As contradições do discurso.

Um discurso não carrega contradição quando representa o que somos e o que sentimos. Contudo, toda e qualquer tentativa de mascarar nossos sentimentos contamina nosso discurso.

Um discurso é contraditório, não quando é desprovido de coerência apenas, mas quando não reflete sua prática. Ou seja, ainda que a fala seja bem estruturada e não possua elementos paradoxais, ela pode bem ser considerada incoerente. Pois, a estruturação de um discurso coerente depende de uma mescla de aspectos. Já que além da capacidade de comunicar uma mensagem com clareza, ele precisa ser experienciado. Porque o que mais agrega contradição a uma fala não são as ideias mal elaboradas, e sim a incompatibilidade delas com quem as expressa. O discurso mais coerente e coeso será o que reflete a vida de quem o proclama.

Aliás, a vida sempre falará mais alto do que qualquer discurso, seja ele contraditório ou não. Nossa língua é um órgão capaz de gabar-se de grandes feitos, assim como pode nos enterrar em um poço de desânimo. Podemos usá-la para convencer outros e quem sabe a nós mesmos de que somos capazes, quando nem sempre isso representa a realidade. Assim como, podemos ser convencidos por discursos inflamados a respeito do quão insignificantes somos, sem que carreguem verdade alguma. O que verbalizamos é uma parte de nossa comunicação, mas não é o todo. Nossa expressão corporal fala; assim como falam nossas ações e escolhas.

Aquilo que consideramos prioridade será aquilo com o que gastamos mais tempo e recursos. Portanto, quando dizemos que amamos algo ou alguém e esta declaração não é respaldada por ações, trata-se de um discurso contraditório. Nossa vida possui muitas contradições e pouco nos damos conta delas. Elas são claramente percebidas por quem convive conosco, mas raramente identificadas por olhares casuais e desatentos. Gostamos de dar nomes diferentes para cada um destes discursos, maquiando sua verdadeira essência. A verdade é que somos frágeis e muitos não suportam a realidade de lidar com essa pequenez. Infelizmente, optam pela superficialidade sempre que ser verdadeiro pressupõe acessar áreas doloridas.

“Suas atitudes falam tão alto que eu não consigo ouvir o que você diz.” Ralph Waldo Emerson

O confronto necessário

Cada ser humano é composto por um universo de experiências que modelam seu interior. É de lá que partem as reações e escolhas que fazemos. Nosso olhar é influenciado diretamente por estas gavetas secretas que ninguém sem permissão acessa; por vezes nem nós mesmos. São lugares embolorados, fétidos, úmidos e em geral muito doloridos. Todos nós temos ou tivemos algum destes lugares dentro de nós. Eles nascem de alguma experiência traumática ou da soma de muitas delas. Seja qual for a proporção que este lugar ocupe, acaba minando e contaminando quem somos. Pois, assim como um pouco de sujeira contamina toda água de um copo e não apenas parte dela, de maneira idêntica estas situações afetam todo nosso ser.

Alguns pretendem ignorar a existência destas zonas de conflito e por vezes sufocam suas emoções por anos. Mas as proporções aumentam consideravelmente sempre que negligenciamos a urgência e importância que devemos dedicar a este tipo de assunto. A extensão dos danos pode ser minimizada se o diagnóstico for precoce, permitindo tratamento adequado. O mais importante é saber que ninguém pode fazer isso em nosso lugar. Ou seja, temos que ter valentia de escolher faxinar nosso interior, removendo todo lixo acumulado.

É perigoso permitir que explosões ocorram a partir destes lugares. Pois as chances de espalharem lixo sobre pessoas e ambientes diversos é muito grande. Nosso subconsciente exerce um papel muito importante em nossas reações. Porque, é de lá que partem os medos, inseguranças, raiva, descontrole e todo comportamento que somos incentivados a abafar e reprimir. Contudo, quanto mais represados estiverem estes sentimentos, tanto menos liberdade temos de ser quem somos de fato. Não significa dizer que temos permissão ou que seria saudável extravasar sem critério tais emoções. O correto é reconhecer a existência delas e depois lidar com a origem de cada uma delas, impedindo-as de proliferarem.

“Quando o coração pode falar, não há necessidade de preparar o discurso.” Gotthold Lessing

O discurso coerente

O discurso coerente nasce quando o que nosso corpo e nossa boca falam se complementam. Quando a dor é reconhecida e revelada no gemido ou no grito e quando a tristeza se manifesta sem a carga da culpa. Não temos obrigação de estar sempre felizes, assim como não devemos fingir contentamento quando nosso interior está vazio. Um coração alegre aformoseia o rosto e nenhuma maquiagem é tão eficiente como a esperança que carregamos. Toda tentativa de disfarçar o cansaço ou a desilusão com roupas, atividades ou com uma fala otimista não será bem sucedida. O disfarce dura pouco, especialmente quando estamos rodeados de pessoas que nos conhecem de fato.

Deixar-se conhecer de fato é outro grande desafio. Já que confiar nossos sentimentos e permitir que vejam quem somos exige valentia. Não é sábio expor nosso interior sem critério, mas é igualmente maléfico fechar-se completamente. Os relacionamentos que temos deveriam ser um apoio nos momentos de conflito e não simplesmente um convívio fundamentado em trocas vazias e interesseiras. Nem todos conquistaram o direito de acessar nosso interior, contudo precisamos de um grupo seleto de pessoas com quem possamos contar. Só assim nosso discurso não será contraditório. Isto é, a contradição é eliminada de dentro para fora, com apoio de quem nos ama e conhece. Inevitavelmente a incoerência será suprimida quando não tivermos receio de lidar com o que nos desequilibra e oprime.

O pior cego é aquele que não quer ver. Não podemos forçar e nem seria legítimo exigir que as pessoas sejam honestas consigo mesmas. Contudo, o tempo se encarrega de revelar os contrastes de nosso discurso e do daqueles que nos rodeiam. Pior do que expressar um discurso contraditório é deixar-se enganar por ele. Ou seja, permitir que a dor e o desequilíbrio interno suprimam nossa espontaneidade e roubem nossa identidade. Não somos resultado de um experimento fracassado ou de um amontoado de experiências negativas. Temos capacidade de escolher o que abrigamos e nutrimos. Por isso, só proclama um discurso contraditório aquele que aceita esta versão de si mesmo, sem questioná-la, e não luta contra rótulos, que não o representam.

“Nem a contradição é sinal de falsidade nem a falta de contradição é sinal de verdade.” Blaise Pascal

Respeito e tolerância são diferentes.

Respeito e tolerância não significam a mesma coisa. Respeito é oferecido para pessoa por ser quem é. Tolerância é concedida quando se pretende manter convívio, onde o respeito não existe.

Respeito e tolerância podem manifestar-se de forma semelhante, mas não são a mesma coisa. Pois, quando respeitamos a posição de uma pessoa, ela não precisa necessariamente ser igual a nossa. O respeito está relacionado ao valor da pessoa e permite divergir, desde que o valor da individualidade seja mantido. Ou seja, o que está sendo discutido é a ideia ou ponto de vista e não o valor de quem pensa diferente. Contudo, no caso da tolerância, o que entra na análise é o valor da pessoa, junto com sua ideia. Portanto, a intolerância viola o direito do outro e o desqualifica por pensar diferente. A linha pode ser tênue em alguns casos, contudo, o resultado é muito diferente quando um e outro são oferecidos.

Nos dias atuais, com este ambiente polarizado, precisamos exercitar respeito e não apenas tolerância. Pois, ao desrespeitarmos as escolhas e diferentes opiniões estamos atingindo o ser humano que está por trás da ideia, manifestando-se legitimamente. Não temos obrigação de concordar ou de imitar posturas que consideramos inadequadas. Contudo, revidar com intolerância é a pior resposta que podemos dar. Sabe-se que quanto mais dividido e polarizado um grupo está, mais frágil se torna. De maneira idêntica, quanto mais unido e coeso estiver, tanto mais força possui. Os objetivos que temos são muito semelhantes quando conseguimos separá-los dos métodos que adotamos para conquistá-los.

Por isso, o que temos que oferecer para o que pensa diferente, são nossos ouvidos, não nossa indiferença ou agressividade. Soma confusão a um contexto confuso aquele que se utiliza da desumanização como argumento. Pois, a empatia é o melhor antídoto contra os julgamentos. Já que, quanto mais distantes estamos dela, tanto menos sucesso temos na análise equilibrada dos fatos. Porque, ao nos colocarmos no lugar do outro, podemos avaliar sob sua perspectiva as reações e escolhas que faz. Certamente, este é um exercício nem sempre fácil de se fazer. Contudo, a chave que decodifica e soluciona o enigma é fundamentada em respeito, não em mera tolerância.

Apenas tolerância não resolve

Podemos equivocadamente pensar que nossa tolerância em relação a um pensamento antagônico é o bastante. Mas, quem apenas tolera se sente superior ao outro em alguma medida. Porque, analisa os fatos com um olhar de superioridade de quem não tem nada a aprender com o outro. O que tolera é aquele que ouve por educação apenas; quando ouve. Por vezes, nem isso é capaz de fazer. A intolerância em qualquer esfera é o combustível das guerras e de toda destruição que o homem causa a si mesmo e ao seu semelhante. Pois, quer gostemos ou não, estamos inseridos em uma cadeia onde nossos atos repercutem. Portanto, não podemos agir impensadamente e imaginar que quem está à nossa volta não sofrerá algum tipo de dano.

A interação que acontece entre cada um de nós pode bem ser subliminar, mas ela não é invisível ou inexistente. Ainda que custemos a avaliar corretamente a extensão de nossas ações, elas existem. E, quanto mais influência temos, maiores são os danos que podemos causar com as escolhas que fazemos. Grandes homens, ao longo da história, contribuíram positivamente com suas descobertas e provocações. De maneira idêntica, alguns destruíram nações inteiras com seu orgulho e tirania. Ideias erradas implementadas e disseminadas contaminam gerações e podem alimentar o ódio e a intolerância.

“Não existe outra via para a solidariedade humana senão a procura e o respeito da dignidade individual.” Pierre Nouy

Respeitando o semelhante

O ciclo de vida de uma pessoa não inclui apenas avanços. Os retrocessos e os erros também estão presentes em nossa jornada. Mesmo que sejamos bem sucedidos e alcancemos nossos sonhos, nossa passagem aqui é curta. Conquistar posições, pisando em cima de quem quer que seja, não é uma estratégia inteligente. Pois, todos os bens materiais e contribuições que possamos dar para a humanidade não nos acompanham quando nossa vida aqui acaba. O que levamos conosco é o bem que fazemos, e o amor que semeamos. Os rastros de indiferença, ódio e desavença estarão sempre depondo contra nós e contaminarão nossa biografia e vitórias. Porque, um pouco de sujeira contamina toda água do copo, não apenas uma parte dela. De maneira idêntica, nossa postura equivocada compromete muito dos objetivos alcançados, não apenas parte deles.

O dom supremo é o amor e nele não existe inveja e ressentimento. Amar é respeitar as diferenças e reconhecer no outro uma pessoa de valor. Porque, independentemente das escolhas que faz, a individualidade do ser humano não pode ser usurpada. Defender esse território é tarefa de cada um e deveria ser compromisso de todos. Quando entendemos definitivamente que não é legítimo eliminar o outro para defender nosso ponto de vista, estamos seguindo na direção correta. Por isso, qualquer caminho que estimule comportamento diferente, deve ser descartado. Pois, nenhuma conquista pode ser validada quando se utiliza de meios que agridem e destituem o semelhante do protagonismo que tem de sua própria vida. Esta é precisamente a linha divisória que jamais pode ser ultrapassada.

“Quando se respeita alguém não queremos forçar a sua alma sem o seu consentimento.” Simone de Beauvoir

Mãos falam o que a boca não diz.

Nossas mãos falam o tempo todo. Elas dizem o que a boca não diz. Gestos sempre dizem mais que palavras.

Poucas pessoas conhecem o poder de expressão das mãos. Inegavelmente, não são apenas os deficientes auditivos que se beneficiam da linguagem de sinais, por elas executada. Mas, nem sempre é evidente o fato que mãos falam. Sim, elas falam porque refletem o que para nós é importante. Elas podem estar cheias ou vazias, ocupadas ou ociosas, disponíveis ou indisponíveis. Portanto, é prerrogativa nossa determinar o que elas comunicarão. Elas são a extensão de nossos lábios e denunciam a coerência ou incoerência de nossa fala. 

Mãos que amam, abraçam, acolhem, ajudam. Mãos que odeiam, desprezam, estão esvaziadas de afeto, acusam e machucam. Elas são instrumentos que ferem, sempre que nos omitimos de fazer o bem, estando ao nosso alcance poder fazê-lo. O cuidado oferecido a quem amamos, nos leva a ocupar nossas mãos com o que os deixa felizes. Mãos cansadas, precisam de descanso. Mãos feridas, precisam de cura. Mãos generosas doam-se e gastam-se em prol de causas públicas. Mãos talentosas produzem arte, geram beleza, adornam o imperfeito. Por isso, mãos falam e têm poder de transformar.

Existem pessoas talentosíssimas que produzem, com suas mãos, obras de arte belíssimas. Seja através de um quadro, de um livro, de uma música executada ou composta, de um artesanato ou de uma escultura, nossas mãos tem poder criativo. Elas fazem a maquiagem que usamos e a comida que nos alimenta. Elas constroem edifícios, casas, pontes, barracos e estradas. Elas também consertam vazamentos, rachaduras, equipamentos, carros, navios e aviões. Elas podem estar estendidas ou encolhidas, e mesmo quando se omitem estão falando. Elas dizem sim e não, avance ou pare. Mãos falam o tempo todo.

“Todos querem o perfume das flores, mas poucos sujam as suas mãos para cultivá-las.” Augusto Cury

Com o que ocupamos nossas mãos?

Portanto, ocupar as mãos com coisas que deixem nosso mundo mais belo, é optar pelo melhor uso delas. Em contrapartida, mãos também destroem, ferem e se omitem. Elas podem segurar, armas e flechas ou rosas e alimentos. Elas podem apontar o dedo acusador e preparar armadilhas. Com elas assaltamos, matamos, ferimos. Surpreendentemente, elas defendem e atacam, furtam e restituem, registram a verdade e a mentira dos fatos. Contudo, as mesmas mãos que optam pela bofetada, pelo soco ou pela surra, são capazes de acariciar, massagear e acalentar. Por isso, o exercício de nosso livre arbítrio determina seu uso.

Existe poder inerente em nossos atos de comunicar compaixão ou rejeição. Certamente não temos capacidade de dar o que não temos, ou de retribuir com generosidade, quando nosso coração está cheio de rancor. Por isso, elas são a tradução mais genuína do coração. Pois, nem sempre temos coragem de dizer com os lábios, o que expressamos através delas. Para alguns é mais fácil dar um presente do que dizer eu te amo. Ou quem sabe dar um soco, do que verbalizar um conflito. Porque as agressões possuem origem em nossa dificuldade de lidar com nossas emoções.

Fomos desenhados com duas mãos, porque o Criador sabia que precisaríamos delas em dupla. Muitas vezes elas necessitam companhia, devendo ser duplicadas, triplicadas ou quem sabe divididas. Por isso, temos que saber pedir e receber ajuda. Somos capazes de executar muitas coisas com duas, ou quem sabe, com apenas uma das mãos. Mas é simplesmente impossível, fazer tudo sozinho. Não é somente o peso que dividimos com outros, mas especialmente a angústia. Uma mão estendida pode representar mais do que um reforço. Já que nem sempre é de força física que carecemos.

“À medida que envelhecemos, descobrimos que temos duas mãos; uma para ajudar a nós mesmos, e outra pra ajudar aos outros.” Audrey Hepburn

Estendendo as mãos

“Não se pode apertar mãos com os punhos fechados.” Indira Gandhi

Inevitavelmente, ao decidirmos usar as mãos para promover o bem, elas adquirem marcas. Porque, elas não são imunes aos calos e cicatrizes. No entanto, tais sinais, deixados pelo tempo e pelo uso, não tem poder de deixá-las feias. Porque a beleza delas está vinculada ao que realizaram, não ao seu aspecto físico. Quanto mais delicada a tarefa tanto mais habilidosas precisam ser nossas mãos. Nem sempre é a força delas que conquista os objetivos almejados. Seus gestos precisos são reflexos da serenidade de uma alma confiante. No entanto, mãos trêmulas denunciam níveis de ansiedade e medo, que dificultam a execução de qualquer tarefa.

Portanto, mãos falam de nossos talentos, do estado de nossa alma e coração. Mãos revelam o que valorizamos e a importância que conferimos ao que é depositado nelas. Mãos diligentes sempre tratarão com respeito e lealdade os objetos e circunstâncias que carregam. Pois, os vários aspectos do que realizamos, revelam um pouco de quem somos. A história da humanidade foi marcada pelo trabalho de homens e mulheres que souberem utilizar suas mãos. Inegavelmente, as descobertas e o grande exemplo que deixaram foi porque fizeram bom uso deste membro valioso de nosso corpo.

Certamente a capacidade de influenciar negativamente também danificou e destruiu a vida de muitos. O poder em mãos erradas causa prejuízos incalculáveis. Leis são aprovadas por mãos inconsequentes e egoístas. Governos perversos exercem controle manipulador e opressor, lesando a vida de muitos. Por isso, seja qual for o uso que fazemos do poder que nos é concedido, ele jamais passa despercebido. A gentileza e a coerência se manifestam em nossos gestos. Transpiramos nossa essência por cada poro de nosso ser e através das mãos os executamos.

As mãos de Deus estão estendidas

Na cruz, Jesus deixou claro que Suas mãos estavam estendidas. Foi nesta posição que Ele rendeu Seu Espírito ao Pai. As mãos dEle curaram, abençoaram, criaram e resgataram. Elas, certamente, não eram mãos de acusação ou se ocupavam com coisas passageiras. Jesus ocupou-as com atividades eternas, deixando Suas digitais na vida de homens e mulheres que ousaram se aproximar. É inevitável que nossa digital seja impressa no que manuseamos, resta saber que marcas deixaremos. Portanto, o exemplo deixado por Jesus deveria nos inspirar.

Deus possui mãos, e ofereceu-as a nós na pessoa de Jesus. Elas estão disponíveis para nos abraçar e apoiar. Elas são fortes suficiente para nos sustentar diante de qualquer desafio. As mãos dEle são leais e Suas digitais estão impressas em toda criação. A beleza do que Ele criou denuncia Seu caráter e poder. Suas mãos não ofereceram resistência diante dos que o acusavam injustamente. Ele não ocupou-as com armas ou utilizou-as para ferir e lesar os que O seguiam. Elas foram usadas para transformar a vida dos que se aproximaram.

Ainda hoje Suas mãos permanecem estendidas e disponíveis. Porque, nunca foi Sua intenção que vivêssemos sem Sua ajuda. Temos liberdade de escolher se permitiremos que elas nos toquem e apoiem, ou se viveremos sem Sua intervenção. Qualquer um que tenha sido tocado pelas mãos do Mestre foi transformado. Ele nos criou com capacidade de usar nossas mãos para promover o bem. Ele oferece as dEle para cuidar do peso excessivo que não conseguimos levar sozinhos. Ele sabia que nossas duas frágeis mãos tinham sido desenhadas para conquistas. Mas sempre soube também, que precisaríamos das Suas mãos. Por isso, ofereceu-as sem medida.

“Eu tive muitas coisas que guardei em minhas mãos, e as perdi. Mas tudo o que eu guardei nas mãos de Deus, eu ainda possuo.” Martin Luther King

O colorido de nossa vida.

O colorido de nossos dias não é determinado pelas circunstâncias, e sim pela atitude e perspectiva com que encaramos a vida.

A vida nos oferece alguns objetos e circunstâncias descoloridos; sendo nossa tarefa colori-los. A criatividade envolvida neste processo é inata. Pois, embora alguns não se percebam criativos, todos aplicamos doses de originalidade em tudo que fazemos. Certamente, alguns exploram mais este aspecto de sua personalidade do que outros. Mas, sem dúvida, todos temos capacidade de inovar.

Portanto, a escolha das cores, assim como a ausência delas, reflete muito de quem somos. Pois, temos tendência de influenciar os ambientes dos quais fazemos parte. Este é um de nossos papéis na relação com nosso semelhante e naquilo que fazemos. Alguns gostam de cores vibrantes, alegres e contrastantes. Outros preferem os tons pastéis e cores neutras. O simples fato de termos preferência por determinada cartela de cores, indica que nosso gosto e singularidade está se expressando.

Refletimos isso na escolha das roupas, da cor do carro, das paredes da casa, da decoração, etc. Tudo em nosso ser, e nos ambientes sobre os quais temos gerência, carrega um pouco de nosso olhar. É inevitável, portanto, que nossa presença se expresse. Sufocar isso é inadequado. Mesmo quando não temos autonomia para tomada de decisão, temos um ponto de vista. Nossa ótica é formada por coisas que nos agradam ou desagradam, sendo resultado da complexa estrutura de nossa psiqué.

Aprendendo a conviver com a diversidade

Obviamente, gosto não se discute. Por isso, há consenso no que diz respeito à necessidade de considerar a opinião alheia; nem sempre objetivando a unanimidade. No entanto, as predileções corriqueiras e cotidianas, falam muito à respeito de quem somos e por vezes não são detectadas. Pois, a rotina desgasta nossa capacidade de perceber o tanto de nós que repartimos com os outros, quando escolhemos o que vestir, por exemplo.

Portanto, comunicamos mensagens subliminares por cada poro de nosso ser, à cada segundo de nosso dia. É natural que não valorizemos os pequenos gestos e escolhas. Contudo, é importante identificar nosso DNA no que fazemos. Nossa impressão digital se manifesta sempre que ousamos ser quem somos.

“A maior dor do vento é não ser colorido.” Mario Quintana

O simples fato de impactarmos outros com o que fazemos e com quem somos; indica que fomos criados para fazer diferença. Porque, ninguém na face da terra nasceu sem um propósito ou desprovido da capacidade de contribuir. Contudo, precisamos revisitar esta realidade com certa frequência. A avaliação honesta de como fazemos uso desta influência, nos possibilita ajustar os excessos e avançar na direção do aprimoramento.

Criados para impactar outros

Por isso, um dos aspectos que compõe a realização pessoal é o senso de que somos capazes de somar de alguma forma. Inegavelmente repartir quem somos com outros, influenciando-os com nosso exemplo, nos completa. Nascemos com a necessidade de pertencer, e a vida saudável em comunidade, pressupõe a troca.

Porque o equilíbrio acontece sempre que repartimos, sem constrangimentos, nossas opiniões e gostos e ouvimos o outro, com respeito. De fato, ao repartir um pouco de quem somos nestas interações, o senso de valor aumenta. Contudo, existe o risco de bloquearmos esta aptidão, devido a alguma experiência negativa passada.

Isto é, podemos ter sido mal interpretados ou quiçá feridos em alguma circunstância em que tivemos coragem de expressar algo. No entanto, precisamos separar o objeto do autor. Isto é, o que pode ter sofrido crítica, é uma ideia ou preferência, não quem somos. Já que, nós é que concedemos ao outro o direito de nos diminuir, quando desaprova algo que expressamos. Por isso, é importante ser capaz de lidar com opiniões divergentes.

O grande erro

O grande erro é conceder aos outros este poder de limitar nossa expressão. Pode bem ser uma limitação velada, mas, se ela nos bloqueia, precisamos lidar com este fato. Pois, ao anularmos alguma característica de nossa personalidade, destruímos um pouco de quem somos. Indiscutivelmente, pessoas bem ajustadas brigam por seu espaço sem intimidar-se.

Pois, entendem seu valor e papel, sabendo que ninguém tem direito de roubar-lhes este espaço. Contudo, são reais e variados os motivos que nos levam a abandonar esta posição. Mas, nenhum deles deve servir de prerrogativa para manter-nos na condição de anonimato. 

“Na realidade trabalha-se com poucas cores. O que dá a ilusão do seu numero é serem postas no seu justo lugar.” Pablo Picasso

Os dois lados da moeda

Diz-se que o oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença. Sempre que pessoas nos oferecem sua indiferença, elas nos agridem. Contudo, nós podemos estar sendo indiferentes também, ao negligenciarmos nosso papel. Isso, além de nos limitar, machuca quem espera poder contar conosco. Por isso, deveria ser proibido se esconder ou optar por não se expressar. Alguns vestem-se com a capa da timidez ou até da humildade; objetivando aplacar seus medos.

Portanto, estas são justificativas inválidas quando o que está em jogo é nossa realização pessoal. Contudo, isso não autoriza ou valida a agressividade ou a incoerência. Pois, nem sempre nos é concedida a opção de ser ouvidos ou o espaço para expressar o que pensamos. Contudo, nenhuma situação externa deve influenciar quem somos, ou anular nosso ponto de vista.

Porque, mesmo quando não somos ouvidos, podemos resguardar nosso território. As pessoas que aceitam passivamente que outros assumam o comando e tomem decisões por elas, são pessoas que precisam descobrir seu valor. Cada vez que um de nós se cala ou retrocede, o mundo fica menos completo, menos colorido, perde beleza. Porque o dano não é causado apenas na vida de quem se retrai. Ele acontece, em igual medida, na vida dos que são privados da contribuição.

Só repartimos o que temos e somos

É fato que pessoas feridas ferem. Talvez tenhamos lembranças que tenham nos influenciado negativamente e que nos fizeram assumir posturas defensivas. Elas podem se expressar através de uma retração consciente ou inconsciente. Mas, seja lá o que for que tenha gerado este desconforto, é infinitamente menor do que nossa capacidade de resolver o conflito. Pois, além de nossa necessidade de encontrar nosso lugar ao sol, outros esperam por nosso posicionamento.

Pois, os vínculos que temos com quem nos rodeia, nem sempre são sanguíneos. Mas, existem em alguma medida. Eles podem ser explícitos ou não. Contudo, é fato que nossa vida está interligada com a vida de quem nos cerca. Nossas decisões, quer gostemos ou não, afetam aos outros de forma positiva ou negativa. Por isso, nossa retração diminui o outro também.

“O espelho reflete a imagem da alma, que pode ser branca e preta ou colorida. A escolha é sua.” Beatriz Sebastiany

Decididos a colorir

Por isso, perdemos e geramos perda sempre que vivemos uma vida menor do que aquela que fomos desenhados para viver. Nossos sonhos precisam ser perseguidos. As cores que carregamos precisam ser vistas e conhecidas. Existe um livro para ser escrito; uma canção que ainda não foi composta; um experimento que ainda não foi feito. Em resumo, existe algo que só você pode fazer, ninguém mais. Já que, fomos desenhados para colorir nosso mundo com as cores que carregamos.

Nosso cheiro, nosso olhar, nosso abraço, nosso carinho, nosso ouvido, pode mudar o dia de alguém. Negligenciar este papel nos deixa menores e diminui quem está à nossa volta. Por isso, não permita que ninguém diga que a cor que você usou para pintar seu dia é feia ou inadequada. Ela é a contribuição que você tem para dar ao mundo e precisamos dela para que o mundo fique mais colorido. Todos nós vivemos dias cinzentos ou sombrios, e neles temos permissão para usar cores que expressem nossa tristeza. No entanto, não é sábio permanecer indefinidamente na condição de anonimato.

Temos dentro de nós capacidade de mudar nossa trajetória e a de quem nos cerca. A descoberta de nosso valor e a ousadia de viver algo novo é o que dá sentido à nossa existência. O mundo tem espaço suficiente para absorver nossa contribuição. Ela é bem-vinda e necessária. Ainda que ninguém tenha dito hoje que você é importante; saiba que para Deus sua vida tem valor. Foi Ele quem formou cada célula de seu corpo. Ele nos criou e não nos fez iguais de propósito. Ele ama a diversidade e espera que imitemos Sua ousadia usando as cores que nos deu. O mais singelo gesto deixa marcas. Por isso, temos em nossas mãos, capacidade de colorir nosso cotidiano.

“Não há dias cinzentos para aqueles que sonham colorido.” Dr. Cowboy

Recuse a manipulação. Busque sua identidade.

Ainda que a manipulação seja sutil, ela nos desconfigura; distorcendo quem somos e enfraquecendo nossa identidade.

A manipulação está presente em nossa vida desde a infância. Aprendemos a manipular de forma sutil e instintiva e, igualmente, somos manipulados. Esse é um dos mecanismos presentes em nossa psique, no qual nos apoiamos para conquistar o que queremos. No entanto, toda conquista baseada em manipulação não é legítima. Infelizmente, nascemos originais e morremos como cópias, devido às distorções que acumulamos ao longo da vida. A definição de manipulação no dicionário é: falsificação da realidade, objetivando induzir alguém a pensar de determinada forma. Pode ser entendida também como qualquer manobra que visa, oculta e suspeitadamente, alterar a realidade; falsificando-a. 

Portanto, a manipulação tem sua origem em uma mentira. Por isso, nada que esteja fundamentado em mentira pode ser legítimo. Certamente, muitos não são intencionais ao manipular. Provavelmente estão tão familiarizados com a dinâmica, que são incapazes de identificá-la. Inegavelmente, o primeiro passo para mudança de um mau hábito é reconhecê-lo. Nossa sociedade está contaminada com formas sutis e agressivas de manipulação. Desde os comerciais que pretendem vender felicidade com produtos que oferecem; até o choro, aparentemente inofensivo, da criança que deseja que seu desejo seja atendido. Viramos marionetes nas mãos de uma sociedade consumista e desajustada. Que, por óbvio, também está sendo manipulada. Trata-se de um círculo vicioso que se alterna, onde ora somos vítimas, ora agentes.

A verdade é que a manipulação só cessa quando nos apropriamos de nossa identidade. Ignoramos a gravidade de nos submeter a este jogo, até que saibamos quem somos de fato. Antes disso, absorvemos naturalmente conceitos à respeito do que devemos comer, como nos vestir e assim por diante. À primeira vista tudo parece inofensivo. Mas, com o tempo, as manipulações a que nos sujeitamos, tem poder de aguar nosso ser, deixando-o insosso. Porque, qualquer dose de distorção passivamente aceita, compromete o resultado final. As respostas que buscamos, que ajudem a desvendar nossa essência, não são encontradas nestes ambientes. Precisamos ter coragem de abolir a manipulação de nossas relações, para que possamos respirar oxigênio e amadurecer.

“A parcialidade é a arma de quem não tem argumento e castra a informação com a única intenção de manipular.” Antonio Carlos V O Motta

Buscando a verdade

A verdade só é encontrada por pessoas verdadeiras. Porque a verdade não convive com a mentira de forma passiva. Portanto, a tal meia-verdade; não existe. Já que, qualquer dose de mentira contamina toda a verdade. Quando nos utilizamos de manipulação em nossos relacionamentos, estamos vendendo uma auto imagem, que não nos representa. Ao passo que, quando alguém nos manipula, está extraindo de nós algo, que não escolhemos dar voluntariamente. Por isso, a pessoa em questão, se utiliza deste artifício. Em alguns casos, talvez até fosse esta nossa escolha. Mas, a manipulação contamina a decisão, deixando-nos confusos. A descoberta de que fomos ou estamos sendo manipulados nos frustra. E manipular nos empobrece e insulta a originalidade de nosso semelhante.

Manipulamos e nos deixamos manipular, porque somos fracos. Ao contrário do que alguns pensam, a manipulação não é sinal de força e sim de fraqueza. Uma identidade nublada e confusa torna-se um alvo fácil para as manipulações. E cada episódio de manipulação a que nos submetemos, nos conduz para bem longe de nossa essência. Temos que ter coragem de lidar com quem somos de fato. Dando nome aos nossos medos e não tentando imitar quem quer que seja. Assumir nossa identidade, lutando por ela, é o antídoto mais eficiente contra qualquer forma de manipulação. A maior dádiva que temos é nossa vida. Por isso, temos que ter coragem de vivê-la. Ninguém deve ser autorizado a fazer escolhas em nosso lugar.

Quando nos escondemos atrás de máscaras, ou mendigamos aceitação, estamos distorcendo nossa imagem. Por mais que pareça desafiador para alguns se perceber desta forma; existe beleza dentro de cada um de nós. Encontrar o caminho que nos conduza na direção correta exigirá humildade, porque não conseguiremos sozinhos. Não fomos desenhados para trilhar este caminho de forma solitária. Alguns que buscam este nível de isolamento esbarram na depressão, o que pode, inclusive, levar ao suicídio. No entanto, viver rodeado de pessoas não resolve ou minimiza o desafio. Precisamos nos cercar de pessoas certas, não de qualquer pessoa.

“Não tenha vergonha de tomar partido, tenha vergonha de ser manipulado por aqueles pensam que podem pensar por você.” Guimarães Júnior

Entendendo nossa gênese

Nossa estrutura frágil e complexa tem sua origem no pó, e é precisamente assim que nossa jornada termina. Qualquer um que tenha estado em um velório, sabe que dentro de poucos dias o corpo daquela pessoa querida se desfará, e voltará para o pó. No entanto, não temos só corpo. Possuímos uma alma, que é onde os conflitos se instalam. É através de nossa alma que nos relacionamos com nosso semelhante. Ela é responsável por abrigar nossa “ótica” de nós mesmos e da vida. Assim como o corpo pode adoecer e se ferir, de maneira idêntica, adoece nossa alma. São suas dores, que nos levam a buscar resposta em mecanismos de defesa, dentre eles a manipulação. A manipulação é um subterfúgio e um pretenso esconderijo para o que não gostamos de expor. 

A motivação que está por trás de determinadas escolhas nem sempre é louvável. Quando isso acontece, em algum grau, nos sentimos culpados. O analgésico para a culpa é a manipulação. Já que ela nos permite apresentar uma versão dos fatos capaz de convencer, inclusive, a nós mesmos. Os resultados deste tipo de comportamento danificam tanto o agente como o sujeito que sofre a manipulação. Jamais seremos percebidos de forma correta se nos utilizamos deste tipo de dinâmica. Nada do que conquistamos, especialmente os relacionamentos, serão sólidos. Porque este é um alicerce sobre o qual não conseguiremos construir nada que seja verdadeiro e duradouro.

Os que buscam coerência entre o que falam e vivem, precisarão diagnosticar a presença da manipulação nos seus relacionamentos. A baixa autoestima e os traumas a que fomos expostos, assim como o orgulho, alimentam este monstro. A mentira que nutrimos, ao concordar com este tipo de postura, causa rupturas em nossa personalidade. São estas pequenas rachaduras no muro de nossa alma, que o deixam vulnerável, com risco de desabar sem aviso prévio. O resultado final é que nos perdemos em nós mesmos; impedindo que as pessoas nos conheçam de fato. No entanto, a autenticidade é um atributo que embeleza nossas fragilidades. Podemos não ser talentosos, ricos, famosos, etc. Mas, ao sermos autênticos, cativamos as pessoas. O mundo carece de autenticidade.

“Quem acata opinião de quem só sabe um lado da história não é bem informado, é apenas mais um manipulado.”   Mayke Franz

Assumindo nossa identidade

Além do corpo e da alma, temos um espírito. É precisamente neste lugar adormecido, dentro de cada um de nós, que encontra-se a chave que devemos acionar. Deus nos desenhou com um lugar específico onde Ele pode habitar. Esse é o único lugar de onde Ele poderá nos instruir, ajudando-nos a lidar com os conflitos de nossa alma. No entanto, Ele precisa de um convite e de nossa permissão para assumir Seu espaço em nossa existência. Engana-se quem pensa que Ele invadiria este lugar. Porque isso contraria completamente Seu caráter. Deus não manipula e não se deixa manipular. Por isso, só nos encontra quando é convidado, porque nos criou livres. Sua atuação, a partir deste lugar, é a única fonte confiável de respostas que necessitamos.

Da mesma maneira que nossos sentidos naturais traduzem o que nos rodeia, nossos sentidos espirituais traduzirão Sua orientação. Temos capacidade de ouvir Sua voz, de sentir Sua presença, de vê-lO em nossas circunstâncias. A voz dEle é como a de um pastor que conhece nossa necessidade e nos conduz para pastos verdejantes. Ele não nos dará alimento que não seja saudável. Ele não permitirá que sejamos enganados, e nos alertará para situações em que estejamos enveredando por caminhos tortuosos. A presença dEle em nossas vidas não nos transforma em pessoas infalíveis nem perfeitas. Mas, ela é responsável por nos transformar em pessoas ajustadas, que não se utilizam de subterfúgios. Sem a ajuda dEle não somos suficientemente corajosos para lidar com alguns desafios.

Porque o que nos leva a manipular são nossas inseguranças e medos. Assim como o que nos impulsiona a nos movimentar debaixo de manipulação é a ausência de convicções à respeito de nosso valor. Uma pessoa que se percebe como impotente e frágil, está posicionada como alvo perfeito para um manipulador. No entanto, nenhum de nós é tão frágil que não possa resistir a quem pretensamente deseja escolher por nós. O homem sem Deus busca esconderijos para sua dor. Mas, nenhum deles é eficiente. Todos somos feitos da mesma matéria-prima. Embora sejamos únicos, nossas necessidades básicas são idênticas. Desejamos ser amados, aceitos, respeitados e precisamos de um propósito para acordar todo dia pela manhã. Passar por esta vida sem reconhecer-se é um desperdício. Por isso, ao recusarmos rotular e receber rótulos; estamos nos aproximando de nossa essência.

“Não deixe ninguém te transformar naquilo que você não é. Perder a própria identidade, é perder-se de si mesmo.” Day Anne

Que pessoas têm influenciado sua vida?

Somos influenciados pelas pessoas que estão à nossa volta de forma positiva ou negativa. Somos responsáveis por eleger pessoas certas para nos acompanhar na jornada.

Pessoas influenciam pessoas, por isso é importante ser criterioso em relação a quem permitimos que acesse nossa vida. A influência pode ser benéfica, quando nos cercamos de pessoas que torcem por nós e nos enxergam de forma correta. No entanto, mesmo no convívio com pessoas leais e amigas, existe o risco delas não discernirem o que realmente devemos escolher. Porque será sempre nossa a responsabilidade de fazer escolhas, não delas.

Quanto mais inseguros somos, mais as opiniões e julgamentos de outros nos influenciam. Porque, é inevitável que ao correr riscos, nossa fragilidade seja exposta. Este nível de exposição pode nos paralisar, especialmente quando fracassamos. Portanto, é importante que pessoas corretas estejam ao nosso lado, especialmente nos momentos difíceis. Quanto mais saudável forem os relacionamentos, menor será a influência que exercerão sobre as decisões que realmente importam.

Em contrapartida, se nos cercamos de pessoas erradas, os momentos desafiadores serão amplificados. Isto é, podemos facilmente não nos recuperar de uma derrota. Porque, ao permitirmos que pessoas negativas, que não nos codificam corretamente, nos cerquem, o momento de conflito transforma-se em uma sepultura. Muitas vezes, por influência de pessoas erradas, nossos sonhos e ideais são sepultados e o luto passa ser um estado de espírito. O verdadeiro companheiro de jornada não decide por nós, mas também sabe como nos encorajar a prosseguir lutando.

“Nunca permita que uma pessoa te diga não se ela não tem o poder de dizer sim. Ninguém pode fazer com que você se sinta inferior sem o seu consentimento.” Eleanor Roosevelt

O equilíbrio e os limites

Conviver e se abrir para novos relacionamentos e parcerias é extremamente saudável e oportuno em qualquer fase da vida. A convivência, especialmente com pontos de vista e ideias diferentes nos enriquece. Mas, precisamos proteger nossa identidade, estabelecendo limites para os que os desconhecem. Nem sempre é uma tarefa fácil equilibrar o tanto de espaço que devemos conceder, com o espaço que devemos delimitar.

Certamente, os traumas e decepções que colecionamos, nos transformam em pessoas mais cautelosas. De maneira idêntica, podemos levantar muralhas intransponíveis a partir destes momentos. Buscar o equilíbrio que nos livre das muralhas e nos ensine a cautela é uma arte que precisamos dominar. Ter coragem de ser vulnerável é essencial, quando desejamos amadurecer.

Aprenda a dizer não. Será mais útil para você do que ser capaz de ler em latim. C H Spurgeon

A capacidade de dizer não com convicção, protegendo nossa identidade, é inegociável. Jamais seremos pessoas livres e realizadas se não tivermos coragem de lidar com a incompreensão, julgamento e crítica. Algumas vezes será sábio considerar uma opinião diferente da nossa, outras vezes o melhor é simplesmente descartá-la. O “não” pode extrair das pessoas reações surpreendentes. Ele é um filtro excelente para peneirar o que vamos usar e o que deve ser ignorado dos relacionamentos que nos cercam.

Destruindo o impostor

“Quando consigo me desprender das pessoas e permito que Deus me liberte de uma dependência insalubre em relação a elas, mais eu consigo lhes dedicar minha existência, escutar com mais atenção, amar com mais altruísmo, falar com maior compaixão, brincar de maneira mais esportiva, me levar menos a sério e ter a plena consciência de que o meu rosto brilha sorridente sempre que me acho num jogo que aprecio completamente.” Brennan Manning

Brennan Manning escreveu vários livros em que aborda o tema de que convivemos com um impostor. O impostor é aquela personalidade que não nos define de fato, mas que insistimos em nutrir. O que nos leva a alimentar tal fraude, é a falta de clareza de quem somos. Além disso, temos dificuldade de lutar por nosso espaço, já que este mecanismo atua em alguma medida em cada um de nós. O impostor é derrotado quando assumimos os riscos de permitir que as pessoas convivam com quem somos de fato.

Somos imperfeitos, e isto é um fato contra o qual devemos parar de lutar. Por isso, ao tentarmos esconder nossos defeitos em busca de aceitação, nos distanciamos de nossa identidade. Sem uma identidade sólida, não somos capazes de encontrar sentido para o que fazemos. Seremos vulneráveis e instáveis se tentarmos corresponder às expectativas dos outros. Seremos criticados e mal interpretados às vezes. Alguns não gostarão de nossa companhia, outros nos abandonarão, mas este é o preço que temos que estar dispostos a pagar em nome do pertencimento verdadeiro.

“Não ser outra pessoa a não ser você mesmo, num mundo que, dia e noite, faz todo o possível para que você seja outro, significa travar a mais árdua batalha que um ser humano pode travar.” Brennan Manning

Agindo de forma intencional

Só seremos capazes de selecionar pessoas adequadas para estar ao nosso lado, quando estivermos vivendo a plenitude de nossa identidade. Ser seletivo é necessário quando almejamos crescimento. Precisamos influenciar pessoas de forma correta com nossa vida e conquistas. Inegavelmente cada ser humano nasceu com capacidade de contribuir na vida de seu semelhante com o que carrega. Portanto, manipulação e controle devem ser abolidos de nossas atitudes, porque não contribuem na conquista de novos territórios.

“Nunca confunda movimento com ação.” Ernest Hemingway

Nossos movimentos não são sinônimo de ação. Agir de forma intencional requer disciplina e boas doses de perseverança. Quando pretendemos reavaliar alguma decisão errada ou fracasso, temos que ser honestos em nossa análise. Por vezes constatamos que nossa vida tem muito movimento, mas pouca ação. O movimentar-se de um lado para o outro não nos transforma. Por vezes, inclusive confunde, pois sugere que estamos agindo, quando de fato estamos estacionados.

No entanto, a ação que é fruto de análise e programação, pode mudar nosso destino. Temos que começar pelo começo. Não seremos capazes de fazer a leitura de que estratégia temos que adotar, se não soubermos quem somos. Depois, temos que escolher com quem andamos; ou seja, a quem daremos permissão para acessar nossa vida. O próximo passo é traçar o plano de como atingir nossos objetivos. Não é difícil, mas ao mesmo tempo pode nos custar tudo.

Deus estará conosco nesta jornada, se permitirmos que Ele nos conduza. Ele sonhou conosco e só somos capazes de sonhar, porque fomos criados à Sua imagem e semelhança. Fomos desenhados para perseguir projetos maiores que nós, por isso, precisamos dEle como nosso principal aliado. Sem Ele, nossa vida fica vazia e sem significado.

Finalizando o que acabou

Deus é aquele que orquestra nossas circunstâncias e nos conecta com pessoas estratégicas. Quando estamos atentos aos movimentos que Ele executa, respondendo de forma adequada, os relacionamentos nos aproximam de nossos ideais. No entanto, o oposto também é verdadeiro. Quando nos cercamos de pessoas erradas, elas podem nos distanciar do alvo. O ditado popular que diz: “Diz-me com quem andas que te direi quem és”, é muito apropriado. Porque, não somos capazes de andar muitas milhas ao lado de pessoas que possuem valores e objetivos diferentes dos nossos.

Ter compaixão e empatia é diferente de fazer aliança com pessoas que jamais poderão contribuir na construção do que sonhamos viver. Servir aos outros com nosso tempo e habilidades é um gesto altruísta e recomendado. Mas, muito diferente disso é permitir que pessoas com quem não temos afinidade continuem acessando nossa vida. Perseguir nossa identidade inclui ter coragem de descartar o que precisa ser descartado. Ter ousadia de finalizar o que já acabou, e que portanto, não tem como ser mantido.

Mudar hábitos não é simples e nem rápido, mas não é negociável quando se trata de nosso futuro. Só nós podemos fazer escolhas deste tipo, não podemos terceirizá-las, nem achar que o tempo se encarrega de corrigir o que quer que seja. Se quisermos influenciar nossa geração com o que fazemos, temos que estar em boa companhia, cercados de pessoas que tivemos coragem de escolher para estar ao nosso lado. Qualquer cenário diferente deste, no qual assumimos o protagonismo, pode sepultar nosso destino e comprometer nossa trajetória.

Pertencer é diferente de encaixar-se

Temos necessidade de pertencer e não de um encaixe. Enquanto o pertencimento nos completa, o encaixe nos esvazia.

O ser humano foi criado com a necessidade de pertencer. Somos seres sociais, precisamos de convívio com nossos semelhantes que nos completam e desafiam a ser pessoas melhores. É neste convívio que amadurecemos e adquirimos consciência de nossos limites e lacunas. Os relacionamentos revelam também nossas qualidades, bem como nossa capacidade de lidar com diferenças.

Relacionar-se com quem tem afinidades conosco é legítimo. Pois, em geral são as semelhanças que nos aproximam e constituem o ponto de partida do relacionamento entre casais, amigos e colegas. No entanto, na família não exercemos escolha, somos apresentados a um tipo de pertencimento imposto. Por isso, alguns destes relacionamentos são desafiadores, mas são estes mesmos que possuem potencial de nos transformar.

Em geral nos irritamos ou discordamos de pessoas tão teimosas quanto nós. O velho ditado que diz que “dois bicudos não se beijam” é verdadeiro. Quanto mais semelhanças temos com determinada pessoa, mais facilmente nos deparamos com regiões de conflito, já que os pontos cegos também são compartilhados. Na prática não são os opostos que se atraem, e sim os iguais. Nossa principal tendência é de nos associar com os “iguais”, não com os “diferentes”.

A importância de pertencer

Pertencer a uma família, ou grupo de amigos com objetivos comuns, seja no trabalho, na escola ou vizinhança é imprescindível. Precisamos do que o outro carrega, no entanto não podemos confundir a necessidade de pertencer com o “encaixe” forçado. O pertencimento agrega valor e segurança à nossa existência. O encaixe, ao contrário, rouba nossa identidade e nos conduz por um caminho onde máscaras são usadas em nome da aceitação.

Qualquer um que deseja encaixar-se em algum grupo com o qual não se identifique minimamente, acabará traindo a si mesmo. Nenhuma aceitação deve custar tanto, porque não seremos capazes de extrair deste tipo de convívio algo que nos deixe melhor. Além disso, relacionamentos fundamentados em mentira não se sustentam. Relacionar-se é uma arte, exige boas doses de perseverança, paciência e muito amor. No entanto, quando um relacionamento violenta nossa essência, ele deve ser descartado.

Portanto, o exato momento em que percebemos que nossa identidade foi agredida ou sacrificada, constitui um alerta. Certamente algo está indo na direção errada e precisamos corrigir a rota. Pois, pertencer deve ser consequência de empatia e comprometimento mútuos. Porque, esta é uma via de mão dupla, não existe possibilidade de se estabelecer algo duradouro sobre outro tipo de alicerce. Ambos os envolvidos, precisam dar passos nesta direção, porque a manipulação e as máscaras inviabilizam parcerias sólidas.

Pertencendo sem medo

A busca por “pertencer” a lugares e grupos com os quais podemos aprender e trocar experiências é um componente importante da equação da vida. O isolamento não nos deixa melhores, nem nos protege de sofrer decepções. Quando nos isolamos estamos indo contra tudo que sustenta nossa existência; porque é na troca com o outro que nos tornamos pessoas mais completas. Porém, quando buscamos pertencer nos deparamos com a dor de decepções e frustrações.

É preciso ter coragem para admitir o quanto nos sentimos solitários e o quanto o outro nos faz falta. Mas, além disso, é preciso ter coragem para lidar com a mágoa e o ressentimento. Porque não existe coragem sem vulnerabilidade. Ser vulnerável é assumir nossa real identidade, é lutar por um lugar que nos pertence, na mesma medida que buscamos pertencer. Não são os outros que atribuem o valor que temos. É nossa capacidade de lidar com quem somos, que dá aos outros capacidade de reconhecer isso.

A ordem dos fatores, neste caso, altera o produto. Já que, quando nos esforçamos para nos encaixar, violentamos quem somos. Mas, quando temos coragem de ser quem somos, pertencemos naturalmente e atraímos pessoas com valores semelhantes. Este não é um caminho fácil de percorrer, existem etapas doloridas e solitárias. No entanto, é a única forma verdadeira de construir relacionamentos sólidos e duradouros.

Escolhendo a vulnerabilidade

“A vulnerabilidade soa como verdade e sente-se como coragem. Verdade e coragem não são sempre confortáveis, mas elas nunca são fraqueza.” Brené Brown

Escolher ser vulnerável é o oposto de ser fraco. Somos vulneráveis quando arriscamos ser quem somos. Permitir que as pessoas acessem nossa essência, inclui permitir que vejam nossas falhas, nossos erros e pontos cegos. Excluir a vulnerabilidade é o mesmo que limitar nossa capacidade de solidificar nossa identidade. Existe dor envolvida, porém nenhuma dor é insuportável quando o que está em jogo é nossa identidade.

“É preciso coragem para ser imperfeito. Aceitar e abraçar as nossas fraquezas e amá-las; é deixar de lado a imagem da pessoa que devia ser, para aceitar a pessoa que realmente sou.” Brené Brown

É bem verdade que nossa natureza não gosta de sofrer, temos pouca tolerância para lidar com desconforto. Em geral somos melhores gerando dor do que ao lidar com ela. Ou seja, facilmente fugimos de lidar com o que nos tira de nossa zona de conforto e em contrapartida ferimos com facilidade. Não existem atalhos seguros que nos levem até nosso destino e nos poupem da dor. Abraçar a dor emocional e às vezes física, não é negociável, faz parte integrante do contrato dos que buscam pertencer.

Pertencendo, não encaixando-se

Por isso, quando optamos por construir relacionamentos maduros, sabemos que um componente de dor estará presente. Seremos feridos e feriremos, mas a cada novo desafio enfrentado em conjunto, uma de nossas arestas é lapidada e ficamos mais fortes. Portanto, ser vulnerável é pedir e conceder perdão, é também ter coragem de dizer não, estabelecendo limites. O diálogo do coração é sempre mais coerente do que o discurso vazio das palavras.

Pertencer é ser capaz de assumir a fragilidade de quem somos diante de quem pode ou não compreender nossas razões. Pertencer é ter coragem de não andar só, reconhecendo que existe algo no outro que nos completa. Pertencer não é o mesmo que encaixar-se, porque o encaixe nos esvazia e o pertencimento nos preenche. Pertencer é saber quem somos, respeitando e permitindo que o outro seja quem é.

Nascemos para pertencer não para o encaixe. Os que viveram uma vida de encaixes não conhecem o valor do pertencimento. Os que pertencem não se esforçam para encaixar-se. O conhecimento de quem somos é decisivo para que consigamos cumprir nossa missão nesta terra. Nascemos com uma identidade e com um propósito. Viver nossos dias inclui perseguir uma identidade e um lugar de pertencimento.

O primeiro fato que devemos considerar é que pertencemos a Deus. Quando somos achados nEle, somos livres para pertencer a todos os lugares ou a lugar algum. Porque o verdadeiro pertencimento é fruto de uma identidade sólida. E a única fonte confiável de descoberta desta identidade é o próprio Criador.

“Você só é livre quando percebe que não pertence a lugar nenhum — você pertence a todos os lugares. O preço é alto, mas a recompensa é valiosa.” Maya Angelou

Apreciando a beleza através dos olhos de quem vê

Identificar beleza nas coisas simples e pequenas da vida é essencial. Respeitar a ótica do outro é ser capaz de enxergar a beleza através dos olhos de quem vê.

Definir o belo e o que contêm ou não beleza não é tarefa simples. Diria até que é impossível obter consenso quando se trata de classificar algo como belo ou feio. Pois, a beleza realmente está nos olhos de quem vê. A ótica de duas pessoas em relação a um mesmo contexto ou circunstância pode ser oposta. Por isso, não significa que necessariamente um deve estar certo e o outro errado.

Sem perceber, observamos a vida através de paradigmas pessoais e únicos. A circunstância que representa derrota para um indivíduo, pode representar um incentivo e convite à superação para outrem. Uma situação que limitaria alguém, pode abrir portas para outra pessoa. Provar uma comida exótica pode ser algo empolgante para os aventureiros, e um sacrifício para os que possuem paladar convencional.

Quando não gostamos de determinada coisa, ou temos qualquer preconceito em relação a algo, seria sábio não opinar a respeito. Deveríamos nos limitar a censurar apenas o que amamos, não o que odiamos. Pois, o ódio obscurece nossa capacidade de distinguir e de julgar de forma isenta e equilibrada.

Só consegue emitir juízo correto aquele que encontra falhas no que ama, não no que odeia. O simples fato de classificarmos algo como desagradável, feio ou inadequado, já nos desqualifica para opinar sobre isso. Infelizmente, insistimos em julgar coisas que em sua essência nos desagradam. Em geral, sãos essas situações que atraem nosso olhar como um ímã, e são o gatilho de pensamentos pouco coerentes.

Encontrando beleza na diversidade

Não deveríamos nos mover em cima da “obrigação de sentir”, pois isso congela nossos sentimentos. Respeitar a opinião do outro, especialmente quando sua ótica é oposta à nossa, evitando perseguir empatia imposta, seria solução para muitos desentendimentos. Não temos obrigação de sentir, de concordar, de entender ou de opinar a respeito de coisas que nos desagradam.

Assim, o apaixonado pela culinária italiana é a pessoa certa para “criticar” o prato que lhe foi servido, não o apreciador da culinária japonesa. O engenheiro é o que deve avaliar a construção de uma ponte, não o dentista ou o advogado. Aquilo que por vezes é óbvio, facilmente é negligenciado em nossas relações. E o pior de tudo é que com frequência, ao definirmos se algo possui ou não beleza, desumanizamos quem está por trás do feito.

A obra se mistura com seu autor, e ao analisar a obra temos dificuldade de desassociar o feito de quem o fez. Certamente existem circunstâncias em que esta linha é tênue e quase imperceptível, mas ela existe e deve ser respeitada. Criticar sem cautela o que não gostamos é inadequado e quando não suportamos algo, o mais sábio é nunca criticar.

O mundo está repleto de beleza que deve ser desvendada e descoberta por olhares curiosos e atentos. Enxergar a figura humana em um bloco de mármore é o desafio do escultor. Existem muitas pedras brutas e sem forma que aguardam que alguém lhes imprima significado. As grandes descobertas da humanidade são oriundas de experiências que envolveram criatividade, foco e curiosidade. Quanto mais distraído nosso olhar estiver, menos criativos seremos.

“Os ideais que iluminaram o meu caminho são a bondade, a beleza e a verdade.”  Albert Einstein

Respeitando a beleza descoberta pelo outro

A beleza que outro olhar descobre não é menos valiosa ou menos importante do que aquela que nós encontramos. Saber apreciar o belo pela ótica do outro é um ato de generosidade. No entanto, isso não é sinônimo de abrir mão de nossas preferências ou gostos. É possível discordar sem agredir ou diminuir quem pensa diferente de nós. É mais do que entender que meu direito acaba quando começa o do outro, é desejar aprender com quem pensa diferente.

O belo está presente na diversidade e somos sábios quando o perseguimos fora de nossa zona de conforto. Relacionar-se com a diversidade de gostos, sabores, opiniões e óticas é o que enriquece-nos. Cada ser humano é um universo em si mesmo. Somos resultado de experiências, cultura, criação e de uma estrutura orgânica única. Imaginar que encontraremos pessoas que repliquem quem somos é desconsiderar, e de certa forma anular, a realidade de que somos únicos.

Portanto, quanto mais definida for nossa identidade, menos ameaçados nos sentiremos. Os relacionamentos sólidos não são aqueles em que os pares pensam semelhante, e sim onde há diversidade e respeito. Temos diariamente oportunidades diversas de enxergar o belo através do olhar de nosso semelhante. Os que aprendem essa arte são os que enxergam a beleza através dos olhos de quem vê.

“A beleza é a única coisa preciosa na vida. É difícil encontrá-la – mas quem consegue descobre tudo.”  Charles Chaplin

A páscoa do cordeiro

Jesus é o Cordeiro de Deus que foi sacrificado de forma definitiva em nosso lugar. Ele é o verdadeiro sentido da páscoa.

A páscoa, celebrada por cristãos e até mesmo por ateus nesta semana, é uma festa com grande significado. Para os que reconhecem Jesus como centro da celebração, ela representa a esperança da vida abundante e eterna. Foi nesta data que o Cordeiro de Deus foi sacrificado em uma cruz, para que nosso acesso a Deus fosse restaurado.

A festa foi instituída no contexto judaico, quando o povo de Israel era escravo no Egito. Ela celebrava a libertação de anos de escravidão, sendo o principal elemento da festa um cordeiro. O sangue do animal, aspergido nos umbrais da residência dos israelitas, os livrou da morte e da escravidão, inaugurando o início de sua peregrinação rumo à terra prometida. A carne do animal era saboreada, acompanhada de ervas por toda família.

Como todo aspecto do antigo testamento é figura de verdades do que Jesus veio cumprir, a morte do cordeiro apontava para um sacrifício definitivo. Este sacrifício aconteceu na encarnação do Cordeiro de Deus – Jesus – o Deus-homem. Sua morte na cruz, igualmente, nos liberta de uma vida de escravidão, nos unindo ao Criador, assim como estabelece o início de nossa jornada rumo à eternidade.

Um cordeiro ou um coelho?

Atualmente é comum associar a páscoa à figura do coelho, com algumas simbologias que remetem à renovação, fertilidade, etc… Porém, quando comparamos com o sentido original vinculado ao cordeiro, o coelho passa a ser uma figura aguada, que não exprime a profundidade do que aconteceu nesta data. É uma tentativa de substituir o verdadeiro animal, atrelando a ele um apelo comercial.

O animal designado por Deus para celebração desta festa sempre foi o cordeiro, porque Ele já havia estabelecido, antes da fundação do mundo, que enviaria Jesus como o Seu cordeiro pascal. Celebrar a festa com este entendimento nos leva a refletir sobre a importância deste ato.

Foi naquela cruz há mais de dois mil anos que Jesus dividiu a história em antes e depois de seu nascimento (a.C e d.C). Só este fato seria suficiente para despertar em nós interesse de averiguar os reais motivos que levaram Jesus à cruz. Assim como em Adão (o primeiro homem) todos nós pecamos, em Jesus (o último Adão) todos nós fomos resgatados. 

Respondendo algumas perguntas

Resgatados exatamente do que? Que tipo de escravidão nos prende? O que este sacrifício representa de prático em nossa experiência atual? Como experimentar a realidade do que aconteceu naquela cruz? Estas são todas perguntas legítimas, sobre as quais deveríamos meditar, buscando obter respostas.

“O cristianismo, se é falso, não tem nenhuma importância, e, se é verdade, tem infinita importância. O que ele não pode ser é de moderada importância.” C S Lewis

A realidade da páscoa é experienciada quando ousamos admitir que precisamos de um redentor. Quando, igualmente, admitimos ter uma natureza pecaminosa, que tende a escolher o erro. Por consequência, temos que reconhecer que somos incapazes de mudar essa natureza, sem a ajuda de Deus. Já que ela é parte de nosso DNA,  e foi uma mancha herdada de Adão.

Por isso, nossa trajetória precisava da intervenção de um salvador. Este salvador precisava ser um homem, para vencer na forma humana em nosso lugar. Ele não poderia pecar, já que o cordeiro aceito por Deus deveria ser sem pecado. Esse lugar foi ocupado por Jesus, quando suportou tentações que eu e você não seríamos capazes de suportar.

Ele morreu a nossa morte, para que pudéssemos viver a Sua vida. A páscoa é lugar de morte, mas também de ressurreição, de esperança, de vida eterna. É o lugar onde o caminho de volta é aberto. Onde a comunhão com Deus passa a ser possível, sem barreiras e sem esforço.

A decisão é pessoal

No entanto, embora Ele tenha morrido por todos, nem todos reconhecem neste sacrifício uma oportunidade de resgate. Isso se deve ao simples fato de que fomos criados com livre arbítrio. Esta liberdade nos é concedida para que possamos escolher incluí-Lo em nossa experiência pessoal ou não.

A humildade de Seu nascimento revela o caráter do Pai, que é imutável. Por isso, a salvação de nossa alma não pode ser imposta. Do contrário, se fosse inclusiva ou imposta, contrariaria o princípio de liberdade com que nos criou. A salvação é oferecida como uma opção de vida. Ele se oferece e nos faz o mesmo convite que fez aos discípulos: Segue-me.

Nossa resposta a este convite determina o quanto do “Cordeiro de Deus” conheceremos. É um convite para um relacionamento, não o comprometimento com uma religião ou lista de regras. Por isso, a humildade do nascimento também é percebida na forma como se entregou. Ainda que seja nosso Criador, deixa-nos escolher se queremos ou não ser filhos.

“Nunca alguém tão grande se fez tão pequeno para tornar grandes os pequenos.” Augusto Cury

Entendendo o sentido da páscoa

Portanto, o verdadeiro sentido da páscoa é reconhecer que naquela cruz, Jesus comprou nosso resgate. Ele nos incluiu na família de Deus, repartindo o Pai conosco. Sentir-se filho, deixando de ser apenas criatura, faz toda diferença para quem deseja encontrar sentido nesta vida. Deixamos de ser criaturas quando reconhecemos no sacrifício da cruz o plano perfeito de Deus de adoção.

Fomos enxertados na família de Deus através da morte e ressurreição de Seu cordeiro.  O Unigênito transforma-se em Primogênito. Sua ressurreição é a garantia de que fomos desenhados para eternidade. Receberemos um novo corpo, que não se deteriora com o tempo e uma nova natureza, porque a vida não cessa após a morte física. O homem nasceu para ter vida eterna e isso também foi resgatado naquela cruz.

No entanto, não temos a opção de terceirizar esta tarefa de reconhecê-Lo como salvador. A fé precisa ser nossa. Deus não possui netos, Ele possui apenas filhos. Cada um de nós precisa de uma experiência pessoal com o Criador e Salvador de nossa alma. Ele morreu para que tivéssemos vida. Por isso, espera que reconheçamos voluntariamente o tamanho do amor que demonstrou por nós quando enviou Jesus.

“Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim nunca morrerá.” Jesus Cristo

Feliz Páscoa!

Transformando nossa essência

Perseguir a transformação de nossa essência, em busca dos sonhos de Deus conosco, é corresponder com o projeto que Ele tem para nossa vida.

“Cada vez que você faz uma opção está transformando sua essência em alguma coisa um pouco diferente do que era antes.” C S Lewis

Facilmente perdemos a real noção do porquê estamos vivos. Não nascemos prontos. Assim como os pequenos membros de nosso corpo são alimentados e crescem, igualmente, crescem nossos anseios e sonhos. Somos uma obra inacabada em constante transformação. Precisamos nutrir sonhos, assim como nutrimos nosso corpo físico.

As escolhas diárias que fazemos moldam, dando forma a quem somos e estabelecem nosso destino. Alguns gostam de fugir da responsabilidade que todos temos de lidar com nosso interior. O ditado popular que afirma que: “pau que nasce torto, morre torto”, é cômodo e fatalista. Porque, isenta-nos, por completo, de participar do processo. Viramos marionetes de nosso DNA e das circunstâncias.

Discordo desta afirmativa, já que, somos produto direto de nossos pensamentos. Certamente, os que acolhem esta definição de si mesmos, não lutam ou são incentivados a perseguir qualquer nível de transformação, por menor que seja. No entanto, há os que assumem seu papel de protagonistas, apostando na plasticidade de seu cérebro. Estes, renovam suas mentes e permanecem focados nas conquistas, estabelecendo metas cada vez mais ousadas.

Recuso-me a acreditar que a vida é um jogo de cartas marcadas. Não seria coerente assumir que, independentemente do esforço que se faça, não temos possibilidade de influenciar nosso destino. Se isso fosse verdade, nossa responsabilidade e livre arbítrio seriam completamente removidos da equação da vida. Deus nos gerou para protagonizarmos nossa história com o auxílio dEle. Ele tem planos conosco e nos criou com um destino que é escrito à quatro mãos.

Superando os desafios

Não é a ausência de desafios que garante nosso sucesso. Ao contrário, é a presença deles que extrai de nós o poder que nos transforma. Quanto mais olhamos para o lado e nos comparamos com quem quer que seja, tanto mais perdemos nosso foco. Fomos feitos para contemplar apenas uma pessoa – Jesus. Ele é nosso modelo, o único que serve como parâmetro para que lutemos, de forma correta, por nosso destino.

Ele é o exemplo que precisamos e também a companhia que necessitamos na jornada. Ele é um amigo fiel. É um Pai que torce e aplaude a conquista de cada filho. O Salvador que conhece e se identifica com nossas limitações. É também, o que tem poder para transformar qualquer circunstância que nos limite. Nosso Criador nos desenhou com um propósito.

Abraçar o desafio de desbravar este território desconhecido, que só pode ser conquistado por cada um de nós, é o primeiro passo rumo à maturidade. Desenvolver nossos sentidos e a capacidade de se relacionar com o próximo é requisito primário para o avanço. Ninguém vive isolado, ou de forma independente. Nossas escolhas afetam quem nos rodeia, e somos insubstituíveis. Fomos criados para viver em comunidade.

Deus nos quer

“Deus não quer algo de nós. Ele simplesmente nos quer.” C S Lewis

Quando reconhecemos que nossa origem é Deus e que Ele se importa, nossa perspectiva muda. A partir desta ótica, somos capazes de sonhar e fazer planos, afinal Deus está comprometido conosco. Sozinhos certamente fracassamos, mas com Ele em nosso time temos alguma chance. O tipo de relacionamento que Deus deseja construir conosco é de parceria. Só assim o desenho de nossa existência toma forma e fica completo.

Tentar percorrer esta trajetória sem o auxílio dEle é cansativo e solitário. Desanimamos com muita facilidade se não pudermos renovar nossa expectativa em quem Ele nos criou para ser. Infelizmente, o índice de pessoas com grande potencial que desistem de lutar por seus sonhos é muito alto. Desistem porque os fracassos são reais e inevitáveis. Se não tivermos para onde correr, sucumbimos.

A certeza de que podemos mudar com Sua ajuda, acrescenta colorido aos nossos dias. Temos que ter expectativa de dias melhores, de progresso. Cada erro cometido pode e deve ser transformado em aprendizado. Posicionar-se diante da vida desta forma é garantia de que não desperdiçaremos nossa existência com coisas fúteis e passageiras.

“Não podemos confiar em nós mesmo nem em nossos melhores momentos. Por outro lado, não devemos nos desesperar nem mesmo nos piores, pois nossos fracassos são perdoados. A única atitude fatal é se dar por satisfeito com qualquer coisa que não a perfeição.”  C S Lewis