A Secretária Executiva e a Era Digit@l

Ser secretária executiva, assim como atuar em qualquer outra profissão, exige vocação. Não me refiro ao tipo de chamado nato ou qualquer aspecto místico que esteja por trás do termo. Pois, o que considero vocação pode bem ser adquirido, aprimorado, lapidado e aprendido. Como qualquer talento que se pretenda desenvolver, a dedicação a uma profissão específica deve ser aprimorada. Por isso, a distância que existe entre um desempenho medíocre de uma atuação brilhante é a mesma que existe entre a decisão de quem assume o protagonismo de sua vida de quem decide arrumar desculpas que justifiquem seu fracasso.

Portanto, é decisivo que assumamos nosso papel de agentes das mudanças que desejamos. Culpar quem quer que seja por nossa derrota não é inteligente e não nos leva muito longe. Estacionamos quando olhamos para o lado ou para trás. Só temos o hoje, pois o que passou não pode ser alterado e o amanhã não nos pertence. Concentrar energias no agora é viver um dia de cada vez. É exatamente esta postura que desencadeia o aprendizado. Não importa o tamanho da montanha que tenhamos que transpor, se tivermos garra para viver o hoje, chegaremos do outro lado.

“O campo da derrota não está povoado de fracassos, mas de homens que tombaram antes de vencer.” Abraham Lincoln

O início

O início de minha trajetória profissional não foi diferente. Ou seja, eu sabia o que não queria fazer, mas ignorava o que realmente deveria ou poderia fazer. Aliás, conheço poucas pessoas que aos dezessete anos sabem exatamente o que querem da vida e conseguem projetar seu futuro com exatidão. Certamente existem alguns com esta capacidade, mas, definitivamente, não era o meu caso. Conseguia eliminar, facilmente, algumas profissões do meu radar e sabia que a parte administrativa, os papéis e a organização faziam algum sentido. O que para alguns representava uma prisão ou quem sabe um castigo, era um mundo ao qual eu pertencia sem esforço.

Depois de ter feito um curso técnico em secretariado, tive minha primeira oportunidade profissional. Mesmo sabendo que teria uma longa trajetória de aprendizado me aguardando, encarei com otimismo a chance de ter meu primeiro salário. Apesar de não precisar dele para meu sustento, sempre soube que era o meio legítimo de conquistar minha independência financeira. Aparentemente, a vida não havia mudado tanto assim. Pois, as verdadeiras mudanças são graduais e incorporam-se ao nosso DNA sem que percebamos. Aos poucos percebi o quanto aquele convívio com novas responsabilidades me afetava e moldava.

“A nossa maior glória não reside no fato de nunca cairmos, mas sim em levantarmo-nos sempre depois de cada queda.” Oliver Goldsmith

O meio

Apesar de ter tido o privilégio de iniciar como efetiva, sem precisar estagiar (nada contra os estagiários), instintivamente absorvi todo ensino que estava ao meu alcance. Não desprezei oportunidades de agregar informação e conhecimento ao que já sabia da profissão. Minha primeira experiência como secretária foi em uma escola. As rotinas não eram dinâmicas e nem sempre estava motivada por algum novo desafio. Mas, durante os cinco anos em que lá trabalhei, aprendi muito. Sem dúvida alguma, foi durante este tempo que o alicerce sólido sobre o qual construí minha carreira foi edificado.

Lá se vão mais de trinta anos de jornada. Passou muito rápido! Jamais imaginava que aquele início me levaria para o lugar onde estou. Ao longo desta trajetória conheci pessoas generosas, dedicadas, inteligentes, gentis, que com empatia e profissionalismo repartiram comigo não só conhecimento, mas especialmente suas vidas. Inegavelmente, muitas destas contribuições não foram voluntárias e intencionais. Contudo, ocorreram porque eu estava interessada no amadurecimento. Ou seja, temos poder de decidir aprender com erros e acertos, assim como com cada novo desafio que enfrentamos. Porque, na busca pelo aprimoramento, temos que fazer escolhas individuais, que não podem ser terceirizadas.

“O êxito da vida não se mede pelo caminho que você conquistou, mas sim pelas dificuldades que superou na jornada.” Abraham Lincoln

O fim

Minha geração é analógica e migrou para o digit@l ao longo de sua trajetória. Iniciei usando uma máquina de escrever manual. Atualmente, resolvo a maioria dos assuntos apenas com um celular. Para os mais jovens é corriqueiro contar com a velocidade que a tecnologia imprimiu em nossa rotina. Mas para quem, como eu, esperou pelo tempo de revelação de uma fotografia ou usou pela primeira vez um telefone para falar com outra cidade ou estado, sabe quão desafiador é acompanhar estas mudanças. Sempre gostei e enxerguei a tecnologia como aliada, contudo isso não diminui o desafio que é se reinventar.Ao iniciar minha trajetória profissional, pensava na aposentadoria

Minha geração pensou e pensa em algum momento em que o relógio deixa de reger nossa rotina. Momento esse, em que as escolhas podem ser feitas com mais liberdade. Por isso, eu vislumbrava uma linha de chegada e, cruzei-a simbolicamente, quando me aposentei. Estar aposentada, contudo, não altera em nada minha essência. Pelo contrário, a instiga a perseguir novos aprendizados e novos desafios. Em um novo formato, com outro tipo de bagagem, a secretária de hoje é diferente daquela que iniciou sua trajetória há trinta e cinco anos. Mas ela não deixa de existir com a aposentadoria, porque agora já se confunde com quem eu sou.

Missão, Visão e Valores

Ao migrar da experiência de trabalhar em uma escola para o ambiente corporativo, absorvi conceitos de missão, visão e valores. Ainda que a absorção destes conceitos tenha sido intuitiva, ela é determinante para que possamos corresponder às expectativas das organizações onde atuamos. Assim como as empresas são regidas por estes princípios, cada colaborador possui sua missão, sua visão e valores pessoais. A verdadeira sinergia acontece quando estamos atuando em locais onde existe correspondência entre o que a instituição deseja promover e/ou produzir com o projeto de vida que temos.

Na profissão de secretária temos envolvimento muito direto com o profissional que personifica, dentro das organizações, estes princípios. Por isso, não basta saber fazer, temos que nos doar em níveis que não são exigidos em outras profissões. O trabalho passa por quem somos, porque entra em contato com quem cada executivo é. Não raras vezes nos envolvemos com situações familiares do profissional e necessidades que ultrapassam as demandas do escritório. Existe riqueza neste convívio, para aqueles que se percebem na posição de facilitadores do desempenho deste executivo e de sua equipe.

Por isso, pessoas que tenham mais dificuldade de atuar nos bastidores, sofrerão mais com as dinâmicas desta profissão. Contudo, aquelas que se adaptam à essa realidade, entendendo que servir um café é tão importante quanto enviar um email ou apresentar um relatório, são as que humanizam seu desempenho, conquistando mais do que o salário mensal como prêmio. Porque no final do dia o que importa é ter a sensação de dever cumprido, de ter feito a coisa certa, na hora certa, do jeito certo.

“Jamais considerei o prazer e a felicidade como um fim em si e deixo este tipo de satisfação aos indivíduos reduzidos a instintos de grupo.” Albert Einstein

Mulher

Ser mulher é uma dádiva, porque nascemos com uma capacidade de superação nata. Isto é, o lugar ao sol que almejamos precisa ser conquistado com mais garra e determinação. Apesar de não me considerar feminista, pois existem alguns apelos no movimento feminista que não me representam, não tenho objeção alguma com quem é. Contudo, acho legítima a defesa de nosso espaço na sociedade como indivíduos.

Acredito que a mulher tem um papel único a exercer na sociedade. Pois, esse espaço jamais poderá ser ocupado por homens. Porque eles têm outra função e outro papel. Por isso, é ilógico gastar energia tentando provar nossa capacidade comparando-nos com eles. Ou seja, a identidade bem definida é o que nos possibilita travar esta guerra a partir da posição correta. As mães, esposas, filhas, amigas, profissionais e mulheres de todas as raças, línguas, cores e nações têm uma essência que quando bem direcionada nos posiciona em vantagem surpreendente.

Especialmente aquelas que dividem seu tempo entre a rotina de uma profissão e da criação de filhos, sabem quão desafiador é equilibrar os pratos sem deixar que se estraçalhem. Afinal, todos os papéis são importantes. Portanto, temos que usufruir de nosso instinto nato de cuidado e de gerar, canalizando este potencial na direção correta. Temos dentro de nós competências não exploradas e capacidades que precisam florescer. Cada estação tem sua beleza e nunca é tarde para recomeçar.

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.” Madre Teresa de Calcutá

O curso

Durante esse período de pandemia, mesmo estando empregada, fiz uma retrospectiva do que vivi como profissional da área de secretariado ao longo dos últimos anos. Não se trata de nostalgia, mas daquilo que honestamente considero final de um ciclo. Nada ficou imune aos efeitos do distanciamento social imposto por esta crise sanitária mundial. Pois, abruptamente fomos encurralados e forçados a nos reinventar. Além dos tristes óbitos, alguns infelizmente perderam seus empregos e fazem malabarismos financeiros para sustentar seus familiares. Pensando nisso e no conhecimento que tenho da área de secretariado, criei o curso – A Secretária Executiva e a Era Digit@l.

Este curso não poderia ser em outro formato que não o digit@l. Por razões óbvias, o projeto me desafiou e é um convite para que cada colega que atua na área ou que deseja assessorar executivos se recicle. Aquilo que nos trouxe até aqui não é o que nos levará até lá. Ou seja, se continuarmos atuando no mesmo formato teremos os mesmos resultados. Temos um chamado a nos reinventar. Assim como uma máquina de escrever manual não faz mais parte dos equipamentos que usamos, a velha mentalidade precisa ser substituída pelo que o novo momento exige.

“A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio.” Martin Luther King

A secretária e o novo normal

Mesmo que não atue em formato home office, a profissional da área de secretariado precisa estar pronta para enfrentar formatos híbridos ou presenciais com outra abordagem. Isto é, em pouco mais de um ano a mudança foi estabelecida quer gostemos ou não. Portanto é sábio expor-se voluntariamente ao novo. Qualquer nível de resistência intensificará a dificuldade de adaptação e retardará oportunidades que talvez estejam surgindo.

Temos que nos preparar para viver esta mudança de era. Assuma seu protagonismo e busque essa mudança! Ela não é  importante, apenas, para uma boa remuneração. Mas, porque somos capazes de nos reinventar e a superação acontece exatamente nos momentos de crise. Semeie hoje na mudança que você quer implementar em sua vida pessoal e profissional.

“Construí amigos, enfrentei derrotas, venci obstáculos, bati na porta da vida e disse-lhe: Não tenho medo de vivê-la.” Augusto Cury

O novo pede espaço para o velho

O novo baterá na porta do velho, pedindo espaço. Nossa resposta a este pedido, promoverá avanços ou retrocessos.

Sempre que algo novo desponta, o velho morre ou é substituído. Aqui se aplica a velha regra da física que estabelece que dois corpos não ocupam, ao mesmo tempo, o mesmo lugar no espaço. Ou seja, por mais que tenhamos dificuldade de desapegar ou transicionar, a mudança exigirá desprendimento. O novo pressupõe mudança de atitude, de postura, de perspectiva e, especialmente, de mente.

Já que tudo começa de dentro para fora, nossa mente é a primeira que precisa ser renovada. Não importa a quantidade de mudanças que já tenham acontecido em nossa vida; cada vez que algo novo se estabelece, há necessidade de reciclagem. Algumas mudanças são doloridas e demoradas. Certamente as transformações profundas, precisam se estabelecer gradativamente.

Por isso, o imediatismo talvez grite e exija atenção. Mas, nem tudo acontece da noite para o dia. Estamos entrando em um novo ciclo. A contagem dos anos, meses e dias facilitam nossa contabilidade. Isto é, analisar progressos e conquistas a curto, médio e longo prazo, nos ajudam a identificar mais facilmente as lacunas. Inegavelmente nenhuma pessoa está terminando o ano do jeito que começou.

A contabilidade da vida

No entanto, nem sempre gostamos dos resultados colhidos ao longo do ano que passou, ou quem sabe da última década. A análise honesta nos permite ajustar os pontos negativos e reprogramar nossa estratégia. Ser coerente no estabelecimento de metas é determinante para que possamos alcançá-las. Pois, é sempre melhor possuir objetivos realistas e conseguir superá-los, do que super estimá-los e fracassar.

Este costuma ser um período em que pessoas se comprometem em mudar hábitos. Perder peso, exercitar-se, voltar a estudar, ter mais tempo com a família, se levar menos a sério, podem ser algumas metas. Cada uma destas resoluções exigirá que um velho hábito seja substituído. Nosso apego e condição emocional para lidar com esta substituição, determinará o sucesso de nosso objetivo.

Os grande empreendedores e pessoas de sucesso são unânimes em afirmar que tudo que vale a pena exigirá esforço. Aquilo que conquistamos sem empenho, em geral, não perdura ou não é tão valioso assim. O novo hábito ou rotina se estabelece com doses de disciplina, determinação e foco. O preço da mudança quase sempre é alto, no que diz respeito a ratificar diariamente nossa decisão, sem desistir. Portanto, a perseverança é uma chave importante.

Sendo realistas

Certamente o que se pretende alcançar deve ser mais valioso do que aquilo que temos disposição de abandonar. Pois, ninguém em sã consciência, substitui algo bom por algo ruim. Obviamente nem sempre fazemos escolhas sábias. No entanto, mesmo quando descobrimos que o velho era melhor, somos transformados. Pois, a pessoa que fez a escolha não é a mesma que lida com as consequências da escolha feita.

Ou seja, mesmo o erro nos modifica e é um grande professor. A pessoa que erra é aquela que tem coragem de fazer. Pois, o aprendizado se dá quando assumimos o protagonismo de nossa vida e paramos de atribuir culpa a quem quer que seja. Nem sempre este mau hábito de achar desculpas para ausência de resultados positivos é consciente.

Talvez seja um comportamento adquirido instintivamente, que precisamos identificar. Contudo, mesmo nestas circunstâncias, temos condições de nos posicionar e lutar pela mudança deste comportamento. Pois, o novo se estabelece a partir desta determinação. Afinal, a mudança acontece mesmo quando não temos consciência dela.

“Substituímos o adjetivo descritivo “inalterado” pelo adjetivo emocional “estagnado”. Lhes ensinamos a pensar no futuro como uma terra prometida que alcançam os heróis privilegiados, não como algo que alcança todo mundo ao ritmo de sessenta minutos por hora, faça o que faça, seja quem é.” C S Lewis

É importante classificar corretamente

“Não há assunto tão velho que não possa ser dito algo de novo sobre ele.” Fiódor Dostoiévski

Quando classificamos algo como velho ou obsoleto, estamos considerando que está ultrapassado ou sem serventia. Mas, o velho nem sempre é algo nocivo, que deva ser descartado. A arte de classificar corretamente o que deve ou não ser descartado e substituído é regida pela sabedoria. Pois, ao eliminarmos indiscriminadamente o velho, corremos o risco de demolir alicerces importantes, para o estabelecimento do novo.

Porque o novo se estabelece e se consolida através do acúmulo de experiências que o velho nos propiciou. Por isso, qualquer um que não saiba ler corretamente estes ensinamentos, pode esbarrar em alguns empecilhos. Ou seja, a jornada dos tolos os leva andar em círculos. Ao passo que os sábios acrescentam ao velho o que tem poder de renová-lo. Pode parecer contraditório, contudo o novo exige que descartemos o que é obsoleto e conservemos o que é fundamento.

O novo ano que se aproxima nos oferecerá algumas folhas em branco que somos chamados a preencher. Mas, outras já virão preenchidas. Pois, são resultado do que vivemos até aqui. Nosso desafio é preencher corretamente os espaços em branco e abrir novos espaços. Só nós podemos riscar e eliminar alguns registros, e ao fazê-lo, estamos abrindo mais espaço para o novo. Contudo, fazer isso sem critério pode comprometer a velocidade do progresso que se pretende atingir.

Ousando mudar

Quando entendemos a dinâmica do novo, não temos receio tanto do descarte quanto da permanência. A liberdade de fazer escolhas e mudar rumos pode parecer confusa, no entanto, é o que norteia os avanços. Por isso, ainda que tenhamos objetivos claros, eles só serão estabelecidos se houver flexibilidade. Ou seja, quanto mais maleáveis formos, tanto mais fácil será a transição. Crescer e amadurecer exigirá capacidade de adaptação.

Portanto, desaprender, reaprender, acrescentar e até retroceder são estratégias importantes. O avanço, em algumas circunstâncias pode ser sinônimo de voltar ao ponto de partida. Saber resgatar o lugar do desvio talvez garanta a correção de rota. Nos aparelhos eletrônicos atuais, existe a opção de voltar à configuração de fábrica. Esta opção elimina por completo os registros feitos até então. Por vezes é o único recurso que temos para resolver um problema.

Certamente, em nossa vida não é diferente. Ter coragem de resetar, resgata a chance de ajuste. Portanto, seja eliminando o velho, ou aproveitando-o, o novo pedirá espaço. Não só na virada do ano, mas em cada novo dia que amanhece, temos chance de fazer diferente. Que este novo conjunto de 365 dias seja bem aproveitado por cada um de nós. Temos uma certeza apenas: eles não voltam.

FELIZ ANO NOVO!

Escolhendo as ferramentas corretas.

A eleição de ferramentas adequadas, determina o sucesso ou fracasso de nossos projetos. Tanto as ferramentas internas, quanto as externas, são decisivas.

Nem todos possuem consciência das ferramentas que utilizam ao executar tarefas cotidianas. No entanto, o uso delas é instintivo e diário. A chave do carro ou da casa ilustram de forma prática esta realidade. Certamente, é de conhecimento de todos, que existe uma chave correta, sem a qual, a porta não abre. O mesmo é requerido de qualquer bom profissional. Isto é, espera-se que cada um conheça a utilidade e funcionalidade das ferramentas que utiliza. Seja de forma manual, elétrica, eletrônica ou digital, elas foram desenhadas com objetivos específicos.

Portanto, a boa cozinheira sabe que tipo de faca é apropriada para cortar cada alimento. Assim como sabe que panela é própria para cozer os diferentes ingredientes. Igualmente, o habilidoso jardineiro é aquele que domina, não somente as técnicas de poda e plantio, como identifica facilmente a ferramenta adequada para cada atividade. De maneira idêntica, o mecânico precisa conhecer as bitolas de cada parafuso; escolhendo corretamente, a chave correspondente. 

Inegavelmente, o administrador que deseja ser bem sucedido, precisa atualizar-se constantemente, buscando ferramentas adequadas de gestão. Enfim, tudo que fazemos pode ser aprimorado quando utilizamos ferramentas adequadas. No entanto, a eficiência e eficácia de nossos empreendimentos, não dependem apenas de ferramentas físicas ou digitais. 

“O escritor e o fotógrafo utilizam as mesmas ferramentas, mas enquanto um descreve uma imagem com mil palavras o outro descreve mil palavras com uma imagem.” Jefferson Luiz Maleski

As ferramentas internas

Existirá sempre uma parcela emocional envolvida nas diversas dinâmicas da vida. Por isso, assim como a escolha da ferramenta física afeta nosso desempenho; a escolha das emoções também afetam. Nossas emoções foram estrategicamente desenhadas para cumprir um papel. Elas podem simplesmente sinalizar a existência de alguma disfunção, como podem ser a emoção correta; que ajudará a catapultar resultados. Por isso, a capacidade de reconhecer e utilizar os sentimentos apropriados, é decisivo na superação de desafios. Infelizmente, nem todos reconhecem e administram bem suas emoções. 

Porque a mesma importância que existe na escolha do objeto adequado, existe na escolha de nossas emoções. Pois, esta capacidade é determinante quando se pretende ser bem sucedido. Já que, extrair de nosso interior as ferramentas que potencializem nossos sonhos; é o grande desafio da vida. Já que, a arte da escolha adequada delas, pode determinar nosso fracasso ou sucesso. Porque, tanto no aspecto prático da execução de uma tarefa, como no aspecto subjetivo; somente os habilidosos são bem sucedidos. 

Portanto, tanto para o aspecto interno quanto para o externo de nossa tarefa; a mesma regra deve ser aplicada. Infelizmente, muitos de nós continuamos acessando emoções erradas. Isto é, a persistência em manter nosso modus operandi, denuncia certa inabilidade no gerenciamento delas. Por isso, insistir em manter a mesma abordagem, esperando resultados diferentes, retarda a solução. Pois, quando o objetivo é romper um ciclo de fracasso, necessariamente temos que avaliar as ferramentas utilizadas. E neste caso, nossa imperícia deve ser superada com a análise franca e objetiva dos métodos e instrumentos utilizados. 

“Cada ser humano traz em sua bagagem as ferramentas para trabalhar seu destino. Só nós mesmos podemos fazer a nossa estrada, usando nossos pensamentos como engenheiros.” Paola Rhoden

A engenharia da vida

O diagnóstico adequado, em geral, não é simples como parece. Tanto as grandes soluções empresariais de gestão, como a superação pessoal, envolvem tempo, pesquisa e dedicação. Os grandes engenheiros da vida, são os que administram bem as ferramentas internas e externas que possuem. Por mais ousado e bem elaborado que seja um projeto, ele só poderá ser executado com a engenharia correta. Por isso, nunca antes como na atualidade, as corporações buscam profissionais que aliem capacidades técnicas à inteligência emocional. Se essa exigência beneficia as organizações em termos de resultado, quanto mais nos beneficiará no atingimento de nossas metas. 

A engenharia da vida nos ensinará a executar o projeto; equilibrando tais habilidades. O tempo pode ser um grande aliado ou inimigo. Os que decidem aprender com os erros, não repetindo-os, são bem sucedidos. No entanto, o risco de estagnação é iminente, quando nos falta coragem de reavaliar a estratégia. Porque, os seres humanos possuem grande potencial de superação e adaptação. Quando os desafios e os erros são percebidos como parte do processo, extraímos dessas circunstâncias ferramentas muito úteis. 

Somos, igualmente, capazes de criar ferramentas novas ou de personalizá-las. Nem sempre os recursos emocionais, financeiros e intelectuais são abundantes. Por isso, o que separa o homem medíocre dos grandes heróis da humanidade, é sua capacidade de se reinventar. Temos capacidade superior àquela que imaginamos possuir, de transformar nosso mundo exterior, a partir da mudança do interior. A determinação de lidar com algumas fragilidades é parte desta equação. Pois, sem isso, nossa estratégia fica capenga, podendo fracassar.

“Os homens criam as ferramentas. As ferramentas recriam os homens.” Marshall McLuhan

Se eu fosse esperar que as pessoas fizessem minhas ferramentas e tudo o mais para mim, eu nunca teria feito nada.” Isaac Newton

Ferramentas mal usadas

“Os pensamentos que acolhemos, são as ferramentas usadas para pintar o quadro de nossas vidas.” Louise Hay

O mais importante aspecto desta análise interna, é filtrar os pensamentos que acolhemos. Porque, mentes mal treinadas, selecionam ferramentas erradas. Temos que aprender a lidar com as situações, transformando-as em ferramentas para o sucesso. Obviamente seria uma utopia imaginar que não experimentaremos fracassos. Mas, eles também nos ensinam. Por vezes, são melhores professores do que as conquistas. Quem faz boa gestão de suas emoções e filtra pensamentos de derrota ou impotência, é um candidato à vitória. Nossa estatura emocional é medida pela capacidade que temos de usar adequadamente as ferramentas que temos.

Existem pessoas que enxergam oportunidades em circunstâncias extremamente limitadas. Outras, no entanto, se deixam abater diante do mais leve desvio de rota. Basicamente o que se espera extrair de um momento difícil é a capacidade de superação. As abordagens preconceituosas, compostas de pensamentos pré-concebidos, são limitantes. O acúmulo destas experiências formam muralhas que nos separam dos grandes avanços. Pois, somos agentes das mudanças que desejamos implementar. A oposição e as barreiras devem ser transpostas com otimismo e expectativa.

Por isso, fazer uso apropriado dos recursos que possuímos, sem lamentar o que nos falta, é um grande indício de que existe gratidão nos impulsionando. Descartar posturas negativistas e inveja é outro fator importante. Pois, essas definitivamente não são ferramentas que abrirão portas sólidas. Cada ferramenta possui uma utilidade específica e os sábios saberão explorá-las do jeito certo. A personalização de algo é uma das maneiras de deixar nossa marca em tudo que fazemos. Por isso, não faltarão oportunidades na vida dos que souberem identificar e usar adequadamente as ferramentas que possuem.

O porquê, nos capacita a viver o como.

Os porquês estabelecidos sobre uma base sólida, nos capacitam a desbravar os mais desafiadores ambientes. Sem um porquê o como pode nos derrotar.

“Quem tem um porquê, enfrenta qualquer como.” Dr. Viktor Frankl

Descobrir o porquê de algumas coisas, com certeza é a chave para lidarmos com o como. Já que, metas ousadas, exigirão níveis de renúncia e maturidade, que nos conduzirão para fora de nossa zona de conforto. Porque, crescer é sempre dolorido e desafiador, mas é o único caminho do avanço verdadeiro. Afinal, de que vale a conquista sem a mudança que ela gera? Pois, bem mais importante que ganhar o prêmio, é preservar o aprendizado que nos conduziu ao pódio. Inegavelmente, a ousadia de sonhar é o primeiro passo na direção de qualquer conquista.

No entanto, os vencedores são os que escolhem lidar com a realidade do que os bloqueia e limita. Certamente, só temos capacidade de definir nosso porquê, a partir de um olhar livre. O entorpecimento, contra o qual devemos lutar, tem sua origem na estratégia universal de viver “loucamente atarefado”. Mas, engana-se quem pensa que este subterfúgio é eficiente para impedir que a verdade de nossas vidas nos alcance. Os corajosos são os que param para fazer uma avaliação honesta e cuidadosa de como ocupam seu tempo. Ou seja, atividade não é sinônimo de avanço e nem sempre nos conduz para o nosso alvo.

Por isso, urgentemente, temos que descobrir o “porquê” de algumas coisas. Pois, somente quando isso acontece, adquirimos a ousadia necessária para lidar com o processo. Precisamos de capacidade de nos reinventar e nunca é tarde para iniciar esta jornada. Alguns inimigos se levantam durante o como, e o principal deles é a vergonha. Ela se cerca de companheiros poderosos que fortalecem sua capacidade de nos paralisar. Ao vestir a camisa de força formada pela desconfiança, crítica, crueldade e frieza, nos distanciamos de nossa meta.  

“Os homens não desejam aquilo que fazem, mas os objetivos que os levam a fazer aquilo que fazem.” Platão

Vencendo a vergonha

A vergonha se instala sorrateiramente em nossa ótica, distorcendo nosso valor. No entanto, nada pode nos fazer sentir mais ameaçados e mais incitados a atacar, envergonhando outros, do que ver alguém vivendo com ousadia. A ousadia produz um espelho incômodo que reflete nossos próprios medos de aparecer, criar e deixar que nos vejam. Portanto, quem estabelece um porquê bem fundamentado, tem força para derrotar estes inimigos comuns. Pois, escolher não lidar com eles, aumenta seu poder de atuação. Logo, a conversa franca sobre o que nos limita; não oferece a metade do perigo produzido por nosso silêncio.

Ou seja, tudo que a vergonha precisa para sequestrar nossos sonhos, reside em nossa apatia em confrontá-la. Por isso, quanto antes sua presença em nossas emoções for denunciada, tanto mais rápido ela terá que nos deixar. Já que um de seus principais trunfos é o anonimato. No momento que ela é exposta, perde força. Sentir vergonha é temer romper vínculos de qualquer natureza. Porque somos emocional e espiritualmente criados para o amor, para os relacionamentos e para a aceitação. Por isso, toda vez que o avanço está associado à possibilidade de lidar com perdas, estacionamos.

Tememos que nossa decisão de fazer ou não fazer; nos torne indignos de nos relacionar com outras pessoas. Ao eleger a vergonha como ferramenta de gerenciamento de nossas escolhas; fracassamos. Já que ela promove um ambiente onde desistimos de nos comprometer com algo, em nome de proteção. Contudo, é inevitável que, ao iniciar a luta por nossos ideais e metas, esbarremos na vergonha. Uma vez superado este estágio, temos mais chances de suavizar os desafios do como. Mas, apenas razões legítimas e porquês sólidos nos motivarão para enfrentar estes entraves. 

“Muitos vivem apenas porque estão vivos. Vivem sem objetivos, sem metas, sem ideais e sem sonhos. Não sabem como lidar com suas fragilidades e lágrimas. Sabem lidar com os aplausos, mas desesperam-se diante das vaias.” Augusto Cury

A importância dos vínculos saudáveis

Os vencedores são os que não desistem, perseverando na tarefa de eliminar o peso extra que os impede de correr. Sem dúvida a vergonha do fracasso, das falhas e da opinião alheia, reduz em muito nossas chances de vitória. Pois, nesta corrida só leva o prêmio quem está com os olhos fixos na linha de chegada, tendo pernas livres, capacitadas a correr sem embaraços. Outro aspecto importante é ter vínculos saudáveis. Eles são construídos com pessoas que conquistaram o direito de ouvir nosso interior. Eles são responsáveis por gerar uma espécie de energia, experimentada quando as pessoas sentem-se vistas, ouvidas e valorizadas. Portanto, criam-se a partir deles, ambientes onde a troca que ocorre entre dar e receber, acontece sem julgamento.

O verdadeiro vínculo nasce fundamentado na aceitação. Já que temos desejo inato de ser parte de alguma coisa maior do que nós. O fato desse anseio ser tão essencial, nos leva a tentar conquistá-lo, buscando um encaixe. No entanto, a busca por aprovação nada mais é do que um substituto fajuto da verdadeira aceitação. Porque a verdadeira aceitação, acontece somente quando ousamos apresentar nosso eu autêntico e imperfeito para o mundo. Portanto, nosso senso de aceitação nunca pode ser maior do que nosso nível de autoaceitação. Do contrário a pressão do olhar alheio pode nos destruir. Há os que optam pelo isolamento, mas a dor desta decisão é insuportável, crescendo a necessidade de anestesiá-la.

Pois, sozinhos não somos capazes de grandes conquistas, porque parte do que desejamos conquistar envolve a interação e a troca. Um vínculo saudável pode, por isso, determinar o sucesso ou o fracasso de nosso planejamento. Inclusive no estabelecimento da meta, precisamos do olhar de quem não possui os mesmos pontos cegos e vícios que temos. Já que, nenhum de nós enxerga o todo. Nosso olhar é alargado quando contamos com a contribuição dos que nos acompanham na jornada. A vida em comunidade é desafiadora e promove o ajuste do como. Portanto, nosso porquê deve contemplar a conquista de relacionamentos sólidos e verdadeiros. Eles garantirão o bálsamo que amenizará os momentos desafiadores da jornada.

“A amizade é uma predisposição recíproca que torna dois seres igualmente ciosos da felicidade um do outro.” Platão

“A felicidade de um amigo deleita-nos. Enriquece-nos. Não nos tira nada. Caso a amizade sofra com isso, é porque não existe.” Jean Cocteau

Abraçando nossa natureza

Temos que ter coragem de abraçar nossa natureza imperfeita. Quando eliminamos a vergonha e temos vínculos sólidos, somos candidatos a conquistar os objetivos com os quais sonhamos. Por isso, não tememos exibir sentimentos e emoções não classificáveis. Já que nem sempre as coisas, necessariamente, precisam fazer sentido. Saber lidar com o desconforto das emoções difíceis é um grande trunfo que temos a nosso favor. Pois, não basta ser brilhante e competente, se nos falta equilíbrio emocional para finalizar o que começamos. Por isso, nosso porquê pode variar e se adaptar ao longo do caminho, mas ele precisa existir. Certamente, é ele o responsável por estabilizar os revezes do como. 

Sem dúvida, o como será amenizado quando pessoas certas estiverem ao nosso lado. Certamente, elas não são pessoas perfeitas, contudo, sentam-se lado a lado conosco à mesa. Elas não nos julgam ou avaliam a partir de um lugar de superioridade. São elas também, que ajudam-nos a encontrar o porquê; enquanto lidamos com o como. Obviamente não podemos responsabilizar outros pelo sucesso ou fracasso que experimentamos. No entanto, uma identidade bem definida, livre da vergonha e a existência de relacionamentos sólidos; pavimentam a estrada que nos conduz para o alvo. Indiscutivelmente, vamos mais longe e mais rápido; quando estes dois fatores da equação estão ajustados.

“Quanto maior for a crença em seus objetivos, mais depressa você os conquistará.” Maxwell Maltz

O segredo do sucesso

O segredo de nosso sucesso é descobrir quem somos. Perseguindo objetivos que traduzam nossa essência e concedam voz ao que acreditamos.

Em alguma medida, cada ser humano está em busca de sucesso. A definição de sucesso sofre variações e é afetada por questões culturais e pessoais. Os alvos e objetivos de cada pessoa são distintos, assim como os meios de conquista. Quanto mais ambição uma pessoa possui, tanto maior deve ser sua persistência em vencer desafios.

Imaginar que exista uma receita de bolo, ou uma fórmula mágica de sucesso é menosprezar a individualidade. Cada ser humano é um universo complexo e particular. Existem muitas nuances que revelam quem somos e que valores possuímos. Inevitavelmente, isso reflete em nossa ótica de sucesso.

Para alguns conquistar um bom emprego, ter uma boa casa e um carro são modelos de sucesso, pois valorizam estabilidade. No entanto, outros buscam viajar, conhecer novas culturas, gostam do desafio de desbravar novos territórios. Esses, associam sucesso com o inesperado, a constância o desestimula. Há os que sonham com o reconhecimento em sua área de atuação, esforçando-se para se destacar em meio a seus pares. Em suma, a definição de sucesso é pessoal.

Porém, uma realidade é universal e inegável, o ser humano precisa de desafios e alvos. Quando uma pessoa perde a esperança e a expectativa em relação a seu futuro, ela está morrendo. A morte pode ser gradual, mas instala-se de dentro para fora. Por isso, necessitamos de exemplos de superação, que nos inspirem. Já que, nossa essência precisa ser traduzida, decodificada. Precisamos dar voz ao que somos.

“O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo.” Winston Churchill

Como identificar o alvo

Antes de identificar com clareza nosso alvo, precisamos saber quem somos. Nossa identidade determina nossos alvos. Infelizmente, nunca antes como agora, as pessoas não sabem quem são. Vivemos em constante crise de identidade, já que nos falta clareza. Auto conhecimento têm sido perseguido nos consultórios psiquiátricos, nas sessões de coaching e nos grandes conglomerados empresariais.

Uma geração mutilada, oriunda de famílias desestruturadas, focada no efêmero, clama por aceitação. Em todas as gerações houve desafios, e cada uma delas lidou com um tipo de contexto. A era da informática, que veio para otimizar tempo e diminuir distância, ao contrário, têm-se mostrado ineficiente para corrigir estes desvios. A superficialidade das relações e as soluções imediatistas estimulam comportamentos que nos afastam do cerne da questão.

Diariamente, somos bombardeados com propostas que buscam ganhar nossa atenção. Os meios digitais tentam nos atrair de formas variadas, e ao final do dia estamos vazios. O cansaço e o stress são tratados nos consultórios, muitas vezes com medicamentos. Aparentemente temos mais tempo, mas não sabemos o que fazer com ele. Ou melhor, deveríamos ter mais tempo, mas buscamos preenchê-lo com atividades sem valor.

Ousando priorizar

Há um exemplo clássico de como devemos estabelecer nossas prioridades. Quando se tenta colocar rochas grandes, pequenas, médias e areia dentro de um jarro, as grandes devem ser postas primeiro. Se invertermos a ordem, colocando a areia antes, não haverá espaço para as rochas grandes. Ao passo que a areia, por ser rala, posta por último, penetra com facilidade e encontra espaço entre as rochas.

Em nossa vida, as rochas grandes são as áreas importantes. É o que forma o alicerce de nossa existência. São os relacionamentos familiares, as amizades, nossos sonhos e tudo mais que acrescenta significado à nossa trajetória. Já a areia são coisas sem as quais podemos viver. O primeiro passo é identificar o que, para nós, é areia e o que é uma rocha grande. Infelizmente, a maioria de nós, não faz distinção entre ambas.

Pessoalmente creio que a principal Rocha, sobre a qual temos que edificar, e que, portanto, deve entrar primeiro no jarro, é nosso relacionamento com Deus. Quando esse aspecto de nossa existência está fora de lugar, todo resto fica comprometido. Jesus é a Rocha eterna, a Pedra Angular de nosso edifício. Os construtores sabem a importância da pedra angular no alicerce de uma construção. É a partir dela que todo alinhamento da obra acontece. Quando ela está torta ou desalinhada o edifício desaba.

Entendendo as diferenças

Abordar este tema em um texto semanal de um blog, não deixa de ser contraditório. Corro risco de apresentar soluções simplistas para um tema complexo. Porém, existe despretensão em minha abordagem, já que, meu alvo aqui é repartir um olhar. Sou admiradora de biografias, elas me inspiram e desafiam. Numa certa medida, cada percepção é um pouco autobiográfica, não temos como evitar.

Sou oriunda de uma geração analógica, e essa análise foi feita logo no início da proposta deste blog. O texto que deu origem a esta iniciativa aborda este aspecto de minha experiência. Porém, vejo na mídia digital uma ferramenta de alcance que deve ser explorada com parcimônia. Competir com outras vozes não é meu objetivo. Penso que a forma correta de expor ideias é o respeito à diversidade de opiniões.

No entanto, não seria coerente escrever a respeito de algo que não seja fruto de uma experiência pessoal. Minha trajetória aponta numa direção cada vez mais clara: precisamos saber quem somos. Esse é o ponto de partida e a descoberta não é efetiva até que tenhamos um encontro pessoal com nosso Criador. Toda análise que ignore este componente da equação, não estará completa. Essa tarefa não pode ser terceirizada e não é inteligente adiá-la.

A diversidade é um reflexo e uma extensão do caráter de Deus. Nunca foi Sua intenção relacionar-se conosco como robôs ou marionetes. Ele ama a diversidade e busca um relacionamento pessoal conosco. É neste relacionamento que descobriremos como “funcionamos”. Assim como o manual de instruções de um produto descreve suas características, somos desvendados, quando em contato com Ele – nosso Fabricante.

Uma vida com propósito

A vida passa a ter significado e valor, quando a partir da ótica de quem somos, estabelecemos nosso alvo. Inverter esta ordem, isto é,  estabelecer o alvo e definir quem somos a partir dele, é um grande erro. O que fazemos com nosso tempo e aquilo em que depositamos nossa energia deve ser resultado da descoberta de quem somos. Se necessário, temos que ter coragem de descartar algumas pedras, substituindo-as por outras. 

Só nós podemos decidir se seremos ou não protagonistas de nossa história. Nenhuma circunstância ou contexto pode ditar quem somos ou limitar nosso alvo. Isso só acontece se, e quando, permitimos. Lidar com fracasso e perdas é inevitável e faz parte do processo. No entanto, permitir que estas circunstâncias nos definam é opcional. Somos nosso principal inimigo, quando duvidamos de nosso potencial.

No entanto, ao acreditarmos que não nascemos por acidente, e que só nós podemos fazer bem determinada coisa, inicia-se o caminho da conquista. É sobre nossa identidade que construímos nossos objetivos e ousamos sonhar com um futuro brilhante e eterno. Já que, ninguém, jamais poderá executar o que quer que seja do nosso jeito. Esse é o principal motivo de sermos insubstituíveis – somos únicos.

A compreensão da eternidade é o que coloca em perspectiva correta as escolhas do presente. Sem ela, tudo o que fizermos nesta vida desaparece. Por mais bem sucedidos que formos, um dia tudo acaba, e conosco não levamos nada. Deixar um legado é um aspecto positivo, mas adentramos neste mundo sós, e partiremos sós. Em última análise, ter sucesso, é chegar no final da jornada preparados para o encontro com o Criador.

O significado de nossa existência e o sucesso será devolver o fôlego de vida ao Pai, de quem toda criação é oriunda. Voltar para Ele, transformados, por tudo que vivemos e aprendemos, entregando-lhe definitivamente nossa existência. Somos transformados quando permitimos que as circunstâncias nos ensinem. Esse dia chegará na vida de todos. Teremos tido sucesso, quando ao final, olharmos para trás com a convicção de que valeu a pena!

O destino é mais importante que a bagagem

Quando nossos olhos estão fixos em nosso destino, a bagagem é só um complemento. Ela deve ser adequada ao trajeto que iremos percorrer.

Extraviar a bagagem em uma viagem não é nada agradável. Todos os que já viveram esta experiência sabem que exigirá improviso e capacidade de adaptação. Mas, quando o destino é algum lugar que desejamos muito conhecer, a chegada e o desbravar do território, superam muito o inconveniente de não ter a bagagem.

Quando isso acontece temos que decidir se deixaremos o inconveniente roubar o prazer e os planos que temos para o lugar de destino. Os que possuem capacidade de enxergar o copo meio cheio, ao invés de meio vazio, certamente serão os que aproveitarão intensamente a oportunidade e lidarão melhor com o momento.

Viajar para lugares distantes, mudar-se de cidade, estado, quem sabe de nação, exige desapego. Quanto mais distante for o trajeto e quanto maior for a mudança, tanto maior deve ser nosso desapego. Por isso, ter capacidade de descartar o que é supérfluo é decisivo nestes momentos.

O destino deve ser mais importante que a bagagem

Na viagem da vida, muitas vezes insistimos em trilhar caminhos longos com bagagem excessiva. Tentamos carregar objetos, lembranças, traumas que subtraem a leveza e diminuem nossa velocidade. Portanto, quando nossos sonhos são ousados e quem sabe maiores do que nós, temos que ser práticos.

Quando insistimos em levar bagagem excessiva, seja em uma viagem curta ou longa, em geral isso nos causa inconvenientes. Isso é uma verdade natural e espiritual também. Nossos sonhos e projetos precisam ser perseguidos com determinação e praticidade.

Portanto, se a bagagem é mais importante que o destino, teremos a tendência de dificultar e quem sabe atrasar o percurso. As mulheres são menos práticas neste aspecto do que os homens. Homens ocupam menos “espaço” no banheiro e no guarda-roupas. Claro que não podemos generalizar, certamente existem mulheres muito práticas também.

No entanto, quando se trata da trajetória da vida, nem homens nem mulheres se destacam pela praticidade, já que muito de nossa bagagem não é facilmente descartada. As dores, decepções, frustrações e memórias são difíceis de descartar, independente do sexo ou idade. Esta decisão é tomada quando percebemos que o excesso de bagagem compromete nosso destino.

As encruzilhadas da vida

São as encruzilhadas da vida que nos obrigam a descartar coisas, e quem sabe memórias associadas a pessoas de nosso convívio. O descarte as vezes é físico, outras vezes é mental e emocional apenas. Descartar não significa que o objeto ou a circunstância não tenha exercido um papel ou que não tenha valor.

Inegavelmente são os objetos mais raros, e aqueles que são mais carregados de lembranças que são os mais difíceis de ser descartados. As pessoas que passam por nossas vidas não são descartáveis, elas deixam suas marcas e cumprem um papel, mas existe um tempo exato e preciso para mantê-las por perto. Estender esse prazo pode representar atrasos e quiçá retrocessos.

É imprescindível ter coragem de partir, de abandonar e de prosseguir, sem bagagem excessiva de qualquer espécie. Colecionar experiências que nos deixam melhores e nos amadureçam é sábio. No entanto, existem memórias que só acrescentam peso a nosso trajeto. Nossa mente precisa ser preenchida com o novo, com aquilo que combina com o lugar para onde estamos indo.

“Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo.”

Henry Ford

Nosso futuro e a concretização de nossos sonhos dependem de um posicionamento individual em relação a tudo que representa fracasso em nossas vidas. Este é um papel que não pode ser terceirizado. É urgente e importante que tenhamos coragem de aliviar o peso de nossa bagagem.

A vida nos encurrala

Deveria ser uma atividade diária, mas em geral quando estamos encurralados é que atentamos para importância de aliviar o peso. Às vezes é preciso o físico gritar. As doenças psicossomáticas são um bom exemplo disso. Saiba que qualquer peso extra e desnecessário em sua jornada pode e deve ser descartado, porque chegar é mais importante do que possuir.

Esta não é uma prerrogativa da vida adulta, desde cedo aprendemos a necessidade de substituir o velho pelo novo. Largar o bico e a mamadeira, trocar de escola e perder colegas são as primeiras experiências que conduzem a maturidade. Um novo emprego, um novo relacionamento, o convívio diário com um amigo que deve ser substituído por contatos esporádicos, são dinâmicas da vida adulta que nos conduzem para nosso destino.

Reconhecer a necessidade de lidar com essas mudanças é parte integrante do processo de crescimento. Não é sábio lamentar em demasia as perdas e os fracassos. Devemos carregar na bagagem o estritamente necessário para o destino que nos aguarda.

“…quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.”
Filipenses 3:13b,14

Escolhendo o caminho da mudança

A necessidade de lidar com mudança nos encurrala. Ou lidamos com os desafios ou estacionamos.

O caminho da mudança nem sempre é o mais rápido ou fácil. Em geral, mudar envolve uma releitura de nossa vida. Desde um simples desejo de perder peso, até uma mudança de estado ou país, sempre implica ajustes. Temos que ser capaz de descartar coisas e reorganizar nossas prioridades.

Costumamos gostar das zonas de conforto, e não há nada de ilegítimo nisso. É legítimo querer usufruir daquilo que adquirimos ou dos lugares conhecidos. Por questões de temperamento, alguns adaptam-se mais rapidamente e facilmente às mudanças, do que outros.

Porém, todos precisam ser desafiados em alguma medida. Sem desafios, sem novas metas, nossa existência fica vazia de significado. Nossa vida será mediana se não desafiarmos as possibilidades. Ter coragem de lidar com o novo requer abandonar o velho.

Rompendo com o passado

Nosso passado em geral está recheado de experiências negativas, que gostaríamos de deletar. Algumas são tão traumáticas que nos paralisam. Todos possuímos registros positivos e negativos engavetados em nosso inconsciente. Nós os acessamos instintivamente. Mesmo essas experiências podem ser superadas e canalizadas de forma correta.

Abandonar o passado não é sinônimo de queimar pontes. Quando queimamos pontes estamos classificando as pessoas como coisas, desprezando seu valor em nossas vidas. Abandonar o passado significa liberar as pessoas da responsabilidade que achamos que elas possuem em relação ao que nos aconteceu.

O simples fato de sair da plateia e entender que somos protagonistas de nossa história nos empodera. As pessoas e as circunstâncias não podem nos deter ou interromper nossa trajetória. Com certeza alguns acontecimentos dificultam, outros atrasam a velocidade com que nos movemos. Porém, nenhum é capaz de nos tirar do páreo quando dominamos a arte de nos reinventar.

Encarando os desafios de frente

Quando temos coragem de encarar cada desafio de frente e considerar a possibilidade de ajuste, caminhamos na direção correta. Contornar o fracasso não é possível, portanto, a escolha mais sábia é aprender com ele. As lições aprendidas com os erros por vezes são mais valiosas do que as aprendidas com os acertos.

Inegavelmente os acertos são mais prazerosos, mas os verdadeiros heróis são aqueles que não se deixaram abater em momentos de crise. Nossas fragilidades e nossos pontos cegos precisam ser confrontados para que possamos atingir o alvo. Cada um de nós nasceu com um propósito e todos carregam sonhos que precisam ser perseguidos.

Decidir se levantar e perseguir os sonhos que carregamos envolve determinação e a coragem de assumir as responsabilidades pelo que nos acontece. Nosso passado não pode nos deter, nada que alguém tenha feito ou deixado de fazer pode. Os únicos que podem desistir somos nós mesmos.

“Não importa o ninho, se o ovo é de águia.” Abraham Lincoln

Ainda há lugar à mesa. Aproxime-se e junte-se ao banquete

Sentar-se ao redor da mesa com amigos ou familiares é sempre uma oportunidade de estreitar relacionamentos.

Ao redor da mesa é o lugar onde facilmente os relacionamentos se desenvolvem. Os almoços em família, tão raros hoje em dia, mas que deixam lembranças encantadoras. Ou, quem sabe um café da tarde com um amigo, ou melhor ainda, com um grupo deles.

Nem sempre é a qualidade da comida que está em jogo. Mas, quanto melhor elaborada ela for, tanto mais memorável será o momento. Aliar boa companhia à boa culinária é uma receita infalível de sucesso.

Em geral, nossas lembranças da infância são associadas com gastronomia. Nossos pratos prediletos, ou uma sobremesa que só os da família preparam com o gostinho de quero mais. Os temperos típicos de cada região e as receitas secretas que passam de geração à geração.

Os cheiros e gostos associam-se e mesclam-se aos lugares que frequentamos. Por isso, apegam-se à memória e contribuem para formar quem somos. Gastar tempo ao redor da mesa é reconhecer a importância de cultivar momentos que se eternizam dentro de cada um de nós.

A mesa é lugar de comunhão

Jesus sabia disso, quando convidou os discípulos a sentarem-se ao redor de uma mesa. Foi este o lugar escolhido, para fazerem sua última refeição juntos. Igualmente, ali receberam as últimas instruções do Mestre. Inegavelmente, foi ao redor de uma mesa, que Ele partiu para a mais dolorosa parte de sua jornada terrena.

E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa. E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze.” Mt. 26.19,20

De alguma forma Ele sabia que conquistaria a atenção de todos, se estivessem se alimentando juntos. Ele havia cultivado momentos como estes ao longo de três anos de ministério. Foi assim antes de sua morte na cruz e após sua ressurreição.

As horas que antecederam sua morte não foram percebidas por eles. Mas, ardiam no coração do Salvador e Messias, que se preparava para a cruz. Ao redor da mesa Ele selou uma aliança com aquele seleto grupo, prometendo que os encontraria novamente.

Os dias que sucederam a ressurreição foram confusos e desafiadores para o grupo de pescadores, que considerou ter perdido seu líder. Eles precisavam novamente buscar o aconchego de uma conversa ao redor da mesa. Jesus os esperava à beira do lago onde pescavam.

Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes.” Jo. 21. 9,10

Existe um lugar à mesa preparado para você

Em sua passagem pela terra, Jesus várias vezes reuniu-se com os discípulos e com as multidões que o seguiam, ao redor de uma refeição. Ele não só multiplicou alimentos, como serviu-lhes um banquete para alma, sempre que estavam juntos.

Esse era o motivo pelo qual atraía muitos. Ele os alimentava com a vida que eles tanto almejavam encontrar. Jesus alicerçou seu ministério terreno ao redor de um convite à intimidade. Ele deseja que estejamos próximos, compartilhando momentos especiais e segredos.

Essa realidade ainda está disponível. Existe um lugar à mesa que te pertence. Na casa do Pai existe sempre um banquete que espera o filho que retorna. Há abundância de provisão e de comunhão à mesa. Ninguém pode substituí-lo ao redor da mesa na casa do Pai. Este lugar foi desenhado para você.

A criança que existe dentro de nós

Todos temos uma criança dentro de nós. Ela precisa ser resgatada diariamente.

Temos que resgatar a criança que fomos um dia, não permitindo que a vida adulta subtraia nossa espontaneidade e expectativa.

Quando brincar passa a ser tolice, e a naturalidade das perguntas sucumbe a preocupação com a imagem, sabemos que o adulto sufocou a criança que existe dentro de nós.

As perguntas deveriam revelar simplesmente a vontade de saber. Quando a inocência é reprimida pela malícia, pretensamente classificada como sensatez, perdemos a espontaneidade. Inevitavelmente, nesta hora, a criança novamente é asfixiada.

É a imaturidade delas, que admite o aprendizado. Elas não tem vergonha de não saber. Nós, no entanto, achamos que sabemos, quando na verdade ignoramos o princípio do saber, que elas conhecem.

A ousadia dos sonhos  não deveria conhecer limites. Elas não tem vergonha de sonhar. Sonham alto e com coisas inatingíveis às vezes. Precisamos de doses diárias da expectativa que elas carregam em relação a seu futuro.

O desembaraço com que buscam afeto e aceitação, é o verdadeiro sinal de maturidade, que os adultos deduzem possuir. É a prova evidente de que não construíram muros, e que acreditam que não nasceram para viver sozinhas.

Ouvi uma história que ilustra bem esta verdade, quando certa ocasião, o próprio Deus convida uma de suas filhas adultas a olhar para dentro de um guarda-roupas lotado de peças infantis, que eram o presente dEle para ela.

Cada uma das peças tinha modelagem exclusiva e refletia o gosto específico de sua filha. As cores, padronagens e diversidade revelavam sua personalidade. Foi quando a filha disse:

  • São lindas, mas não são do meu tamanho!

A resposta de Deus foi:

Aos olhos do Pai (Deus), nossa maturidade é medida por nossa capacidade de ser como criança.

Qualquer que receber esta criança em meu nome, a mim me recebe; e qualquer que me receber a mim, recebe aquele que me enviou; pois aquele que entre vós todos é o menor, esse é grande.” Lc 9:48

Parabéns a todas as crianças, de qualquer idade, no dia de hoje.

Em especial aos meus sobrinhos: Guilherme, Isabela, Júlia, Vítor, Ruth e Felipe. E a minha neta de coração Helena.