Quando não sou o motorista; curto o trajeto.

Quando não somos os motoristas; temos opção de curtir o trajeto. É assim na vida e no trânsito.

Curto o trajeto, quando não sou o motorista

Os motoristas, especialmente os bons motoristas, sabem que é desafiador ocupar o banco do carona. Inegavelmente a dificuldade aumenta, quando quem dirige não tem segurança. Frequentemente este tipo de situação acrescenta tensão tanto para quem está ao volante, quanto para quem está no banco do carona. Os palpites e sugestões mais atrapalham do que ajudam; potencializando a indecisão e dificultando as escolhas. É comum, nestes casos, o caroneiro frear junto com o motorista e se assustar com alguma escolha que o outro faça. Instintivamente buscamos controle e segurança e isto, apesar de ser legítimo, pode ser exagerado, ocasionalmente.

Situações desagradáveis como esta são geradas quando duas pessoas tentam fazer o que apenas uma deveria estar fazendo. Em nossa vida este padrão de comportamento se repete em circunstâncias variadas. Muitos de nós estamos ao volante tempo suficiente para não admitir mudança de rota. Por isso, não toleramos diminuir a velocidade, nem mesmo para apreciar a paisagem. Estamos no comando e nos incomodamos com qualquer intervenção externa que questione nossos métodos ou interfira em nossa rotina. Jamais confiamos o volante a quem quer que seja, especialmente se o suposto motorista for inexperiente. Assim comportam-se as pessoas que abordam a vida com rigor e pouca flexibilidade.

Inegavelmente motoristas experientes desenvolveram capacidades que novatos não possuem. Porque, esta é uma prerrogativa de todos que exercem uma atividade por tempo suficiente para incorporá-la ao seu DNA. No entanto, o conhecimento não deve subtrair oportunidades de conviver com o novo. Pois, temos que ter capacidade de extrair novidade do cotidiano. Já que, é exatamente este tipo de postura que acrescenta sentido e leveza, à dureza de algumas situações. Portanto, o olhar do outro deveria ser sempre bem-vindo. Ao classificarmos corretamente as inseguranças dos  novatos, não como incapacidade, e sim como imaturidade; contribuímos para seu amadurecimento. Do contrário, corremos risco de catalogar o inesperado como inadequado. 

“A diferença entre uma paisagem e outra é pouca; é grande, porém, a diferença entre os que a contemplam.” Ralph Waldo Emerson

Sentados no banco do carona

Quando sentamos no banco do carona tensos e preocupados com a inadequação de quem dirige, não curtimos o trajeto. Além disso, interferimos na oportunidade que o outro tem de desenvolver suas habilidades, que podem nos surpreender. Porque um novo jeito de fazer a mesma coisa poderá acrescentar beleza e talvez até velocidade ao trajeto. A diversão será sempre garantida quando abordarmos a vida com esta atitude. Os imprevistos do percurso servirão de aprendizado, já que estamos sempre aprendendo. De maneira idêntica, nossa postura relaxada e amistosa agrega segurança aos que iniciam sua jornada.

A estrada poderá ter curvas, descidas e subidas que conhecemos muito bem. Mas, por mais experientes que sejamos, não temos garantia de que algum novo caminho não possa ser desbravado. Obviamente o compartilhar da experiência se dá também de forma objetiva, com sugestões e orientações. Porém, somos muito mais efetivos quando demonstramos confiar na capacidade de quem nos sucede. A estrada da vida é desafiadora demais para os que não se percebem como finitos e limitados. Por isso, os eternos aprendizes, que se levam menos a sério, são mais felizes. Aumentam, também, as chances de aprendizado mútuo quando concedemos ao outro a chance de demonstrar o que sabe.

Contudo, existem casos em que estamos na companhia de excelentes motoristas. O desafio nestes casos é confiar em sua habilidade e usufruir do conforto de não ter que tomar decisões. Pode parecer que é mais fácil relaxar quando é o bom motorista que está ao volante, mas nem sempre é. Nossa necessidade de estar no controle é que nos leva a permanecer tensos, dirigindo junto com o motorista experiente ou inexperiente. Já que, não é a capacidade do motorista que aciona este mecanismo, e sim nossa postura diante de algo que nos remove do controle da situação. Largar definitivamente o volante, quando se está ou não dirigindo é, portanto, uma escolha pessoal

“O viajante ainda é aquele que mais importa numa viagem.” André Suarés

Entregando o volante para o Bom Motorista

Nossa abordagem da vida é muito semelhante a figura de alguém que senta-se no banco do carona. Necessitamos entregar o volante em alguns momentos para que escolhas diferentes sejam feitas. Existe um Bom Motorista disponível; Ele é o melhor. Porque já viu muitos se consumirem no trajeto. Ele conhece como ninguém os detalhes da estrada e os atalhos disponíveis. No entanto, nem sempre opta pelo caminho mais rápido, porque existem aprendizados que só obtemos quando andamos mais devagar. Ele nunca se atrasa e nem se adianta em relação ao nosso futuro, é muito pontual e comprometido. Ele é detalhista e tem um plano perfeito para nos conduzir para nosso destino.

Este Bom Motorista foi quem criou nossa vida e a estrada; assim como foi Ele quem desenhou um futuro para cada um de nós. Ousar entregar-lhe a direção de nossa vida é poder descansar de forma definitiva no banco do carona. Possivelmente Ele nos convidará a assumir o volante em alguns momentos, não porque esteja cansado, mas porque generosamente quer nos ensinar. Ele não dará palpites, deixando-nos livres. Como um motorista experiente, Ele senta-se no banco do carona, porque sabe que nossos erros nos ensinam tanto quanto nossos acertos. Seu desejo não é que sejamos marionetes, no entanto, planejou que aproveitássemos a paisagem. Por isso, eventualmente; assume o volante.

Não existe desvio de rota que Ele não possa consertar e nem atraso que não possa corrigir. Quando permitimos que Deus embarque conosco nesta viagem, temos garantia que chegaremos ao destino em segurança. Ele tem poder suficiente para nos guardar e ensinar a percorrer a estrada de maneira segura. É Seu desejo que aprendamos a nos divertir ao longo do percurso. Porque ao transitar construímos um caminho único e pessoal, que nos transforma. Certamente, mais importante que chegar é render-se à metamorfose proposta. Sábios são os que compreendem a necessidade de dirigir, pegar carona e entregar o volante de forma definitiva. Porque não temos que dirigir cansados e nem é sábio desperdiçar a aventura de viver.

“Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e o mais Ele fará.” Salmos 37:5

Autor: bygrace73513376

Sou gaúcha, amo biografias e gosto do desafio de compartilhar fragmentos da minha. Faço parte de uma geração analógica que usufrui dos benefícios da era digital. Por isso, o bygrace é produto de uma jornada analógica, compartilhada de forma digital.

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