Em busca de heróis

Nossa humanidade necessita de heróis. Precisamos deles para nos inspirar, alegrar, orientar e quem sabe até para seguir. O ano de 2019 iniciou no Brasil com algumas tragédias: Brumadinho, o incêndio no ninho do urubu e recentemente o falecimento do jornalista Ricardo Boechat e do piloto Ronaldo Quatrucci.

São tragédias nacionais que repercutem e traduzem indignação, tristeza, questionamento, mobilizam e deveriam redundar em aprendizado. No entanto, o Brasil acompanha-as por algum tempo, chora e se envolve, mas tem a tendência de esquecê-las rapidamente. Em cada momento dolorido, buscando amenizar a dor, lembramos do que cada um dos que perdemos tinha de melhor, transformando-os em heróis.

De fato, cada um deles tem um pouco de herói. Porque dentro de cada ser humano existe uma essência divina. Cada vítima de Brumadinho deixará saudades entre seus familiares e amigos. Assim como, cada um dos meninos mortos deixa uma lacuna em seu círculo de relacionamento. O jornalista e o piloto falecidos ontem neste trágico acidente não são exceção.

A publicidade dos heróis

A imprensa explora cada um destes fatos com propriedade, sendo seu papel informar e promover debate sobre o que deve e pode ser feito. No entanto, é admirável o rumo que algumas notícias tomam. Neste Brasil polarizado, que num certo sentido, ignora o ser humano, a cada nova tragédia, as opiniões divergem. O antagonismo presente nestes momentos assusta.

Diante das perdas, das tragédias, não faltam aqueles que utilizam-se do momento para discutir posições partidárias. A dor é ignorada para que os culpados sejam encontrados. Mas, poucos ou uma grande minoria se envolve realmente com questões que podem mudar o rumo de alguns fatos.

Uma das cenas que viralizou na cobertura do acidente de ontem que vitimou o jornalista e o piloto, foi a de Leiliane da Silva (uma mulher anônima) que tentava retirar o motorista do caminhão de dentro da cabine, enquanto a população filmava e fotografava. Este é o retrato do mundo que vivemos. Em todas as tragédias existem aqueles que arregaçam as mangas e os que observam e fotografam.

Os verdadeiros heróis

É indiscutível e inquestionável que a voz de Boechat fará falta, porque ele foi um dos que entendeu que tinha uma voz. Ele lutou, de seu jeito, com suas convicções por aquilo em que acreditava. A mulher de fez o mesmo, usando aquele momento para dar “voz” ao que era importante. Os bombeiros e a população e voluntários em Brumadinho engrossam essas fileiras, bem como o menino que ajudou seus colegas no ninho do urubu.

Enquanto nosso heroísmo permanecer sufocado dentro de cada um de nós, o Brasil e o mundo ficará paralisado e emudecido diante das tragédias. Quando despertamos para o fato de que todos temos uma voz e precisamos usá-la, esse silêncio estarrecedor será rompido. Enganam-se os que pensam que o que nos faltam são microfones ou uma audiência. Nossa audiência nos rodeia diariamente, e nosso microfone pode ser o ouvido de alguém que está ao nosso lado.

Os verdadeiros heróis são aqueles que entendem e assumem seu papel de protagonista de sua existência. Os que não culpam os que estão a sua volta por seu fracasso, mas lutam por mudar suas circunstâncias. Cada um de nós nasceu para ser um herói diante da audiência de um único par de olhos, os olhos de Deus. Diante da perda de um ente querido, refletimos sobre a brevidade e o sentido da vida.

A vida passa muito rápido e a morte é a realidade mais dura que todos enfrentaremos. Estejamos preparados para esse dia, à medida que vivemos com intensidade e propósito. Só Deus pode consolar cada um dos familiares e amigos diante destas perdas. Minha oração é para que Ele os console e dê forças para prosseguir. Somos eternos, por isso, a dor da separação é tão grande.

Quando o pó volta ao pó

Nascemos com uma essência eterna e a continuidade da vida após a morte é uma realidade. Se não fosse uma realidade, que sentido teríamos para viver? Quando o pó volta ao pó, o que fica é o que semeamos, e é isso também que levamos conosco. Encontraremos com Aquele que nos deu vida e a Ele prestaremos conta do que fizemos com ela. Esse encontro será glorioso para muitos, mas igualmente aterrador para alguns.

“Se eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer, a explicação mais provável é que eu fui feito para um outro mundo…Se nenhum dos meus prazeres terrenos é capaz de satisfazê-lo, isso não prova que o universo é uma fraude. Provavelmente os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazê-lo, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real. Se for assim, tenho de tomar cuidado para, por um lado, jamais desprezar ou ser ingrato em relação a essas bênçãos terrenas, e, por outro jamais confundi-lo com outra coisa, da qual elas não passam de um tipo de cópia, ou eco, ou miragem.” C.S. Lewis