O preço da autenticidade

Ser autêntico é entender que temos uma identidade que nos torna únicos. Pagar o preço por ela faz parte do processo de solidificá-la.

Preço da autenticidade

Tudo que tem valor nesta vida tem um preço. Com a autenticidade não é diferente. Ser autêntico é ter coragem de abrir mão da aceitação, quando ela compromete nossa essência. Porém, este posicionamento não pode ser confundido com isolamento ou arrogância. Mas, está intimamente relacionado com o valor de nossa identidade.

Somos seres relacionais, e precisamos uns dos outros. A busca do pertencimento é legítima e completa nossas lacunas. Inegavelmente, a história familiar de muitos é recheada de desencontros e cicatrizes. A existência destes traumas não pode ser ignorada. Algumas feridas nem foram corretamente cicatrizadas, quando novos golpes no mesmo lugar acontecem.

Contudo, é importante destacar e diferenciar a importância de decidir pagar o preço para ser quem somos, do que significa pertencer. Quando o preço da aceitação compete e anula quem somos, devemos ter coragem de abrir mão da aceitação. Pagar o preço da autenticidade pode incluir lidar com rejeição e distanciamento.

Às vezes, ser aceito e ser autêntico não coexistem. Nem sempre teremos as duas coisas, e quando não for possível manter alguma circunstância ou relacionamento, temos que ter coragem de partir. A seleção acaba sendo consequência de nosso posicionamento, sendo na maioria das vezes, inevitável.

Tendo coragem de lidar com o fracasso

Não existe acerto sem erro, ou conquista sem fracasso. Toda vez que permitimos que o fracasso ou o erro nos paralise, desistimos de ser quem somos. A dor da rejeição ou da crítica precisa ser menor do que nosso desejo de seguir em frente.

Essas dores são reais, mas podem ser curadas. O remédio mais eficiente para tratá-las é admitir sua existência, nomeando-as e decidindo lutar contra elas. As máscaras não ajudam, pelo contrário, nos distanciam de nosso destino.

“Autenticidade não é pra quem pode, é pra quem quer levar a vida sem o peso das máscaras.” Day Anne

Sempre que nos escondemos atrás de uma versão distorcida de nossos sentimentos ou circunstâncias, boicotamos a nós mesmos. O instinto de levantar muros em torno de nossa frustração ou ferida é universal. Mas, é também, o caminho mais curto e menos eficiente, que em alguma medida todos percorremos.

Decidindo pagar o preço

A única maneira legítima de viver em comunidade é ter coragem de ser quem somos. Isso inclui assumir responsabilidade pelos erros, deixando de culpar outros por nossos fracassos. Ser protagonista é também desbravar um território não conhecido.

A decisão consciente e pessoal de pagar o preço de conquista de nossa identidade acontece gradativamente. Cada lição é aprendida a seu tempo, numa velocidade diferente. O imediatismo não contribui, às vezes, inclusive nos atrasa. A sensação de andar em círculos é real, e denuncia uma lição não aprendida.

O isolamento nunca representa uma alternativa, embora possa ser consequência de alguns períodos de transição. Ele não pode ser definitivo, mas não podemos evitar que algumas pessoas passem por nossa vida e decidam não prosseguir ao nosso lado. Ou ainda, que algumas circunstâncias acabem.

O fim de uma estação deve ser percebido sempre como o início de outra. Contabilizar os erros deve ser parte do aprendizado, mas focar neles não é sábio nem oportuno. Os acertos e as conquistas são nosso alvo.

Olhando para o copo meio cheio

Nenhum de nós é tão bom em algo que não precise aprender com alguém. Assim como, ninguém é tão ignorante que não tenha algo para oferecer. Por mais que nossas emoções e nossa mente queira nos trair, nossa contribuição acontece em alguma medida. Temos que escolher enxergar o copo meio cheio.

A tentação de olhar para o copo meio vazio é real, mas temos livre arbítrio. Certamente existem erros, porém os acertos também estão lá. Os problemas não podem brilhar, ofuscando as conquistas e os avanços. Os gigantes precisam ser conquistados, contudo, nosso olhar precisa estar na riqueza da terra.

“Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho. Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!” Machado de Assis

Precursores e heróis são solitários

“E infamaram a terra que tinham espiado, dizendo aos filhos de Israel: A terra, pela qual passamos a espiá-la, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos nela são homens de grande estatura. Também vimos ali gigantes, filhos de Anaque, descendentes dos gigantes; e éramos aos nossos olhos como gafanhotos, e assim também éramos aos seus olhos.” Números 13:32,33

E Josué, filho de Num, e Calebe filho de Jefoné, dos que espiaram a terra, rasgaram as suas vestes. E falaram a toda a congregação dos filhos de Israel, dizendo: A terra pela qual passamos a espiar é terra muito boa.” Números 14:6,7

Josué e Calebe tiveram uma opinião muito diferente dos dez companheiros que espiaram a terra com eles. Eles estavam em minoria, mas estavam certos. A terra conquistada era boa, possuía leite e mel e também gigantes. Quando decidimos conquistar a terra, não podemos olhar para os gigantes.

Inevitavelmente a seleção dos que nos acompanharão nesta jornada é feita. Os que enxergam os gigantes ficam de um lado, os que enxergam o leite e mel ficam de outro. Não se culpe quando algumas pessoas se afastam. Tenha coragem de perseguir seus sonhos e viver trajetos solitários. Tenha certeza que esse é um dos preços que pagamos quando decidimos ser autênticos.

Autor: bygrace

Estou Secretária executiva, amo biografias, escrever, ler e recentemente lancei meu primeiro infoproduto. Desejo contribuir para que mais pessoas assumas seu protagonismo.

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