Simplesmente, margarida!

Receber uma margarida é um gesto carinhoso; assim como outros que podemos ter. Está em nossas mãos reforçar o valor dos que nos cercam.

Uma margarida, assim como qualquer flor, possui delicadeza e evoca sensibilidade e perfeição. Cada pétala, folha e suas cores perfeitamente combinadas, transmitem pureza e simplicidade. Contudo, seja uma margarida, rosa ou orquídea, as flores com seus perfume característicos, formatos e cores suaves ou extravagantes, são instrumentos poderosos de afeto. Elas, isoladamente ou acompanhadas, são veículos de mensagens subliminares. Mas, podemos agregar significado a cada uma delas. Ou seja, serão apenas flores até que um olhar mais atento elege-as como símbolo do que deseja expressar.

Por isso, seja qual for o momento, receber e dar flores é um gesto delicado e de muito bom gosto. Elas raramente são indesejadas. O carinho, a paixão, o desejo de reconciliação, a saudade ou qualquer outro sentimento pode ser ainda mais intenso quando acompanhado de flores. A margarida, em especial, possui uma simplicidade que encanta. A natureza nos presenteou com beleza através de plantas e de uma variedade de flores que podem reforçar o que desejamos comunicar. Contudo, ela será simplesmente uma margarida até que seja colhida e direcionada a alguém. O que a torna especial, portanto, é ter sido escolhida e endereçada a quem desejamos agradar ou homenagear.

Gestos simples como dar flores, dizer obrigada e sorrir podem transformar o dia de quem convive conosco. Porque, nossa interação com quem está à nossa volta pode representar um bom momento de sua vida. Ou quem sabe ser aquele olhar que a fará enxergar um momento difícil com mais leveza. Saber que alguém lembra de nós, que se importa ou que está disposto a estar ao nosso lado, nos deixa mais fortes. Pois, precisamos da interação com nosso semelhante. Ter nosso valor reforçado por estes gestos, em certas ocasiões, é tão importante quanto respirar.

“Leve os jovens a enxergar os singelos momentos, a força que surge nas perdas, a segurança que brota no caos, a grandeza que emana dos pequenos gestos!” Augusto Cury

Acrescentando leveza

A vida é dura demais, e propõe desafios em níveis que nem sempre estamos preparados para enfrentar. Ela, também, é curta e oferece janelas de oportunidade que se fecham. Portanto, mesmo que soe como um chavão, temos que aproveitar os segundos que temos, fazendo escolhas sábias. Pois, o agora já se transformou em passado. Mas, o tempo bem usado, pode ser nosso grande aliado. Não temos opção de retroceder em alguns casos; já que, nem sempre o conserto de uma escolha errada é factível. Assim como, nem sempre temos consciência do valor do outro, até que deixe de conviver conosco. Porque, o valor que cada ser humano tem para nós, está intrinsecamente atrelado ao nosso olhar.

Portanto, temos poder de transformar alguns minutos, ou quem sabe horas da vida de alguém. Certamente a mudança pode ser benéfica ou maléfica. Ou seja, o tom de voz, a escolha das palavras ou do momento certo de expressar, é o que separa a comunicação eficiente da desastrosa. Por isso, cada componente do que comunicamos transforma a mensagem em algo fácil ou difícil de digerir. Já que, somos capazes de gerar esperança ou desânimo e, inegavelmente; temos capacidade de expressar empatia com pequenos movimentos na direção de quem conta conosco. O egoísmo, no entanto, nos isola e limita. Certamente, perdemos muito mais quando escolhemos reter do que quando nos doamos.

“É insaciável o desejo de doar-se a quem mora em nosso pensamento.” Daniel Bueno

Fazendo declarações

“Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram.” Machado de Assis

Nosso ser comunica mensagens o tempo todo. Por isso, podemos iluminar o ambiente em que estamos ou torná-lo denso. No entanto, não se trata de buscar um tipo de equilíbrio que nunca nos abale. Ou seja, que cobre de nós um tipo de imunidade que certamente não somos capazes de sustentar. Trata-se apenas de se permitir ser visto; apoiando-se na vulnerabilidade para declarar que sabemos como o outro se sente. É, também, escolher parar e prestar atenção, desviando o olhar de nosso próprio umbigo. Pois, há poucos metros, ou quem sabe centímetros, pode haver alguém precisando de doses de quem somos.

Contudo, quando a distância dificulta o contato; um telefonema, um bilhete, um recado, podem ser excelentes opções. Já que, tem valor qualquer iniciativa que demonstre o quanto nos importamos e sentimos falta, de quem nem sempre pode estar presente. A vida nos conduz por caminhos distintos; separando amigos e familiares por diversos motivos. Portanto, por mais legítima que sejam as motivações que respaldam cada escolha feita, nada substitui o papel de algumas pessoas em nossa vida. Por isso, precisamos despertar nossa sensibilidade. Uma margarida pode deixar de ser simplesmente margarida, se a entregarmos a alguém. Assim como uma pessoa deixará de ser mais uma na fila, quando nos dirigimos a ela com respeito e consideração.

Lutar em amor.

Lutar por uma causa é legítimo e imprescindível. Mas, precisamos promover aproximação e não distanciamento; aprendendo a lutar em amor.

Lutar pela defesa de um território ou posicionamento é legítimo. Já que, muito pior que uma derrota em qualquer campo de batalha, é a apatia que nos mantém estagnados. Nascemos com a necessidade de conquista e com o anseio de avançar. Inegavelmente, o principal combustível desta guerra são nossos sonhos e ideais. De maneira idêntica, nossa ótica da vida e a maneira como nos percebemos são determinantes no papel que exercemos. Alguns percebem-se conclamados a lutar incansavelmente por suas causas. Consequentemente são movidos pelas metas que estabelecem e não temem qualquer nível de confronto.

Outros, no entanto, podem assumir posicionamentos menos ofensivos, quase neutros, porque não convivem bem com o enfrentamento. Seja qual for o perfil que tenhamos, é fato que temos um conjunto de valores que rege nossas escolhas. Por consequência, quer gostemos ou não, ao longo de nossa existência, esbarramos em pessoas que pensam diferente de nós. Nem mesmo dentro de uma mesma família existe consenso. Pois, teoricamente, pessoas expostas a uma mesma criação ou ambiente, deveriam ter reações semelhantes. Nada mais se distancia da verdade do que supor que são apenas estes os fatores que formam quem somos.

Certamente nossa criação, o lugar onde vivemos, nossa classe social, nacionalidade e muitos outros fatores influenciam a composição de quem somos. No entanto, cada ser humano é único e possui capacidade de fazer escolhas que podem muito bem contrariar a parcela da sociedade em que está inserido. Considerando que fomos criados para viver em comunidade e que o convívio com nosso semelhante nos enriquece, urgentemente, precisamos encontrar o equilíbrio entre a expressão de nossa identidade e a ofensa e o desrespeito. Obviamente não gostamos da ideia de ter qualquer direito à liberdade de expressão tolido. Mas, a máxima que diz que minha liberdade acaba quando começa a do outro, é muito verdadeira.

“O mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que observam e deixam o mal acontecer.” Albert Einstein

Unidade na diversidade

Buscar unidade em tudo que vivemos nem sempre é possível. Mas a vida em sociedade exige que se busque soluções civilizadas de convívio. Outro fator importante a ser considerado é o fato de que a unidade só é promovida onde existe diversidade. Não teria sentido buscar unidade em algo que, por natureza, já é similar. Já que, onde as semelhanças já foram estabelecidas, não há necessidade de construir unidade. Pois, ela é intrínseca. O desafio nasce, portanto, quando pensamentos antagônicos e opostos são apresentados. Neste momento temos que escolher não desumanizar quem pensa diferente de nós. Porque, a guerra que travamos, seja defendendo um território ou tentando avançar na direção de um alvo; não deve ser ganha a qualquer custo.

Lutar usando armas que destruam o direito e espaço do outro; em benefício próprio, nunca será a melhor estratégia. É sabido que toda e qualquer guerra pressupõe baixas. Ou seja, na batalha as perdas acontecem, e os que estão na linha de frente são os mais afetados. Inevitavelmente as grandes conquistas da humanidade e os avanços civilizatórios foram gerados em meio ao posicionamento de uns poucos que não temeram oposição. Pois, quanto maior a causa e a mudança que desejamos promover, tanto maior deve ser nossa determinação de viver e morrer por ela.

“Quem não tem uma causa pela qual morrer não tem motivo para viver.” Martin Luther King

Lutando em amor

Jesus foi um grande revolucionário. Ele nasceu sabendo que Sua morte era o principal destino de Sua vida. Pois, sabia que através dela reconciliaria a criatura com o Criador. Ele nunca enganou os que desejavam segui-lo, antes alertou-os para a importância de imitarem Seus passos. Ou seja, os que quisessem Segui-lo, deveriam tomar sua cruz, rumando para o lugar de morte. Ele não incentivou a guerra com lanças e flechas. Antes, sofreu como uma ovelha muda diante de Seus tosquiadores. No entanto, tinha uma causa pela qual estava disposto a morrer. Seus ensinos demonstraram que a verdadeira batalha é ganha no lugar de rendição.

Pois, é quando oferecemos a face ao que nos bate, que provamos acreditar no valor do que proferimos. De maneira idêntica, ao perdoarmos quem nos ofende, direcionamos nosso foco para o que tem valor eterno. A compreensão da fragilidade de nossa existência, à luz da eternidade; bem como da importância de nossa vida; certamente, é o equilibra a batalha. Porque, nascemos para deixar nossa marca. Já que, ninguém pode fazer ou substituir nosso papel na história da humanidade. No entanto, nossa vida se esvai muito rapidamente e o orgulho e a altivez não são bons mestres.

Por isso, ao assumirmos o protagonismo de nossa vida temos que, essencialmente, permitir que o outro assuma seu protagonismo, também. Portanto, lutar por nossos ideais é legítimo e imprescindível. Mas, a verdadeira motivação da luta deve ser a promoção do amor. Qualquer causa que não objetive diminuir a distância entre os seres humanos é, no mínimo, vazia de significado. Aprender a lutar em amor é abrir mão de ter razão em alguns momentos. É também saber ouvir e oferecer empatia ao que discorda de nosso ponto de vista. O verdadeiro grito é aquele que damos ao morrermos pelo outro, e por aquilo que ele não compreende ou valoriza no momento.

“Ser grande, é abraçar uma grande causa.” William Shakespeare

Sinais – A importância de codifica-los corretamente.

Os sinais emitidos e recebidos cumprem um propósito. A compreensão deles, depende da familiaridade que temos com os códigos usados.

Sinais existem para orientar-nos, nas diversas áreas da vida. Eles são usados no trânsito, nos ambientes públicos e privados. Os limites de velocidade, as placas com nomes de rua, as demarcações das cidades; cada código tem um papel específico. Originalmente um sinal é criado para facilitar nossa localização e promover segurança. Contudo, quando os sinais não estão claros ou não são adequados, corremos risco de sofrer algum prejuízo. No entanto, decodificar corretamente um sinal não exige apenas que ele seja claro. Mas, também que conheçamos seu significado. Uma mensagem é bem transmitida quando o emissor e o receptor usam códigos familiares.

A vida emite muitos sinais ao longo de nossa jornada. Saber interpretá-los é decisivo para que nossa integridade seja preservada. Nosso corpo é um grande emissor de sinais. Quando ignoramos o cansaço, a dor ou algum sintoma persistente, corremos risco de desenvolver alguma patologia mais grave. Igualmente, nossa mente sinaliza constantemente aspectos de nossa alma que precisam ser corretamente codificados. Cada um de nós possui capacidade de aprender a lidar com os sinais emitidos pelo corpo e pela alma. Este autoconhecimento é decisivo quando se pretende ser saudável e viver com intensidade o que a vida nos oferece.

No entanto, ignorar sinais não soluciona o problema; agrava-o. No trânsito, quando infringimos alguma regra, somos multados. Mas, quando a infração é cometida, sem ser percebida pelo agente de trânsito, a multa não é aplicada. Contudo, isso não diminui a gravidade do ato. Colocamos nossa vida e dos demais em risco quando indiscriminadamente desobedecemos normas. As multas aplicadas nas infrações cometidas contra nosso corpo ou alma, nem sempre são aplicadas imediatamente. Porém, isso não anula os efeitos que se acumulam ao longo dos anos. A tendência de ignorar os sinais gera prejuízos crescentes e por vezes irreversíveis.

“Às vezes os problemas são sinais de que chegou a hora do guerreiro iniciar uma nova batalha.” Roberto Shinyashiki

Decifrando códigos

Existem sinais universais que, como o próprio nome já diz, servem como base para todos que deles se utilizam. As letras do alfabeto são um exemplo disso. Pois, embora alguns idiomas possuam um alfabeto próprio, eles são a minoria. Mas, mesmo quando utilizamos sinais universais, a composição deles pode não ser conhecida por todos. Ou seja, as mesmas letras podem formar palavras em idiomas que desconhecemos. De maneira idêntica, nosso próprio idioma possui palavras cujo significado ignoramos. A comunicação fica comprometida quando os sinais utilizados não são conhecidos por quem os recebe. Por isso, a leitura e interpretação correta de um sinal depende do conhecimento que emissor e receptor possuem da linguagem utilizada.

Por isso, não é incomum nossa alma e corpo emitirem sinais que não são codificados corretamente por nós. Por vezes nem quem está a nossa volta consegue nos ajudar a desvendar o significado do sinal que recebemos. Os profissionais da saúde física e mental esforçam-se no estudo de determinadas doenças classificadas como incuráveis e psicossomáticas. Contudo, a complexidade de nosso organismo e mente perpetua a tarefa. Pois, mesmo as descobertas mais recentes não esgotam o campo de pesquisa. Sempre há algo novo a ser considerado e avaliado.

Quando agregamos a isso o fato de que somos únicos, aumenta ainda mais a complexidade de decodificar a origem de algumas reações e dos sinais que recebemos. Além dos sinais emitidos por nosso corpo e mente, existem os sinais externos. Ou seja, as circunstâncias e as reações externas de quem convive conosco sinalizam importantes mensagens. Nossos cinco sentidos captam mensagens a todo instante. Somos influenciados pela temperatura do ambiente em que estamos, pela fome que sentimos ou pela noite mal dormida. Pois, cada um destes fatores isolados ou somados contribuem para que nossas reações sejam positivas ou negativas.

“Mas a gente não escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.” Martha Medeiros

O decodificador universal

Seria bom se o mercado tivesse desenvolvido um decodificador universal. No entanto, o produto não está à venda, pelo simples fato de que não pode ser fabricado. Ainda que tal produto não exista, podemos acessar o Criador que conhece o objeto criado. Nossa relação com Deus afeta nossa capacidade de decodificar alguns sinais que recebemos ou emitimos. Ou seja, potencializa nossa capacidade de fazer escolhas sábias que não infrinjam regras e não comprometam nossa integridade e dos demais. Por isso, cada um precisa transitar por um caminho único de busca e aprendizado. Sem dúvida alguma, não fomos criados por acaso, e não existe sinal sem significado.

Nosso olhar precisa ser treinado, assim como nossos ouvidos e cada um dos demais sentidos naturais. Mas, não fomos dotados apenas de sentidos naturais, temos sentidos espirituais. São eles os responsáveis por decodificarem a linguagem do espírito. Por isso, nossa relação com Deus é imperativa. Porque o mesmo arquiteto que projetou nosso corpo e mente, criou um lugar dentro de nós onde Ele pode habitar. É deste lugar que Ele nos ajuda a decodificar as mensagens que nosso corpo e nossa alma emitem. Inegavelmente estas são as mensagens mais difíceis de interpretar. 

Mas, não são as únicas que nos afetam. Quando escolhemos dar espaço para que o relacionamento com nosso Criador se desenvolva, tanto maior será nossa capacidade de interpretar nossas reações e de quem nos cerca. O desenho que Ele estabeleceu, quando nos criou, previa este relacionamento. Portanto, qualquer um que tente desvendar os sinais que recebe e emite sozinho, tem mais dificuldade de vencer alguns desafios. O fato de reconhecermos nossa necessidade de interação com um Pai que nos ama e nos criou, alivia tensões. A decisão é individual e jamais será imposta. Mas, temos diante de nós a possibilidade de acessar uma fonte inesgotável de respostas.

“Se o escultor despreza a argila, terá de modelar o vento. Se o teu amor despreza os sinais do amor a pretexto de atingir a essência, o teu amor não passa de palavreado.” Antoine de Saint-Exupéry

Usufruindo do relacionamento com o Criador

Inegavelmente, a decisão de permitir que o Criador faça parte de nossa vida não isenta-nos de conflitos. Mas, certamente, abrevia e ameniza os impactos deles. Compreender o funcionamento de nossos mecanismos internos e externos através do olhar de quem nos criou é a chave mestra, que abre portas. Pois, nunca foi desejo de Deus que vivêssemos isolados de um relacionamento com Ele. Quando Jesus morreu na cruz, nos incluiu em uma família de filhos. A relação havia sido rompida, quando o primeiro homem criado escolheu a independência.

Por isso, a cruz foi necessária. Ela nos devolveu este acesso. Contudo, o acesso não acontece de forma automática. Temos que optar por ele, permitindo que Deus se comunique conosco. Contrariando algumas opiniões, cada um de nós possui capacidade de ouvir Deus e de se comunicar com Ele. A linguagem neste caso precisa ser aprendida. Contudo, ela é eficiente e preenche o vazio que somente Ele pode preencher. Mais importante que reconhecer a existência de um Criador é o fato de nos relacionarmos com Ele. O resultado desta escolha e posicionamento, é a aquisição de um olhar e de uma percepção que transcendem o mundo visível.

Alguns chamam isso de intuição. Mas, no fundo o ser humano só é completo quando codifica corretamente os sinais enviados pelo Criador. Nossa vida tem sentido e cada um nasceu para cumprir um propósito. Nenhum ser humano nascido está neste mundo por acaso. O verdadeiro sentido que damos a nossa existência só pode ser estabelecido quando esta parceria está funcionando. Por isso, conhecer os sinais emitidos e ser capaz de emiti-los é um desafio que nos acompanhará sempre. Temos que ter humildade de admitir que não conseguimos desvendá-los sozinhos.

“É o olhar característico do amor que torna a pessoa sensível e atenta para perceber os sinais e demonstrações de afeto, por mais pequenos que sejam ou que aparentemente assim o sejam, que fazem nascer no coração um fundamental sentido de reconhecimento em relação a vida, aos outros, a Deus.” Santo Agostinho

O valor de cada um – Somos valiosos!

Descobrir nosso valor nos capacita fazer escolhas corretas; tanto em relação aos ambientes que frequentamos, quanto em relação às pessoas que queremos ter por perto.

Nosso valor está atrelado primeiramente à nossa capacidade de reconhecer nossa identidade. Pessoas com identidades frágeis ou nubladas, têm dificuldade de se situar em relação a seu valor real. Pois, cada um nasce com potenciais que precisam ser desenvolvidos e explorados. No entanto, são muitos os desafios que precisamos superar até que as camadas que cobrem nossa essência sejam removidas.

Porque nosso valor não é sustentado por coisas externas como posição social, sócio-econômica ou nível de instrução. Nosso valor está alicerçado em quem somos. Nossa essência é resultado de uma trajetória que pode ter incluído muitos fracassos. No entanto, cada um deles nos molda. Pois, quanto maior são os desafios, tanto maior são as oportunidades de transformá-los em aprendizado.

“Não duvide do valor da vida, da paz, do amor, do prazer de viver, enfim, de tudo que faz a vida florescer. Mas duvide de tudo que a compromete. Duvide do controle que a miséria, ansiedade, egoísmo, intolerância e irritabilidade exercem sobre você. Use a dúvida como ferramenta para fazer uma higiene no delicado palco da sua mente com o mesmo empenho com que você faz higiene bucal.” Augusto Cury

O relógio e seu valor

“Certa vez um pai, antes de morrer, disse ao filho: este é um relógio muito antigo do teu bisavô, tem mais de duzentos anos. Antes de ficares com ele; tenta vendê-lo no café. O filho lá foi e voltando disse que no café pagariam R$10,00, por ele. Então o pai disse: agora vai à relojoaria e faz a mesma coisa. Indo à relojoaria conseguiu uma oferta de R$30,00 pelo relógio.

O pai disse: agora vai ao museu e mostra lá este relógio. Quando voltou; disse ao pai: no museu ofereceram R$500.000,00 pelo relógio!!! O pai então disse:  queria que aprendesses que o lugar certo reconhece teu valor. Por isso, não fiques irritado por não te valorizarem no lugar errado. Quem sabe teu valor é quem o aprecia. Portanto, nunca fiques num lugar que não combina contigo.

Conheça seu valor!”

Este texto simples e direto, de autor desconhecido, é um belo exemplo de como o posicionamento é importante. Isto é, nosso valor pode ser celebrado ou anulado, de acordo com o ambiente onde estamos inseridos. Obviamente uma joia jamais perde valor, mesmo quando jogada no lixo. No entanto, ela pode bem ser esquecida e jamais cumprir seu papel. De maneira idêntica acontece conosco. O fato de não nos reconhecermos corretamente nos conecta com pessoas e situações que potencializam nossas inseguranças e medos.

Virando a página

Inegavelmente não existe uma receita de bolo que possa ser seguida e garanta o sucesso. Pois, a individualidade abre um leque de opções que precisam ser analisadas de acordo com cada contexto. Contudo, temos consenso no fato de que é nossa decisão que desencadeia a mudança. Pois, por mais que existam fatores externos que não controlamos, nossa reação a eles deve e pode ser controlada.

Por isso, é este o entendimento que constitui o ponto de partida para qualquer mudança que se busque. Ou seja, sem assumir o protagonismo e a responsabilidade pela mudança, não vamos a lugar algum. A virada de página não acontece quando fazemos um giro de 180 graus necessariamente. Porque na maioria dos casos ela é gradual e progressiva. O simples fato de querer mudar tudo de uma vez só dificulta a transição.

Portanto, buscar lugares de aceitação e de convívio saudável acontece quando nos respeitamos. Respeitar nossa limitação, assim como conhecer nossos pontos cegos é decisivo. Toda mudança ou ajuste que desejamos acontece primeiro em nós. A partir do que acontece conosco e em nós, as situações externas se alinham. Por isso que toda tentativa de correção de rota que inicia de fora para dentro não é bem sucedida.

Assumindo nosso lugar

Temos dentro de nós força e capacidade de nos reinventar muito superiores ao que identificamos. São exatamente os desafios que nos encurralam e nos propiciam extrair força de onde ignorávamos. Cada um de nós precisa de desafios crescentes que promovam nosso crescimento. Enxergar estas oportunidades, lidando com elas de forma coerente, é onde a linha divisória que separa vencedores de perdedores é traçada.

No entanto, perdas eventuais também fazem parte do processo de crescimento. Catalogá-las corretamente é incorporar maturidade à nossa jornada. Virar a página acontece sempre que finalizamos um ciclo e iniciamos outro. Colecionar estes aprendizados, aplicando-os intencionalmente, nos transforma em pessoas sábias.

“A honra é, objetivamente, a opinião dos outros acerca do nosso valor, e, subjetivamente, o nosso medo dessa opinião.” Arthur Schopenhauer

Escolhendo o melhor

A escolha do melhor está diretamente ligada ao autoconhecimento. Isto é, quanto mais nos conhecemos tanto maior será nossa capacidade de escolher com sabedoria. Nossa vida é o conjunto de escolhas que fazemos. Instintivamente escolhemos pessoas que tenham objetivos parecidos com os nossos. Por outro lado, podemos também conviver com quem não possui objetivos e isso nos afeta.

As tentativas de crescimento em locais errados frustram e atrasam a realização de sonhos. Sonhar é legítimo e necessário. Uma pessoa desprovida de sonhos é alguém que vive pela metade. Viver intensamente o presente e planejar um futuro só é possível para os que se conhecem e estão no local adequado. A arte de se perceber corretamente e buscar o habitat correto para fixar raízes é fundamental.

Qualquer solo que não produza nutrientes adequados para a semente inviabiliza a frutificação. Certamente existem técnicas de fertilização do solo. Mas, ainda assim, existem condições mínimas que precisam ser atendidas. Temos que ter coragem de classificar corretamente o lugar onde estamos plantados e ter coragem de mudar de solo quando este não for adequado. Mudanças são sempre desafiadoras mas o ser humano maduro é aquele que a cada dia aprende um pouco e muda um pouco. 

“Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento.” Eleanor Roosevelt

Selecionando nosso convívio

Pessoas e ambientes nos afetam mais ou menos, de acordo com o grau de acesso que damos a elas. Temos que ser criteriosos em relação ao que permitimos que penetre nosso coração. A solução não é usar uma couraça. Mas também não podemos ser totalmente permeáveis a toda espécie de crítica e sugestão. Equilibrar o convívio e separar o que pode agregar do que destrói é ser sábio. 

A busca de um equilíbrio entre ouvir opiniões e ter opiniões, sendo capaz de brigar por elas é fundamental. Se nem nós acreditarmos em nosso valor, outros não farão. Certamente é frustrante se perceber com potencial e não ser reconhecido como tal. No entanto, parte deste reconhecimento acontece quando temos coragem de lutar por um lugar ao sol. Longe de ser inadequado, esta postura é essencial quando queremos avançar.

Em resumo, deixar que outros atribuam valor a nossas conquistas e até mesmo ao nosso fracasso é um equívoco. Pois sempre que isso acontece, um pouco de quem somos se esvazia. Outros perceberão nosso valor, no exato momento que nos percebermos do jeito certo. Sem arrogância ou pretensão, temos valor porque dentro de cada ser humano existe uma alma eterna. É exatamente por isso que não devemos permitir que nos diminuam ou menosprezem.

“Ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento.” Abraham Lincoln


Menos é mais, opte pela simplicidade.

Classificar corretamente o que é excesso e o que é imprescindível é o que define uma vida simples.

Menos é mais na maioria das vezes. Ser minimalista é uma tendência dos tempos modernos. Buscamos praticidade e rapidez como meio de sobrevivência em um mundo frenético que nos atropela constantemente. Nosso olhar é disputado por uma mídia cada vez mais apelativa, que tenta nos convencer que nos falta algo. No entanto, quanto mais temos, menos satisfeitos estamos. Pois, não é o externo ou o que temos que nos preenche de fato. Adquirimos o último modelo de qualquer coisa, porque o modelo antigo não possui a facilidade extra oferecida.

Inegavelmente somos atraídos por aquilo que agrega conforto e praticidade para que tenhamos mais horas livres. No entanto, preenchemos estas horas com mais atividades, sem conseguir de fato, otimizar nosso tempo. Todos parecem ter algum nível de consciência e pensamento unânime no que se refere à utilização correta do tempo. Ou seja, concordamos que não podemos desperdiçá-lo. Já que é o bem mais precioso que temos. Contudo, perdeu-se gradativamente a capacidade do descanso sem culpa. Aquele tipo de lazer onde se lê um bom livro, ou se toma uma xícara de chá ou café com um amigo.

Os passeios no parque são raros, e as caminhadas longe do celular são quase inexistentes. A ditadura do relógio está presente em tudo o que fazemos. Pois, a geração atual nasce com um computador e um celular no criado mudo. Os que pertencem à geração anterior, como eu, tentam se adaptar à imposição dos tempos modernos. Sem dúvida a tecnologia é um apoio importante que agregou não só velocidade, mas também aproximação eficiente e eficaz do contexto global. O acontecimento do continente distante é divulgado com o mesmo detalhamento e em tempo real, competindo com o episódio ocorrido em nosso bairro. No entanto, existe um aspecto negativo desta globalização da informação que nos afeta. Inegavelmente estamos menos atentos ao que realmente importa, devido ao excesso de conteúdo que recebemos.

“A simplicidade é o último grau de sofisticação.” Leonardo da Vinci

A velocidade das horas

Os dias continuam tendo vinte e quatro horas. Foi esse o número de horas que nossos avós e pais utilizaram para construir sua trajetória. Sem dúvida o ser humano continua precisando de tempo de descanso, lazer e de uma alimentação saudável para viver melhor. O que mudou radicalmente é o uso que fazemos de nosso tempo. Quanto mais pesquisa fazemos, mais comprovação temos de que fomos desenhados para um estilo de vida simples. Contudo, isso não é sinônimo de falta de praticidade, e sim de ausência de excessos. Buscar este equilíbrio é decisivo para os que entendem que não nasceram por acaso. Por isso, empenham-se para atingir sua meta.

Atualmente temos crianças acessando muito mais informação do que no passado, no entanto estão mais confusas em relação à sua identidade e valor. Pais cada vez mais ocupados substituem tempo com os filhos por programas e objetos de consumo. A internet e a tv disputam espaço na rotina das famílias e subtraem diálogo do tempo que desfrutam juntos. Até a comunicação escrita sofre limitações, pois as redes sociais estimulam o uso de uma linguagem abreviada e cada vez menos eficiente. As pessoas de forma geral têm dificuldade de elaborar um pensamento e de posicionar-se sobre o que realmente pensam.

Na era da fake news e da digitalização da informação as massas são facilmente manipuladas. O marketing digital está em alta, e busca abocanhar uma fatia cada vez maior de mercado. Para todo lado que olhamos existe urgência, que rouba facilmente o lugar do que é importante em nosso cotidiano. Temos dificuldade de descartar coisas supérfluas para abrir espaço para o que é imprescindível. Se a solução fosse simples e imediata já teríamos revertido alguns índices. No entanto, mudar a cultura de uma geração envolve tempo e reeducação. Temos o desafio de reverter um aumento crescente de pessoas confusas e perdidas em relação a seu futuro.

“Tudo deveria se tornar o mais simples possível, mas não simplificado.” Albert Einstein

Optando pela simplicidade

Precisamos ter coragem de reavaliar nossas prioridades. A maneira como usamos nosso tempo e recursos financeiros revela muito à respeito do que valorizamos. Não precisamos desmontar todo nosso planejamento, mas certamente é importante avaliar o perigo de ser levado pela correnteza. Seria coerente que cada um, em uma velocidade e contexto específico, ousasse medir com honestidade, se está envolvido em atividades que contribuem efetivamente para atingir seus objetivos. Talvez alguns nem possuam metas reais para perseguir, pois estão sendo arrastados pela avalanche das urgências.

Especialmente nos últimos meses nossa nação passou por vários desafios. Fala-se em crise da educação, da saúde, das finanças e com certeza tudo isto é preocupante. Não podemos ignorar o cenário econômico e social no qual estamos inseridos. No entanto, mais importante do que tentar consertar o mundo é a tarefa de iniciar, em pequena escala, um ajuste em nossa vida. Os índices de pessoas, especialmente crianças, tratando-se de doenças oriundas de stress é alarmante. São muitas as oportunidades que temos de permanecer cativos a um ciclo vicioso que nos paralisa e destrói.

Conta-se de um grupo de pessoas a quem foi dada uma imagem do mapa mundi em formato de quebra-cabeças. Seu desafio era montá-lo no menor tempo possível. Para surpresa de todos, um dos participantes montou a imagem em tempo record. Quando questionado à respeito da estratégia que havia adotado, explicou que o verso da imagem do mapa continha a imagem de um ser humano. Portanto, quando o ser humano foi ajustado, o mapa mundi naturalmente foi montado. A simplicidade deste exemplo é a ilustração perfeita do que significa começar pelo princípio. Pois o ser humano é o princípio de tudo.

“O assunto mais importante do mundo pode ser simplificado até ao ponto em que todos possam apreciá-lo e compreendê-lo. Isso é – ou deveria ser – a mais elevada forma de arte.” Charles Chaplin

Focando no ser humano

Certamente, não temos capacidade de consertar o mundo, se não arrumarmos nossas prioridades e valores. Por mais nobre que possam ser nossos ideais, eles só serão coerentes e factíveis se estiverem em harmonia com quem somos. A vida simples não é aquela de alguém que se isola dos apelos urbanos. Mas, é a vida dos que não se deixam consumir por atividades e conquistas que comprometem sua essência. Quando o indivíduo é ajustado de dentro para fora seu contexto de vida muda. Consequentemente essa mudança influencia o meio em que está inserido.

A linha entre o que é importante e supérfluo é tênue. No entanto, se formos honestos, adquirimos gradativamente uma rotina de consumo constante que nos suga. A busca por mais é legítima quando não está fundamentada em uma mentalidade de escassez permanente. É contra este tipo de pensamento que temos que lutar. Pois, na prática, a maioria de nós tem o básico de que precisa. Falta-nos consciência de que o pouco com contentamento é mais do que o muito com conflito. Temos que cultivar uma atitude de gratidão em relação ao que possuímos. São estas premissas que nos capacitam a viver com menos e mais felizes, onde o menos é mais.

“O ser humano vivencia a si mesmo, seus pensamentos como algo separado do resto do universo – numa espécie de ilusão de ótica de sua consciência. E essa ilusão é uma espécie de prisão que nos restringe a nossos desejos pessoais, conceitos e ao afeto por pessoas mais próximas. Nossa principal tarefa é a de nos livrar dessa prisão, ampliando nosso círculo de compaixão, para que ele abranja todos os seres vivos e toda a natureza em sua beleza. Ninguém conseguirá alcançar completamente esse objetivo, mas lutar pela sua realização já é por si só parte de nossa liberação e o alicerce de nossa segurança interior.” Albert Einstein

Somente o ordinário pode ser extraordinário!

Quando abraçamos o ordinário, podemos transformá-lo em extraordinário.

Precisamos do ordinário para que o extraordinário seja gerado. Porque, sem o habitual, o inimaginável não existe. São os parâmetros definidos a partir do que é comum, que reconhecem o incomum. Já que, um não existe sem o outro. São as pessoas e circunstâncias triviais que transformam-se em excepcionais.

“O homem criativo não é um homem comum ao qual se acrescentou algo. Criativo é o homem comum do qual nada se tirou.” Abraham Maslow

“A maior habilidade de um líder é desenvolver habilidades extraordinárias em pessoas comuns.” Abraham Lincoln

Coincidentemente tanto Abraham Lincoln como Abraham Maslow escreveram sobre este tema. No entanto, mais importante do que registrar um conceito é aplicá-lo, e ambos o fizeram. Suas trajetórias brilhantes e sua contribuição para a humanidade foi possível graças a este entendimento. Eles foram pessoas admiráveis.

Perseguindo o extraordinário

Todo ser humano tem potencial de extrair do cotidiano algo incomum. Pois, fomos criados com capacidade de superação. Portanto, são os desafios que treinam nossa musculatura, para que sejamos capazes de enxergar o invisível. Aquilo que outros não viram ou exploraram pode nos transformar em pessoas fabulosas.

Nascemos para perseguir o “diferente”, porque somos únicos. Nossa identidade singular é o que garante ser possível viver trajetórias inéditas. No entanto, a análise do que é ou não incrível, jamais pode ser feita sem considerar o todo. Isto é, um sobrevivente de uma guerra é tão ou mais fenomenal do que o ganhador do Oscar. Cada um em sua esfera de ação é vencedor.

Erramos quando nos comparamos com os demais e suas conquistas. Cada ser humano é um universo. Somos complexos e únicos, portanto seria incoerente imaginar que temos meios de medir nossas conquistas ao nos compararmos com quem quer que seja. Não temos rivais quando entendemos quem somos, lidando honestamente com nossos limites, buscando superá-los.

Transformando o ordinário

Por isso, saber ler e escrever pode ser uma grande conquista para alguém oriundo de uma condição social menos privilegiada. Ao passo que possuir diploma universitário pode não significar tanto, para alguém que poderia ter explorado melhor suas oportunidades. O magnífico é medido a partir do ponto de partida de cada um. Seria um erro analisar apenas a classificação da chegada, ignorando as condições da largada.

“Meu pai ensinou-me a trabalhar; porém não me ensinou a amar o trabalho. O homem que trabalha somente pelo que recebe, não merece ser pago pelo que faz.” Abraham Lincoln

Amar quem somos e o que fazemos é uma das chaves que nos conduz a descobertas grandiosas. Somos brilhantes quando, a partir do ordinário, concebemos o sensacional. As biografias que extraem lágrimas de nossos olhos são as que narram histórias de superação. Elas foram escritas por pessoas que não se deixaram vencer pela dor ou dificuldade.

Ainda que muitos não vejam ou reconheçam, temos a chance diária de viver de forma inusitada. Apenas quando somos quem fomos criados para ser, influenciamos quem nos rodeia. Não precisamos de atos heroicos ou extravagantes. No entanto, necessitamos de coragem para nos vestir de nós mesmos. Desprovidos de máscaras ou fantasias, devemos lutar pelo que acreditamos.

Ousando ser livre

Igualmente importante, é aniquilar o medo. Pois ele nos rouba a liberdade necessária, para que nossos sonhos se concretizem. O olhar julgador do outro pode nos paralisar, se autorizarmos que sua opinião nos limite. Nenhum ser humano nos conhece de fato. Portanto, nenhuma voz pode ditar quem somos, a não ser que permitamos.

Ao decidir protagonizar nossa história, assumimos o comando e os resultados serão esplêndidos. Temos que fazer da liberdade nossa pátria, reivindicando-a em cada novo desafio. Nenhuma dificuldade é grande demais para os que entendem que nasceram com um propósito. Deus em sua sabedoria nos criou com um DNA singular, e assim também deve ser nossa trajetória. O Brasil e o mundo precisam de pessoas corajosas.

“Onde mora a liberdade, ali está a minha pátria.” Benjamin Franklin

O ordinário é a matéria-prima de onde todos nós partimos. O usual em nossas mãos pode ser surpreendente, pelo simples fato de ter sido dito, feito, escrito, cantado ou desenhado por nós. O banal pode ser fenomenal se nossa impressão digital estiver nele. Nascemos para deixar nossa marca por onde andamos.

Não sabemos se o que fazemos influenciará uma pessoa apenas ou uma multidão, e isto é o que menos importa. Mas, não podemos passar despercebidos. Nossa existência precisa cumprir um propósito. Com a ajuda do Criador, encontramos sentido para nossos dias e nenhum deles jamais será ordinário. Cada um deles nos conduzirá e contribuirá para que nossa jornada seja extraordinária.

Diga-me e esqueço. Ensina-me e lembro. Envolva-me e aprendo.

O verdadeiro aprendizado se dá através de envolvimento. O ônus de temer a vulnerabilidade dos relacionamentos é a ignorância.

“Diga-me e eu esqueço. Ensina-me e eu me lembro. Envolva-me e eu aprendo.” Benjamin Franklin

Não é novidade que nossas atitudes e ações falam mais alto do que nossas palavras. A conhecida frase de Ralph W Emerson, que diz: “o que você faz fala tão alto, que não consigo ouvir o que você diz”, é muito verdadeira.

Nossa vida e nossas escolhas falam. Assim como nossos gestos e olhares falam. Enfim, o que comunicamos não está associado unicamente às palavras. Comunicar está associado com partilhar, tornar-se parte de algo e tornar comum. Quando nos dispomos a comunicar alguma verdade ela precisa ser resultado de quem somos.

Existem muitas vozes atualmente buscando espaço e competindo no mundo virtual e físico. A humanidade carece de heróis, de referências e modelos. No entanto, alguns apontam na direção de um caminho que deve ser evitado, já que seu fim é trágico. Os grandes mitos e exemplos da humanidade foram pessoas que superaram desafios e aprenderam com eles.

A difícil arte do aprendizado

Aprendemos de forma intuitiva desde pequenos. Quando estamos rodeados de bons exemplos e de equilíbrio, absorvemos facilmente estas características. São elas que solidificam-se ao longo dos anos e nos tornam pessoas seguras. Quando isso acontece, nossa identidade é clara e nosso senso de propósito é aguçado.

No entanto, absorvemos também tudo que é negativo e destrutivo do que nos cerca. Nossa família e o meio em que vivemos pode ser um ambiente tóxico, que nos aleija e macula. Por isso, substituir estes ensinos por lições que nos levem para nosso destino não é tarefa simples e imediata.

Desaprender, reaprender e se permitir moldar é uma chave importante e eficaz que nos aproxima do alvo. O grande segredo é alimentar nossa mente com informações que cheguem até nós no formato de relacionamentos. Cercar-se de pessoas que ensinem o caminho com seu exemplo é decisivo. É também um atalho que evita a ignorância.

Pessoas que ensinam

O maior legado que deixamos é o que aprendemos. O material é destruído com o tempo, mas o conteúdo intelectual é eterno. Tudo que foi aprendido incorpora-se a quem somos. Por isso, são os relacionamentos que nos dão oportunidade de repartir esse aprendizado.

Não precisamos ser professores para ensinar. Os verdadeiros mestres ensinam com suas vidas, sem palavras. Todos os que amam o conhecimento, admiram e gostam da companhia de pessoas que são referência em sua área de atuação. É a vida de cada um a principal fonte de aprendizado.

Perseguir este conhecimento nos enriquece e completa. Porém, engana-se quem pensa que os livros são capazes de conter a totalidade deste conteúdo. Às vezes, as lições mais preciosas estão escritas na vida de pessoas que estão próximas. Pessoas que nem sempre alardeiam o que carregam, o que, de fato, torna o conhecimento ainda mais valioso.

“E, se alguém cuida saber alguma coisa, ainda não sabe como convém saber.” 1 Coríntios 8:2

Comprando a verdade

“Compra a verdade, e não a vendas; e também a sabedoria, a instrução e o entendimento.” Provérbios 23:23

Comprar a verdade significa pagar um preço para adquirir sabedoria. Muitos concordam em pagar um preço pelo conhecimento adquirido nas universidades. Mas, sabem muito pouco sobre adquirir sabedoria. Porém, sem sabedoria, não saberemos aplicar o conhecimento adquirido.

O verdadeiro aprendizado acontece regado por envolvimento. Sem relacionamentos nosso conhecimento não pode ser aplicado. Os relacionamentos testam o conhecimento, já que são eles que oportunizam praticá-lo.

Uma lição ensinada desacompanhada do exemplo é vazia de significado. No entanto, as lições que possuem poder de nos transformar são aquelas que vemos incorporadas na vida do outro. O que grita em nossa direção é o que está solidificado, não o discurso bem elaborado e eloquente.

A fotossíntese do aprendizado

A fotossíntese do aprendizado é permitir que o conhecimento seja transformado em aprendizado. O canal desse processo são as relações humanas. Os que desejam adquirir sabedoria, terão que abraçar a vulnerabilidade. Pois, é ela que lapida e incorpora o aprendizado em nossa corrente sanguínea.

Por isso, a decisão de ser um canal de aprendizado inclui mais do que repartir conteúdo. No final de nossa jornada o que prevalece é a marca que deixamos e que outros deixaram em nós. Nenhum conhecimento que não foi testado pode ser considerado aprendizado. Em geral os que se matriculam nesta escola, são alunos que descobriram que aprendem quando são envolvidos e se deixam envolver.

Você tem experiência?

Avaliar a experiência de uma pessoa baseado em seu currículo profissional é limitar quem a pessoa é de fato.

Este texto sobre experiência, foi extraído de um processo seletivo de uma grande montadora de carros onde a pergunta era a seguinte: Você tem experiência?

“Já fiz cosquinha na minha irmã pra ela parar de chorar. Já me queimei brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto. Já conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista.

Já me escondi atrás da cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido.

Já raspei o fundo da panela de arroz carreteiro. Já me cortei fazendo a barba apressado. Já chorei ouvindo música no ônibus. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que eram as mais difíceis de esquecer.

Já subi escondido no telhado pra tentar pegar estrelas. Já subi em árvore pra roubar fruta. Já caí da escada de bunda. Já fiz juras eternas. Já escrevi no muro da escola.

Já chorei sentado no chão do banheiro. Já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já corri pra não deixar alguém chorando. Já fiquei sozinho no meio de mil pessoas sentindo falta de uma só.

Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado. Já me joguei na piscina sem vontade de voltar. Já bebi uísque até sentir dormentes os meus lábios. Já olhei a cidade de cima e mesmo assim não encontrei meu lugar.

Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso. Já quase morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já apostei em correr descalço na rua.

Já gritei de felicidade. Já roubei rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas sempre era um ‘para sempre’ pela metade. Já deitei na grama de madrugada e vi a Lua virar Sol. 

Já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas feitas…Tantos momentos fotografados pelas lentes da emoção e guardados num baú, chamado coração….

E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e grita: ‘Qual sua experiência??’ Essa pergunta ecoa no meu cérebro: experiência… experiência.

Será que ser ‘plantador de sorrisos’ é uma boa experiência? Sonhos!!! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: Experiência? Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?”

Somos mais do que um currículo

Eu daria emprego para esta pessoa, e você? O ser humano é muito mais do que um currículo pode conter. Somos a soma de várias experiências boas e ruins. Todos os que nos avaliam ou medem, considerando apenas o que cabe no papel, não nos conhecem de fato.

Somos únicos e quando fomos criados, junto conosco nasceu uma história que só nós podemos viver. Cada ser humano é um universo complexo e extraordinário. A ousadia de escrever nossa própria história nasce deste entendimento.

Não precisamos ser bons em tudo, ou naquilo que esperam de nós. Somos bons em algumas coisas que talvez outros não percebam ou valorizem. Saiba que ser você mesmo é uma das tarefas mais difíceis da vida.

Acreditando em sonhos

Acredite nos sonhos que estão incubados em seu interior. Comece abrindo espaço para aqueles que nunca foram verbalizados. Descarte atividades e quem sabe até relacionamentos que não contribuem para que os projetos avancem.

Ter coragem para romper com o convencional é decisivo. Lidar honestamente com o que nos bloqueia e assumir o protagonismo de nossa história é o único meio de atingir o alvo. Ninguém pode ser responsabilizado por nossos fracassos. Somos agentes na construção de nosso destino.

“Experiência não é o que acontece com um homem; é o que um homem faz com o que lhe acontece.” Aldous Huxley

Ainda há lugar à mesa. Aproxime-se e junte-se ao banquete

Sentar-se ao redor da mesa com amigos ou familiares é sempre uma oportunidade de estreitar relacionamentos.

Ao redor da mesa é o lugar onde facilmente os relacionamentos se desenvolvem. Os almoços em família, tão raros hoje em dia, mas que deixam lembranças encantadoras. Ou, quem sabe um café da tarde com um amigo, ou melhor ainda, com um grupo deles.

Nem sempre é a qualidade da comida que está em jogo. Mas, quanto melhor elaborada ela for, tanto mais memorável será o momento. Aliar boa companhia à boa culinária é uma receita infalível de sucesso.

Em geral, nossas lembranças da infância são associadas com gastronomia. Nossos pratos prediletos, ou uma sobremesa que só os da família preparam com o gostinho de quero mais. Os temperos típicos de cada região e as receitas secretas que passam de geração à geração.

Os cheiros e gostos associam-se e mesclam-se aos lugares que frequentamos. Por isso, apegam-se à memória e contribuem para formar quem somos. Gastar tempo ao redor da mesa é reconhecer a importância de cultivar momentos que se eternizam dentro de cada um de nós.

A mesa é lugar de comunhão

Jesus sabia disso, quando convidou os discípulos a sentarem-se ao redor de uma mesa. Foi este o lugar escolhido, para fazerem sua última refeição juntos. Igualmente, ali receberam as últimas instruções do Mestre. Inegavelmente, foi ao redor de uma mesa, que Ele partiu para a mais dolorosa parte de sua jornada terrena.

E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa. E, chegada a tarde, assentou-se à mesa com os doze.” Mt. 26.19,20

De alguma forma Ele sabia que conquistaria a atenção de todos, se estivessem se alimentando juntos. Ele havia cultivado momentos como estes ao longo de três anos de ministério. Foi assim antes de sua morte na cruz e após sua ressurreição.

As horas que antecederam sua morte não foram percebidas por eles. Mas, ardiam no coração do Salvador e Messias, que se preparava para a cruz. Ao redor da mesa Ele selou uma aliança com aquele seleto grupo, prometendo que os encontraria novamente.

Os dias que sucederam a ressurreição foram confusos e desafiadores para o grupo de pescadores, que considerou ter perdido seu líder. Eles precisavam novamente buscar o aconchego de uma conversa ao redor da mesa. Jesus os esperava à beira do lago onde pescavam.

Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão. Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes.” Jo. 21. 9,10

Existe um lugar à mesa preparado para você

Em sua passagem pela terra, Jesus várias vezes reuniu-se com os discípulos e com as multidões que o seguiam, ao redor de uma refeição. Ele não só multiplicou alimentos, como serviu-lhes um banquete para alma, sempre que estavam juntos.

Esse era o motivo pelo qual atraía muitos. Ele os alimentava com a vida que eles tanto almejavam encontrar. Jesus alicerçou seu ministério terreno ao redor de um convite à intimidade. Ele deseja que estejamos próximos, compartilhando momentos especiais e segredos.

Essa realidade ainda está disponível. Existe um lugar à mesa que te pertence. Na casa do Pai existe sempre um banquete que espera o filho que retorna. Há abundância de provisão e de comunhão à mesa. Ninguém pode substituí-lo ao redor da mesa na casa do Pai. Este lugar foi desenhado para você.

Aprender a contar os dias, exige sabedoria. Os tolos andam em círculos.

Quanto mais sábios formos ao viver nossos dias, tanto menos arrependimento teremos de tê-los desperdiçado.

Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios.”

Sl. 90.12

Os que desejam extrair o máximo de seus dias, não são necessariamente os que os preenchem com atividades intermináveis. A sabedoria associada à administração correta de nosso tempo, é adquirida.

Adquirimos esta sabedoria quando acessamos a fonte de nossa existência, que é o próprio Deus. NEle reside todo conselho e toda orientação que necessitamos para não desperdiçar nossos dias.

A vida é o conjunto de frações de tempo que somos chamados à administrar. A simples organização coerente deste tempo não é suficiente. Temos que equilibrar nossas energias e focá-las naquilo que agrega significado aos nossos dias.

Adequando nossos dias às estações

Fazer a coisa certa no tempo errado, não é sábio. Por vezes, as atividades com as quais nos envolvemos são legítimas. Porém, elas precisam ser exercidas em outra estação. Temos que ter coragem de avaliar nossas motivações e nos adaptar às estações.

Alguns lamentam o tempo desperdiçado na juventude, ou quem sabe na infância. Em geral nos damos conta de que focamos nas coisas erradas depois que elas passam ou acabam.

Nossa vida tem estações, e todas elas acabam. Cada nova mudança de estação exige adequação. Assim como no natural, as novas estações trazem consigo necessidade de ajuste.

Assim como é inadequado usar um casaco de lã em pleno verão, é igualmente inadequado não discernir as estações que vivemos. Temos que ter olhos para ver o que elas trazem de melhor e pior, e nos adaptar a cada uma delas.

É proibido estacionar nas estações. Isso não seria sábio. Por mais que desejássemos que algumas delas fossem intermináveis, e outras passassem depressa, elas possuem uma velocidade peculiar.

Os dias e o tempo de cada coisa

Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu.
Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou;

Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar;

Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora;

Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz.”

Eclesiastes 3.1-8

O verdadeiro valor de nossos dias

O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis.”   

Maria Julia Paes de Silva

Somos capazes de conferir intensidade a cada atividade que desenvolvemos. Isso, por si só, conferirá significado ao que estamos vivendo. Preste atenção a quem está a sua volta e às oportunidades que este momento propicia.

A quantidade de horas de nosso dia é igual para todos. Sábios são aqueles que atribuem valor a cada hora de seu dia, a cada dia de sua semana, aos meses e anos de sua existência.

Não desperdice seu tempo. Peça a Deus que lhe conceda sabedoria para contar seus dias. Só alguém que seja eterno, consegue colocar na proporção correta cada segundo de nossa existência.