A reinvenção permanente.

A arte da reinvenção está disponível na vida de quem não teme desaprender e reaprender. Sem ela ficamos estáticos e menos belos.

Reinvenção é uma palavra que assusta algumas pessoas, enquanto motiva outras. Nossa vida é recheada de momentos que propiciam a reinvenção. No entanto, nem sempre classificamos estas oportunidades de maneira correta. Ou seja, aquilo que para alguns representa uma chance de fazer diferente, para outros pode bem ser um grande obstáculo. O que diferencia nossa ótica são os conceitos limitantes que abrigamos. Infelizmente nossa sociedade impõe alguns padrões que não podemos aceitar como legítimos. De maneira idêntica, nossa criação alimentou algumas inseguranças e medos que precisam ser desmascarados.

Ao permitirmos que nos definam ou que nos rotulem, estamos concordando com limites não testados. Por isso, nenhuma outra pessoa deveria ter permissão de ocupar o lugar de protagonismo em nossa vida. Pois, mesmo que o pretexto seja o de aconselhar ou proteger, fomos criados com a necessidade de conquista e avanço e testar limites contribui para implementação deste processo. Portanto, cada vez que alguma crença limitante é incorporada ao nosso modus operandi, deixamos de explorar possibilidades. O medo da reinvenção se manifesta de várias formas e pode estereotipar-nos. Já que está baseado em premissas erradas e que podem ser modificadas.

A capacidade de reinvenção do ser humano não está atrelada ao seu tipo físico, grau de instrução, raça, gênero ou qualquer característica biológica. Todos nós nascemos com capacidades que precisam ser exploradas e desenvolvidas. Porque, mesmo aquilo que classificamos como dons, precisam ser aprimorados. Gostar menos ou mais de determinada área ou atividade, não é o mesmo que não ter habilidade de desenvolver uma tarefa. Engana-se quem pensa que os profissionais que se destacam em suas áreas de atuação possuem algum tipo de poder sobrenatural. Ao analisarmos sua trajetória concluímos que são pessoas comuns que dedicaram-se a aprimorar algum aspecto daquilo que queriam fazer.

“Poder se reinventar após experiências negativas é o segredo da felicidade.” O Ilusionista

Sonhar é permitido

O sonho pode ser a mola propulsora da trajetória que nos conduzirá para nosso destino. Mas, apenas sonhar não é o bastante. Temos que ter uma estratégia vinculada a cada objetivo que traçamos. O trabalho duro e disciplinado é o alicerce sobre o qual o sonho se estabelece. Quando uma alternativa falha, podemos testar outras possibilidades, analisando ângulos que ainda não foram explorados. Aquilo que consideramos o fim do túnel pode ser a passagem para uma nova etapa. De maneira idêntica, podemos nos reinventar fazendo a mesma coisa de um jeito diferente, inovando métodos e aprimorando resultados. A familiaridade pode ser um inimigo em muitos casos, portanto, devemos confrontá-la.

Uma nova necessidade deve nos desinstalar de nossa zona de conforto. Que é o lugar que mais nos prejudica e no qual gostamos de permanecer. Nosso cérebro gosta de padrões, e sempre resistirá a qualquer sugestão de responder diferente. Pois, a existência de um modelo prévio formatado incentivará a repetição. Teremos que empreender um gasto maior de energia quando desejamos mudar estes padrões, incorporando novos horizontes ao nosso cotidiano. O sonho, por definição, é algo abstrato que não possui correspondência no mundo físico e real. No entanto, em cada sonhador existe potencial de transformar seus sonhos em realidade. Contudo, isso só acontece na vida daqueles que entendem que precisam dedicar-se, perseguindo aquilo no que acreditam.

“A gente não precisa de certezas estáticas. A gente precisa é aprender a manha de saber se reinventar. De se tornar manhã novíssima depois de cada longa noite escura. A gente precisa é saber criar espaço, não importa o tamanho dos apertos.” Ana Jácomo

Modifique sua resposta

O cotidiano nos engessa e impõe ritmos que assassinam nossa espontaneidade. O compromisso com o relógio e com tudo que é urgente subtrai o que é importante. Dialogar com estes dois mundos, extraindo deles o melhor, é um diferencial que temos que almejar. Precisamos de inteligência emocional aliada a um senso de praticidade que nos permite otimizar o uso de nosso tempo. Inegavelmente o tempo é a principal commodity que somos desafiados a gerenciar. Portanto, não seria inteligente desperdiçá-lo, andando em círculos. Um contratempo em nosso dia pode ser uma oportunidade de mudar de rota, ou de desperdiçar energia reclamando. Um olhar treinado e faminto por mudança saberá identificar chances de introduzir o novo.

A dor é pedagógica, e não devemos temê-la como consequência do erro ou do acaso. Ninguém buscará machucar-se de propósito, nem seria lógico abandonar-se nos braços do desconhecido. Contudo, o excesso de previsibilidade nos mutila, assim como a familiaridade nos limita. Precisamos de doses de imprevisto e conflito em nossa jornada. Pois, a ostra feliz não produz pérola. Já que é o atrito causado pelo desconforto da substância indesejada que provoca a produção do revestimento produzido pela ostra, transformando o grão de areia na pérola. As pérolas não existiriam se os detritos não invadissem o molusco, e assim é conosco.

O medo funciona como um ímã, atraindo informações que o legitimam. Nossa mente buscará instintivamente protótipos que resistirão a qualquer sugestão de mudança, evitando o risco. Mas, ainda que seja um aspecto poderoso de nossa psiqué, o cérebro possui plasticidade e comprovadamente pode ser reprogramado. Desde simples hábitos alimentares até fobias irracionais podem ser modificadas. Qualquer forma de medo deve ser confrontada se quisermos explorar plenamente nossas capacidades. Medos nos limitam e escravizam e por mais que tenhamos razões de sobra para temer o desconhecido, ele deixa de ser desconhecido no momento que ousamos desbravá-lo.

“Cuidado com gente que não tem dúvida. Gente que não tem dúvida não é capaz de inovar, de reinventar, não é capaz de fazer de outro modo. Gente que não tem dúvida só é capaz de repetir.” Mario Sergio Cortella

Esquecer é tão importante quanto lembrar.

Tanto esquecer das coisas ruins, quanto lembrar das conquistas, são chaves que nos catapultam na direção de nossos sonhos.

Esquecer de algumas coisas, permitindo-se virar a página, é tão importante quanto lembrar do que de bom nos acontece. A dosagem adequada do esquecimento dependerá sempre do quanto a lembrança nos atormenta e limita. Pois, embora nosso cérebro absorva e registre os eventos traumáticos de forma automática, temos opção de enfraquecê-los. Ou seja, revisitá-los com frequência fará com que o gosto amargo volte ao nosso paladar emocional. Ao passo que substituí-los por memórias recentes e resignificá-los é o caminho de quem busca superação.

Sabe-se que os registros de eventos positivos e negativos constituem nossa estrutura emocional e de pensamento. Por isso, temos que parametrizar nosso filtro interno para que ele descarte com mais rapidez aquilo que não nos beneficia. Ou seja, ao contrário do que pensam alguns, temos capacidade de estimular estes registros ou enfraquecê-los. Fazemos isso de forma instintiva, mas temos que ser intencionais em algumas circunstâncias. Ao nutrir o bem que recebemos ou nossos acertos, sendo gratos, estamos fortalecendo memórias positivas. De maneira idêntica, se não valorizarmos o que de mau nos acontece e os erros cometidos, eles desvanecem.

Esta regra da natureza vale para qualquer planta que desejemos cultivar. Isto é, aquela que for adubada, aguada e estiver sendo exposta ao sol na medida certa, será a que mais facilmente se desenvolverá. Nossas memórias reagem da mesma forma, já que podem ser fertilizadas com a atenção que damos a elas. Não se trata, no entanto, de pensar positivo apenas. Isto seria muito simplista e ignoraria a complexidade de cada ser humano. No entanto, sabe-se que os níveis de otimismo e pessimismo com que encaramos os desafios determinam nosso avanço e a superação almejada.

Aprendendo a desapegar

Apego é uma vinculação obsessiva a uma pessoa, a um objeto ou a ideias. Quando temos dificuldade em desapegar, sofremos mais com relação a qualquer necessidade de mudança. Ou seja, a obsessão vinculada a uma ideia ou circunstância nos conecta em níveis exagerados e maléficos ao que pensamos que nos define. O desapego acontece quando percebemos que não somos definidos por um objeto, circunstância ou pessoa. Temos uma capacidade muito grande de nos reinventar e poucos exploram este potencial. O medo do desconhecido e as muletas nas quais nos apoiamos constituem um reforço a tudo de negativo que abrigamos.

O desafio pode assumir proporções gigantescas quando adiamos a decisão de lidar com o que nos oprime. Procrastinar esta investigação ou simplesmente ignorar a existência destes focos de dor e desajuste nos aprisionam. A autopiedade e o isolamento também podem ser sutis e contribuem significativamente para o aumento do desconforto. Portanto, quando deixamos que as pessoas vejam quem somos e assumimos nosso protagonismo em relação ao que abrigamos, rumamos na direção da liberdade. Por isso, podemos e devemos exercer controle do que acolhemos como verdade, sem temer descartar e desapegar daquilo que nos limita. Ao julgarmos menos os outros seremos menos rígidos conosco.

“Cada vez que você faz uma opção está transformando sua essência em alguma coisa um pouco diferente do que era antes.”  C S Lewis

Tendo coragem para prosseguir

Coragem não é ir sem medo, é ir apesar do medo. Qualquer situação que pareça maior do que nós tende a nos intimidar. O tamanho de cada circunstância é determinado pelo valor que atribuímos a ela. Ou seja, podemos corajosamente decidir amplificar nossas conquistas, consequentemente, reduziremos a influência do medo. Já que, não se pode alimentar simultaneamente pensamentos tão antagônicos, um deles fatalmente desvanece. A ousadia de se perceber com potencial de superação e capacidade de recomeçar é inerente ao ser humano. No entanto, nem todos escolhem explorar seu potencial, contentando-se em viver na média.

“Se você estiver sempre tentando ser normal, você nunca vai saber o quão incrível você pode ser.” Maya Angelou

A decisão de abandonar, esquecer ou deletar os estilhaços de alguma batalha perdida, inicia no exato momento que identificamos o rombo que eles abriram em nosso interior. Fechar estas portas e curar estas feridas é a chave que abre janelas de oportunidades. Pessoas com biografias bem traumáticas se destacam na multidão quando usam sua dor com empatia. Pois, em níveis diferentes, cada um de nós já foi ferido e perdeu alguma guerra. Os vencedores e grandes heróis são os que, portanto, percebem-se de forma correta e não se deixam intimidar pelo tamanho do inimigo que enfrentam. 

Somos merecedores

Só acolhemos aquilo que achamos que merecemos. Portanto, denunciamos possuir baixa autoestima, quando abrigamos críticas e rótulos de pessoas que nos desprezam, conformando-nos com eles. Pois, sempre que nosso valor sofre revezes com o que é externo, nossa estrutura interna é testada. Ao nos abalarmos em demasia diante dos conflitos, abrimos oportunidade para que o desânimo e a derrota se instalem. Os presentes que a vida nos oferece nem sempre possuem uma embalagem adequada. Por isso, temos que ter coragem de desembrulhá-los e, se necessário, customizá-los. Desta capacidade depende o avanço de nossos sonhos e projetos.

“Não havia sentido em oferecer a uma criatura, por mais inteligente ou amável que fosse, um presente que essa criatura seja, por natureza, incapaz de desejar ou receber.” C S Lewis

Devemos almejar o que é saudável e não o que nos contamina e envenena. Abrigar sentimentos negativos e amargura em relação aos que falharam conosco é um tiro em nosso pé. Já que lesiona muito mais nosso interior do que a pessoa que é alvo de nosso rancor ou ressentimento. Existem sentimentos tóxicos que devemos banir de nossa mente. Portanto, quando sorrateiramente quiserem ocupar o palco de nossas emoções precisam ser dispensados com rapidez. Existem sentimentos nobres que habitam nossa alma, como alegria, contentamento, gratidão e otimismo. Ao regarmos estas árvores, suas raízes desalojarão as ervas daninhas que nos afetam.

Dentro do não, existe um sim

As aparentes negativas, recebidas ao longo da jornada, são oportunidades de mudança. Pois, cada não carrega dentro dele um sim que precisamos explorar.

Dentro de cada não recebido, existe, pelo menos, um sim. Pois, cada porta que se fecha ou oportunidade adiada, contém uma enormidade de possibilidades. Já que, são muitos os caminhos que podemos explorar para chegar aos objetivos que temos. Inegavelmente nem sempre é fácil se desvencilhar da maneira engessada de pensar. Mas é exatamente isto que temos que fazer quando as circunstâncias nos encurralam em direção diferente da desejada. Os grandes inventores sempre foram pessoas curiosas, questionadoras e observadoras. Muitos não se classificam como pessoas criativas, contudo todos temos parcelas de criatividade que podemos explorar.

Certamente o primeiro passo é não classificar as negativas que recebemos como derrota. Quando acrescentamos um olhar otimista ao nosso cotidiano, somos capazes de enxergar o copo meio cheio. Pois, o que enxerga o copo meio vazio está olhando para o mesmo lugar, porém, transfere seu pessimismo para o que pode ser uma oportunidade. Ninguém que desanima facilmente diante dos desafios e desvios da jornada, consegue tocar nos alvos estabelecidos. Ou seja, todo objetivo traçado ou planejamento feito sofrerá reveses. Já que as digitais de nossa humanidade permeiam tudo o que fazemos. Nossas falhas e as de quem nos cerca inevitavelmente imprimirão algum nível de instabilidade e incerteza ao nosso dia a dia.

Por isso, é muito importante entender que o não carrega um sim dentro dele também. Talvez o sim esteja apontando em uma direção inversa e exigirá de nós algum giro de 180° de nosso olhar. Contudo, não basta girar o olhar se nossos pés permanecem fixos na posição inicial. O desconforto ocorre quando não desistimos de algumas coisas para poder enxergar outras. É impossível compatibilizar alguns destinos com escolhas previamente feitas, que demonstraram não ser inteligentes. Temos que aprender com os erros e admitir honestamente nossos fracassos, sabendo que são parte do processo. O aprendizado é a soma do que aprendemos e incorporamos a quem somos.

Ousando abandonar

O aparente abandono de uma estratégia, pode bem representar a capacidade de criar um caminho não explorado. O principal inimigo a ser derrotado neste caso é o medo. O medo do julgamento, da falha, do risco ou do fracasso nos limita. Seja qual for a circunstância, quando eliminamos o limite imposto pelo medo, somos capazes de olhar mais longe. Embora nosso medo seja legítimo em algumas circunstâncias, ele não deve nos paralisar. O novo assusta em alguma medida, mas quando percebemos que temos capacidades não exploradas, lidamos com os desafios como oportunidade de crescimento.

O olhar livre é capaz de observar as coisas sob a perspectiva correta. O conselho de pessoas que não estejam intimamente envolvidas nas circunstâncias pode contribuir. Já que, nossas emoções também influenciam nossa ótica. Uma pessoa que olha de fora às vezes enxerga o que nosso olhar é incapaz de capturar. Reconhecer que precisa de conselho ou de ajuda não é sinal de fracasso ou fraqueza. Perceber-se como alguém limitado é interagir apropriadamente com a dinâmica da vida; que nada mais é do que um percurso dinâmico e inesquecível. Pois, ninguém nasceu para viver isolado ou sozinho. Ainda que para alguns seja mais difícil do que para outros admitir isso, fomos criados para viver em comunidade. Porque o outro carrega um pouco do que nos falta e vice-versa.

Ter coragem de abandonar velhas práticas, abrindo-se para novas oportunidades areja nossa alma. Precisamos de motivação para levantar todos os dias. A mesmice e a falta de perspectiva nos aleijam. Ou seja, alguém que se anula ou desiste de lutar por seus sonhos já é um derrotado. Os rótulos que carregamos são poderosos e temos que ter ousadia de nos distanciar deles. Fazer diferente, desaprender, reaprender e recomeçar são verbos conjugados por pessoas de valor. Somente os verdadeiros guerreiros não se intimidam e lutam contra os inimigos sabendo que possuem chance de vitória. Pois, ficar parado já é uma derrota maior do que qualquer perda eventual de quem se movimenta.

O tempo é um belo juiz

O tempo é um juiz muito sábio. Ele revela os acertos e erros cometidos e acrescenta significado à nossa vida. Ao olharmos para trás, inevitavelmente reconheceremos as consequências de más escolhas, assim como o benefício de boas escolhas. Contudo, não podemos negligenciar o aprendizado que os erros agregaram à nossa caminhada. Porque somos o resultado desta trajetória. Tanto o lugar de nascimento, quanto nossa criação, personalidade e diversos outros fatores combinados, formam quem somos. É desta combinação que nasce nossa peculiaridade e onde está fundamentada nossa identidade única.

Por isso, ao assumirmos o protagonismo de nossa existência, estaremos fortalecendo nossa identidade. Nossa postura de enfrentamento determina o quanto estamos dispostos a brigar por aquilo em que acreditamos. Nossa impressão digital deve estar registrada nos lugares por onde passamos e nas pessoas com quem convivemos. É disto que a vida é feita. Não devemos temer as escolhas e sim o fato de delegarmos algo que nos pertence. Ninguém pode ocupar este lugar em nossa vida sem nos colocar como coadjuvantes de nossa história. Ou seja, o simples fato de temermos escolher, retarda e paralisa a expressão de quem somos.

Cada um de nós será julgado pelo tempo. Ele passa em uma velocidade assustadora e nos confronta. Usufruir da oportunidade de mudar rumos de nossa trajetória é uma dádiva. Não reconhecer estas janelas de oportunidade pode representar uma lacuna importante em nossa biografia, que nem sempre pode ser recuperada. Portanto, olhar para o não como uma das respostas possíveis, sem classificá-lo como derrota, é o início do entendimento que nos leva para algum sim escondido. As negativas recebidas ao longo da vida podem ser os desvios necessários que, quando bem calculados, acrescentam velocidade e significado aos nossos dias.

“A maneira de apreciarmos uma coisa é dizermos a nós próprios que a podemos perder.” G. K. Chesterton

Nossas crenças têm poder.

A ótica da vida que adotamos é baseada no sistema de crenças que nutrimos. Por isso, a medida de nossas conquistas é limitada por nossa mente.

Nossas crenças têm poder. Pois, quando não exploramos a plasticidade do cérebro, presumindo que ele não muda, alimentamos um tipo de mentalidade estagnada. Assumimos que nosso caráter, inteligência e capacidade criativa são dados estáticos que não se modificam. Classificamos sucesso como consequência de uma inteligência inata, que possui padrão fixo. Por isso, desistimos de lutar pelo progresso; objetivando evitar falhas a todo custo.

Este, portanto, torna-se um padrão que sustenta a teoria de que somos inteligentes ou habilidosos por herança. Ou seja, nascemos ou não inteligentes e bem sucedidos. Mas, ao considerarmos que estamos em constante mudança, e apostarmos na plasticidade do cérebro; crescemos. Porque, a ótica que temos da vida e das circunstâncias é determinante para o crescimento. Já que, não considerar o fracasso como evidência de falta de inteligência; é crucial.

Pois, fracasso deve ser percebido como um trampolim encorajador para o crescimento. Assim como, devemos considerar o erro, como parte integrante do processo de aprendizado. Porque, podemos ampliar habilidades existentes e adquirir novas. Por isso, dessas duas mentalidades distintas, que manifestamos desde muito cedo, surge grande parte de nosso comportamento. Já que, nossa relação com o sucesso e o fracasso nos contextos profissional e pessoal, estão atreladas a essas crenças.

“Se você imagina menos; menos é o que sem dúvida você merece.” Debbie Millman

Ajustando o olhar

Nossa percepção sobre nosso potencial e habilidades nutrem nosso comportamento. Por isso, felicidade é a capacidade de extrair o melhor das circunstâncias, estando intimamente ligada aos tipos de crenças que nutrimos. Portanto, quando acreditamos que podemos ser transformados, possuímos uma mentalidade de crescimento. Sobre a qual, cultivamos a crença que nossas qualidades básicas podem ser desenvolvidas através de esforços.

Pois, embora possamos diferir em relação a talentos e aptidões, interesses e temperamentos; certamente, experiências adquiridas nos modificam. Inegavelmente, o verdadeiro potencial de uma pessoa é desconhecido. Portanto, só é revelado depois de testado por anos de trabalho e treinamento. A vantagem da crença de poder ser transformado reside no fato de adquirirmos paixão pelo aprendizado, não temendo a desaprovação.

Por isso, nossa diretriz passa ser a de considerar ensináveis as qualidades humanas como inteligência e criatividade. E até mesmo capacidades relacionais como amor e amizade, são cultivadas através de esforço e prática deliberada. Já que estamos aprendendo constantemente, o fracasso não nos desencoraja. Quando, finalmente, entendemos isso, paramos de tentar provar que somos bons. Nosso alvo passa ser a busca do aprimoramento das fragilidades identificadas no processo.

“Acreditar que não acreditamos em nada é crer na crença do descrer.” Millôr Fernandes

A estratégia de avanço

Decidir não esconder defeitos, e sim superá-los é decisivo. De maneira idêntica, cercar-se de pessoas que apenas nos aprovam é nocivo. Pois, devemos escolher estar próximos daquelas que nos instiguem a crescer. Porque a decisão de avançar envolve exposição das fragilidades. Já que, é mortal a crença de considerar o risco como algo inadequado, pelo temor de que revele incompetências escondidas. Porque a mentalidade de estagnação precisa ser descartada.

Por isso, os caminhos que escolhemos são distintos e fundamentados no tipo de mentalidade adotada. Porque nossas crenças manifestam-se na origem de nossas decisões e são aprendidas desde cedo. Manifestamos nossa tendência nos bancos escolares. Lá, arriscamos responder perguntas; visando aprender, ou escolhemos ficar calados. Os pequenos gestos denunciam quanto medo de julgamento e baixa autoestima abrigamos.

Pois, as imperfeições são vergonhosas para os que se percebem de forma inadequada. São estes que possuem padrões rígidos consigo mesmos. Portanto, a definição de sucesso para quem possui crenças limitantes está atrelada a presença ou ausência de capacidades inatas. Ou seja, acreditam que nascem e morrem com as mesmas habilidades. Contudo, para os que acreditam que podem aprender e aprimorar conhecimentos básicos, não existe limite para o que podem alcançar. Para estes os contratempos não são rótulos e sim um convite à superação. 

“As coisas nas quais você realmente acredita sempre acontecem; e a crença em algo faz com que elas se tornem realidade.” Wright

Desenvolvendo relacionamentos

O cerne da questão está no fato de que devemos nos situar em relação ao tipo de crença que nutrimos comumente. Ao perceber que tendemos a nos classificar de forma equivocada, devemos gradualmente buscar mudança. Pois, sem um ajuste na origem de nossas crenças, seremos incapazes de lidar com os desafios que antecedem as conquistas.

Já que, tendem assumir proporções gigantescas, o que aumenta o risco de sucumbirmos aos seus apelos. Porque, basicamente, é nosso olhar em relação a nossa capacidade que precisa ser ajustado. Pessoas enxergam a mesma circunstância de formas diferentes, de acordo com as crenças que possuem. O objetivo deve ser desenvolver habilidades e, ao mesmo tempo, buscar crescimento mútuo.

Mas, para que isso aconteça, precisamos perceber que estamos lado a lado. Ou seja, somos semelhantes no que diz respeito à potencial. Porque, um dos objetivos deve ser construir uma atmosfera de confiança, para que ambos estejam vitalmente interessados no desenvolvimento mútuo. As lentes através das quais interpretamos o que nos rodeia favorece ou dificulta esta interação. 

Entendendo nossas crenças

Os que não se percebem capazes de desenvolver habilidades, sofrerão mais ao longo do processo. Pois, tenderão a elaborar monólogos internos de constante julgamento e auto avaliação. Pois, quando usamos as informações como evidência a favor ou contra alguém, estamos nos considerando em posição de desigualdade. Nos sentimos ameaçados pelo potencial alheio e tememos que alguma falha revelada nos roube oportunidades.

Contudo, se desejamos avançar; nosso monólogo interno não pode ser de julgamento. Mas, deve revelar um apetite voraz de aprendizado constante. Este tipo de crença contribui para o estabelecimento de aprendizado mútuo e ações construtivas. É fato que podemos reconstruir nossos hábitos cognitivos; adotando atitudes muito mais frutíferas e nutritivas. De maneira idêntica, temos que corrigir qualquer distorção de nossa ótica que nos isole dos demais. Já que, ninguém prospera sozinho.

Nascemos para conquistas coletivas e individuais, que também beneficiam o grupo. Quando nos percebemos solitários nesta luta, por não nos considerarmos aptos, temeremos os revezes normais da trajetória. Corremos o risco de nos sentir preteridos e descartados. Quando na verdade o que ocorre é uma auto sabotagem. Por isso, ter coragem de lidar com a origem destas crenças é crucial e inadiável. Porque disto depende os rumos que daremos a nossa vida e ela é única. Não estamos ensaiando, tudo que vivemos é para valer. 

“Quanto maior for a crença em seus objetivos, mais depressa você os conquistará.” Maxwell Maltz

Lidando com as emoções de forma adequada.

Nossas emoções existem para expressar como nos sentimos. Nenhuma delas é inadequada na essência. Precisamos, no entanto, lidar com sua origem.

Nossas emoções existem e nenhuma delas é negativa na essência. Elas são verdadeiros termômetros que medem o estado de nossa alma. Sentir medo, insegurança, inveja, raiva é sinal de que algo está desequilibrado. Mas, mais danoso que asfixiar estes sentimentos é ignorá-los. Obviamente, ninguém em sã consciência, escolhe expressar emoções negativas. Contudo, elas são reais e manifestam-se em momentos diversos de nossa vida. Escavar mágoas e ressentimentos não é uma tarefa fácil. Decidir lidar com a origem destas emoções exigirá coragem e determinação.

Toda busca por superação esbarra em fragilidades. Atingir objetivos maiores e metas ousadas envolve lidar com o que nos limita de forma honesta. Fatalmente a dor que se instala na origem de cada emoção virá para superfície. Por isso, instintivamente buscamos aplacá-la ou ignorá-la, sempre que possível. Ocorre, no entanto, que por mais inofensiva que pareça ser esta tentativa, ela nos bloqueia. Pois, nascemos com a necessidade de expressar o que sentimos. Estrangular estes sentimentos, tanto os considerados negativos como os positivos, danifica nossa psiqué.

Muitos de nós fomos ensinados, pelas reações de nossos pais e líderes, a mascarar o que sentimos. Esta atitude é, de certa forma, um comportamento adquirido de autoproteção. Especialmente em famílias mais desestruturadas as emoções são comumentes ignoradas e reprimidas. Pessoas que sofrem desapontamentos sozinhas, tendem a criar verdadeiras fortalezas dentro de si. Ao contrário do que pensam, estas muralhas não protegem-nas de fracassos ou de feridas. Inegavelmente, escolher este comportamento isola-nos dos outros e distorce quem somos.

“Dor é inevitável. Miséria é opcional.” Autor desconhecido

Implodindo no silêncio

Nosso silêncio gera implosão. Pois, é de dentro para fora que nos destruímos. Os conflitos internos são bem mais destrutivos e poderosos do que qualquer dificuldade externa. Quebrar o silêncio e verbalizar nossas emoções é o início de nossa cura. Certamente só faremos isso quando sentirmos que estamos em terreno sadio. Ou seja, ninguém que tenha tendência a sufocar o que sente, dará acesso facilmente ao que guarda dentro de si. Pois, quanto maior for a confiança conquistada pelo relacionamento, tanto maior será nossa capacidade de permitir que vejam quem somos de fato.

O ser humano foi criado para conviver com seus semelhantes. Por isso, as tentativas de isolamento sempre fracassam. Já que parte do que nos completa está no outro. Por mais que as relações familiares sejam conflituosas, lidar com elas é mais saudável do que escolher ignorá-las. O isolamento físico não soluciona as desavenças ou remove cicatrizes. De maneira idêntica, não é capaz de minimizar as lacunas e feridas que se instalaram. Portanto, qualquer esforço que façamos para maquiar estas emoções será ineficiente. Porque nossas escolhas e a maneira como lidamos com nossas circunstâncias denunciam a existência da batalha interna.

Por isso, tanto o extremo de reprimir o que sentimos, como o de expressar indiscriminadamente é desaconselhado. O oposto de conter é explodir de forma constante e descontrolada. Tanto a pessoa que não exerce autocontrole em relação ao que sente, como a que abafa suas emoções; sofre. O equilíbrio entre estes dois extremos é reconhecer a existência da emoção e buscar sua origem. Porque cada emoção está atrelada a uma fonte legítima que a alimenta. Pode ser um trauma, uma ferida, uma distorção ou qualquer outra experiência que danifica nossa alma. Mesmo as emoções consideradas positivas como amor, carinho e alegria podem ser negligenciadas e debeladas ocasionalmente.

Quando a casa cai

“Minha casa incendiou. Agora nada mais oculta a visão da lua.” Mizuta Masahide

Deixar a casa cair pode ser a opção mais saudável em algumas ocasiões. Ou seja, o esforço que empreendemos para manter a casa de pé, nem sempre é adequado. Talvez o mais apropriado seja lidar com a realidade de sua destruição. Reconstruir não é tão difícil quanto permanecer fazendo remendos sobre um alicerce frágil. Ter coragem de zerar algumas etapas pode representar um recomeço. Pois, nosso ego tende a trapacear, oferecendo soluções que escondam sua real condição. Por isso, evitar a verdade e a vulnerabilidade são estratégias que fortalecem a trapaça do ego.

Os capangas do ego são a raiva, culpa e a negação. Ele gosta de culpar, colocar defeitos, inventar desculpas, se vingar e perder a cabeça. Já que, cada uma destas reações são variações de formas de autoproteção. Por isso, quando a raiva, culpa e a negação empurram a mágoa, decepção ou dor para longe; a trapaça é legitimada. Porque, estas emoções possuem pontas afiadas como se fossem espinhos. Portanto, quando nos espetam causam desconforto ou dor. Por isso, o ego foge deste incômodo de forma instintiva; não sendo, portanto, um conselheiro confiável.

Combater de forma consciente os apelos de proteção do ego é determinante para nossa liberdade. Já que, qualquer nível de prisão interna distorce nossa personalidade e bloqueia nossa identidade. Por isso, sentir raiva ou inveja deve sinalizar sempre a existência de algum gatilho interno que devemos analisar. Encarar o desafio de codificar corretamente a origem do sentimento exigirá vulnerabilidade, que é a essência da coragem. Porque, pessoas bem resolvidas são aquelas que optam por não ignorar o que sentem. No entanto, o reconhecimento de uma emoção, implica em assumir responsabilidade de equilibrá-la.

Assumindo responsabilidade pelo que sentimos

“Você pode não controlar tudo o que lhe acontece. Mas pode tomar a decisão de não se deixar reduzir pelos acontecimentos.” Maya Angelou

Muitas pessoas são exemplos vivos de superação. Uma destas pessoas, certamente, é Maya Angelou. Sua biografia é recheada de momentos que tinham potencial para destruí-la. No entanto, ela decidiu resignificá-los; tendo ousadia de reconhecê-los. Pessoas com trajetórias bem menos desafiadoras sucumbem. Ela, no entanto, é uma das vozes e exemplos que se levantam para provar que temos capacidade de superação. Ela não remendou seu passado e nem escondeu-se dele.

Por isso, quando nos levantamos de lugares de destruição descobrimos a mesma capacidade que ela experimentou. A escolha será individual. A tarefa não pode ser terceirizada e ninguém pode receber a culpa pelo que nos acontece. Eventualmente a vida oferta pratos menos saborosos e atraentes. Mas, nós decidimos do que vamos nos alimentar. Não podemos evitar circunstâncias e não é saudável ignorar as emoções.

Portanto, ao nos posicionarmos de forma correta diante das dificuldades, temos chance de aprender lições valiosas. A distância que existe entre uma pessoa bem sucedida de uma fracassada é diretamente proporcional ao seu desejo de lidar com o que sente. A negação é o pior dos venenos que podemos ingerir. Emoções são legítimas e não devemos suprimi-las. Cada um de nós é chamado a equilibrar o que sente, lidando honestamente com sua origem.

Reconhecendo a origem

Nada do que sentimos brota da superfície por acaso. Por isso, quando a raiz é saudável, não temos do que nos envergonhar. Ou seja, a identificação da raiz nos permite remover o que alimenta as emoções negativas e adubar o que queremos que cresça. Cada ser humano escreve sua história de forma menos ou mais emocionante. A razão precisa ter espaço, mas as emoções não devem ser negligenciadas.

Existe capacidade dentro de cada um de nós de experimentar o equilíbrio entre a razão e a emoção. Pois, tudo em excesso oferece algum risco. Portanto, ao sentirmos que as emoções afloram, pedindo espaço para se manifestar, temos que ser sábios. Silenciá-las não pode ser uma opção, assim como expressá-las de forma descontrolada não é adequado. A saúde de nossa alma depende deste equilíbrio e nunca é tarde para iniciar esta jornada.

A espera nunca é fácil; independentemente do que esperamos.

Esperar é uma arte que exige perseverança e foco. A espera não é passiva, ela só cumpre seu papel quando é ativa.

A espera é sempre desafiadora. Por isso, não importa muito o que estejamos esperando, estes períodos extraem de nós reações incubadas, nem sempre identificadas facilmente. Seja uma simples fila, até aquilo que esperamos ao longo dos anos, pode desencadear reações diversas. Ninguém gosta de ter a sensação de estar desperdiçando tempo. Muitas vezes a visível incompetência de quem interage conosco, é responsável por esperas indesejadas, que talvez pudessem ser evitadas. Seja lá como for, esperar não é uma arte que dominamos por completo. Existe algo relacionado à demora do que esperamos que pode nos abater e até derrotar.

Quanto mais jovens somos, mais imediatistas temos tendência de ser. Mas a dificuldade de esperar não é exclusividade dos mais moços. Pessoas idosas, apesar de serem naturalmente menos ansiosas, também não dominam completamente a arte de aguardar. Pois, enquanto aguardamos, nossa ansiedade vem para superfície, assim como nosso senso de justiça própria. Em geral, quando outros parecem ultrapassar nossa vez, nos sentimos preteridos e incomodados. Conceder a vez para quem nos pede passagem no trânsito, em uma fila, ou em qualquer outro lugar, parece ofensivo, podendo gerar conflitos desastrosos.

No entanto, não é só a ansiedade que nos abate nos períodos de espera. O medo também aparece e complementa a equação. Tememos não ter tempo suficiente, ou quem sabe não concluir o que começamos. Tememos que existam outros melhores do que nós, mais velozes, mais capazes. Muitos fantasmas se levantam nos momentos de espera. Um caso típico é a gravidez. Muitas mães se abatem facilmente quando imaginam que o bebê possa ter algum problema. Acolhem pensamentos que antecipam as complicações do parto; que talvez nem aconteçam, mas que atormentam suas mentes. Na verdade a espera tem poder de desencadear ondas de pessimismo.

“O que vale a pena possuir, vale a pena esperar.” Marcelo A. Pereira

Lutando contra a ansiedade

Um dos vilões que mais tem aparecido em nossos dias é a ansiedade. Nunca antes como agora, se teve tanta velocidade para processar informação. Mas, isso ao contrário do que se espera, não reduz em nada nosso grau de ansiedade. Pois, quanto mais velocidade temos para adquirir coisas, mais dificuldade temos de esperar por elas. O tempo de espera de algumas coisas foi absurdamente abreviado. No entanto, ainda nos debatemos. Nossos pais e avós esperavam por notícias de familiares e amigos distantes, por meses e até anos. Na atualidade, independentemente de onde estejamos, a tecnologia nos conecta em tempo real rapidamente. Mas, para alguns isso ainda não é suficiente.

O comportamento imediatista é viciante. E como em qualquer outro vício, tem a tendência de nos impulsionar a querer mais do mesmo. Pois, quando estamos viciados em algo, nosso metabolismo exige doses cada vez maiores de determinada substância e/ou comportamento. Já que, quantidades menores não são capazes de gerar a sensação de prazer que buscamos. Este mesmo princípio rege a velocidade frenética que impomos à nossa rotina e metas. Este comportamento está impregnado em tudo que fazemos ou adquirimos, de forma sutil e quase imperceptível. Um bom parâmetro é comparar nossa velocidade com a de alguém mais jovem e mais velho também.

Enquanto os mais jovens parecem nascer plugados em 220V; os mais velhos parecem ter entendido algo que eles desconhecem. Um dos aspectos que precisa ser avaliado é que nenhum grau de ansiedade gera velocidade ou minimiza o tempo de espera. Pelo contrário, a ansiedade tem potencial de distorcer alguns fatores. Isto é,  durante o tempo de espera, podemos facilmente amplificar circunstâncias, tendo dificuldade de encontrar soluções para situações corriqueiras. Diz-se que por vezes conquistamos mais depois de algumas horas de sono e descanso, do que quando estamos exaustos e esgotados.

Existe uma velocidade que não nos agride

Cada um de nós tem uma estrutura emocional e física que precisa ser respeitada. O que pode ser demorado para alguns, pode estar acontecendo no tempo adequado para outros. Não existe uma idade limite ou um prazo de validade para os sonhos que temos. Se alguns projetos falharam, ou se esperamos por anos algo que ainda não aconteceu, isto não é sinônimo de derrota. O dia de hoje pode ser um bom momento de retomar a expectativa da resposta. O mais nocivo da espera é quando ela nos rouba o entusiasmo. Toda conquista deve ser celebrada e nenhuma delas é tardia.

As histórias de superação sempre nos inspiram, porque contem o ingrediente mágico da perseverança. Em um mundo cada vez mais competitivo e agressivo, nos sentimos compelidos a perseguir alvos irracionais e que não nos representam. Poucos possuem sanidade de avaliar o que os move de fato. Já que a comparação com quem quer que seja, não deve ser o ponto de partida para o estabelecimento de qualquer meta. Sempre que nossa motivação está em algo externo temos mais chance de fracassar. A verdadeira motivação, que é capaz de sustentar qualquer período de espera, nasce em nosso interior.

É quando descobrimos quem somos de fato e do que somos feitos, que aumenta nossa resistência nos tempos de espera. É legítimo possuir metas e alvos, porque sem eles nossa vida fica esvaziada de significado. Mas, o risco de assumir posturas inadequadas aumenta, quando tentamos ser quem não somos. Temos uma essência que precisa ser respeitada, para que o tempo de espera não nos destrua. Quando as metas são coerentes e adequadas ao nosso perfil pessoal, profissional e emocional, temos mais chance de sobreviver ao tempo de espera. Do contrário seremos esmagados por uma pressão que pode muito bem nos destruir.

A arte de esperar

“Que medo alegre, o de esperar.” Clarice Lispector

Se existe um medo alegre, este deveria ser o de esperar. A arte de esperar consiste em compreender que tudo que vale a pena não se conquista da noite para o dia. Tudo que tem consistência exige dedicação e envolve tempo; tempo de espera. A espera é mais ativa do que imaginamos, quando vivenciada com expectativa da conquista. Ela é nociva e perigosa quando está contaminada pelo medo e pela ansiedade. O otimismo e a esperança são os ingredientes que temperam com brilhantismo o tempo de espera.

Por isso, somos sábios quando atentamos para o fato que temos que esvaziar nossa mente de condenação e pessimismo nestas estações. Assim como, temos que celebrar as pequenas conquistas que antecedem os alvos maiores que estabelecemos. Ainda que nossa trajetória esteja sendo percorrida em velocidade inferior à desejada, certamente existe beleza no percurso. As particularidades e detalhes da caminhada também adornam o prêmio que perseguimos. São estas nuances e traçado que desenham nossa história e nos transformam em quem somos.

Existe beleza na espera, porque ela remove algumas arestas cortantes que possuímos. Ela extrai os excessos e purifica nossas motivações. A espera denuncia as fragilidades e destaca as fortalezas. A verdadeira espera não é passiva, ela é ativa sempre que promove transformação. Quando o que desejamos é autêntico e sólido a espera acrescenta valor e significado. Esperar é uma arte dominada por todos que sabem quem são e para onde estão indo. Em nossa jornada, cruzamos com pessoas menos perseverantes e menos otimistas. Para estas, a espera certamente é mais penosa. Podemos escolher como iremos esperar, sendo transformados enquanto aguardamos.

“Tudo alcança aquele que trabalha duro enquanto espera.”  Thomas Edison

O desafio da mudança

Mudança é sair da zona de conforto e lidar com risco. Qualquer um que deseja crescer precisa estar disposto a mudar.

Toda mudança envolve algum nível de adaptação e desafio. Quanto mais profundas forem as raízes, tanto mais difícil será o processo de desapegar-se e mudar. Possuir raízes é legítimo e indicado, já que, precisamos de um porto seguro. Neste aspecto, inegavelmente, os laços familiares constituem a primeira experiência legítima e fundamental  de nossa existência. Pois, são elas que estruturam nossa psique para, naturalmente, lidar com transformações.

As diversas fases da vida sugerem mudança. Elas são sutis e quase imperceptíveis em algumas estações, mas podem ser radicais e decisivas em outras. Buscar transições graduais e programadas seria ideal, se o controle de todas as variáveis fosse nosso. No entanto, na prática, o cenário ideal não existe. Porque somos afetados por circunstâncias e decisões de terceiros que nos impactam direta ou indiretamente.

Por isso, a reação diante dos imprevistos, bem como a capacidade de se ajustar pode determinar o sucesso de nosso futuro. Pois, desde muito jovens absorvemos padrões de comportamento dos que nos rodeiam. Portanto, se estamos inseridos em ambientes saudáveis que promovem mudanças, incentivando o risco, teremos mais facilidade de transicionar. No entanto, se o contexto sugere estabilidade e previsibilidade, lutaremos mais para romper na direção oposta.

O progresso é impossível sem mudança; e aqueles que não conseguem mudar as suas mentes não conseguem mudar nada.” George Bernard Shaw

Identificando os pontos fracos

Em qualquer análise organizacional moderna, sugere-se a identificação de pontos fracos e fortes. Já que as organizações estão em busca de crescimento e superação. Inegavelmente será mais fácil reconhecer pontos fortes do que fracos, tanto nas organizações como em nossa vida. Porque nossas habilidades e competências destacam-se naturalmente naquilo que executamos, e constituem nosso alicerce.

Contudo, todo ser humano que ignora ou escolhe não lidar com suas lacunas (pontos fracos), tende a estacionar em sua jornada. Certamente não é fácil admitir falhas e decidir aprimorar aspectos menos desenvolvidos de nosso perfil ou personalidade. Quanto mais tempo permanecemos em zonas de conforto, tanto mais desafiadora se torna a mudança. Mas, tanto a estabilidade plena, quanto a instabilidade constante são nocivas.

Existem pessoas completamente estagnadas no que lhes é familiar e que não analisam ou admitem a possibilidade de mudar. No entanto, o oposto disto é o comportamento que se apoia na mudança constante como meio de fugir do que realmente importa. A capacidade de dosar de forma coerente estes dois aspectos de nossa existência é o que aproxima-nos dos grandes avanços. Por isso, qualquer fator que estejamos usando como argumento ou justificativa para explicar nossas derrotas, não é válido.

Sábios são os que aprendem com os erros e transformam os fracassos em oportunidades de aprendizado. Outro fator importante desta equação é considerar que nenhum ser humano é bom em tudo que faz. Todos fazem bem determinadas coisas e não tão bem outras. Nosso alvo jamais deve ser atingir qualquer nível de perfeição que descarte a necessidade de aprimoramento. Seria ingenuidade e até arrogância perceber-se desta forma e se imaginar vivendo sem interdependência.

Começando pelo princípio

O dia de iniciar uma mudança é hoje. O ontem não está disponível e o amanhã é sinônimo de procrastinação. Temos que ter coragem de começar com o que temos, estabelecendo voluntariamente uma linha de corte. O antes e o depois em nossas vidas acontecem quando temos coragem de assumir o protagonismo de nossa história. Porque ninguém pode ser responsabilizado pelos rumos que nossas circunstâncias assumiram. É bem verdade que não podemos alterá-las, mas devemos escolher que atitude assumiremos diante delas. Pois, o progresso que almejamos, é antecedido por posicionamentos conscientes e maduros.

“A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro.” John Kennedy

Tais avanços podem ser imperceptíveis aos olhos da multidão, mas devem ser celebrados por nós. Ainda que não sejam reconhecidos e valorizados por outros, é importante que tenhamos consciência do que representam em nosso contexto de vida. Além de atribuir valor e celebrar as conquistas, é importante não estabelecer comparações com nossos pares. Nenhum ser humano é completamente igual ao outro, visto que somos produto da soma de fatores distintos. Por isso, é um equívoco medir quem somos com a régua de outra pessoa. Pois, temos uma identidade única.

O útero onde a identidade sólida é concebida, é aquele onde há aceitação incondicional, e onde o erro não define quem somos. Quando nossas conquistas ou fracassos determinam quem somos, tornamo-nos incapazes de gerir nossas emoções. Embora seja recomendado perseguir progressos, é um erro consentir que nos retratem. Pois somos mais do que a soma de fracassos e sucessos alcançados. Nosso valor está intrinsecamente relacionado à capacidade que temos de estimar nossa existência. Ou seja, temos valor porque somos uma obra-prima, insubstituível e porque nascemos com um propósito.

Enxergando o quadro todo

A ótica cristã da humanidade, atribui significado individual ao ser humano. Em minha concepção não existe nenhum outro fundamento sobre o qual devamos alicerçar nossa existência. Qualquer proposta que descarte esta premissa estará catalogando-nos e limitando-nos. Embora para alguns isto não esteja claro, a principal missão de Jesus foi resgatar nossa conexão com Deus Pai Criador. Sem este resgate permanecemos órfãos, e nossa existência passa a ser fruto do acaso.

Encaixar nosso dia, horas e minutos num espectro macro é o que nos capacita a lidar com o micro. Por isso, o valor que damos à pedra na qual tropeçamos será proporcional ao tipo de trajetória na qual nos percebemos inseridos. Quando olhamos o desenho de cima, e portanto,  discernindo para onde estamos indo, temos maior capacidade de lidar com os tropeços. Porém, se estamos confusos em relação ao nosso valor e, especialmente, em relação ao nosso destino, sofremos mais com as derrotas.

Mesmo correndo o risco de ser simplista demais, o resumo de tudo é perseguir uma identidade sólida. Tal identidade precisa ser moldada e aprimorada. Certamente não temos todos os instrumentos para construí-la. Por isso, precisamos de um relacionamento com Deus que agregue significado e capacitação para os momentos desafiadores. Com as peças fundamentais da equação ajustadas, as mudanças acontecem de forma saudável e instintiva. Porque fomos desenhados para perseguir sonhos e crescer de dentro para fora. Porém, sem ajustes diários e constantes esta meta não é atingida.

“Podemos escolher sofrer a dor da mudança, ou a dor de continuar do jeito que estamos.” Joyce Meyer

Grafite ou diamante?

Se deixar transformar em um diamante é um processo longo e difícil. Sem a ação do tempo, temperatura e pressão somos grafite.

Qualquer joia que possua um diamante é muito valiosa. Nenhuma joia é barata, mas, o que a torna valiosa é o detalhado e minucioso processo pelo qual passa. O ouro é depurado quando passa pelo fogo. Ao passo que, o diamante é oriundo de um elemento químico chamado carbono. O carbono transforma-se em diamante, no interior de erupções vulcânicas, nas profundezas de rios e mares.

A palavra diamante tem origem grega, é uma derivação da palavra adamas, que significa indestrutível. Segundo estudos, os primeiros diamantes formaram-se há aproximadamente 2,5 bilhões de anos. Por isso, a frase “diamantes são eternos”, tem sentido.

Do mesmo elemento, carbono, forma-se outro mineral chamado grafite. O que determina se o carbono se transformará em grafite ou diamante são fatores ambientais distintos. Já que, a pressão e a temperatura são os principais responsáveis pela cristalização de seus átomos.

No diamante, a ligação forte dos átomos de carbono é promovida pela exposição à pressão e temperaturas muito altas. Enquanto, no caso do grafite, as condições são bem mais amenas, resultando numa ligação mais frágil e frouxa de seus átomos, que o deixa maleável.

Tempo, pressão e temperatura

Este fenômeno da natureza gera, de um mesmo elemento químico, duas substâncias distintas. Semelhantemente, podemos traçar paralelos do que acontece conosco. O ser humano possui uma essência bruta. Precisamos ser expostos a situações de pressão e altas temperaturas para adquirir resistência.

O que determina valores diferentes ao diamante e ao grafite é sua história. O que transforma sua estrutura age de dentro para fora. Similarmente, nossa beleza é gerada de dentro para fora. Qualquer maquiagem no exterior não é eficiente para esconder o que brota quando somos surpreendidos por adversidades.

A pressão pode nos quebrar, como acontece com o grafite, ou nos fortalecer, transformando-nos em diamantes. Além da pressão e das altas temperaturas, outro ingrediente importante completa este cenário: o tempo. Nada valioso se forma da noite para o dia. Por isso, aguardar a velocidade do processo é decisivo.

O trabalho do joalheiro

No entanto, além da matéria-prima adequada (ouro e diamante), a metamorfose acontece quando os elementos passam pelas mãos do joalheiro. É ele quem lapida a pedra, desenha a joia e dá formato ao ouro. O processo que inicia na natureza, completa-se quando um especialista acrescenta-lhe detalhes. A originalidade da peça é o que confere-lhe o valor de ser exclusiva, transformando-a em única.

Semelhante, outras comparações podem ser feitas em relação à nossa existência. Escolhemos permitir que os processos nos transformem em joias, ou estacionamos em alguma etapa do processo. Cada etapa é importante. Portanto, a ausência de alguma delas deixa o objeto inacabado.

Nenhuma pressão ou temperatura é capaz de nos destruir, quando nossa essência foi associada com a de Deus. Sozinhos não conseguimos vencer os desafios, mas quando Ele habita em nós, temos garantia de que resistiremos. Permitir que o tempo exerça seu papel é igualmente desafiador.

A joia pronta

Quando a joia está pronta, sendo única, torna-se insubstituível. Assim como um quadro de Picasso ou Da Vinci, a joia é agora obra de arte. Nascemos para ser essa joia de incalculável valor, exclusiva. Temos valor inestimável aos olhos do Criador. Por isso, Ele entregou o que tinha de mais precioso para nos resgatar, Seu Filho.

Ninguém pode nos substituir quando descobrimos nossa identidade nEle. Igualmente é importante identificar cada um dos desafios como oportunidades de ser refinado. O último detalhe é acrescentado por Ele, o Joalheiro dos joalheiros. Ele tem um desenho exclusivo para imprimir em nossa estrutura. Não lhe faltam criatividade e bom gosto.

Dizem que a beleza está nos olhos de quem vê. Ele nos viu e desejou; sonhou conosco, quando nossa estrutura era bruta. Pagou o preço para nos ter de volta. Tem poder para nos transformar em joias preciosas. Foi com esse objetivo que fomos criados. Reflexos dEle mesmo, criados à Sua imagem e Semelhança.

Mas, Ele respeita nossas escolhas, deixando-nos livres para decidir. Somos indestrutíveis e eternos, como os diamantes, quando suportamos o processo. No entanto, sem Ele, não aguentamos a pressão, as altas temperaturas, quem dirá a ação do tempo, sendo então, mero grafite.

“Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque, assim como o céu é mais alto do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” Isaías 55:8,9

“Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança.” Jeremias 29:11

A diferença entre poder e autoridade

Nem todo líder tem poder e autoridade. São conceitos distintos que existem em alguma medida na vida de cada um de nós.

Em administração o conceito de poder e autoridade são distintos. A aplicação destes conceitos, no cotidiano, nem sempre é compreendida. No entanto, pode ser facilmente identificada. Uma pessoa pode exercer poder sem autoridade e vice-versa. O ideal é possuir ambos, mas isso é a exceção, não a regra.

Poder é a capacidade de obrigar, por causa de sua posição ou força, os outros a obedecerem sua vontade, mesmo quando preferem não fazê-lo. Enquanto, autoridade é a habilidade de levar outros, de boa vontade, a fazer sua vontade. O poder é comprado e vendido, dado e tirado. Por outro lado, a autoridade é a essência da pessoa, está ligada ao seu caráter.

Todos conhecem líderes que possuem só poder ou só autoridade, e são raros os que possuem ambos. Pessoas que lideram apenas por poder possuem equipes inibidas, com talentos paralisados e sem a sensação de pertencimento. Porém, os que lideram apenas com autoridade, dedicam mais tempo para ouvir o grupo. Consequentemente, possuem equipes mais coesas e comprometidas.

A verdadeira liderança

Inegavelmente, a verdadeira liderança é a que contém os dois ingredientes. A dosagem certa de autoridade e poder é determinante. Quando a autoridade não é acompanhada de poder, o indivíduo fica deslocado de uma posição que permita exercer influência. Por isso, a autoridade precisa ser reconhecida e o poder para exercê-la concedido, tornando-a legítima.

Por outro lado, uma pessoa que possui poder e não adquiriu autoridade é aquela que exige o reconhecimento. Ela pode ou não possuir conhecimento e maturidade para exercer o poder que lhe foi concedido, mas em geral, teme os que possuem autoridade. O poder desvinculado da autoridade pode ser muito danoso.

“Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder.” Abraham Lincoln

A verdadeira liderança acontece quando os dois componentes estão presentes na equação. Como a autoridade é fruto basicamente do caráter do líder, ela não nasce instantaneamente. A verdadeira autoridade é coroada no processo de espera. Embora ela precise do poder para ser legítima, ela aguarda o momento exato para ser estabelecida.

O verdadeiro líder

O verdadeiro líder é aquele que possui seguidores, não escravos ou súditos. Seguir alguém pressupõe uma decisão voluntária, baseada no reconhecimento de alguma característica atrativa. Se permitir ser liderado, é muito diferente de uma liderança imposta. Tanto em ambientes corporativos, como nos relacionamentos, pouco nos agrada a imposição.

O verdadeiro líder é aquele que se deixou forjar pelo tempo e pelas circunstâncias e aprendeu a difícil arte da espera. A autoridade em sua vida foi moldada pelos fracassos e sucessos que acumulou. O poder não é seu alvo, embora entenda que precise do reconhecimento para exercer sua liderança.

A humanidade conheceu alguns líderes. Muitos deles influenciaram sua geração e deixaram um legado. Indiscutivelmente o maior de todos os líderes foi Jesus. Ele não veio estabelecer um governo ou liderança baseada em reconhecimento e aplauso humano ou político.

A liderança de Jesus

A liderança de Jesus foi pautada pelo serviço. A respeito dEle se diz que esvaziou-se de si mesmo e assumiu a forma de servo (Filipenses 2:7). Também está registrado que mesmo sendo Filho de Deus, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu (Hebreus 5:8).

Na escolha que fez de seus discípulos, Ele abriu espaço para um traidor. Relacionou-se com a traição oferecendo perdão e seguindo para a cruz. Aos discípulos ensinou que nenhum deles seria maior do que Ele, associando a posição que tinham, ao fato de que também seriam perseguidos. (Lucas 6:40).

Esta estratégia de liderança poderia ser questionada pelos estudiosos de nosso século, mas ela foi eficiente e eficaz. Transformou pescadores, cobradores de impostos e prostitutas em pessoas que transformaram sua geração. Influenciaram com seu exemplo, sem limitar seu nível de entrega. Alguns pagaram com suas vidas, sendo mártires.

O preço da liderança

O verdadeiro líder paga o preço dos momentos solitários e sombrios que moldam seu caráter. Davi conheceu estes momentos. Ao longo de sua trajetória de pastor de ovelhas até ser rei em Israel, ele foi perseguido e desprezado. Ele matou um urso e um leão, sem saber que estava sendo treinado para matar um gigante (I Samuel 17. 34-36).

Mesmo depois de ter sido ungido rei, não lutou pelo trono. Seu antecessor (Saul) receou tê-lo por perto, pois reconhecia a autoridade que estava sobre ele. Seu sucessor (Absalão) tentou usurpar seu trono à força. Em ambas circunstâncias ele esperou e cedeu espaço.

Seu exército foi formado por homens quebrados, endividados e foragidos (I Samuel 22:1-2). Ele, à semelhança de Jesus, transformou-os em homens valentes e guerreiros habilidosos. Por isso, a liderança de um homem é medida pela capacidade que ele tem de influenciar pessoas e mudar circunstâncias. Qualquer outro atributo pode ser somado, mas essa é a definição de alguém que conquistou autoridade e recebeu poder.

“As pessoas perguntam qual é a diferença entre um líder e um chefe. O líder trabalha a descoberto, o chefe trabalha encapotado. O líder lidera, o chefe guia.” Franklin Roosevelt

O preço da autenticidade

Ser autêntico é entender que temos uma identidade que nos torna únicos. Pagar o preço por ela faz parte do processo de solidificá-la.

Tudo que tem valor nesta vida tem um preço. Com a autenticidade não é diferente. Ser autêntico é ter coragem de abrir mão da aceitação, quando ela compromete nossa essência. Porém, este posicionamento não pode ser confundido com isolamento ou arrogância. Mas, está intimamente relacionado com o valor de nossa identidade.

Somos seres relacionais, e precisamos uns dos outros. A busca do pertencimento é legítima e completa nossas lacunas. Inegavelmente, a história familiar de muitos é recheada de desencontros e cicatrizes. A existência destes traumas não pode ser ignorada. Algumas feridas nem foram corretamente cicatrizadas, quando novos golpes no mesmo lugar acontecem.

Contudo, é importante destacar e diferenciar a importância de decidir pagar o preço para ser quem somos, do que significa pertencer. Quando o preço da aceitação compete e anula quem somos, devemos ter coragem de abrir mão da aceitação. Pagar o preço da autenticidade pode incluir lidar com rejeição e distanciamento.

Às vezes, ser aceito e ser autêntico não coexistem. Nem sempre teremos as duas coisas, e quando não for possível manter alguma circunstância ou relacionamento, temos que ter coragem de partir. A seleção acaba sendo consequência de nosso posicionamento, sendo na maioria das vezes, inevitável.

Tendo coragem de lidar com o fracasso

Não existe acerto sem erro, ou conquista sem fracasso. Toda vez que permitimos que o fracasso ou o erro nos paralise, desistimos de ser quem somos. A dor da rejeição ou da crítica precisa ser menor do que nosso desejo de seguir em frente.

Essas dores são reais, mas podem ser curadas. O remédio mais eficiente para tratá-las é admitir sua existência, nomeando-as e decidindo lutar contra elas. As máscaras não ajudam, pelo contrário, nos distanciam de nosso destino.

“Autenticidade não é pra quem pode, é pra quem quer levar a vida sem o peso das máscaras.” Day Anne

Sempre que nos escondemos atrás de uma versão distorcida de nossos sentimentos ou circunstâncias, boicotamos a nós mesmos. O instinto de levantar muros em torno de nossa frustração ou ferida é universal. Mas, é também, o caminho mais curto e menos eficiente, que em alguma medida todos percorremos.

Decidindo pagar o preço

A única maneira legítima de viver em comunidade é ter coragem de ser quem somos. Isso inclui assumir responsabilidade pelos erros, deixando de culpar outros por nossos fracassos. Ser protagonista é também desbravar um território não conhecido.

A decisão consciente e pessoal de pagar o preço de conquista de nossa identidade acontece gradativamente. Cada lição é aprendida a seu tempo, numa velocidade diferente. O imediatismo não contribui, às vezes, inclusive nos atrasa. A sensação de andar em círculos é real, e denuncia uma lição não aprendida.

O isolamento nunca representa uma alternativa, embora possa ser consequência de alguns períodos de transição. Ele não pode ser definitivo, mas não podemos evitar que algumas pessoas passem por nossa vida e decidam não prosseguir ao nosso lado. Ou ainda, que algumas circunstâncias acabem.

O fim de uma estação deve ser percebido sempre como o início de outra. Contabilizar os erros deve ser parte do aprendizado, mas focar neles não é sábio nem oportuno. Os acertos e as conquistas são nosso alvo.

Olhando para o copo meio cheio

Nenhum de nós é tão bom em algo que não precise aprender com alguém. Assim como, ninguém é tão ignorante que não tenha algo para oferecer. Por mais que nossas emoções e nossa mente queira nos trair, nossa contribuição acontece em alguma medida. Temos que escolher enxergar o copo meio cheio.

A tentação de olhar para o copo meio vazio é real, mas temos livre arbítrio. Certamente existem erros, porém os acertos também estão lá. Os problemas não podem brilhar, ofuscando as conquistas e os avanços. Os gigantes precisam ser conquistados, contudo, nosso olhar precisa estar na riqueza da terra.

“Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!” Machado de Assis

Precursores e heróis são solitários

“E infamaram a terra que tinham espiado, dizendo aos filhos de Israel: A terra, pela qual passamos a espiá-la, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.” Números 13:32,33

E Josué, filho de Num, e Calebe filho de Jefoné, dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes. E falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pela qual passamos a espiar é terra muito boa.” Números 14:6,7

Josué e Calebe tiveram uma opinião muito diferente dos dez companheiros que espiaram a terra com eles. Eles estavam em minoria, mas estavam certos. A terra conquistada era boa, possuía leite e mel e também gigantes. Quando decidimos conquistar a terra, não podemos olhar para os gigantes.

Inevitavelmente a seleção dos que nos acompanharão nesta jornada é feita. Os que enxergam os gigantes ficam de um lado, os que enxergam o leite e mel ficam de outro. Não se culpe quando algumas pessoas se afastam. Tenha coragem de perseguir seus sonhos e viver trajetos solitários. Tenha certeza que esse é um dos preços que pagamos quando decidimos ser autênticos.