compor nossa visão da vida.

“Se você nunca parou para ver uma vela queimar-se até extinguir-se sua luz, nunca entendeu o sentido da vida.” Argeu Ribeiro

Minha Nudez. Quem disse que eu estava nu?

Nossa nudez de consciência determina nossa capacidade de acessar Deus. Ela nos devolve o lugar de filhos.

Nossa nudez é comumente associada com intimidade. Estar nu diante de estranhos e desconhecidos é no mínimo constrangedor, para não dizer inadequado na maioria dos casos.

Certamente existem exposições que não conseguimos evitar, como quando vamos a uma consulta médica por exemplo. Mas, de uma forma geral, nosso corpo nu não é exposto diante de grandes audiências, sem constrangimento.

Mesmo aqueles que não creem em Deus, estão familiarizados com a passagem de gênesis onde Deus encontra-se com Adão e Eva. Ambos estão escondidos, pois descobriram que estavam nus. A nudez era pré-existente, mas a descoberta por parte deles os levou a esconder-se.

Por que Deus não vestiu o homem?

O fato de Deus ter criado o ser humano, e não ter vestido o homem, demonstra Seu interesse em relacionar-se com ele de forma íntima e pessoal. Ele criou os demais seres, animais, plantas e todo o universo, com perfeição absoluta. Por isso, não seria coerente presumir que Ele havia esquecido de vestir o homem.

A nudez do homem era um convite à intimidade. Uma intimidade que foi bruscamente interrompida pelo pecado. A nudez da consciência nasceu no momento em que o homem desobedeceu. É esta nudez que estamos até hoje tentando cobrir.

O que nossa nudez denuncia?

A fragilidade da natureza humana, separada do Criador, é denunciada desde o princípio. Não era apenas o corpo que estava nu, a alma e o Espírito também estavam. Deus transitava no jardim com liberdade. Não havia barreiras dentro ou fora do homem que O limitassem.

Sempre que nos deparamos com essa nudez, temos a tendência de nos esconder. Ainda que esconder-se de Deus não seja possível, usualmente mascaramos nossa nudez. Assim como Adão e Eva cobriram-se de folhas, atualmente buscamos algum tipo de cobertura que nos dê segurança e conforto.

No entanto, à semelhança de Adão, não somos capazes de cobrir nossa nudez com folhas, já que ela não é apenas externa. Se fosse externa, a sensação de vazio e distanciamento não nos perseguiria. A vergonha sempre acompanha a nudez indesejada. Foi assim com Adão, continua sendo assim em nossos dias.

A nudez da consciência

Nascemos com a necessidade de acessar nosso Criador de forma livre e completa. Jesus foi o homem que resgatou essa possibilidade. Quando O reconhecemos como a provisão de Deus para cobrir nossa nudez, acessamos Sua presença novamente.

Jesus não veio apenas cobrir nossa nudez, Ele também nos devolve a capacidade de estar nu diante do Pai, livres de constrangimento. Resgatar a capacidade de estar nu diante do Criador é o que nos devolve nossa identidade de filhos.

O acúmulo de inadequação, vergonha, baixa autoestima e outros lixos que assolam nossa consciência, têm sua origem no distanciamento original. Qualquer tentativa de conserto, que não nos remeta a origem será frustrada.

“Preocupe-se mais com a sua consciência do que com sua reputação. Porque sua consciência é o que você é, e a sua reputação é o que os outros pensam de você. E o que os outros pensam, é problema deles.”   John Wooden

“Não pode haver couraça mais potente, do que um coração limpo; está três vezes armado quem defende a causa justa; ao passo que está nu, ainda que de aço revestido, o individuo de consciência manchada por ciúmes e injustiças.”   William Shakespeare

Aprender a contar os dias, exige sabedoria. Os tolos andam em círculos.

Quanto mais sábios formos ao viver nossos dias, tanto menos arrependimento teremos de tê-los desperdiçado.

Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.”

Sl. 90.12

Os que desejam extrair o máximo de seus dias, não são necessariamente os que os preenchem com atividades intermináveis. A sabedoria associada à administração correta de nosso tempo, é adquirida.

Adquirimos esta sabedoria quando acessamos a fonte de nossa existência, que é o próprio Deus. NEle reside todo conselho e toda orientação que necessitamos para não desperdiçar nossos dias.

A vida é o conjunto de frações de tempo que somos chamados à administrar. A simples organização coerente deste tempo não é suficiente. Temos que equilibrar nossas energias e focá-las naquilo que agrega significado aos nossos dias.

Adequando nossos dias às estações

Fazer a coisa certa no tempo errado, não é sábio. Por vezes, as atividades com as quais nos envolvemos são legítimas. Porém, elas precisam ser exercidas em outra estação. Temos que ter coragem de avaliar nossas motivações e nos adaptar às estações.

Alguns lamentam o tempo desperdiçado na juventude, ou quem sabe na infância. Em geral nos damos conta de que focamos nas coisas erradas depois que elas passam ou acabam.

Nossa vida tem estações, e todas elas acabam. Cada nova mudança de estação exige adequação. Assim como no natural, as novas estações trazem consigo necessidade de ajuste.

Assim como é inadequado usar um casaco de lã em pleno verão, é igualmente inadequado não discernir as estações que vivemos. Temos que ter olhos para ver o que elas trazem de melhor e pior, e nos adaptar a cada uma delas.

É proibido estacionar nas estações. Isso não seria sábio. Por mais que desejássemos que algumas delas fossem intermináveis, e outras passassem depressa, elas possuem uma velocidade peculiar.

Os dias e o tempo de cada coisa

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.”

Eclesiastes 3.1-8

O verdadeiro valor de nossos dias

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”   

Maria Julia Paes de Silva

Somos capazes de conferir intensidade a cada atividade que desenvolvemos. Isso, por si só, conferirá significado ao que estamos vivendo. Preste atenção a quem está a sua volta e às oportunidades que este momento propicia.

A quantidade de horas de nosso dia é igual para todos. Sábios são aqueles que atribuem valor a cada hora de seu dia, a cada dia de sua semana, aos meses e anos de sua existência.

Não desperdice seu tempo. Peça a Deus que lhe conceda sabedoria para contar seus dias. Só alguém que seja eterno, consegue colocar na proporção correta cada segundo de nossa existência.

O jardim onde Deus e o homem se encontravam

No jardim onde Deus e o homem se encontravam existia comunhão e trabalho. Era nisso que estava fundamentada a essência deste relacionamento.

O que será que acontecia no jardim onde Deus e o homem se encontravam?

Meu amigo Timothy Fraim (Tim) é um missionário americano a quem tive o privilégio de conhecer. Temos origens muito diferentes e contrastantes, mas quando vi o texto que publicou no facebook, pedi permissão para traduzí-lo e publicá-lo no blog.

Acredito que esta visão em relação a nossos talentos, e a descoberta de nossa identidade vinculada a eles é essencial. Não creio que possamos descobrir nosso propósito para estar nesta terra sem antes descobrirmos o que sabemos e gostamos de fazer.

A vida com propósito, que tanto almejamos, exige a descoberta de quem somos. Deixo com vocês o texto dele, que não necessita maiores introduções ou complementos:

“Na igreja, muitas vezes ouvimos líderes dizerem: ‘Não busque sua identidade naquilo que você faz’. Percebi que discordo parcialmente disso. Sim, devemos viver diante de Deus e encontrar nossa identidade primeiro em Cristo; mas a primeira coisa que Deus fez, quando criou o homem, foi  colocá-lo no jardim.

O jardim era um ambiente de trabalho onde tudo era bom. O homem estava lá e Deus estava lá. Ser feito à imagem de Deus significava trabalhar e usar a criatividade com alegria. Foi a essência da comunhão e do propósito.

Simplesmente dizer ‘não encontre sua identidade no que você faz’ deixa de fora a possibilidade de descobrir Deus no que estamos fazendo. Deixa muitos confusos sobre o que eles são chamados a fazer e o valor disso.

É esse tipo de pensamento que criou uma ideia dualista ridícula que nos leva a usar termos como ‘Sagrado e Secular’. Muitas pessoas sentem que precisam escolher entre algum serviço religioso limitado ou trabalhar fora da igreja e ‘viver no mundo’.

Logo, seu único contato com a igreja consiste em uma experiência de domingo. O termo ‘sagrado e secular’ limita o potencial que Deus colocou em nós e minimiza a busca da paixão e da excelência em nossos dons e talentos, como se eles não fossem aceitáveis ​​diante de Deus.

Quero desafiá-lo hoje, com o que tem me intrigado ultimamente: encontre seu chamado dado por Deus e encontre sua identidade nele. Deus quer encontrar você em seu trabalho, Ele quer que esses dons e talentos sejam praticados e aperfeiçoados.

Deus não nos criou para vivermos escondidos e envergonhados de nossas habilidades, Ele quer expô-las diante do mundo para a Sua glória. Ele quer que o que Ele colocou em você seja usado, não suprimido.

Se você realmente quer viver diante de Deus como Ele pretende que viva, então perceba que no jardim não havia culto da Igreja, nenhum líder de adoração e nenhum pastor – era Deus e homem trabalhando juntos com grande alegria!”

Timothy Fraim

 

“Usa a capacidade que tens. A floresta ficaria mais silenciosa se só o melhor pássaro cantasse.”  Henry Van Dyke

Encontro com Aquele que sabe fazer perguntas

As perguntas que temos seriam facilmente respondidas por Aquele que, não só conhece as respostas, como também sabe fazer perguntas.

“Ah, minha alma, prepare-se para encontrar Aquele que sabe fazer perguntas.” T. S. Eliot

O texto abaixo é um extrato do livro A Cabana, de William P. Young. É o diálogo do protagonista do livro com Deus, a respeito de liberdade. Pessoalmente gosto muito deste livro, e cada uma das verdades nele contidas são explicadas com simplicidade e profundidade.

Mack se virou, meio perplexo, sentindo que aquilo já estava indo longe demais. Enquanto refletia, olhou pela janela para um jardim de aparência selvagem.

— Você sabia que eu viria, não é? – disse finalmente, baixinho.

— Claro que sabia. – Ela estava ocupada de novo, de costas para ele.

— Então eu não estava livre para deixar de vir? Eu não tinha opção?

Papai se virou de novo para encará-lo, agora com farinha e massa nas mãos.

— Boa pergunta; até que profundidade você gostaria de ir? – Ela esperou resposta, sabendo que Mack não tinha. Em vez disso, perguntou:

— Você acredita que está livre para ir embora?

— Acho que sim. Estou?

— Claro que está! Não gosto de prisioneiros. Você está livre para sair por essa porta agora mesmo e voltar para a sua casa vazia. Mas eu sei que você é curioso demais para ir. Será que isso reduz sua liberdade de partir? Ela parou apenas brevemente e depois voltou para sua tarefa, falando com ele por cima do ombro.

— Se você quiser ir só um pouquinho mais fundo, poderíamos falar sobre a natureza da própria liberdade. Será que liberdade significa que você tem permissão para fazer o que quer? Ou poderíamos falar sobre tudo o que limita a sua liberdade.

A herança genética de sua família, seu DNA específico, seu metabolismo, as questões quânticas que acontecem num nível subatômico onde só eu sou a observadora sempre presente.

Existem as doenças de sua alma que o inibem e amarram, as influências sociais externas, os hábitos que criaram elos e caminhos sináptico no seu cérebro. E há os anúncios, as propagandas e os paradigmas. Diante dessa confluência de inibidores multifacetados – ela suspirou: – o que é de fato a liberdade?

Mack ficou ali parado, sem saber o que dizer.

— Só eu posso libertá-lo, Mackenzie, mas a liberdade jamais pode ser forçada.

— Não entendo. Não estou entendendo o que você acaba de dizer.

Ela se virou e sorriu.

— Eu sei. Não falei para que você entendesse agora. Falei para mais tarde. No ponto em que estamos, você ainda não compreende que a liberdade é um processo de crescimento.

Diz-se das pessoas inteligentes, que comprovam sua inteligência, não pelas respostas que dão, mas pelas perguntas que fazem. Aproxime-se hoje dAquele que não somente sabe fazer perguntas, mas também tem as respostas.

“A arte de interrogar não é tão fácil como se pensa. É mais uma arte de mestres do que de discípulos; é preciso ter aprendido muitas coisas para saber perguntar o que não se sabe.” Jean-Jacques Rousseau

A história visível e invisível de cada um

A realidade invisível é sempre a mais importante. Ela nos define de fato. O essencial é invisível aos olhos.

Existem sempre duas histórias em uma pessoa: a visível e a invisível, apenas um par de olhos é capaz de enxergar as duas.” Sara Hagerty

Todos temos essas duas nuances operando simultaneamente em nós. A história que permitimos que outros vejam, é aquela que consta em nosso instagram, facebook e twitter. Em geral ela realça e relata sucessos, sorrisos, nosso melhor ângulo, férias e tudo que fazemos que nos dá prazer.

Nada de errado em celebrar e externar esses momentos. Eles são legítimos e necessários. Quiçá todos tivéssemos tantos amigos leais e fiéis, quanto aqueles que nos adicionam ou a quem adicionamos nas redes sociais.

A vida moderna

A realidade porém, sabemos, não é a das mídias sociais. Embora elas também relatem as tragédias da vida, em sua maioria, o que permitimos que outros acessem e vejam não é o objeto de nossa dor e descontentamento.

Nunca se ouviu falar tanto de pessoas sofrendo com problemas psicológicos como em nossos dias. Crianças que desde muito novas apresentam distorções importantes de sua personalidade e comportamento.

Os consultórios de profissionais da área de psicologia e psiquiatria nunca estiveram tão cheios. Não me entendam mal, graças a Deus por pessoas que se dedicam a estudar a mente e as emoções humanas, mas mesmo essas pessoas não conhecem nenhuma fórmula mágica para aliviar a dor interna que a imensa maioria carrega.

Nossa essência é espiritual

Somos seres espirituais, temos uma alma e habitamos em um corpo. A ordem sempre foi essa. Quando invertemos os fatores desta equação e tentamos ajustar nossa vida de fora pra dentro, achando que um carro ou casa nova nos farão mais felizes, nos frustramos.

Os bens materiais e todo conforto que possamos adquirir, por mais importantes e necessários que sejam, não têm poder de nos transformar. Nossas histórias são escritas de dentro pra fora.

A abundância ou falta de algum objeto ou qualificação em nosso currículo não amenizam o desconforto e sentimento de inadequação invisível que carregamos em medidas variadas. Carecemos de referências reais que nos conduzam para um lugar de quietude interior.

A dor da solidão

“Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente.” Shakespeare

“Nada nos deixa tão solitários quanto nossos segredos.” Paul Tournier

Existe um lugar seguro, que foi preparado de antemão para cada um de nós. Quem preparou esse lugar nos conhece melhor do que nós mesmos. Quando Ele sonhou conosco, sabia antecipadamente que não conseguiríamos sozinhos.

Nosso Deus é o único capaz de desvendar os segredos que guardamos trancados a sete chaves em nosso interior. Ele não somente conhece a resposta, como tem poder para solucionar cada um deles, e se importa. É dEle o convite:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.Mt. 11:28,29

Busque o prazer em sua fonte

A busca do prazer é legítima e deve ser perseguida, contanto que entendamos sua origem.

A palavra prazer, em geral, está associada com alguma atividade ou ato essencialmente ilícito. Nenhum conceito é mais errado e distante da realidade do que este. O prazer foi criado por Deus.

Este extrato do livro “cartas de um diabo a seu aprendiz” de C S Lewis é um dos muitos tesouros que o livro contém. O Inimigo, no texto abaixo é o próprio Deus, já que a ótica do texto é a partir dos olhos de um demônio:

Nunca se esqueça de que quando estamos lidando com qualquer forma de prazer sadio e qualquer forma de satisfação normal, de certa forma estamos pisando no terreno do Inimigo. Eu sei que nós temos alcançado muitas almas através dos prazeres; mas não nos esqueçamos que todo prazer é invenção dEle! Ele criou todos os prazeres; toda nossa pesquisa através dos séculos não foi capaz de criar uma única forma de prazer. Tudo que podemos fazer é encorajar os seres humanos a tomar os prazeres que o Inimigo criou de formas ou intensidades que Ele mesmo tenha proibido.

Toda vez que tentamos trabalhar usando condições naturais de qualquer prazer que seja no mínimo natural, o mesmo começa a exalar aquele cheiro abominável do seu Criador, como nos lembrando que pertence a Ele. Um aumento considerável no desejo pela obtenção cada vez menor do prazer relacionado é a fórmula! Isto dá mais resultado, e é portanto o melhor estilo a adotarmos. Conseguir a alma do homem dando a ele NADA em troca – é o que realmente aquece o coração de Nosso Pai Lá de Baixo. E os caminhos são o tempo para o começo do processo.” C S Lewis

O caráter de Deus

A criação revela o caráter de um Deus que ama o belo, exótico, a diversidade, o desconhecido. Ele nos convida a desbravar estes territórios, encontrando neles as respostas para os desejos que Ele mesmo colocou em nossos corações.

Não é a toa que após ter criado céus e terra Ele disse que tudo era bom e descansou:

E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto. Assim os céus, a terra e todo o seu exército foram acabados. E havendo Deus acabado no dia sétimo a obra que fizera, descansou no sétimo dia de toda a sua obra, que tinha feito.” Gn. 1.31 e 2.1-2

Somos Sua imagem

Como criaturas, feitas à sua imagem e semelhança, igualmente somos atraídos por tudo que nos dê prazer. O erro fatal nesta busca é fazermos isso separado dEle mesmo. O verdadeiro prazer não é aquele que perdura algumas horas, ou quem sabe dias, e quando se esvai nos deixa com a sensação de um vazio profundo.

Saiba que a fonte de prazer duradouro é uma só, e tudo que extraímos desta fonte é eterno, como Ele mesmo é. Não se contente com gotas de prazer temporário, cavoque até encontrar a fonte verdadeira.

Viva seus dias encontrando prazer e significado para vida nas pequenas coisas, e tenha sonhos ousados e maiores que você, sabendo que em Deus podemos alcançá-los.

 

Amar é uma escolha. Ame!

Amar nunca será opcional para aqueles que desejam descobrir o verdadeiro sentido da vida. Quando amamos ficamos parecidos com Deus.

Amar é sempre ser vulnerável. Ame qualquer coisa e certamente seu coração vai doer e talvez se partir. Se quiser ter a certeza de mantê-lo intacto, você não deve entregá-lo a ninguém, nem mesmo a um animal. Envolva-o cuidadosamente em seus hobbies e pequenos luxos, evite qualquer envolvimento, guarde-o na segurança do esquife de seu egoísmo. Mas nesse esquife – seguro, sem movimento, sem ar – ele vai mudar. Ele não vai se partir – vai tornar-se indestrutível, impenetrável, irredimível. A alternativa a uma tragédia ou pelo menos ao risco de uma tragédia é a condenação. O único lugar além do céu onde se pode estar perfeitamente a salvo de todos os riscos e perturbações do amor é o inferno.”

C S Lewis

Somos seres criados com a necessidade de receber e dar amor. A essência de Deus é amor. Quando desviamos deste caminho, assim como sabiamente conclui C S Lewis no texto acima, nos aproximamos do inferno.

Amar dói. Assim como no texto do cavalinho, que publiquei anteriormente, não nos tornamos de verdade, quando não suportamos a dor oriunda do amor. A capacidade de lidar com frustrações e perdas, está intimamente relacionada com nosso desejo de crescer em amor.

Amar envolve risco. Envolve escolha. Amar pressupõe ação, integração. Ninguém que ama vive isolado. Somos seres sociáveis. Precisamos da diferença, da diversidade. É o colorido dela que torna a vida tão especial.

Não permita que as feridas causadas pelo amor, te obriguem a estacionar em algum lugar de sua jornada. Isso estará extinguindo a única força capaz de dar significado à sua existência.

Amemo-nos uns aos outros; porque o amor é de Deus; e qualquer que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.”
1 Jo. 4:7,8